20.000 Euros (x2) Em Direitos Parciais De Autor, Mais Uns Milhares Para Conferências E Seminários?

E que tal 3.450 euros para “Aquisição de Serviços de Oradores/Dinamizadores para vários seminários”, neste caso apenas para uma colaboradora residente desde Fevereiro até final de Maio. Para a Faculdade de Educação e Psicologia da Católica vão mais de 6000 euros para o mesmo efeito ´(durante um mês) num dos contratos. Para o Instituto de Educação vão 3.658,53 euros por 38 dias de serviços.

Acho bem que Roma pague aos seus colaboradores.

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3ª Feira

A nossa comunicação social de referência está quase toda absolutamente completamente preocupada com o fenómeno das fake news. Em vez de reflectirem no que fizeram de modo a quetal se multiplicasse a partir dos media convencionais, desdobram.-se em denúncias do presente. Mas, nos seus espaços, abrigam um híbrido de “(ex?)jornalistas-comentador@s” que dizem o que lhe lhes apetece sem qualquer verificação sob o manto a “opinião”. Que deve naturalmente ser livre mas ter alguma substância em factos. Sei disso por experiência própria porque já tive de me ir defender em tribunal de coisas desse género, “salvando-me” os factos que aduzi serem verdadeiros e a outra parte apenas fingir o ultraje pela porcaria feita exactamente por emitir juízos de valor sem os ter (aos valores, aos factos). Mas os tempos estão escorregadios e agora parece bem dizer (de novo) que a “verdade” é apenas uma questão de perspectiva que 800 ou 600 ou 400 ou 200 é tudo o mesmo, ou quase, sendo sempre “muito” ou “insustentável. Algumas dessas cabeças (ou em alguns casos beiças) falantes beneficiam de estar em tempo de antena nobre, sem contraditório, como se fossem elas as descodificadoras legítimas das situações, quando não passam de manipuladoras ao serviço de causas que, em “muitos” casos, precisam da simpatia dos poderes para sobreviver. Se em tempos endeusaram zeinais, granadeiros, berardos e salgados e alguns até os doutoram por causa da “honra”, querem que alguém minimamente informado lhes dê crédito. A sorte é que tudo anda a ser feito para que o maior número de cidadãos seja o mais desinformado e consequentemente acrítico possível. E nesse particular há quem ande a prestar inestimáveis serviços à causa.

Uma Circular – Finalmente – Com Algum Sentido

A mais de um nível. Embora seja o mesmo ministério que não equipa as escolas e agrupamentos com o pessoal não docente indispensável.

No agrupamento de escolas de Benavente, os alunos deixaram de poder sair da escola para ter aulas de educação física no pavilhão municipal. A decisão do diretor surge no seguimento de uma circular da DGEstE (Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares) enviada a todas as escolas do país e a que o Observador teve acesso.

“Considerando a necessidade, em alguns AE/ENA [agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas], de os alunos se deslocarem para outros locais fora das instalações da escola onde decorrem algumas atividades letivas, designadamente, aulas de educação física, devem os senhores diretores obter a autorização dos respetivos encarregados de educação para o efeito, e garantir que os alunos são sempre acompanhados por, pelo menos, um trabalhador do AE/ENA durante todo o percurso das deslocações”, lê-se no documento.

Claro que não me admira que, na mesma peça, surja quem se preocupa mais em defender o seu domínio sobre o currículo do que em reivindicar condições físicas adequadas nas escolas para a prática da disciplina, discorde da medida. Porque fazer Educação Física em áreas sem quaisquer condições como sótãos, pavilhões ainda com amianto ou com o revestimento a dar as últimas ou fazer a miudagem do 5º ano sair em 10 minutos da escola para pavilhões a centenas de metros de distância e voltarem no intervalo não é problema que considerem relevante.

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(já agora… era tão bonito que existisse coragem para se falar em certas práticas de avaliação no Secundário, agora que conta para a média e é preciso provar que há alunos que beneficiam disso… sendo naturalmente mais fácil que isso aconteça com os que pouco pescam do resto…)

 

E Valerá a Pena?

Perder um par de horas em pleno Agosto para demonstrar, em 7000 caracteres, a falsidade do spin de um governante que quer ficar sempre bem na fotografia?

Serve de alguma coisa, numa era de pós-verdades e ostensiva indiferença por um debate racional e fundamentado?

Para mim, ainda vale a pena, nem que seja para que, em 2018 como 2008, fique bem claro que nem todos pactuam ou tentam passar por baixo do radar para que possam continuar a viver a sua vidinha.

Bigorna

Esta Posição do PCP é Absolutamente Lamentável…

… e faz lembrar o que algumas das suas práticas têm de pior no lançamento de suspeições sobre tudo o que não controla. Só o excerto que transcrevo contém suspeições não fundamentadas em quaisquer factos, informações falsas e outras truncadas. Uma das passagens é objectivamente difamatória para os promotores da ILC. Pessoalmente não me surpreende ou sequer ofende, porque conheço bem os meandros da “máquina”.

