Serviços Mínimos

Nas duas últimas semanas já eram quase mínimos. Agora serão mesmo visitas esporádicas, em caso de algum assunto mais interessante (ou irritante). A ver se um tipo limpa as sinapses de tanta ganga de abusos e incompetências diversas. O que chateia mais é que, por cauda da pandemia, isto está mesmo muito cheio de portugueses por todos os lados e grande parte deles gosta de partilhar as suas opiniões com toda a gente ao redor e raramente se aproveitam duas frases.

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Alguém Que Se Mexa

Isto vem a propósito de uma troca de pensamentos com o Ricardo Silva um par de posts abaixo.

Quem me conhece sabe que adoro que alguém faça alguma coisa em vez de falar. Para isso, estou cá eu, que até falo e escrevo depressa. Mas, mais vezes do que gostaria, vi-me metido em confusões que me valeram a crítica de desejar “protagonismo”quando eu sou do mais agarradinho ao sossego que possam pensar. Nada contra apoiar e fazer o que possa para ajudar quem tem ideias, boas iniciativas e energias, mas já dei o suficiente para o peditório de dar a cabeça e o resto nos tempos da MLR e muitas vezes perceber que muita gente bate palmas, atira foguetes, mas depois deixa o lixo para os outros varrerem. Como muitos daqueles manifestantes ecologistas ou como os anti-globalistas que defendem a revolta global e vão ao starbucks para apanharem net livre enquanto bebem um latte machiatto.

Por isso, eu gostaria de explicar de forma muito sumária o que penso sobre a situação que temos, em matéria de Educação mas com potencial generalizador, exceptuando as excepções, claro está, porque há quem ache que as generalizações são coisa tão má quando as individualizações são péssimas para outros, não descontando quem desgosta de meios-termos.

  1. A situação que temos vivido, em termos de docência, carreira, quotidiano laboral, etc, tem piorado e não tem tendências para melhorar, por razões mais inválidas do que válidas, mas aquelas sendo muito mal vistas por quem produz a maioria das leis e da opinião que as apoia e estas sendo populares entre quem está e produz barreira eficaz de agit-prop, a par de distribuição de tenças aos servidores.
  2. Os professores, enquanto grupo profissional, tendem a ser apresentados, com variável justiça como sendo pouco unidos e nem sempre com a devida capacidade de resistência para manter um rumo sem que, de repente, quem os “representa” ou quem governa consiga apresentar uma razão ou factor de desmobilização que agrada a pelo menos uma parte significativa dos que antes se mobilizavam “em manada”.
  3. Apesar disso, na última dúzia de anos, a classe docente deu mais dores de cabeça ao poder político do que qualquer outra classe profissional, pelo menos em extensão do conflito, porque os enfermeiros o fizeram a dada altura com grande intensidade. Só que, como disse acima, quase sempre outros interesses levaram a acordos formais ou implícitos, entre os “actores” em presença, com ou sem “chantagens” ou “seduções”.
  4. Depois de uma ou outra subida de escalão e com a escalada da idade, há cada vez mais gente que só quer chegar ao fim da carreira e dispensa chatices próprias, mesmo se apoia que outros façam alguma coisa enquanto vão a formações/webinares com a doutora cosme, o secretário costa, o guru fernandes ou o inclusivo rodrigues para ganharem créditos para a chegada da última tranche do faseamento. E ainda há os que são mesmo crentes deste sistema porque gostam que lhes sussurrem ao ouvido com voz doce, enquanto lhes dão uns cargos e mais umas horas de redução para ficarem longe dos alunos que clamam adorar.
  5. Por tudo isto, se querem “movimento”, mexam-se que eu depois empurro, porque também eu me cansei de oportunistas a ver se apanham cargos na dgae, “submarinos” a ver se arranjam um lugar em listas do partido ou, os mais humildes, uma coordenação local qualquer que lhes transmita a sensação de que podem mandar nos pares ou, ainda melhor, monotorizá-los [sic] que é um modelo de monitorização em que predominam os monos.
  6. Ahhh… e cada vez me custa mais defender posições em que os monos são os que, no fim, mais acabam por ganhar. Ou perder menos. E ainda gozam com os outros.

