Bom Esforço, Mas…

… fica para uma próxima (já quanto aos exames talvez seja desta que vamos acreditar na maior justiça de entradas definidas por fatos à medida). Acredita que votaria em ti, apesar de andares, nos últimos tempos, muito ao reboque dos lugares-comuns dos senhores do momento.

Filinto

I, 21 de Outubro de 2019

(quanto à essência, se é verdade o que se afirma é, em meu escasso entendimento, falha das “lideranças”…)

A Ler

Um resumo do que se passou em torno da “fuga” sobre o exame de Português do 12º ano de há 2 anos. A peça merece ser lida do princípio ao fim, o qual reza assim:

No entanto, já foi noticiado que uma das alegações da defesa da professora é a nota baixa que a aluna a quem dava explicações obteve no exame – 9,5 valores. Para a defesa, este resultado demonstra que a aluna não teve acesso a informação privilegiada.

Segundo o JN, dos autos do processo de acusação constam referências a outras possíveis denúncias que a defesa acusa o Ministério da Educação de não investigar – além da antiga presidente da Associação de Professores de Português, outras 54 pessoas do Instituto de Avaliação Educativa terão tido acesso ao exame.

Vamos lá por partes curtas e sem rodeios:

  • O facto da aluna em causa ser ainda menos dotada em termos de inteligência do que o expectável, atendendo às circunstâncias, não me parece uma “alegação” de defesa particularmente brilhante.
  • A alguém que está destacada numa organização profissional, com redução ou isenção da componente lectiva, e ainda é “auditora” do IAVÉ deveria estar liminarmente vedada a possibilidade de ser “explicadora”.
  • Se no IAVÉ 55 pessoas têm acesso a um único exame, algo está profundamente errado nos seus procedimentos. E, insisto muito nisto, o “secretismo”, sendo muito, muito relativo, só fomenta a suspeição de que algo acontece nos bastidores.

Stupid2

(isto faz-me lembrar outras situações… como gente que colabora na elaboração de novos programas disciplinares e pouco tempo depois aparece com um manual para essa mesma disciplina…)

Uma No Cravo, Duas Na Ferradura

No exame de Português da 2ª fase do 12º ano apareceu uma parte d’Os Lusíadas que não estava prevista no cânone. A explicação dada pelo Santo Iavé tem e não tem lógica. Se concordo que se devam introduzir questões destinadas a testar as capacidades de interpretação dos alunos fora dos guiões, já acho incompreensível que isso aconteça apenas no exame de uma das fases, porque cria uma situação de evidente desigualdade. E seria útil que, de uma vez por todas, os exames deixassem de ser uma espécie de câmara experimental para as tais equipas ultra-secretas que os preparam testarem as suas teorias. Insisto que essa não é uma prática aconselhável. Assim como acho muitíssimo estranho que, com tanto especialista e alegados mecanismos de controlo, se faça um exame com questões sem resposta possível, como no caso de MACS.

Não sei como é lá fora ou onde quer que seja, mas a opção pela opacidade e por “equipas” que quase ninguém sabe quem são presta-se mais a fenómenos esquisitos como os daquelas pessoas (sem rosto ou nome, claro) de que se ouve falar com regularidade que se aproveitam de tal secretismo para práticas menos aconselháveis. E o problema não é dos “exames” é do modelo em que são feitos, nada autónomos, mas demasiado flexíveis de ano para ano e de fase para fase.

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Havendo Eleições Todos Os Anos, O Milagre Das Rosas Seria Permanente

A pequena descida a Português (mantendo-se acima dos 50) é a excepção que confirma a norma.

Provas finais do 9.º ano: média a Matemática sobe e volta à positiva

Resultados das provas finais de Português e Matemática foram divulgados nesta segunda-feira. Houve menos chumbos.

Alguém se esquece de algo exactamente igual há cerca de uma década durante aquele miraculoso mandato de MLR em que até quem não tinha beneficiado do PAM melhorou resultados por causa dele?

Acho que no 10 de Junho o novo senhor do Iavé merece uma condecoração pelo contributo para o “sucesso” do regime flexível e autónomo.

 

Rosas2

Ano De Eleições É Assim

Nada como “provar” a bondade das políticas e dar uma sensação de “sucesso” às “famílias”. O “autónomo” Iavé está de parabéns.

Notas nos exames de Português e Matemática melhoraram

Todas as disciplinas têm média positiva na 1.ª fase dos exames nacionais do ensino secundário. Entre as mais concorridas, as notas são mais baixas do que no ano anterior a Física e Química e a Biologia e Geologia.

