Deve Ser do Calor

Ou da implosão de alguns serviços. Ou apenas de gente que anda a pensar em outras coisas. Nos últimos dias, cá por casa, têm acontecido coisas meio surreais. Ou melhor, têm-nos acontecido coisas meio parvas, justificadas com explicações ainda mais parvas.

Vou poupar os detalhes específicos sobre o Centro de Formação que, depois de levar sete meses para produzir o raio de um certificado de presença numa acção de curta duração, após repetidos contactos, responde em dias diferentes de forma completamente diversa, acabando a última criatura por, de forma explícita, culpar @ formand@ por não ter recebido o dito cujo certificado, apesar das provas materiais em como todos os elementos tinham sido enviados por correio e mail para o dito CFAE. A rudeza de certos mangas de alpaca só tem equivalência na arrogância a que se elevam normalmente algumas nulidades administrativas protegidas pelos poderes locais.

Adiante.

Quanto à truncagem de metade da minha comunicação num seminário do CNE, a explicação (ou o que se quer passar por isso), é que metade do texto desapareceu na conversão de ficheiros, de doc para o pdf (já estão disponíveis as 13 páginas em falta num processo que nem deverei comentar mais, de tão lamentável a vários níveis). Não vou dizer que não foi isso que se passou. Só terei é que dizer que, nesse caso, muito mal andam os serviços de revisão de actas (nem sequer em papel) das publicações do CNE, tendo sido um azar dos Távoras que tamanho acidente só tenha ocorrido exactamente neste caso particular, depois de eu muito ter chateado sobre o atraso desta publicação. Teoria da conspiração? Nada disso, apenas verificação dos factos.

Repito que não é a extrema e insubstituível qualidade da minha comunicação que está em causa (o conteúdo está longe de superlativo, embora me orgulhe do que disse e perante quem), é mesmo a forma inexplicável como são apresentadas estas actas, no seu conjunto, como se fossem uma manta de retalhos.

Haddock

9.54

A hora a que a selecção nacional partiu para França, sob cobertura televisiva alargada, no avião Eusébio sob o comando de alguém de seu nome Viriato. Faltou referir que a cozinheira será a Padeira de Aljubarrota e que o Afonso Henriques mandará o seu espírito proteger as redes nacionais já que o Patrício de vez em quando tem umas paragens.

kid-hit-in-head-with-ball

 

Desprezo

Há pessoas amigas (olá, Helena Mendes, hoje estou em modo vergastada para a destra) que acham que eu sou profundamente arrogante na forma como trato alguns dos nossos liberais de aviário, na forma como os apresento como mentecaptos ou meramente idiotas em muitas situações, para não falar em eticamente sinuosos. Já ouvi o mesmo do outro lado do espectro partidário, pois não segrego nesta matérias. Mas agora estou mais virados para aqueles que, na casa dos 30-40 anos, quase sempre encavalitados nos apelidos ou nas relações familiares, fizeram um trajecto que os levou a achar-se liberais de gema, achando que isso se opõe ao que eles qualificam de soviético ou socialista. Uma das consequências, para eles, é desprezarem o que é público, do Estado, incluindo as escolas públicas, que apresentam como antros comunistas, os seus professores, que gostam de qualificar como incompetentes, preguiçosos e ignorantes e os seus alunos, que eles gostam de manter longe de si por serem socialmente indesejáveis na sua diversidade de culturas e economias. Claro que eles desprezam tudo o que é público, com excepção se forem nomeados consultores ou assessores de gabinetes ministeriais, quiçá mesmo administradores em nome desse horrível Estado em empresas ou se estiver em causa o subsidiozinho para o seu negócio. Não escrevo por ouvir dizer, conheço alguns espécimes e observei no seu habitat quando e quanto rastejam sempre que está em causa a verbazinha. São hipócritas, em regra dotados de um potencial intelectual limitado pelas baias que escolheram, são profundamente preconceituosos e desperdiçaram o investimento das progenituras, achando que ser bronco é que está a dar para afirmar o poder da Direita. Criticam o comunismo e os sistemas soviéticos a menos que os babujem em comitivas à Venezuela ou Angola (antes da queda do preço do petróleo, atrás do Portas, esse grande novo empreendedor) para arranjar negócios; os papás e os titis andaram com ditadores nas palminhas para arranjar parcerias estratégias para os seus bancos pré-falidos e os primos mais velhos (tipo mexias) não se incomodam nada de trabalhar em empresas dominadas por accionistas estrangeiros de países mais do que duvidosos em termos de democracia porque (é a desculpa esfarrapada) o capital não tem nacionalidade (mas tem olhos em bico). Porque não há que estranhar… para eles o “liberalismo” vem antes de tudo e “democracia” em alguns casos soa-lhes a “socialismo”. Porque eles são muito inteligentes e leram dois livros de fio a pavio na vida, embora tenham participado em muitas tertúlias, blogado muito, combatido nas fileiras liberais contra o obscurantismo socialista com o teclado numa mão e as fraldas para a incontinência (acaso lhes aparecesse um comuna a sério na frente) na outra. Sim, desprezo-os bastante e nem é por terem tentado ofender-me, ao considerar que por ser um professorzeco (que saudades da lurdinhas que eles têm) do básico em escola com pretos e ciganos (sim, é assim que muitos falam no seu ambiente protegido), porque para mim isso não é ofensa, é elogio. Em especial na pena ou boca de idiotas mimados que confundem educação com colarinhos engomados. Que se afirmam à sombra de organizações “da Fé”, mas que têm condutas tão ou mais materialistas do que o mais empernido leninista. Que defendem o “indivíduo” mas só se não for pobrezinho ou com tom de pele mais escurinho, porque há escolas e escolas, as de excelência para os que lá podem entrar e as outras, públicas, para os que restam e podem ser servidos em regime de low cost.

