Sim, Mas…

Sou dos que acham que é mesmo necessário que as salas de professores percam o tom cinzento-acastanhado que foram ganhando. Nem falo nas indumentárias, mas no pensamento, no ânimo, na energia. Só que o seu rejuvenescimento, que tanta gente defende como se fosse a solução para mais problemas do que acho razoável, pode trazer tantos outros quantos os que pode resolver. É como aquelas equipas de futebol que passam a apostar muito na juventude, mas apenas porque não podem manter ou contratar os consagrados. Não deve ser uma medida determinada apenas pela necessidade (porque é mais do que evidente que é um erro crasso manter gente a envelhecer, sem perspectivas de carreira) ou pela conveniência (contratar gente nova ou vinculá-la como aos “extraordinários” é barato), mas sim pela convicção (é indispensável uma mistura de idades, experiências e formações para que existam novas formas de resolver os problemas da Educação actual) e com base num plano que não se confunda com aposentações à força ou rescisões ad hoc.

Rejuvenescer as salas de professores não deve ser sinónimo de trova de professores dos quadros mais velhos e caros por contratados,precários e vulneráveis a toda e qualquer mobilidade. Rejuvenescer as salas dos professores não deve ser determinado por provas teóricas ou por pretensas autonomias das direcções na escolha de serviçais, mas sim por um processo de aprendizagem estável, com contratos plurianuais e um modelo de orientação (há quem chame supervisão pedagógica) assegurado por professores-mentores como já os houve, mas que foram quase dizimados no conceito e na existência.

Ahhh… o mais importante é não fazer o rejuvenescimento com base na opinião de quem tem feito formação de professores nas últimas décadas. Acreditem em mim que tenho falado com uma boa quantidade e o que tenho ouvido é aterrador. Então se for em ambiente privado, com garantia de não se saber fora daquelas quatro paredes, ficamos a desejar que as salas de professores continuem a envelhecer. Infelizmente.

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Catequese

Não fui, pelo que me falta a devida formação em dar a outra face. Ao que parece, consta que sou de trato difícil quando me tentam dar lambadas, mesmo que pelas costas ou in absentia. Parece que deveria ser mais cordato com quem ascende na base da sacanice mais bruta ou rendada, preferir compromissos e entendimentos com quem vale a pena ou com quem seria mais prudente não conflituar.

Não consigo ser assim tão hipócrita, mostrar dentes em sorriso quando se sentem dentadas, não sei se só por causa da falta acima mencionada, se também por qualquer defeito genético que me transmitiu vértebras pouco flexíveis e uma notória sensibilidade dérmica. E quem não se sente, já sabem, e quem se sentir de passagem que enfie a carapuça.

Batman

 

Pénis Maternal

Para sustentar que, com a adopção gay, os humanos estavam a interferir indevidamente no domínio do sagrado, Arroja socorreu-se do instrumento argumentativo mais à mão. “Eu sou um homem. Tenho órgãos genitais de homem: pénis, testículos, etc. Não fui eu que os fiz. A minha mãe já faleceu, mas posso facilmente imaginar-me a perguntar à minha mãe: ‘Olha, tu sabes fazer pénis?’. E estou a ouvir a resposta, naquele jeito muito peculiar: ‘Oh filho, eu sei lá fazer uma coisa destas’. Ela fez quatro. Mas não sabe fazer pénis”. Então quem projectou os órgãos do economista? “Foi Deus”.

O falo divino de Arroja mostra assim uma verdade irrefutável: para Deus, um homem é um homem, uma mulher é uma mulher, e não há confusões. Os dois complementam-se. “O homem dá à mulher direcção, indica-lhe um caminho. Uma mulher não é capaz de definir um caminho. Sem um homem, fica sem saber o que fazer. A mulher dá ao homem equilíbrio, moderação, porque um homem sozinho só faz asneiras, como beber em excesso e conduzir o carro a 200 à hora”.

Penis