Português (6º Ano): Aulas Nº 90 E 91

Escrevi qualquer coisa no sumário sobre o “Ulisses”, mas a maior parte do tempo – a partir de pedidos dos alunos que eu, além de flexível, sou dialogante – foi a mostrar a evolução das fronteiras no leste euroasiático, a rede de gasodutos e alguns paralelismos com a Europa Central dos anos 30 do século XX. Alunos interessados, alguns nem tanto, perguntas pertinentes, respostas de professor que também é o de História. Não irei assinalar a transversalidade ligadas à realidade actual em qualquer grelha, nem há nenhum DASSE, desculpem, DAC, onde isto esteja previsto. Não conto fazer monitorização, mesmo se na 2ª feira seja previsível um follow-up (temos Cidadania e HGP apenas na 3ª, que é dia de “tolerância”), que continuação em inglês é mais cosmopolita. Falámos em tom normal, nem sequer perturbámos qualquer vizinhança. Não sei se, à parte este àparte, sem outro registo, se deva considerar que aconteceu mesmo.

Auto-Avaliação

A Equipa Técnica da Autonomia e Flexibilidade Curricular produziu um relatório em que avalia muito bem a sua própria actividade.

Merece claramente um Excelente, sem necessidade de aulas observadas.

Ao longo do processo de acompanhamento e monitorização das escolas, continua a verificar-se a concretização da Autonomia e Flexibilidade Curricular a nível nacional, conduzindo à ambicionada Escola autónoma que gera uma Educação de qualidade para os seus alunos, conhecedora da confiança depositada em si, com a assunção da responsabilidade inerente à sua missão. O reforço da autonomia da escola e dos seus profissionais relativamente ao desenvolvimento curricular colocam-na como detentora de instrumentos que possibilitam a gestão do currículo, de forma a integrar estratégias promotoras de melhores aprendizagens, em contextos específicos e perante as necessidades de diferentes alunos, assim como estabelecendo prioridades na sua apropriação e assumindo a diversidade nas opções que melhor se adequam aos desafios do seu projeto educativo.
Continuamos a percorrer um caminho para uma Escola inclusiva, que respeita a heterogeneidade dos alunos, elimina obstáculos no acesso às aprendizagens, contemplando a diversidade e garantindo a aquisição de múltiplas literacias necessárias ao cidadão do Século XXI, na sua formação integral ao mesmo tempo que valoriza os alunos, lhes dá voz e possibilita a construção do seu projeto de vida, ao traçar um percurso formativo próprio.

O Regresso De Uma Variante De Unidade Capitalizáveis (Para Quem Se Lembra Do Ensino Recorrente) E Mais Uns Truques À Conta Da “Flexibilidade”

Portaria n.º 306/2021 de 17 de dezembro

O preâmbulo é mais uma peça de propaganda. Mas interessam-me em especial estas partes (umas delas até podem servir para “resolver” a falta de professores em alguns grupos, à conta da “inovação” de “agregar” disciplinas):

Artigo 4.º […]

4 — […] a) A redistribuição, ao longo de cada ciclo ou nível de ensino ou ciclo de formação, das disciplinas/módulos/unidades de formação de curta duração (UFCD)/unidades de competência (UC) e respetivas cargas horárias previstas em cada matriz curricular-base, incluindo, no ensino secundário, sempre que aplicável, a alteração ao desenvolvimento anual, bienal ou trienal das disciplinas que integram a matriz curricular -base, sem prejuízo de as mesmas continuarem a ser consideradas, para efeitos de avaliação externa, como anuais, bienais ou trienais, respetivamente;

[…] c) A criação de novas disciplinas através de: i) Reafetação de tempos/horas fixados para as disciplinas constantes da matriz curricular-base, com definição de documentos curriculares próprios, aprovados pelo conselho pedagógico; ou ii) Junção das aprendizagens essenciais e dos tempos/horas fixados para as respetivas disciplinas na matriz curricular-base, combinando-os total ou parcialmente, constituindo -se estas novas disciplinas como disciplinas agregadoras.

d) A conceção, no ensino secundário, de um percurso formativo próprio, através da oferta de disciplinas integrantes dos diversos planos de estudos previstos nas portarias que lhes subjazem, nos termos previstos no artigo 6.º -A;

e) [Anterior alínea d).]

f) [Anterior alínea e).]

g) A opção pela constituição de turmas ou grupos de alunos de anos de escolaridade diferente, desde que do mesmo ciclo ou nível, sem prejuízo do cumprimento das aprendizagens essenciais, designadamente para efeitos de realização de provas de avaliação externa.

Esta última parte é, na prática, a constituição de turmas de nível, certo?

Pelo Educare

Flexibilidade: verdadeiro modo de usar

(…)
Os professores estão a enfrentar um desafio que ninguém previu, nem as mentes mais iluminadas em todas as suas conceptualizações do que seria “o ensino no século XXI”; nem sequer as daqueles que em Março achavam que tudo iria terminar em bem, só porque assim eles achavam; ou as dos que anunciaram um Setembro em alegre desconfinamento. Estavam errados, nuns casos por ser mesmo impossível prever a realidade na sua imensa diversidade, em outros porque se agarraram às suas crenças como se fossem as únicas possíveis de conceber.

Os professores estão, todos os dias, a enfrentar a necessidade de “flexibilizarem” a que nenhuma formação por encomenda dá resposta cabal. Porque grande parte dessas formações são a antítese de “flexibilidade”, pois cristalizaram nas suas fórmulas.

Estes são tempos em que a flexibilidade é redefinida todos os dias. No terreno.