Pensamentos

(anote-se que tive a “gentileza” de não nomear as pessoas em que estava a pensar, sejam as que vocês perceberam à primeira, seja as que talvez só eu conheça, se descontar quem aqui vem só para perceber se estou a falar del@s…)

(a remexer em papéis “velhos” dei com um dos recibos do pagamento de um dos pareceres que entre 2008 e 2010 pedimos ao jurista Garcia Pereira… quando comparo o dinheiro que tudo aquilo envolveu e vejo certas coisas agora, dá-me cá uma vontade de não rir com tudo aquilo que se arriscou então…)

Dia 18 – Quem Está A Preparar Reuniões Para 2ª Feira?

São várias as escolas que convocaram para amanhã (e dias seguintes) uma sucessão de reuniões de formatos diversos (grupos disciplinares, departamentos, conselhos de turma, equipas disto ou aquilo) para delinearem os seus planos E@D conforme instruções da tutela.

E tal como a tutela primeiro mandou fazer o que fosse possível para dar a aparência do 2.º período terminar com alguma “normalidade” e só depois traçou a custo um rumo, também a nível local se avançou primeiro com a pressa de apresentar as soluções no mais curto espaço de tempo e só agora vão surgir os “planos”.

diario

Dia 15 – Tempo Para Pensar (Com Tempo)

E prometo que agora vou ler em vez de escrever.

É o momento certo para todos respirarmos um pouco, de alunos aplicados a professores diligentes, não esquecendo encarregados de educação à beira de um ataque de nervos, e encararmos nem que seja uma semana de reflexão acerca do caminho a tomar, do rumo que é necessário ter coragem de assumir, sejam quais forem as opções, em vez de se andar numa espécie de chuveirinho de sugestões ou ideias mal trabalhadas, do plano central ao local.

diario

Mas Quem É Responsável Por Estas Propostas? (Phosga-se!)

Porque aparecem documentos como este (Propostas gerais intervencao educativa) sem data e assinatura, com propostas de “intervenção educativa para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade”? O nome que aparece nas propriedade do documento como autora não nos explica muito.

E porque tem propostas que, se formos bem a ver, vão claramente contra algumas das regras de segurança em relação aos riscos de contágio, para não falar de questões de privacidade ou mesmo de segurança informática?

Entrámos em desvarios? Porque uma coisa é procurar “soluções”, outra é fazer uma espécie de lista de compras.

PropostasEduc

Já agora expliquem estas contas, porque está qualquer coisa a falhar-me. Quem não tem computador, mas tem net em casa é no zingarelho móvel? É isso?

Um em cada cinco alunos não tem computador em casa e 5% das famílias com crianças até aos 15 anos não tem Internet

6ª Feira

Prestes a terminar o primeiro mês. Já existem baixas e alguns regressos perfeitamente impensáveis. Não são poucas as pessoas que começam a considerar quanto tempo aguentarão. Dará para chegar ao Natal? Entretanto, recrudescem as exigências porque a cada nova investida de normativos corresponde nova camada burrocrática. O exercício da docência já contempla há uns bons anos uma componente de representação do acto pedagógico para justificar qualquer opção que não seja de sucesso garantido. Mas essa componente continua num crescendo imparável. A anunciada greve a “reuniões para as quais os professores forem convocados, caso não se encontrem previstas na componente não letiva de estabelecimento do seu horário” e mais umas outras chatices tem sido algo pedido por algumas pessoas (ou pelo menos ameaça-se vagamente com o incumprimento das tais burrocracias redundantes) mas fico sem perceber como isto funcionará: sendo “greve” como se serão contabilizadas as faltas, em especial se as reuniões forem sucessivamente convocadas por inexistência de quórum. Na base das 35 semanais? E o pessoal que der todas as suas aulas durante este período verá o valor dessas faltas desaparecer do salário? A sério que esperam mesmo uma grande adesão a este tipo de greve que, apesar de estimável e compreensível, é mais do domínio da conversa de café? Não conseguiriam antes fazer convocatórias de plenários de professores para as datas de eventuais reuniões intercalares? Em especial quando acontecem em horário pós-laboral?

