Domingo

Chegou Agosto. Apesar de, em especial, os colegas do Secundário ainda terem muito que fazer, começa a ser o momento habitual em que se procura desacelerar e respirar algum tempo. Claro que há os afortunados que já se fazem fotografar em pose de relax por aí, mas nem todos conseguimos ter essa fortuna. Porque há quem tenha passado o ano todo a ser pacientemente moído e nem sempre é possível esquecer, por mais que se ache que a indiferença é a melhor estratégia. Só que há acções muito reais que sempre nos atingem em algum ponto mais delicado ou que, pela acumulação, merecem que se tracem limites e se comece, também pacientemente, a devolver todo o mal que nos quiseram fazer.

Chegou Agosto. Mas há quem nem seja o maior adepto de calor e areia na virilha. Portanto…

6ª Feira

Falam em “antecipar” as férias escolares por causa do “pico”. Em boa verdade, a “antecipação” consiste em colocá-las onde normalmente estão, mais ou menos um par de dias. E se é verdade que o teletrabalho é mesmo obrigatório (“sempre quer possível”) em concelhos que representam 85% da população, a petizada nem ficará ao abandono (espera-se…). E sempre se poderiam evitar reuniões até praticamente à véspera de Natal, o que para alguns idiotas parece lógico, pois os “professores não devem estar de férias nestas alturas, porque parece mal”. Por “idiotas” entendam-se especialmente professor@s que dizem isto, com um ar que nos deixa sem dúvidas acerca do vazio que deve ser o resto da sua vida, portões fora.

(claro que criaturas maledicentes como eu, poderão inquirir se, sendo verdade que não existe relação entre as actividades escolares e o aumento dos contágios, porque será necessária tal medida… será porque assim poderão fazer algo sem perder a face de modo muito evidente?)

Serviços Mínimos

Nas duas últimas semanas já eram quase mínimos. Agora serão mesmo visitas esporádicas, em caso de algum assunto mais interessante (ou irritante). A ver se um tipo limpa as sinapses de tanta ganga de abusos e incompetências diversas. O que chateia mais é que, por cauda da pandemia, isto está mesmo muito cheio de portugueses por todos os lados e grande parte deles gosta de partilhar as suas opiniões com toda a gente ao redor e raramente se aproveitam duas frases.

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Alguém Que Se Mexa

Isto vem a propósito de uma troca de pensamentos com o Ricardo Silva um par de posts abaixo.

Quem me conhece sabe que adoro que alguém faça alguma coisa em vez de falar. Para isso, estou cá eu, que até falo e escrevo depressa. Mas, mais vezes do que gostaria, vi-me metido em confusões que me valeram a crítica de desejar “protagonismo”quando eu sou do mais agarradinho ao sossego que possam pensar. Nada contra apoiar e fazer o que possa para ajudar quem tem ideias, boas iniciativas e energias, mas já dei o suficiente para o peditório de dar a cabeça e o resto nos tempos da MLR e muitas vezes perceber que muita gente bate palmas, atira foguetes, mas depois deixa o lixo para os outros varrerem. Como muitos daqueles manifestantes ecologistas ou como os anti-globalistas que defendem a revolta global e vão ao starbucks para apanharem net livre enquanto bebem um latte machiatto.

Por isso, eu gostaria de explicar de forma muito sumária o que penso sobre a situação que temos, em matéria de Educação mas com potencial generalizador, exceptuando as excepções, claro está, porque há quem ache que as generalizações são coisa tão má quando as individualizações são péssimas para outros, não descontando quem desgosta de meios-termos.

