Mudaram As Datas, Ficou O Paradigma

E sou eu e outros como eu que temos a fama de adorar a examocracia e esses chavões que gostam muito de usar os que criticam os exames como uma forma redutora de avaliar externamente as aprendizagens dos alunos e de regular o acesso ao Ensino Superior. Mas são esses críticos que estão no poder no Ministério da Educação há mais de 5 anos e falam muito, muito, mas, chegando a hora da verdade, nada fizeram de relevante, excepto acabar com o que gostaram de chamar “exame da 4ª classe” para criar provas no 2º ano de escolaridade.

São el@s que estão no poder e que, quase um ano depois da primeira vaga da pandemia, parecem renitentes em mudar o “paradigma” que tanto criticam e insistem em manter quase tudo na mesma, apenas adiando umas datas e pouco mais. Vá lá… decidiram que a realização das provas de aferição de 2º ano nas áreas da Expressão Artística e Educação Física seriam algo absolutamente irrelevante e inútil. Mas mantêm todo o resto, incluindo o essencial do “paradigma” que, mal pensem que nos esquecemos, aparecerão a criticar. Mas acerca do qual nada fizeram, quando a “oportunidade” apareceu e poderia legitimar que se repensassem as coisas. E nem se podem justificar com a falta de tempo ou pressa, como seria no ano passado. Tiveram bastante tampo mas preferiram ocupá-lo com outras coisas, certamente muito relevantes, mas que agora me escapam, pois também não terá sido a equipar escolas, alunos e professores para a segunda fase da pandemia.

Terão estado a fazer algo, certamente webinares flexíveis e inclusivas para os súbditos, com os cortesãos do costume a exibirem as vestes de honra e a arengar as parlapatices do costume, arrancadas às sebentas das profissionalizações do século XX. Ou a dialogar muito com “peritos”, nacionais e da estranja, se possível com chancela da OCDE e daquele senhor doutor que costumava cá vir, antes disto ficar um pardieiro infecto que talvez com o calor melhore. Há que definir prioridades na “acção política”.

Esperar Para Ver

O anúncio da possibilidade de adaptar o calendário de provas e exames até dia 12 de Fevereiro resulta da velha estratégia de tentar ver para onde sopra o vento na próxima semana. O vento epidemiológico, mas também a borrasca de um novo E@D que, para o Ensino Básico, terá poucas diferenças em relação ao do ano passado, sendo que algumas dessas (o nº de aulas síncronas) são no sentido de mais rapidamente fazer parte do sistema entrar em colapso. Se era possível fazer diferente? Só com a devida preparação, que não passa apenas por papelada e promessas. Mas quando se fala nisso, até o falinhas mansas fica de verniz estalado.

A maioria vai tentar fazer o seu melhor, mas nem o mais virtuoso e dedicado condutor consegue fazer uma carroça velha e com três rodas andar muito depressa e sem tombos.

Nova Calendarização Das Provas E Exames Até Dia 12 De Fevereiro

Para o que servem, as de aferição, em especial do 2º ano, deveriam ser eliminadas. Com o que se passou o ano passado e está a passar neste não fazem qualquer sentido. As de 5º e 8º também me parece que só servirão para fingir qualquer coisa.

Quanto a provas finais e exames é curioso falarem tanto em “mudança de paradigma” e não terem aproveitado para serem coerentes com a teoria. É assim que se percebe a verdadeira profundeza de certas convicções para parlapateio público.

Uma Petição Com Tudo Para Ter Sucesso

Defende a “Realização apenas de exames que servem como prova de ingresso no ensino secundário.” Algo que eu, apesar de não ser da facção anti-exames, já o ano passado achei bastante razoável, atendendo ao contexto da pandemia.

Mas com tanta gente que se afirma anti-exames, desde as tradicionais críticas à classificação do trabalho de anos de um@ alun@ muma prova de apenas 2-3 horas àquela mais recente mas que evoca o “medo ancestral” dos portugueses aos “exames, espero que as cerca de 2750 assinaturas que lá estão à hora que escrevo aumentem de forma exponencial.

Antes de mais, aos promotores, eu sugeriria – se já não lhes ocorreu – que a enviassem para assinatura e patrocínio ao ministro Tiago, ao secretário Costa e a tod@s aquel@s conselheir@s do CNE que assinam sempre de cruz, batendo no peito, qualquer relatório ou declaração contra a existência de exames, nomeadamente no Secundário.

Esta petição é um meio caminho, pois visa a não realização apenas dos exames que não são essenciais para o acesso à Universidade, ou seja, aos exames que, em boa verdade, até se podem considerar “inúteis” por alguém como eu que, repito-o, não milito na trincheira aguerrida dos que defendem o fim dos exames, excepto se tiverem mesmo o poder de o decretar na prática. Porque já se percebeu que a pandemia ainda aí estará no próximo Verão e, mais de um ano depois, houve tempo mais do que suficiente para pensar nestas coisas e adequar as práticas às circunstâncias e, mais importante, às teorias tantas vezes repetidas.

Eu não assino pela razão acima e porque sou parte interessada no assunto, pelo menos de modo indirecto, pois a minha filha está no 12º ano e poderiam achar que a minha posição dependeria disso (mesmo se defendi as provas finais de 4º ano quando ela estava nesse ano e teve de as fazer… e mesmo se, com esta petição, ela teria na mesma de fazer o exame de Matemática). Mas acho que, por coerência e convicção, o senhor ministro, o senhor secretário, a presidente do CNE, os conselheiros Azevedo e Rodrigues, o conselheiro-relator Lourtie, a conselheira Figueiral, só a título de exemplo, deveriam subscrever uma petição que vai ao encontro do que tantas vezes declararam publicamente.