Mas uma coisa é querer defender o papel da Fenprof e o protagonismo do herói da luta Mário Nogueira, outra o mentir ou lançar assim um manto de poeira (para não dizer lama) sobre o tema. O PCP sabe que no OE para 2018 não vem nenhuma “lei” que exija a reposição do tempo de serviço. Isso é falso. O PCP sabe que um processo de revisão do ECD não depende em nada de uma iniciativa legislativa como esta e que pode ser aberto a qualquer momento, com ou sem acordo dos sindicatos.

Mas o que é mesmo pior é que acenando com o medo da revisão do ECD, o PCP demonstra que, por si, os professores não teriam qualquer estatuto de carreira específico.

Independentemente das dúvidas quanto à sua origem e autores, trata-se de uma iniciativa que, invocando a defesa dos professores, contribui para prejudicar os seus direitos e interesses, servindo os objectivos e o discurso do Governo em todo este processo. [mentira]

A Iniciativa Legislativa de Cidadãos pretende recolocar em discussão a questão da contagem do tempo de serviço quando esta já ficou decidida no OE 2018. Pretende remeter para 2019 aquilo que ficou decidido no OE iniciar-se já em 2018. [mentira] Pretende remeter para a Assembleia da República a aprovação de (mais) uma Lei quando o que se exige é o cumprimento pelo Governo da Lei do OE 2018. Pretende utilizar o descongelamento da progressão na carreira como pretexto para abrir um processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente [mentira]. Pretende estabelecer por via de Lei regras que podem ser prejudiciais aos professores [mentira] e que, sendo discutidas na negociação colectiva, podem ter soluções específicas mais adequadas. Pretende ainda fixar para os professores uma solução de excepção face aos restantes trabalhadores da Administração Pública, incluindo os das restantes carreiras especiais, ocultando todos os problemas que levantaria uma decisão dessa natureza e os pretextos acrescidos que assim se davam ao Governo para o seu não cumprimento.

Com que então pretendemos uma “solução de excepção”? A sério… as carreiras gerais recebem o tempo todo de serviço que prestaram e pedir o mesmo é que é “excepção”. Não é de agora que algum sindicalismo acorrentado ao PCP defende a “unidade dos trabalhadores da Administração Pública” no sentido da diluição das suas especificidades e da indiferenciação. “Somos todos Arménio Carlos” é o que se pretende. No meu caso, gostaria antes que no PCP existisse a coragem de não promover o sindicalismo como profissão vitalícia na classe docente.

E, já agora, para que não exista qualquer confusão, acho que este comunicado é dos nacos mais vergonhosos da estratégia recente do PCP de andar pela trela do Governo, fingindo que não. E uma manifestação objectiva do desdém ancestral que certos sectores políticos revelam pelo “trabalho intelectual” quando não colocado ao serviço da sua propaganda.

No caso da ILC apostaram em manobras algo subterrâneas de boicote nas redes sociais e em comentários nas escolas em reuniões sindicais. Soubemos disso, mas fomos ficando calados. Em especial quem sabia do que se passava por múltiplas fontes. No meu caso, fui ficando à espera de ver até que ponto desceriam quando fossem ultrapassadas as 20.000 assinaturas, o que era mais do que previsível perante um estrondoso fracasso negocial de alguns sindicatos que pensavam que reuniões trimestrais diziam alguma coisa aos professores.

“Independentemente das dúvidas”.

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Pessoalmente, Acho Fantástico

Que a OCDE já tenha conseguido fazer uma review do nosso pafismo educacional ainda o ano lectivo da sua implementação experimental iria a meio (a referência a algo mais recente é de Janeiro de 2018). Realmente, nada como ter amigos em altos lugares para se conseguir ter o balanço ainda a coisa vai a arrancar e ter conclusões escritas ainda antes do estudo em si. E depois querem que acreditemos que isto é a sério e que não é tudo um fingimento encomendado?

Reparemos no “trabalho de campo”: que já tem pesquisa e análise por uma equipa com quase tantos membros quanto as escolas visitadas

The review draws on research and analysis, as well as information gathered during one case study visit. This visit included trips to nine schools that are taking part in the pilot project, and one school that is not in the pilot project. The members of the pilot review mission included: Miho Taguma and Lars Barteit (OECD Secretariat), Connie Chung (independent researcher, United States), Valerie Hannon (Board Director and CoFounder, Innovation Unit) and Sietske Waslander (Professor of Sociology, Tilburg University, Netherlands), and Luis E. Gracía de Brigard (Founder and Managing Partner, Appian Education Ventures).

As visitas às escolas tiveram a duração de três horas e meia que, como sabemos, é o padrão para todos os trabalhos de investigação, com o objectivo de “pesquisa e análise”, em especial quando os visitantes são de fora e precisam de uns coffee-break para combaterem o jet lag.