Sim, já sei que sou um “guinote do restelo” que para o ex-pai albino e cortesãs do SE Costa, assim como para muitos indefectíveis do sindicalismo ortodoxo, mas isto parece-me uma coisa um bocado inconsequente atendendo a todo o contexto vivido. Até porque com as regras existentes sobre reuniões ao abrigo do CPA quase tudo vai acabar por ser feito e só se irão lixar materialmente os mesmos do costume, porque os mandantes vivem em pleno as suas “dispensas”, enquanto anunciam que já podiam ser professores “superiores” ou mesmo coisas mais importantes para a Nação.

Este é um discurso divisionista, será uma das críticas evidentes. Só que para se “dividir” há que existir uma “união” qualquer que eu não vislumbro depois da greve da outra semana (e que uma colega sindiclaista qualificou no meu mural do fbook como “óptima” [sic]) e da manifestação que se lhe seguiu e que teve um impacto de menos que zero no Governo, a menos que se considere que o “Temos Pena!” do actual PM não é pura e simplesmente um gozo total, a pedir mais que eles até agradecem os contributos para o Orçamento.

Estamos num beco sem saída? Há quem ache que só com o próximo governo se conseguirá algo, mas sem dizerem que tipo de governo estão a prever. Há quem diga também que as lutas não atingem os seus objectivos sem grandes esforços e muito tempo. Sim, pois, mas há coisas que se conseguem de um momento para o outro, basta ver a rapidez com certas pessoas arrumaram a sua vidinha às cavalitas dos contratados e como outros conseguem estar décadas a lutar das 9 à meia-noite (excluindo a época dos banhos). E sem qualquer avaliação do desempenho.

É altura de baixar os braços?

Não, pelo contrário. E nem vou falar muito sobre as vantagens da ILC em relação a petições da treta.

Falo da denúncia clara dos abusos – com exemplos e sem receio de ferir susceptibilidades pseudo-amigas – que estiveram na base da concepção e implementação dos decretos 54 e 55/2018 que parecem ser considerados maravilhas legislativas por mais gente do que seria razoável esperar, atirando-se para as escolas e professores eventuais falhas na sua “operacionalização”. Há muita coisa que poderia e deveria ser denunciada, mas, infelizmente, há quem tenha preferido vender-se por muito pouco ao “sistema”. Basta ver como se replicam “formações” da treta com powerpoints da maria-cachucha sobre a Educação Inclusiva.

O polvo dos interesses, favores e tenças mais ou menos disfarçadas em troca de apoios públicos está em amplo crescimento e bem alimentado. Sou obrigado a reconhecer: o costismo está de parabéns e bem ancorado nas “redes sociais” e outros espaços digitais que, mesmo quando criticam o ME, protegem devidamente quem deve ser mantido longe das críticas, enquanto não ruma em definitivo para paragens mais elevadas. Há demasiadas cumplicidades em forma de muralha d’aço.

O pântano tresanda e, voltando ao princípio, cada vez existe mais gente no terreno incapaz de respirar em condições. Mas a falta de ar puro também diminui o ânimo para reagir. E el@s sabem isso.

Stink

Só Com Muita Força de Vontade

Muita, muita, muita. Para ignorar tudo o que não pode ser para levar a sério. Tanta treta que anda pelo ar, mas uma enorme falta de coragem para assumir o que é mais do que óbvio: um exercício de demonstração de poder sobre o currículo e sobre a carga horária disponível.

(o argumento comparativo com a Matemática é ridículo, pois a nota desta disciplina não entra, por exemplo, na média de alunos que vão para Direito, Sociologia, Línguas, etc… mas temos de apanhar com intelectualizações de vão de escada sobre o “sedentarismo”… e uma total truncagem do passado em relação ao papel da EF no acesso ao Ensino Superior… a malta é nova, mas poderia informar-se, em vez de reclamar um estatuto de excepção entre todas as disciplinas curriculares, porque essa é a verdade… nenhuma outra disciplina tem aquilo que a EF reclama apenas para si, dizendo-se discriminada, o que é obviamente falso… mas talvez a distinção entre verdadeiro/falso seja daquelas coisas que se aprende em outras áreas… não obrigatórias)