A Informação-Prova “Geral”

Até tem enquadramento conceptual. No caso de História A, assinale-se a obliteração total de tudo anterior ao que se designa por “Dinamismo civilizacional da Europa Ocidental nos séculos XIII a XIV” o que até pode resultar das “aprendizagens essenciais”, mas não posso deixar de considerar um rematadíssimo disparate. Mas que não me admira em gente que tem da História uma visão muito limitada.

Não estou agora com muito tempo para dizer o quão idiota considero a “concepção” de que uma resposta extensa que apela ao relacionamento de diferentes informações, analisando e/ou sintetizando diversos fenómenos e processos só possa ter o dobro da cotação de uma questão de escolha múltipla, na qual se faz uma cruzinha. É uma abordagem à “classificação” ou “avaliação” que ouço há bastante tempo e da qual sempre discord(ar)ei porque a acho redutora do trabalho dos alunos e nem sequer compatível com a teorização feita mesmo dois parágrafos acima sobre a maior ou menor complexidade dos processos cognitivos.

Assim, nos diferentes itens de cada prova, a cotação mais elevada é sempre igual ou menor do que
o dobro da cotação mais baixa. Por exemplo, se ao item de menor cotação de uma prova forem
atribuídos 6 pontos, o item de maior cotação não pode ter uma cotação superior a 12 pontos. Deste
modo, as cotações de todos os itens da prova poderão situar-se no intervalo [6,12], podendo haver
casos em que a pontuação total da prova seja distribuída uniformemente por todos os itens
.

Podem ter muita formação ou certificação na matéria, mas este modo de homogeneizar tudo, de indiferenciar a metodologia classificativa sem atender às especificidades das várias disciplinas revela muito sobre a qualidade do pensamento que lhe está na origem.

Por mim, quase que mais valia classificarem as perguntas à sorte. Ou então reduzam tudo a cruzinhas num quizz.

A Montanha Russa

E depois a culpa pela ansiedade da miudagem é dos professores? Se não há o raio de um rumo… uma forma de ver as condições a mais do que o curto prazo da popularidade (i)mediática.

Notas dos exames nacionais de Matemática, Física e Química e Biologia e Geologia recuam para valores mais próximos do habitual, antes das regras especiais seguidas no ano passado terem feito disparar os resultados.

2ª Feira

Dia da divulgação dos resultados dos exames finais do Secundário. Aqueles que continuam a ser feitos em regime de opacidade pelos especialistas do Santo Iavé, que comete os erros e depois disfarça ao longo do período de classificação. Como já expliquei, não estou contra a realização dos ditos exames, que acho importantes como mecanismo de regulação externa, mas contra procedimentos que privilegiam um secretismo muito pouco aceitável em termos de responsabilização por certos desempenhos. Afinal, são meses e meses em que as “equipas” têm de fazer uma ou duas provas e parece que isso é sempre problemático. Isso e a oscilação permanente de critérios e no modo de classificação, tendo aparentemente vencido em muitas disciplinas a tese do valor quase igual para todas as questões, seja fazer uma cruzinha ou desenvolver um tema ou resolver um problema extenso.

A Ler

Sobre a falta de coerência (e qualidade) dos exames de FQ de 11º ano:

Exames que não servem para nada

O IAVE determinou que as provas de exame nacional de Física e Química A (FQA), aplicadas em 2020, contivessem dois conjuntos diferenciados de itens: um conjunto de 8 itens cujas respostas contribuíam obrigatoriamente para a classificação final da prova, e um outro  conjunto de 18 itens dos quais apenas contribuíam para a classificação final os 12 itens cujas respostas obtivessem melhor pontuação.

Sendo o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e as Aprendizagens Essenciais da disciplina os documentos de referência na conceção das provas de avaliação externa, não é congruente admitir-se  que as provas incluam itens que não avaliem aprendizagens essenciais. Do ponto de vista das aprendizagens avaliadas, não existiam assim diferenças entre o primeiro e o segundo daqueles conjuntos –  todos os itens, quer se incluíssem no primeiro conjunto ou no segundo, avaliavam aprendizagens significativas e essenciais.

(…)

Se a comparação dos resultados de 2020 com os resultados de 2019 não permite tirar qualquer conclusão sobre a evolução/regressão das aprendizagens dos alunos no domínio da disciplina de FQA, também a comparação dos resultados de 2020 com os de 2021 não terá qualquer significado, não permitindo também obter qualquer conclusão.

Parecer Da SPM Sobre O Exame De Matemática A – 1.ª fase

(…)

A inconstância causada pelas alterações da estrutura e da complexidade das provas, vem mais uma vez pôr em causa a possibilidade de se realizar qualquer análise comparativa dos resultados destes três últimos anos. Esta seria muito profícua, principalmente pela mutabilidade sentida neste período nas atividades escolares.nsino

4ª Feira

Há muitos anos que se ouvem críticas ao modelo de ingresso no Ensino Superior e ao peso dos exames no processo. E nada de relevante é feito para alterar essa situação. Pessoalmente, acho que o modelo não tem assim tantos defeitos, porque eu não sei bem como seria, por cá, um modelo de ingresso baseado em exames e entrevistas feitas pelas próprias instituições do Ensino Superior. Por maus que sejam, os exames são um facto de regulação externa aos compadrios.