4ª Feira

Ora cá estamos nós. No meu caso, em cheio num dia de actividades para a avaliação, se me é permitido o arcaísmo. Com alunos presentes e outros ausentes há que flexibilizar e diferenciar. Mas a sério. Adaptar critérios, com autonomia. Mesmo que ainda esteja muito por definir, que nem sempre o pessoal se lembra que avaliar – apesar de ser algo muito passé nos modelos futurísticos da desmaterialização – é diferente conforme as circunstâncias dos alunos em contexto de pandemia, mesmo sem passagem generalizada a ensino misto ou não presencial. Nem me parece que o Plano de Contingência seja o documento ideal para isso lá estar. Mas parece-me natural que, na maioria dos casos, os Pedagógicos já tenham previsto estas situações.

Eu Ainda Não Recebi O Inquérito Da Torre De Controlo De Qualidade E Quantidade! E @s Colegas DT?

Já vi (há versões para os vários níveis de escolaridade e tudo) e é incrível como quem levou duas semanas a produzir um plano com 8 orientações vem agora inquirir o que os DT fizeram, com quem comunicaram e o quê, o que calendarizaram, o que articularam, etc, etc. Confesso que quando ouço ou leio o que pode parecer um elogio aos professores, já sei que vem aí marretada da séria. E ficamos numa no-win situation, porque se dizemos que nada ou pouco fizemos, somos uns ineptos, se dizemos que fizemos é porque as orientações iniciais do ME são geniais e, afinal, é possível fazer tudo e mais alguma coisa.

Podem não ser grande coisa como decisores, mas como controladores é difícil encontrar gente menos dedicada. Phosga-se… quando se pedia um “rumo”, não era uma trela…

Torre

E Dizem Que A Municipalização Não Interfere Com A Autonomia Das Escolas E Com A Gestão Pedagógica?

Veja-se o caso de Odivelas e do projecto “Repensar o ano letivo como forma de melhorar a aprendizagem dos alunos”. Deixo aqui todo o documento (Semestres_Odivelas_Relatório), porque até me cansa estar a copiar aquelas passagens típicas da escrita de um certo tempo de final do século XX, tão lido por ocasião das profissionalizações feitas nos anos 80 e 90.

Chamo apenas a atenção para o organograma implícito nesta apresentação:

Odivelas1Odivelas2

A Câmara (do PS), com a benção do governante (do PS) nomeia uma comissão (ver parte sublinhada) para proceder ao acompanhamento e avaliação de um projecto implementado a nível municipal, convidando para consultor um especialista e ex-governante (do PS).

Essa comissão, formada principalmente por elementos da Equipa de Acompanhamento da Autonomia e Flexibilidade Curricular da Região de Lisboa e Vale do Tejo (nomeada em modelo de dependência clara da tutela), acha por bem dar a sua opinião sobre o funcionamento dos órgãos internos de gestão das escolas, apontando-lhes forças e fraquezas, presentes e futuras naquele modelo muito apreciado da análise SWOT (prefiro a versão portuguesa-brasileira de análise FOFA, mas são gostos).

OdivelasPodem dizer-me que é apenas um olhar “externo” para “ajudar”, mas mim parece toda uma outra coisa. E tem muito pouco a ver com “autonomia” e ainda menos “diferenciação” pois promove metodologias e modelos únicos de intervenção.

O Triunfo Da Flexibilidade Grelhadora E Micro-Avaliadora

Dá quase sempre nisto. Falam em abordagem holística, criticam a rigidez pedagógica e o carácter redutor da avaliação e depois transformam tudo numa grelha absolutamente mirabolante (revelando ao mesmo tempo um fraco domínio do design de tabelas em word para o século XXI).

Quem elaborou isto que me perdoe (ou não)… até podem ser excelentes colegas a vários níveis, mas, numa qualquer curva do caminho, espalharam-se ao comprido na coerência, para não dizer em várias outras coisas. Sorte vossa que isto não seja avaliado por alguém com olhos de ver e conhecimentos a sério do que deve ser uma pedagogia diferenciada e individualizada.

Assim, talvez ganhem uma medalha do SE Costa e palmadinhas nas costas de um qualquer guru do pafismo educacional quando o forem visitar.

GrelhaNTA

 

O Problema É Que Não Há Meios Para Todos

E depois as experiências são muito interessantes, mas restritas a algumas salas, algumas turmas e a uma minoria de alunos.
Se estas opções me agradam muito? Claro que sim… Tomara eu não ter cadeiras e mesas quase do século XIX na maioria das escolas não intervencionadas durante a “festa” da senhora reitora.

Designing flexible learning spaces

Uma Espécie De Selecção Nacional…

… mas aparentemente sem o Ronaldo do pafismo educacional.

Inclusão e Flexibilidade na Escola reúne especialistas nacionais em Portimão

(…)

Serão oradores David Rodrigues, presidente e fundador da Pró-Inclusão/Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, Adelino Calado, ex-diretor do Agrupamento de Escolas de Carcavelos, Dulce Gonçalves, doutorada em Psicologia da Educação, Ariana Cosme, doutorada em Ciências da Educação, Rui Correia, professor de História e vencedor do Global Teacher Prize Portugal 2019, Edson Natario, escritor e trainer, conhecido como “cientista da comunicação”, e ainda Carlos Neto, professor catedrático na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa e autor de vários livros.

(…)

A Câmara de Portimão adianta também que «é esperada a presença do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, na sessão de encerramento do seminário, agendada para as 18h15, na qual também participarão a presidente da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Gomes, e o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Jorge Ascenção».

A menos que apareça em vez/nome de…

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