Boa Noite

O episódio é especialmente relevante, não apenas pelo tema que atravessa toda a série (a predação sexual de Weinstein e tudo o que foi feito para a encobrir), mas pela descrição do processo de fact-checking na New Yorker. Uma revista onde a maioria dos colaboradores dos polígrafos nacionais dificilmente conseguiriam obter ou manter um emprego. Ou onde certos “jornalistas” teriam terminado a carreira bem mais cedo e sem tanta fanfarra.

E este é um dos tipos que lá trabalhou. Não é o orador mais cativante, mas…

4ª Feira

Patrícia Mamona fez muito bem em destacar o papel do Desporto Escolar na sua formação. à boleia, apareceram publicações alegadamente “virais” em que se clamava contra a redução do papel da Educação Física no currículo escolar, ao ponto do Polígrafo lhe dedicar abundante prosa verificadora. Antes de mais, confundir o Desporto Escolar, que é um programa específico com Regulamento próprio, com a disciplina de Educação Física é um erro compreensível em leigos, mas mais estranho em profissionais da coisa.

Porque os tempos para o Desporto Escolar fazem parte de um outro crédito, que é independente da carga horária de Educação Física. Não explicitar que são duas parcelas separadas e que o Desporto Escolar tem toda uma regulamentação à parte (está aqui a de 2021-22), não é forma mais séria e honesta de tratar o assunto ou de o “verificar”. Até porque, como se pode ler no despacho 7356/2021 de 23 de Julho, “Para o desenvolvimento das atividades do Desporto Escolar, no ano letivo de 2021-2022 (como já aconteceu no anterior), é imputado à componente letiva um crédito horário global máximo de 22 600 tempos letivos. Eram 21.400 em 2014-15 e passaram a 21.800 em 2015-16. Para os mais distraídos, os números actuais equivalem a mais de 1000 horários completos. Pelo que será de esperar que surjam muito mais Patrícias Mamonas nos próximos anos.

Quanto ao Polígrafo, enfim… não há que esperar muito mais de uma boa ideia rapidamente transformada em outra coisa.

3ª Feira

Eu sei que a grande notícia do dia para o mainstream é o teste positivo do “professor” Marcelo (que em 24 horas fez mais testes do que os professores todos do concelho onde dou aulas), mas eu gostaria de destacar algo bem mais fantástico: ao vivo e a cores Tino de Rans fez o que o Expresso, SIC e TVI ao longo de anos (décadas?) não fizeram: fact-checking a mais um dos disparates de MST nas suas parlapatices habituais, resultado de nenhuma preparação para o que diz ou escreve: Tino teve de lhe explicar que as eleições para PR são de 5 em 5 anos e não a cada 4. Foi serviço público.

Jornalismo De Ocasião

O JN faz primeira página com uma não-notícia, que dará jeito não sei a quem, mas certamente pouco a quem queira ser bem informado, para além das parangonas. As turmas de EMR (Educação Moral e Religiosa) são, em muitas escolas, formadas por alunos de diferentes turmas-base, pois é disciplina opcional em que nem todos se inscrevem. Este ano, por causa das novas “regras” e das “bo(rbu)lhas”, ou o ME aceitava a formação de turmas mais pequenas ou a disciplina não funcionaria, a menos que se mantivesse a “mistura”. O ME não autorizou. Em algumas escolas, a disciplina acabou por não funcionar, em outras funciona “subvertendo” as regras gerais. No corpo da notícia percebe-se um pouco da situação. A primeira página não passa de sensacionalismo tabloidista em quem, depois, critica isso nas redes sociais.

 

Informação É Uma Óptima Prevenção

A sujeição da agenda mediática a interesses políticos é tão má quanto o seu inverso e ainda pior quando a cumplicidade é em torno da opacidade e da transmissão de mensagens com o intuito de “tranquilizar” a opinião pública e assim melhorar a percepção das medidas tomadas, mesmo que nem sempre sejam as mais apropriadas ou melhor fundamentadas nos factos. O mesmo com as “opiniões” quando não são mais do que encomendas impressas ou “digitalizadas.

Contra isso, há que procurar informação relevante e tentar compreender tudo o que está em causa, antes de se aderir à narrativa do “clube”.

