Desunião Europeia

A aparente arbitrariedade com que está a ser tratada a eventual (ou efectiva) suspensão da vacina AstraZeneca de país para país, com diferentes critérios etários, numa enorme mistura entre política e ciência demonstra com clareza que a União Europeia é uma ficção que serve para alimentar uma enorme burocracia que dá jeito às cliques políticas mas pouco mais. Quando aperta, é quase toda a gente por si ou, como no Festival da Canção, funcionando em grupos regionais ou de afinidades políticas ou económicas.

Não podemos voltar apenas à CEE?

6ª Feira

Pelas 8 da manhã, na TSF dava-se conta da “vitória” que tinha sido conseguida na reunião dos líderes da União Europeia, no sentido de desbloquear os fundos para combater a crise resultante da pandemia. Tal “vitória” (foi o termo usado no noticiário) resultou do abandono da exigência do cumprimentos das regras de Estado de Direito para aceder a fundos europeus, ou seja “a simples constatação da ocorrência de uma violação do Estado de direito não é suficiente para desencadear o mecanismo”. O que, na prática, é apenas a “vitória” de depois países (Polónia e Hungria) que pela voz e risos de Orbán e Morawiecki demonstraram que na União Europeia se poderá governar de uma forma que ultrapassa o nosso Chega e ainda se ficar a rir dos outros. Ou que, afinal, dois países do centro da Europa com proximidade à Alemanha podem bloquear decisões europeias, algo que nunca os países do sul conseguiram, mesmo quando se quiseram semi-organizar em grupo de pressão.

A ultrapassagem do “impasse” tem mais do que consequências simbólicas, mas o nosso PM já tinha declarado que não se incomodava muito com as exigências de polacos e húngaros. Até porque, se internamente se mostra muito ofendido com a “extrema-direita”, com a intolerância, o racismo e as derivas “fascistas”, lá fora, desde que paguem, fica logo amansado. O que até não admira porque mesmo cá já se tornou uso e costume do seu governo desrespeitar as regras do Estado de Direito ou o primado da Lei quando o que está em causa é impor a sua vontade a qualquer custo. A Educação é apenas um exemplo e nem de propósito ler respostas de organismos oficiais exactamente com o mesmo texto e “fundamentação” a pedidos com anos de diferença e alegações bastante diversas. Ou remeter sem qualquer pudor para articulados que dizem o contrário do que se afirma lá estar.

O “estado de Direito” foi a enterrar esta madrugada na União Europeia. Em Portugal, em muitas áreas, está em coma induzido há bastante tempo. Desde que venha o dinheiro, que se lixe. Já sabemos disso desde que se venderam jóias e dedos a representantes estrangeiros de regimes mais do que nebulosos em relação aos Direitos Humanos. É um espírito “mercenário” a toda a prova. Que o digam Sócrates na Líbia, Portas na Venezuela, tantos outros em Angola ou China. Ou mesmo os que aplaudem a Guiné Equatorial na CPLP.

Ui… Que Isto Vai Ser Uma Fartazana Para Quem Molhar O Bico Por Cá

Lá fora, nada de especial, mas por cá quem meter o nariz na coisa tem uns anos de tripa forra garantida.​

A Comissão Europeia lançou uma consulta pública para garantir que o futuro Plano de Ação para a Educação Digital reflete a experiência da União Europeia em matéria de educação e formação digital durante a crise do coronavírus.

Plano de Ação para a Educação Digital

A Comissão adotou um Plano de Ação para a Educação Digital, que inclui 11 ações de apoio à utilização de tecnologias e ao desenvolvimento de competências digitais na educação.

Isto é que vai ser mais uma reviravolta… ainda agora se estavam a habituar a dizer que o E@D não funcionou, depois de meses a dizerem maravilhas… lá vão ter de voltar à cartilha inicial.

A isto é que se chama “oportunidade”, quiçá “desafio”.

moneymagic

Comparativo Com 25 Freguesias Por Apurar

Europ2019c

Uma coisa inédita: Jerónimo assume claramente a derrota. Analisando por concelhos, em alguns bastiões históricos, o descalabro é ainda maior do que o das autárquicas. Alinha os contributos que terá dado para a governação, mas era bom que percebessem que, no mundo real, ninguém lhes dá grande crédito por isso. Seria bom que percebessem as razões. Não chega dizer que em 2014 tiveram um bom resultado por causa da troika.

A Pressa De Alguns Comentadores Em Meterem Os Professores ao Barulho…

… para explicarem a “vitória de Costa” e a “derrota de Rio” (sublinhada por comentadores próximos do PSD e não apenas do PS) acaba por atropelar o essencial… de algum modo, “venceram” os que mantiveram a posição (PS contra, BE a favor) e “perderam” os que se acagaçaram e viraram o bico ao prego (PSD e CDS). O caso do PCP é mais complexo (ou me por isso) porque resulta da erosão de um eleitorado que costumava ser fiel enquanto o PCP era fiel a si mesmo ou às suas causas e isso cada vez parece mais diluído.

Seria interessante perceber o que se passaria se o PSD (pelo menos) tivesse ido a jogo e enfrentado a chantagem de Costa.

Bla-Bla-Bla