E desprezo tanto os que dão a cara e o nome a prosas inanes (os sóiferes, por exemplo) como aqueles que as escrevem na sombra, em troca de coluna de opinião ou do tal subsidiozinho para assessorar o grupo parlamentar ou o ajuste directo com o escritório ou o grupo de estudos). Sim, é verdade, este pedregulho de texto não prima pela subtileza, mas isso deve-se apenas ao facto de não estar a lidar com gente subtil. São calhaus ambulantes, a que cursos católicos ou novos não deram qualquer polimento e que não é um fato novo com as costuras todas bem pregueadas que consegue esconder a má formação do carácter. Lê-los é um exercício complicado entre a risota e a fúria porque o tal desprezo que revelam pelo que desconhecem é aterrador em todas as formas pelas quais o possamos encarar. Por isso, desprezo-os com igual intensidade, mas porque os conheço, a alguns desde muito cedo, quando ainda andavam a engraxar pela faculdade a sola dos sapatos de ex-esquerdistas ou ainda esquerdistas para conseguirem um lugar ao sol, quantas vezes na base da mentira e do nepotismo. E cada vez tenho menos pachorra para entrar em diálogo com gente que sabe que é desonesta na forma como debate, porque ainda me pode fugir mesmo a veia para a chinela e ainda se partem umas loiças às comadres e aos compadres. Gente que defende práticas de segregação social (da verdadeira, não aquelas parvoíces dos estudos tipo-isczé, feitos pelos seus simétricos de Esquerda), que é assumidamente xenófoba e que, se lhes fosse dado esse poder, faziam fronteiras à húngara ou à trump para separar os indesejáveis da boa sociedade, a deles, a dos subsidiodependentes, dos consultores e assessores de empresas que negoceiam com alguns dos piores regimes políticos do mundo, gente com tão poucos princípios quanto pudor em usar de todos os truques para alcançar os seus objectivos. Usam a “liberdade” como lema, mas quando é de escolha é mais na base da escolha de quem pode entrar no clube dos escolhidos. Porque para mim são soviéticos e inimigos da verdadeira liberdade todos os que defendem práticas de limpeza étnica ou social ou o domínio do poder através de métodos baseados no carreirismo, no clientelismo e na intimidação dos adversários. Podemos cobrir um imbecil trauliteiro com diplomas e currículo, mas isso dificilmente lhe mudará a essência.

Dito isto, por certo que reconheço a existência de um punhado de intelectuais de Direita altamente estimáveis e sérios. Mas olhem que por estas semanas, houve uma ou duas baixas de relevo nessas fileiras.

Turd

Iupi!