A sério, aconselho seriamente a leitura do itinerário da equipa e a composição de alguns painéis (conheço várias pessoas envolvidas, algumas das quais só podem ter sido apanhadas nisto por convocatória vinculativa, espero) no final do volume. Volume esse que, admito, é um belo naco de propaganda com a aparente legitimidade de um estudo externo e científico”.

Já agora… antes de ser acusado de negativista e de uma visão crítica destrutiva, ponderem bem no que foi a “investigação”, o momento em que foi feita e a a riqueza da análise encomiástica para a iniciativa. Porque quem tem um pingo de conhecimentos sobre como estas coisas deveriam ser feitas numa perspectiva séria, dificilmente poderá considerar isto muito diferente de uma visita daquelas delegações dos tipos da troika para analisarem as nossas contas públicas.

O Jornalismo (Quase) Redescoberto

Ontem dei-me ao trabalho de acompanhar mais de meia hora o Expresso da Meia Noite, coisa que não fazia há muito, desde que comecei a achar que as notícias que interessavam conhecer morriam no Expresso, quando comprava o exclusivo de diversos papers. Ou quando se truncava informação, omitindo nomes, com a desculpa de “o que interessa é mudar os procedimentos”.

Eu discordo. Discordava. Discordarei. Precisamos de saber, com nome e cara estampada, quem foram aqueles que acentuaram os velhos traços de Portugal como um recanto amigável para redes de corrupção, nepotismo e caciquismo. Tabloidização? Transparência? Não sei… o que sei é que há muito que é sabido e não publicado, não por falta de provas equivalentes ao que é divulgado, mas porque não convém em dado momento.

(quem seguiu o programa, terá ouvido uma jornalista dizer que sabe quem é um “Pluto” na lista de pagamentos do GES, mas que não é “relevante”… será mesmo?)

O painel, com moderadores incluídos, tinha 6 jornalistas que, talvez por serem mais novos do que eu, pareciam estar a descobrir naquele momento o país em que têm vivido. Num lapso, um deles lá afirmou que desde 2004, quando Sócrates se candidatou a líder do PS, se sabia que alguma coisa de menos bom o rodeava. Mas que todos se tinham calado. Pois… mas se até eu sabia que Sócrates era “má moeda” e vivo no desterro aldeão, sem acesso a tertúlias da grande urbe, como é que eles podem dizer que eram apenas “rumores” que acabaram por não ser notícia.

Raios, desde 1987 que eu não votava para as legislativas e mexi-me em 2005 para votar contra o que aí vinha. Não sabiam? Não eram nascidos? Não queriam saber? Não os deixaram noticiair? A culpa foi da inépcia do Santana?

Não. As razões foram outras que um dia talvez alguém tenha coragem para admitir, quiçá depois de prescrever o que fizeram, omitiram, receberam, etc.

Outra coisa gira foi dizer que nada disto se sabia durante o mandato de Sócrates. Que o Ministério Público agarrou em coisas posteriores, de 2013 e foi recuando até dar com as outras. Phosga-se, que grande treta.

Em 2008 e 2009 já não se sabia que aquilo estava “podre”? São capazes de dizer que não sabiam de nada mesmo? Ainda houve quem dissesse, durante o programa, que o silêncio da classe política é enorme e que pouco se diz sobre o que se vai sabendo “agora”. O Santos Silva é assim tão ingénuo? O próprio António Costa? E o que dizer do Grupo Lena facturar à grande com a Parque Escolar, mas ninguém tocar na MLR, mesmo depois do caso João Pedroso (sim foi ilibada à 2ª, mas alguém tem dúvidas do que se estava a passar?).  Não se tinha apercebido de nada? Porque eu bem vi quem eram os governantes no lançamento do livro dela… o jamé e o campos da testa alta, que depois apareceu em fotos nos copos a ver tv com o engenheiro. Tudo bons rapazes e rapariga. De nada souberam. A muralha d’aço vai proteger esta gente até quando?

Pois… o silêncio é da classe política, mas não só.

Perguntem a alguns dos senadores do jornalismo de sofá, alguns deles dos vossos grupos editoriais, que subiram – não apenas no actual Global Media – a posições de muito poder e acesso a informação há uma década, e depois digam-me onde e porque começou a omertá. Perguntem a muitos colegas que andaram por esse mundo a fazer a “cobertura de eventos” com muita coisa paga, às claras ou às escuras. A sério que não sabem mesmo como apareciam certas notícias? Durante segundos, no programa, falou-se mesmo em “publicidade”, mas o programa estava quase a acabar.

A sério que não sabem mesmo de nada?

Ou é apenas para se limparem de não terem dado ouvidos a quem vos avisou que o barco estava cheio de ratos a dar cabo de tudo?

Surdez