Campeão

Os Centros De Explicações, Os Exames E As Desigualdades

Há mais uma notícia sobre o negócio em causa. Como é costume, não é bem o negócio que está em causa, mas sim a investida contra a existência dos exames. Se o interesse fosse o de ir além da espuma dos dias, talvez fosse interessante investigar quem dirige alguns desses centros e quem por lá tem responsabilidades. Talvez – isto é um suponhamos, claro – talvez se encontrassem alguns nomes interessantes que conhecemos (ou não) de outras paragens ligadas, por exemplo – outro suponhamos -, a centros de “inovação pedagógica”. Então os centros de “alto rendimento” agora parecem cerejas… são uns atrás dos outros. E quem os coordena? Quem angaria os “clientes”? Onde? Etc, etc, etc…

E acreditam mesmo que as “explicações” são só por causa dos “exames”? É porque não conhecem a realidade de muitas famílias para quem os centros de “explicações” são apenas uma das valências dos velhos atl em que se deixa a petizada até os pais (ou outros adultos responsáveis) conseguirem chegar a casa, cortesia da desregulação dos horários laborais.

Que só quem tem dinheiro é que consegue chegar aos melhores centros, aos de “alto rendimento”? Isso é como com os colégios… também só vai para os de topo quem tem 600-800 ou mais euros para gastar mensalmente. Mas o fim dos exames não vai alterar nada disso. Apenas deslocará coisa para um patamar acima. Ou acham que será com sucesso a 100% no 12º ano que as “desigualdades” desaparecerão?

É que os exames, apesar de tudo, ainda abrem espaço a mais do que apelidos e contas bancárias no acesso à Universidade, a menos que acreditemos que os “pobres” são todos naturalmente “burrinhos”. Podem dizer mal deles (dos exames), mas ainda servem para nivelar alguma coisa. Quando vencer a desregulação do acesso ao Ensino Superior, por via do fim da avaliação externa, é que irão ver como as “desigualdades” mordem a sério na entrada nas Universidades. Porque acreditam que esse acesso não irá depender do capital cultural e financeiro das famílias na mesma ou ainda mais?

O que está em causa não é nada isso… mas podemos fingir que sim. Era bom que as intenções fossem mesmo as de promover a igualdade de oportunidades. Mas não é. Pelo contrário, o resultado será a rigidificação de um sistema de castas (muito presente no nosso mundo académico de “topo”) que aceitará excepções. Só isso. Excepções.

Avestruz

 

4ª Feira

As provas finais e exames deverão ter fim à vista não necessariamente por razões “pedagógicas” ou sequer por causa da necessidade extrema de sucesso estatístico, mas porque ainda é um processo caro. Mesmo se já nem fornecem os critérios de classificação/codificação e são os professores ou escolas a ter de os imprimir. E se quem faz a coisa pela primeira vez nem sequer tem a mínima formação para o efeito. Entendo que quem anda nisto há 10-15-20 anos não precise das reuniões entediantes para explicação do processo, aferição de critérios e controle da classificação aos pares. Mas para quem chega de novo, talvez servisse para alguma coisa. Eu ainda sou do tempo daquelas formações muito longas (50 horas) só para classificar, em que nos davam os critérios em papel, exemplos de provas do tipo beta (com respostas simuladas para se aferirem critérios) e outro material de apoio. Era chato, longo, mas serviu-me para agora não ter grandes dúvidas. Só que quem é lançado de novo para o processo sem esse tipo de background por vezes parece aqueles animais que, ao atravessarem uma estrada no meio de uma floresta à noite, paralisam com as luzes de qualquer carro. No caso das provas de aferição de 8º ano, em que são atingidas pessoas que nunca fizeram nada disto, não deixa de ser “refrescante” o modo como parecem estar a redescobrir o fogo e a roda de uma só vez. Talvez tivesse sido útil não lhes colocar apenas os envelopes nas mãos e vai à tua vida que alguém te explicará. Online, claro, Online, como é possível que sobrevivam estas provas de aferição nas disciplinas “enciclopédicas”, uma espécie de simulacro de avaliação externa. Num ensino que se pretende “humanizado” deixar quase tudo às máquinas. A classificação/codificação entregue aos algoritmos. Provavelmente, para estar “mais de acordo com o que se dá nas aulas”.

Mas voltemos ao início… o processo ainda é caro. Não interessa se é ou não necessário como regulação externa. O que interessa é que, entre o desejo de sucesso e o encargo financeiro, a opção será clara.

Soma