Agradeço ao Livresco o envio destas ligações:

We Are Overlooking A Critical Piece Of The ‘Reopen Schools’ Puzzle

The Mental Health Toll of Going Back to School During a Pandemic

9,000 Florida children caught COVID-19 within 15 days of school reopenings

(e isto não é uma questão de “alarmismo” ou “histeria” como alguns operacionais do regime andam a espalhar, mas simplesmente defender o direito à informação com transparência e sem uma carga imensa de spin)

 

Ainda Sobre O Insucesso

Contra algumas ideias feitas, há factos que acho difícil ignorar e ainda mais complicado adulterar de forma sistemática para a opinião pública. Mesmo não partilhando a crença da autora acerca do “contexto favorável” que se viverá (que interpreto de outra forma). gostaria de destacar algumas das evidências que recolheu.

Vejamos o que pensam os alunos que mais insucesso têm do que se passa com eles nas escolas:

Sobre a melhor forma de combater esta situação:

Os alunos que não aprendem necessitam de colo e atenção em casa. Necessitam de programas de sensibilização das famílias, porventura antes do início da escolaridade obrigatória. Necessitam de ir mais cedo para o jardim infantil. Necessitam de programas que reduzam a desvantagem dos agregados familiares. Necessitam que a comunidade esteja atenta ao bullying. Necessitam de modelos para se comportarem melhor. Necessitam de não ser segregados em escolas estigmatizadas. Necessitam de aprender a ler para poder criar o gosto pelas histórias e pela criatividade. Necessitam que não desistam deles.

Os professores tentam dar um contributo positivo para que estes alunos continuem. Sempre os professores como o melhor ativo do sistema de educação.

Já agora, matizando a teoria de que só os pobrezinhos é que são protagonistas do insucesso, típica daquele determinismo simplório pseudo-sociológico:

Embora o sucesso das aprendizagens esteja ligado ao estatuto socioeconómico e cultural das famílias (educação dos pais, qualidade do emprego, poder de compra, hábitos culturais), esta realidade pode atingir todas as classes sociais, incluindo 6% pertencente à classe social mais favorecida. Por outro lado, dentro da classe social mais desafortunada há 42% de alunos que atinge nível “3 “ou mais. Cada um destes alunos adquiriu competências para entrar no elevador social, tem capacidades que permitem manter as portas do futuro abertas.

profpardal

3ª Feira

A nossa comunicação social de referência está quase toda absolutamente completamente preocupada com o fenómeno das fake news. Em vez de reflectirem no que fizeram de modo a quetal se multiplicasse a partir dos media convencionais, desdobram.-se em denúncias do presente. Mas, nos seus espaços, abrigam um híbrido de “(ex?)jornalistas-comentador@s” que dizem o que lhe lhes apetece sem qualquer verificação sob o manto a “opinião”. Que deve naturalmente ser livre mas ter alguma substância em factos. Sei disso por experiência própria porque já tive de me ir defender em tribunal de coisas desse género, “salvando-me” os factos que aduzi serem verdadeiros e a outra parte apenas fingir o ultraje pela porcaria feita exactamente por emitir juízos de valor sem os ter (aos valores, aos factos). Mas os tempos estão escorregadios e agora parece bem dizer (de novo) que a “verdade” é apenas uma questão de perspectiva que 800 ou 600 ou 400 ou 200 é tudo o mesmo, ou quase, sendo sempre “muito” ou “insustentável. Algumas dessas cabeças (ou em alguns casos beiças) falantes beneficiam de estar em tempo de antena nobre, sem contraditório, como se fossem elas as descodificadoras legítimas das situações, quando não passam de manipuladoras ao serviço de causas que, em “muitos” casos, precisam da simpatia dos poderes para sobreviver. Se em tempos endeusaram zeinais, granadeiros, berardos e salgados e alguns até os doutoram por causa da “honra”, querem que alguém minimamente informado lhes dê crédito. A sorte é que tudo anda a ser feito para que o maior número de cidadãos seja o mais desinformado e consequentemente acrítico possível. E nesse particular há quem ande a prestar inestimáveis serviços à causa.