  1. A situação que temos vivido, em termos de docência, carreira, quotidiano laboral, etc, tem piorado e não tem tendências para melhorar, por razões mais inválidas do que válidas, mas aquelas sendo muito mal vistas por quem produz a maioria das leis e da opinião que as apoia e estas sendo populares entre quem está e produz barreira eficaz de agit-prop, a par de distribuição de tenças aos servidores.
  2. Os professores, enquanto grupo profissional, tendem a ser apresentados, com variável justiça como sendo pouco unidos e nem sempre com a devida capacidade de resistência para manter um rumo sem que, de repente, quem os “representa” ou quem governa consiga apresentar uma razão ou factor de desmobilização que agrada a pelo menos uma parte significativa dos que antes se mobilizavam “em manada”.
  3. Apesar disso, na última dúzia de anos, a classe docente deu mais dores de cabeça ao poder político do que qualquer outra classe profissional, pelo menos em extensão do conflito, porque os enfermeiros o fizeram a dada altura com grande intensidade. Só que, como disse acima, quase sempre outros interesses levaram a acordos formais ou implícitos, entre os “actores” em presença, com ou sem “chantagens” ou “seduções”.
  4. Depois de uma ou outra subida de escalão e com a escalada da idade, há cada vez mais gente que só quer chegar ao fim da carreira e dispensa chatices próprias, mesmo se apoia que outros façam alguma coisa enquanto vão a formações/webinares com a doutora cosme, o secretário costa, o guru fernandes ou o inclusivo rodrigues para ganharem créditos para a chegada da última tranche do faseamento. E ainda há os que são mesmo crentes deste sistema porque gostam que lhes sussurrem ao ouvido com voz doce, enquanto lhes dão uns cargos e mais umas horas de redução para ficarem longe dos alunos que clamam adorar.
  5. Por tudo isto, se querem “movimento”, mexam-se que eu depois empurro, porque também eu me cansei de oportunistas a ver se apanham cargos na dgae, “submarinos” a ver se arranjam um lugar em listas do partido ou, os mais humildes, uma coordenação local qualquer que lhes transmita a sensação de que podem mandar nos pares ou, ainda melhor, monotorizá-los [sic] que é um modelo de monitorização em que predominam os monos.
  6. Ahhh… e cada vez me custa mais defender posições em que os monos são os que, no fim, mais acabam por ganhar. Ou perder menos. E ainda gozam com os outros.

Pensamentos

(anote-se que tive a “gentileza” de não nomear as pessoas em que estava a pensar, sejam as que vocês perceberam à primeira, seja as que talvez só eu conheça, se descontar quem aqui vem só para perceber se estou a falar del@s…)

(a remexer em papéis “velhos” dei com um dos recibos do pagamento de um dos pareceres que entre 2008 e 2010 pedimos ao jurista Garcia Pereira… quando comparo o dinheiro que tudo aquilo envolveu e vejo certas coisas agora, dá-me cá uma vontade de não rir com tudo aquilo que se arriscou então…)

Dia 18 – Quem Está A Preparar Reuniões Para 2ª Feira?

São várias as escolas que convocaram para amanhã (e dias seguintes) uma sucessão de reuniões de formatos diversos (grupos disciplinares, departamentos, conselhos de turma, equipas disto ou aquilo) para delinearem os seus planos E@D conforme instruções da tutela.

E tal como a tutela primeiro mandou fazer o que fosse possível para dar a aparência do 2.º período terminar com alguma “normalidade” e só depois traçou a custo um rumo, também a nível local se avançou primeiro com a pressa de apresentar as soluções no mais curto espaço de tempo e só agora vão surgir os “planos”.

diario

Dia 15 – Tempo Para Pensar (Com Tempo)

E prometo que agora vou ler em vez de escrever.

É o momento certo para todos respirarmos um pouco, de alunos aplicados a professores diligentes, não esquecendo encarregados de educação à beira de um ataque de nervos, e encararmos nem que seja uma semana de reflexão acerca do caminho a tomar, do rumo que é necessário ter coragem de assumir, sejam quais forem as opções, em vez de se andar numa espécie de chuveirinho de sugestões ou ideias mal trabalhadas, do plano central ao local.

diario

Mas Quem É Responsável Por Estas Propostas? (Phosga-se!)

Porque aparecem documentos como este (Propostas gerais intervencao educativa) sem data e assinatura, com propostas de “intervenção educativa para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade”? O nome que aparece nas propriedade do documento como autora não nos explica muito.

E porque tem propostas que, se formos bem a ver, vão claramente contra algumas das regras de segurança em relação aos riscos de contágio, para não falar de questões de privacidade ou mesmo de segurança informática?

Entrámos em desvarios? Porque uma coisa é procurar “soluções”, outra é fazer uma espécie de lista de compras.

PropostasEduc

Já agora expliquem estas contas, porque está qualquer coisa a falhar-me. Quem não tem computador, mas tem net em casa é no zingarelho móvel? É isso?

Um em cada cinco alunos não tem computador em casa e 5% das famílias com crianças até aos 15 anos não tem Internet