Já Não Há Mesmo Pachorra!

Agora, todas as noites, saem coelh@s brav@s da toca, com declarações mirabolantes. Agora é Helena Matos que despeja na CNNP que as reformas dos professores que estão a “sair” são em média de 2300-2400 euros. Esqueceu-se de dizer que, mesmo que seja assim e duvido que ela faça contas muito bem, são valores brutos e que, líquido, o valor é pouco acima dos 1500. Mas é assim que se ganha a vida na opinião paga nos canais noticiosos. Verificação de factos? Cuidado em apresentar as coisas de forma completa? Isso agora não interessa nada.

Quanto ao custo dos alunos no público e privado, basta ir ver as propinas de boa parte dos privados e é fácil perceber que 6000 euros não dá para chegar ao fim de um ano lectivo.. em alguns casos é capaz de nem dar para chegar à Páscoa.

A lista das aposentações de Janeiro de 2023 fica mais abaixo e até posso dizer que conheço quem tem o valor mais alto, mas são muitos, muitos anos com suplementos remuneratórios, na recta final na base de alguns meios dias por semana de cadeirão, se é que me entendem. O problema é que ajuda para as “médias”.

Rectificações

O Expresso apresenta, num cantinho de página, uma rectificação do Ministério da Educação acerca de uns números atirados para o ar pelo ministro Costa (na sua entrevista de primeira página), com a desculpa da treta de ter usado uma diferente “ponderação”. Até nisto se vê que se mantém o desejo de enganar, porque calcular o peso do número de docentes no “topo da carreira” é uma conta muito simples de fazer, que não carece de elaboradas “ponderações” sobre a “massa salarial”. A admissão do erro não passa de uma hipocrisia. O ministro Costa mentiu a esse respeito – mais valia ter dito que se enganou, ponto – mas se fosse só nisso que foi inexacto… o problema é que não foi só nisso. Todos nos enganamos, claro, mas há quem se engane de forma sistemática mais do que os outros.

Pena que o fact checking seja muito selectivo e nem sempre especialmente apurado. Desta vez, era uma coisa evidente (era impossível ter chegado ao 10º escalão durante o congelamento e a diferença de valores para 2021 é demasiado grande para passar despercebida).

Resta saber se em futuras entrevistas haverá o cuidado de se ir avisad@ contra a manha de fazer passar por verdade o que é uma “ponderação diferente”.

Boa Noite

O episódio é especialmente relevante, não apenas pelo tema que atravessa toda a série (a predação sexual de Weinstein e tudo o que foi feito para a encobrir), mas pela descrição do processo de fact-checking na New Yorker. Uma revista onde a maioria dos colaboradores dos polígrafos nacionais dificilmente conseguiriam obter ou manter um emprego. Ou onde certos “jornalistas” teriam terminado a carreira bem mais cedo e sem tanta fanfarra.

E este é um dos tipos que lá trabalhou. Não é o orador mais cativante, mas…

4ª Feira

Patrícia Mamona fez muito bem em destacar o papel do Desporto Escolar na sua formação. à boleia, apareceram publicações alegadamente “virais” em que se clamava contra a redução do papel da Educação Física no currículo escolar, ao ponto do Polígrafo lhe dedicar abundante prosa verificadora. Antes de mais, confundir o Desporto Escolar, que é um programa específico com Regulamento próprio, com a disciplina de Educação Física é um erro compreensível em leigos, mas mais estranho em profissionais da coisa.

Porque os tempos para o Desporto Escolar fazem parte de um outro crédito, que é independente da carga horária de Educação Física. Não explicitar que são duas parcelas separadas e que o Desporto Escolar tem toda uma regulamentação à parte (está aqui a de 2021-22), não é forma mais séria e honesta de tratar o assunto ou de o “verificar”. Até porque, como se pode ler no despacho 7356/2021 de 23 de Julho, “Para o desenvolvimento das atividades do Desporto Escolar, no ano letivo de 2021-2022 (como já aconteceu no anterior), é imputado à componente letiva um crédito horário global máximo de 22 600 tempos letivos. Eram 21.400 em 2014-15 e passaram a 21.800 em 2015-16. Para os mais distraídos, os números actuais equivalem a mais de 1000 horários completos. Pelo que será de esperar que surjam muito mais Patrícias Mamonas nos próximos anos.

Quanto ao Polígrafo, enfim… não há que esperar muito mais de uma boa ideia rapidamente transformada em outra coisa.

3ª Feira

Eu sei que a grande notícia do dia para o mainstream é o teste positivo do “professor” Marcelo (que em 24 horas fez mais testes do que os professores todos do concelho onde dou aulas), mas eu gostaria de destacar algo bem mais fantástico: ao vivo e a cores Tino de Rans fez o que o Expresso, SIC e TVI ao longo de anos (décadas?) não fizeram: fact-checking a mais um dos disparates de MST nas suas parlapatices habituais, resultado de nenhuma preparação para o que diz ou escreve: Tino teve de lhe explicar que as eleições para PR são de 5 em 5 anos e não a cada 4. Foi serviço público.

Jornalismo De Ocasião

O JN faz primeira página com uma não-notícia, que dará jeito não sei a quem, mas certamente pouco a quem queira ser bem informado, para além das parangonas. As turmas de EMR (Educação Moral e Religiosa) são, em muitas escolas, formadas por alunos de diferentes turmas-base, pois é disciplina opcional em que nem todos se inscrevem. Este ano, por causa das novas “regras” e das “bo(rbu)lhas”, ou o ME aceitava a formação de turmas mais pequenas ou a disciplina não funcionaria, a menos que se mantivesse a “mistura”. O ME não autorizou. Em algumas escolas, a disciplina acabou por não funcionar, em outras funciona “subvertendo” as regras gerais. No corpo da notícia percebe-se um pouco da situação. A primeira página não passa de sensacionalismo tabloidista em quem, depois, critica isso nas redes sociais.