O problema é que, em especial nos últimos anos do Santo Iavé Autónomo, se sucedem as falhas, imprecisões, erros, ziguezagues na concepção de vários exames. Que se diz estarem a cargo de “equipas de especialistas”. Não sei se é bem assim e só o poderia saber se as coisas fossem mais transparentes, desde logo através, no mínimo, do conhecimento público dos coordenadores das tais “equipas de especialistas”. Porque é demasiado mau ter um par de exames para fazer por ano e fazer asneira, maior ou menor, quase todos os anos.

Porque aquela parte da necessidade de privacidade dos tais “especialistas” só funciona em parte, pois nas respectivas escolas (e ao redor) há quem não se exima a dar a conhecer o seu “estatuto”. Há uma boa meia dúzia de anos tive um colega contratado que no anterior estivera numa daquelas escolas onde parecem concentrar-se vários desses “especialistas”. Os quais não faziam qualquer esforço para que não se soubesse que o eram e até gostavam de partilhar o seu saber com quem os rodeava.

Uma das suas teorias – bem notória na evolução dos critérios de classificação dos exames de História e não só – é que os “itens” devem ter valores muito aproximados ou mesmo iguais, independentemente da sua tipologia. O que significa que uma escolha múltipla vale pouco menos do que desenvolver um tema com recurso a documentos e relacionamento de tópicos de resposta. O que, por muito que digam que é uma tese desenvolvida a partir de “investigação, é idiota e não consigo expressar a minha ideia de forma mais “sensível”. O exame de História A deste ano é um bom exemplo deste tipo de “lógica” que eleva a mera operação de identificação de algo correcto à análise crítica de vários factores.

Pior mesmo, só aquele hábito de algumas equipas “inovarem” de um ano para o outro, como se andassem a brincar com alunos, professores e famílias. É o caso do exame de Matemática A deste ano, que também foi de pandemia. Se no ano passado se percebiam algumas alterações, este ano houve uma espécie de excesso de zelo. e eu gostava de saber quem toma estas decisões, porque a desresponsabilização é a regra nestes casos. Desvaloriza-se o erro, afirma-se que há “leituras” diferentes das questões, relativiza-se tudo, adaptam-se critérios às escondidas, os de cima dizem que não foram eles a fazer, os de baixo nem sabemos quem são. Ninguém, nunca, é publicamente reconhecido como culpado e acredito que todos se auto-avaliam como excelentes no seu desempenho.

Claro que há sempre espaço para teorias conspirativas como aquelas que levantam a suspeita destas “equipas” serem constituídas na base dos contactos amiguistas e da “especialização” raramente ser na área científica da disciplina, mas sim em “teorias da avaliação”. Pior pode ser mesmo a suspeita de que quem faz em privado alguns destes exames ser publicamente contra a sua existência.

Por isso, um mínimo de decência e ética exigiria que este fosse um processo transparente. Não é e ninguém com responsabilidades parece interessado em que o seja. Depois acontecem “anomalias”, como colocar como obrigatórias questões sobre autores de leccionação facultativa (exame de Português A)

História Em Modo “Essencial”

Vi por curiosidade o exame de História A, até porque cá em casa ninguém o ia fazer ou levava alunos ao dito. E notei que, como começa a ser tradição, parece existir no Santo Iavé uma tendência para complicar coisas simples e pintelhizar nas opções de resposta.

A autora já tinha aflorado a questão há uns dias aqui.

No exame de História A, realizado na semana passada, há duas opções de resposta a uma mesma pergunta que devem ser consideradas corretas. Esta é uma situação grave e que precisa de rápidos e claros esclarecimentos por parte do Iave, pois muitos alunos estão em vias de ser ainda mais prejudicados e perder injustamente 14 pontos.

E não há apenas uma questão que apresenta alguma ambiguidade ou mesmo duas maneiras de responder que não estão factualmente incorrectas. Existe uma outra que, em meu entender, também permite duas leituras, a menos que se tenha uma formação política marxista ortodoxa.

“Uma das mais mobilizadoras forças políticas de carácter marxista no período revolucionário”?

3ª Feira

Dia do exame do “cadeirão” do 12º ano, Matemática A. Lá fui deixar a petiza no portão da escola, junto ao qual já se alinhavam umas dezenas de outr@s petiz@s, a grande maioria dobrad@s sobre os zingarelhos digitais, pelo que não deu para aferir do estado de espirito geral ou particular. Embora tenham passado muito anos, ainda me lembro dos meus exames de 12º e do ambiente solene em seu redor. Ave rara, sempre gostei mais dos momentos singulares do que dos rotineiros, pelo que, apesar do que estava em jogo, preferia de longe fazer o exame do que ter mais uma aula chata de uma das disciplinas, a começar pelas de História, que nem sempre eram propriamente entusiasmantes.