Serve o post em curso para anunciar que já sou, de novo, um espécime de Direita, práí fascistóide, porque ousei criticar algumas opções orçamentais em matéria de Educação (e porque não sou, relembremo-nos, crítico dos exames/provas finais no Ensino Básico). Concordei com o fim da PACC, da BCE, do PET e do ensino vocacional (tudo ainda por legislar), mas parece que o facto de estar contra a ideia da escola a tempo inteiro, de achar que as opções orçamentais preferiram manter uns compromissos assumidos e não outros que já andam a ser torpedeados há quase uma década e contra o aumento dos apoios ao ensino particular e cooperativo me voltam a encaminhar para o quadrante da Direita, após um período de meses de esquerdismo em que achei boa a actual maioria parlamentar de suporte ao governo e apoiei a candidatura presidencial de António Nóvoa. Percebi ainda, pelo texto abaixo citado, de Mário Nogueira no JN, que a minha posição contra a municipalização de toda a Educação Básica e Secundária – esmagadoramente recusada em consulta feita pela Fenprof – me vai empurrar directamente para a Extrema-Direita radical logo que o governo anuncie de forma mais ou menos explícita que a gestão da rede escolar – com as verbas correspondentes, em especial europeias – vai passar para estruturas de coordenação (inter) municipal.

Realmente, sou um catavento político e ideológico cada vez que defendo as mesmas ideias, com alguns anos (ou apenas meses) de intervalo, perante medidas (ou falta delas) de equipas ministeriais de clubes diferentes. E estou só a falar dos últimos tempos, em que os vargas, as mariascampos e as emíliaspestanas me desapareceram da loja. Sou um rais parta de velho do restelo.

(mas continuo do spórtem, verde)

camaleao

 

O Segredo

É uma pessoa fazer-se de muito tansa ou incompetente ou então negar-se mesmo a fazer as suas obrigações por causa da unha encravada do periquito ou porque o gene 67, à esquerda de quem desce, é incompatível com a farinha amparo. Para se evitar problemas e mau trabalho, são-lhe retiradas responsabilidades, o trabalho redistribuído pelo idiotas que têm o desplante de manter o seu profissionalismo e às vezes ainda se ouvem umas bocas das criaturas espertalhosas. Tem dias em que parece que o mundo é desta malta que tem pós-graduação em perna traçada e queriduchices diversas.

baternacabeça

Sim, Mas…

Sou dos que acham que é mesmo necessário que as salas de professores percam o tom cinzento-acastanhado que foram ganhando. Nem falo nas indumentárias, mas no pensamento, no ânimo, na energia. Só que o seu rejuvenescimento, que tanta gente defende como se fosse a solução para mais problemas do que acho razoável, pode trazer tantos outros quantos os que pode resolver. É como aquelas equipas de futebol que passam a apostar muito na juventude, mas apenas porque não podem manter ou contratar os consagrados. Não deve ser uma medida determinada apenas pela necessidade (porque é mais do que evidente que é um erro crasso manter gente a envelhecer, sem perspectivas de carreira) ou pela conveniência (contratar gente nova ou vinculá-la como aos “extraordinários” é barato), mas sim pela convicção (é indispensável uma mistura de idades, experiências e formações para que existam novas formas de resolver os problemas da Educação actual) e com base num plano que não se confunda com aposentações à força ou rescisões ad hoc.

Rejuvenescer as salas de professores não deve ser sinónimo de trova de professores dos quadros mais velhos e caros por contratados,precários e vulneráveis a toda e qualquer mobilidade. Rejuvenescer as salas dos professores não deve ser determinado por provas teóricas ou por pretensas autonomias das direcções na escolha de serviçais, mas sim por um processo de aprendizagem estável, com contratos plurianuais e um modelo de orientação (há quem chame supervisão pedagógica) assegurado por professores-mentores como já os houve, mas que foram quase dizimados no conceito e na existência.

Ahhh… o mais importante é não fazer o rejuvenescimento com base na opinião de quem tem feito formação de professores nas últimas décadas. Acreditem em mim que tenho falado com uma boa quantidade e o que tenho ouvido é aterrador. Então se for em ambiente privado, com garantia de não se saber fora daquelas quatro paredes, ficamos a desejar que as salas de professores continuem a envelhecer. Infelizmente.

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