Pessoalmente, Acho Fantástico

Que a OCDE já tenha conseguido fazer uma review do nosso pafismo educacional ainda o ano lectivo da sua implementação experimental iria a meio (a referência a algo mais recente é de Janeiro de 2018). Realmente, nada como ter amigos em altos lugares para se conseguir ter o balanço ainda a coisa vai a arrancar e ter conclusões escritas ainda antes do estudo em si. E depois querem que acreditemos que isto é a sério e que não é tudo um fingimento encomendado?

Reparemos no “trabalho de campo”: que já tem pesquisa e análise por uma equipa com quase tantos membros quanto as escolas visitadas

The review draws on research and analysis, as well as information gathered during one case study visit. This visit included trips to nine schools that are taking part in the pilot project, and one school that is not in the pilot project. The members of the pilot review mission included: Miho Taguma and Lars Barteit (OECD Secretariat), Connie Chung (independent researcher, United States), Valerie Hannon (Board Director and CoFounder, Innovation Unit) and Sietske Waslander (Professor of Sociology, Tilburg University, Netherlands), and Luis E. Gracía de Brigard (Founder and Managing Partner, Appian Education Ventures).

As visitas às escolas tiveram a duração de três horas e meia que, como sabemos, é o padrão para todos os trabalhos de investigação, com o objectivo de “pesquisa e análise”, em especial quando os visitantes são de fora e precisam de uns coffee-break para combaterem o jet lag.

A sério, aconselho seriamente a leitura do itinerário da equipa e a composição de alguns painéis (conheço várias pessoas envolvidas, algumas das quais só podem ter sido apanhadas nisto por convocatória vinculativa, espero) no final do volume. Volume esse que, admito, é um belo naco de propaganda com a aparente legitimidade de um estudo externo e científico”.

Já agora… antes de ser acusado de negativista e de uma visão crítica destrutiva, ponderem bem no que foi a “investigação”, o momento em que foi feita e a a riqueza da análise encomiástica para a iniciativa. Porque quem tem um pingo de conhecimentos sobre como estas coisas deveriam ser feitas numa perspectiva séria, dificilmente poderá considerar isto muito diferente de uma visita daquelas delegações dos tipos da troika para analisarem as nossas contas públicas.

O Jornalismo (Quase) Redescoberto

Ontem dei-me ao trabalho de acompanhar mais de meia hora o Expresso da Meia Noite, coisa que não fazia há muito, desde que comecei a achar que as notícias que interessavam conhecer morriam no Expresso, quando comprava o exclusivo de diversos papers. Ou quando se truncava informação, omitindo nomes, com a desculpa de “o que interessa é mudar os procedimentos”.

Eu discordo. Discordava. Discordarei. Precisamos de saber, com nome e cara estampada, quem foram aqueles que acentuaram os velhos traços de Portugal como um recanto amigável para redes de corrupção, nepotismo e caciquismo. Tabloidização? Transparência? Não sei… o que sei é que há muito que é sabido e não publicado, não por falta de provas equivalentes ao que é divulgado, mas porque não convém em dado momento.

(quem seguiu o programa, terá ouvido uma jornalista dizer que sabe quem é um “Pluto” na lista de pagamentos do GES, mas que não é “relevante”… será mesmo?)

O painel, com moderadores incluídos, tinha 6 jornalistas que, talvez por serem mais novos do que eu, pareciam estar a descobrir naquele momento o país em que têm vivido. Num lapso, um deles lá afirmou que desde 2004, quando Sócrates se candidatou a líder do PS, se sabia que alguma coisa de menos bom o rodeava. Mas que todos se tinham calado. Pois… mas se até eu sabia que Sócrates era “má moeda” e vivo no desterro aldeão, sem acesso a tertúlias da grande urbe, como é que eles podem dizer que eram apenas “rumores” que acabaram por não ser notícia.

Raios, desde 1987 que eu não votava para as legislativas e mexi-me em 2005 para votar contra o que aí vinha. Não sabiam? Não eram nascidos? Não queriam saber? Não os deixaram noticiair? A culpa foi da inépcia do Santana?

Não. As razões foram outras que um dia talvez alguém tenha coragem para admitir, quiçá depois de prescrever o que fizeram, omitiram, receberam, etc.

Outra coisa gira foi dizer que nada disto se sabia durante o mandato de Sócrates. Que o Ministério Público agarrou em coisas posteriores, de 2013 e foi recuando até dar com as outras. Phosga-se, que grande treta.

Em 2008 e 2009 já não se sabia que aquilo estava “podre”? São capazes de dizer que não sabiam de nada mesmo? Ainda houve quem dissesse, durante o programa, que o silêncio da classe política é enorme e que pouco se diz sobre o que se vai sabendo “agora”. O Santos Silva é assim tão ingénuo? O próprio António Costa? E o que dizer do Grupo Lena facturar à grande com a Parque Escolar, mas ninguém tocar na MLR, mesmo depois do caso João Pedroso (sim foi ilibada à 2ª, mas alguém tem dúvidas do que se estava a passar?).  Não se tinha apercebido de nada? Porque eu bem vi quem eram os governantes no lançamento do livro dela… o jamé e o campos da testa alta, que depois apareceu em fotos nos copos a ver tv com o engenheiro. Tudo bons rapazes e rapariga. De nada souberam. A muralha d’aço vai proteger esta gente até quando?

Pois… o silêncio é da classe política, mas não só.

Perguntem a alguns dos senadores do jornalismo de sofá, alguns deles dos vossos grupos editoriais, que subiram – não apenas no actual Global Media – a posições de muito poder e acesso a informação há uma década, e depois digam-me onde e porque começou a omertá. Perguntem a muitos colegas que andaram por esse mundo a fazer a “cobertura de eventos” com muita coisa paga, às claras ou às escuras. A sério que não sabem mesmo como apareciam certas notícias? Durante segundos, no programa, falou-se mesmo em “publicidade”, mas o programa estava quase a acabar.

A sério que não sabem mesmo de nada?

Ou é apenas para se limparem de não terem dado ouvidos a quem vos avisou que o barco estava cheio de ratos a dar cabo de tudo?

Surdez

 

Secção “Isto Já Está a Demorar Muito Tempo”

Foi o inquérito, agora ainda é o processo disciplinar? Tantos meses? A sério? Eu sei que os prazo permitem isso e mais, mas… qualquer dia parece aquilo do Gil Vicente (piada futebolística… ). OU então é arquivado porque coiso e tal, tecnicalidades.

O inquérito à fuga de informação no exame nacional de português deste ano determinou a abertura de um processo disciplinar a uma professora “para apuramento de responsabilidade nesta esfera”, adiantou hoje o Ministério da Educação (ME).

O processo disciplinar é aberto em consequência do inquérito da Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC), refere o comunicado da tutela, que não especifica a que escola pertence a professora alvo do processo.

 

Expresso voltou nesta quinta-feira a apontar a presidente da Associação de Professores de Português, Edviges Ferreira, como sendo a alegada autora da fuga. Questionado pelo PÚBLICO sobre esta suspeita, o presidente do Instituto de Avaliação Educativa, Helder de Sousa, confirma-a: “[Essa indicação] faz parte das informações que reportámos à IGEC” no âmbito da investigação que esta levou a cabo. 

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