Claro que não é o “fim dos exames” e muito menos a proposta peregrina de acabar com os exames todos do Secundário e fazer os senhores professores do Superior elaborar e classificar provas de acesso às suas Universidades, porque isso seria de uma violência e crueldade que mesmo um tipo com maus instintos como eu acha excessivas. Sim, claro, há “Universidades” cujos “representantes” reclamam contra a desadequação do actual método de seriação dos candidatos ao Ensino Superior e defendem que deveriam ser “as instituições do Ensino Superior” a escolher os seus alunos com base nos requisitos que consideram adequados. Mas a verdade é que isso daria uma grande trabalheira, a menos que metessem os professores mais precários ou até alunos finalistas ou estagiários a tratar do assunto. Mas seria sempre necessário perder tempo e energia com esse processo e fica bem reclamar algo que, na verdade, não se quer, salvo honrosas excepções. Ou melhor, nem todas seriam propriamente “honrosas”, porque já se sabe que entre nós há sempre “cartas de recomendação” que valem mais do que qualquer currículo.

Isto é apenas uma petição razoável e já passou tempo suficiente para que se pensasse no assunto e não apareçam com desculpas do tipo “ahhh… nem tivemos tempo para anda”. Afinal, a recomendação do CNE é de Novembro passado.

Esta petição (neste momento tem 2799 assinaturas, quase mais meia centena do que há uns 20 minutos) tem tudo, sublinho-o, para colher os melhores apoios junto dos decisores políticos. Assim sejam eles coerentes com as suas proclamações de anos seguidos. Afinal, não se podem esconder atrás de ninguém. São eles que estão no poder há um mão-cheia de anos e nada fizeram de acordo com o que dizem ser as suas convicções. O actual contexto poderia ser o pretexto ideal.. A menos que… seja tudo conversa fiada.

E De Zigue Em Zague Lá Vamos, Cantando E Rindo

O rumo é à vista, conforme o oportunismo do momento. Um destes dias ainda se lembram que, afinal, os exames até são maus e as perguntas deviam todas trazer a resposta. Ou ser tudo de cruzinhas. Ou ser tudo sorteado como no euromilhões. É conforme.

As provas do 9.º. 11.º e 12.º anos vão manter perguntas opcionais, como no ano passado, mas o nível de dificuldade das alternativas será semelhante para evitar classificações acima do normal.

O Farol Sueco

Estas decisões são complicadas, curiosamente, para muita gente deste nosso rectângulo, porque disseram muita coisa em piloto automático, pensando pouco.

Isto faz-me lembrar quando os arautos da liberdade de escolha” e municipalização da Educação usavam a Suécia como exemplo, quando por lá se tinham invertido as reformas.

Quanto a provas/exames, eu eliminava, sem quaisquer dramas, pelo menos as do 2º ano. Até porque servem para muito pouco ou nada. Excepto umas vaidades, claro.

Spring exams cancelled due to pandemic

O Segredo Do Sucesso

Está em não contar com a maioria das respostas erradas. Eu sei que as circunstâncias justificam a metodologia… resta saber se veio para ficar.

Médias dos exames nacionais subiram até três valores

Só Português escapa a um aumento superior ao habitual das notas da 1.ª fase das provas nacionais. Regras especiais implementadas por causa da pandemia justificam os resultados.

As notas da 1.ª fase dos exames nacionais do ensino secundário melhoraram em praticamente todas as matérias. As médias sobem até 3,3 valores em disciplinas como Biologia e Geologia, a prova que teve mais inscritos neste ano, ou Geografia A. Também Física e Química (mais 2,2 valores na média) e Matemática A (mais 1,8) têm resultados bastante superiores ao habitual nos anos anteriores. Apenas a Português a média tem uma variação mais próximo do que é habitual, crescendo 0,2 valores.

Birds

Exames “Estilo 2020”

Pode não haver máscaras para todos ao final da primeira semana, mas há “espaço”. Foto do Gonçalo Barata, numa escola na Capital do Ex-Império do Turismo. Podia ser na China, mas não é. Podia ser um exame de Educação Física, mas não é.

Relembro a quem afirma que o espaço é amplo e arejado, que estão suspensas as provas desportivas em recintos fechados. E mesmo o futebol ao ar livre é sem público.

ExamePavilhão

A Ler

Concordo, até porque me parece que tão grave quanto a amputação da Filosofia no currículo é a truncagem de grande parte do trajecto intelectual da Humanidade nos conteúdos tidos por “essenciais”, para reduzir a disciplina a uma pretensa (e contraditória) “objectividade”. Uma coisa é ter de adaptar os conteúdos a uma carga horária impensável, outra cortar momentos e figuras fulcrais do desenvolvimento do pensamento filosófico. Parece que interessa apenas o ponto a que se chegou na perspectiva dos “vencedores”, e cada vez menos como aqui chegámos.

O exame de Filosofia como pudim instantâneo

Isto não passa de mais uma triste fraude a acrescentar a muitas outras na área da Educação, algumas até bem mais graves, mas quase todas elas cobertas com o silêncio de uns e a cumplicidade de outros.

Releitura do pensador de Rodin