Onde Se Lê “Indústria”…

… leia-se “educação à la costas”.

Este último aspecto é fulcral: a indústria tem de nos educar na estupidez, pois nós não somos naturalmente estúpidos. Pelo contrário, vimos ao mundo criaturas inteligentes, curiosas e ávidas de instrução. É necessário imenso tempo e esforço, individual e colectivo, para adormecer e, por fim, atrofiar as nossas capacidades intelectuais e estéticas, a nossa perceção criativa e o nosso uso da língua.

Alberto Manguel, A Cidade das Palavras, p. 124

E ainda se aplica o que é dito sobre a literatura fast food, que agora se apresenta nos escaparates como se fosse equivalente a “qualquer clássico antiquado ou de os leitores não são suficientemente inteligentes para tirarem partido da «boa» literatura.”

Não é por acaso que os defensores das “aprendizagens essenciais” estão quase todos do lado da depilação ortográfica. É tudo muito “moderno” e “século XXI”.

O Que Uma Pessoa Diz E Faz Para Ganhar A Vidinha

Grande parte destas “entidades”, criadas com nome forsomethig fazem-me lembrar os vendedores de banha da cobra de outrora. São capazes de diagnosticar inundações no deserto e hiper-pilosidade em bolas de bilhar para justificarem o seu ansiado “nicho de mercado”. O pior é que há “jornalismo” que acha que isto merece títulos como se fossem a sério. A culpa da disseminação da estupidez é só das redes sociais?

Clementina Almeida, fundadora do ForBabiesBrain, primeiro spa clínico para bebés da Europa, diz que “no pré-escolar, a criança já pode trazer um gap com repercussão direta no seu sucesso escolar pelo menos até aos 10 anos.”

Fica Confirmado, Acima De Qualquer Dúvida, Que Esta Malta Entrou Em Desvario…

… quando o senhor director-geral da Educação manda para as escolas ao início da tarde de hoje, depois de uma manhã em que já existiram reuniões de avaliação dos 9º e 12º anos, que são os terminais do Básico e do Secundário (embora estes ainda com exames), este tipo de esclarecimento (que ao que parece alguém pediu) acerca de um assunto que é muito caro ao senhor secretário de Estado, seu superior hierárquico, ou seja, a certificação da participação em projectos relacionados com a “componente de Cidadania e Desenvolvimento” (que no Secundário nem é disciplina).

Isto parece-me demasiado caricato, para merecer prosa mais alongada. Fica aqui o ofício e acho que chega como prova provada de que entrámos na estratosfera da idiotice certificadora.

Agora Já Querem Mudar…

a “matriz de risco”, porque estará desactualizada. Atendendo que os casos estão a aumentar com menos testagem, a “desactualização” da dita matriz seria maior há uma semanas e ninguém a mudou. Só que agora se trata de Lisboa e quem se mete com o turismo do Medina, já sabe que leva.

A norte, Rui Moreira também parece alinhar no “já vale tudo”, desde que os cámones tragam dinheiro e façam compras.

Assim, não haverá imunidade de grupo que aguente.

Manual Para Eunucos Linguísticos

Confesso que de qualquer organismo dirigido pelo Francisco Assis (aquela “população que um dia, quando era de noite numa localidade portuguesa do norte do país, foi atingida ou esteve para ser por uma manifestação de intolerância cívica, protagonizada por mãos em movimento rápido”) espero todo o tipo de parvoíce, armada em inovação. O homem gosta de estar em lugares, fazer coisas, parecer modernaço.

Por mim, os responsáveis por este tipo de iniciativas “neutras e inclusivas” podem bem ir fazer amor consigo mesmo, se ainda tiverem equipamentos anatómicos em condições de desempenhar essa função que permite algum prazer aos indivíduos de todas os credos, etnias e géneros.

Gestor é substituído por ‘população com cargos de gestão’ e trabalhadores passam a ‘população trabalhadora’. Tudo pela inclusão e pela linguagem neutra. Proposta retirada antes da votação

A imagem seguinte deve ler-se, numa perspectiva inclusiva, da seguinte forma “população caucasiana com capacidades intelectuais moderadas em relação à média desejável para a população em geral, atendendo a padrões padronizados de forma convencional, de acordo com parâmetros a carecer de revisão, tenta atingir um inocente insecto que decidiu descansar no seu órgão olfactivo, com artefacto produzido em contexto artesanal, havendo ainda a possibilidade de, com esse acto, estimular a sua actividade neuronal”.