Sempre tive esse feitio em forma de defeito de preferir as aulas de teste às aulas de matéria. Porque grande parte destas eram chatas e, com todos os cuidados que já na altura existiam (sim, existiram, pelo menos nos meus professores que em regra não acabaram em colunistas de jornais) para repetir o que não era percebido, aborreciam-me de morte com a segunda, terceira ou quarta explicação do que me parecia evidente á primeira. Sim, as minhas turmas eram quase sempre as do fim da lista e não propriamente com um desempenho médio genial, a que acrescia (em especial no 7º e 9º ano, mas também no 10º e 11º) um comportamento a uma distância muito razoável do desejável. Por isso, os dias de teste traziam qualquer coisa de diferente e menos barulho na sala, até porque na altura era possível a quem não se importava com o zero, ir-se embora depois de assinar o cabeçalho. O que, por exemplo no 9º ano, em Matemática, deixava logo a sala com 20-25% de alunos a menos.

Até ali ao 8º ano (e em parte do 9º), a escola tinha dois momentos de interesse: jogar à bola incessantemente nos intervalos e fazer/receber testes, sendo que os dias de os receber tinham quase sempre contornos épicos nas minhas turmas, tamanha era a saraivada de negas. Fica-me na memória o dia em que a minha estimável professora de História, com ar de grande enjoo, decidiu dar uma lição aos futebolistas (e por tabela às pobres e inocentes raparigas) e anular-nos um teste porque teríamos grande parte das respostas iguais uns aos outros. Mas isso só aconteceu porque as respostas estavam certas, pois nunca se chateou quando estavam iguais por estarem erradas. Achou estranho e achou bem, mas ninguém a mandou deixar um enunciado a mais na sala de outra turma, que o passou a nós e assim pudemos estudar com alguma “orientação” durante a aula de Electrotecnia, com a activa colaboração do professor, gajo porreiraço que quase desistiu de nos ensinar a fazer uma ligação eléctrica funcional.

A partir de meio do 9º ano, a escola manteve dois interesses, mas o assédio (quase sempre consensual, calma|) às raparigas substituiu gradualmente o futebol. No meu caso, até por ser um caso perdido sem ser como guarda-redes destemido, capaz de dar cabo de umas calças novas (o piso dos campos era um relvado de cimento) para impedir um golo quase certo do avançado da equipa dos gajos de Mecanotecnia (a turma do 9º ano com quase 25 rapazes, todos a transbordar testosterona juvenil e a querer exibir-se para as miúdas das outras turmas). Os testes continuaram a ser, até quase ao fim do Secundário, os momentos de maior animação no quotidiano estritamente lectivo.

Curiosamente ou não, sempre tive mais dificuldades em fazer testes nas disciplinas em que os professores eram mais fracos. Porque ensinavam pouco e muitas vezes aplicavam testes feitos pelos que ensinavam bem ou já tinham alguma experiência. Em Ciências nunca tive professor@ com mais do 1º ano da Faculdade e no 9º ano era um simpático cabeludo, com uma gabardina até aos joelhos, que andava no Propedêutico e tinha mais uns seis meses de idade do que alguns dos meus colegas mais resistentes ao sucesso. Levávamos as aulas a fazer jogos com nomes de bandas de música e filmes e depois gramávamos com o mesmo teste do pessoal das turmas A e B que já queriam ser quase todos médicos. Acho que nunca passei dos 80%, mesmo se ele se estava nas tintas se copiávamos, mas, como é habitual nestes casos, a maioria nem sabia o que copiar.

Em resumo… em dia de exame a comichão no estômago existia, mas era uma comichão agradável, que não me fazia vomitar à porta da sala (o exame de História foi às 15.00 e houve quem não aguentasse o almoço sem o partilhar connosco no corredor da Alfredo da Silva). Claro, não era Matemática A, mas acreditem que estudei mesmo a sério para o exame de Filosofia.

Será Verdade?

pelos vistos, é. Que o exame de Geometria Descritiva tinha um “gato” que só foi comunicado aos alunos muito tardiamente e até levou à extensão do tempo para a rua realização? Confesso que não quero acreditar em mais um deslize de mais uma equipa de “especialistas”. Só poderia ser boato. Mas não é.

E parece que a prova colocada online foi expurgada

Se a ideia é desacreditar os exames, a mim parece que o descrédito começa é a inundar o IAVÉ e as suas equipas de gente desconhecida, seleccionada com base no “mérito”. Esta malta tem meses e meses para fazer a m€rd@ de uma prova sem erros e nem isso consegue?

Com o exame em curso, Júri Nacional enviou erratas às escolas. Alunos tiveram 30 minutos suplementares para responder.