Tem O Seu Quê De Ofensivo…

… o tom do anúncio de certas acções de formação ou webinares destinadas a docentes como se fossem uma espécie de imbecis que nunca tivessem descoberto o que andam a fazer. Sei que há gente que delira com isto e até formam “comunidades”, mas dificilmente eu lhes chamaria “de aprendizagem”. Até porque seria importante eu reconhecer em quem dá formação uma prática pedagógica “diversificada e desafiante” com um punhado de anos de experiência e demonstração, sem ser em ambientes controlados.

Já agora se acreditam que “que as crianças e os jovens são protagonistas do processo de ensinar, de aprender e de avaliar” porque será que não se dirigem aos alunos e desenvolvem formações, por exemplo, dirigidas também a alunos e encarregados de educação.

Portanto, da próxima vez que me disserem que “Pretendemos ajudá-lo a organizar a sua ação pedagógica de forma mais diversificada e desafiante”, são capazes de merecer prosa mais assertiva e acutilante com base no parlapateio que apresentam como “propostas e estratégias de ação”, ok?

Porque a roda já foi inventada e reinventada (basta olhar para as biclas do Tour) e a mim chateia esta mania de mamar com base em redundâncias. No fundo, o que querem é vender mais livros, dando a entender que descobriram o que já foi descoberto há meio século (o caso do DUA é sintomático) Ficamos entendid@s?

(eu até me inscrevi, mas foi só para deixar uma cadeira vazia, que é a minha forma de fazer resistência passiva a quem acha que será a sua ajuda a inspirar “os docentes a concretizarem práticas de organização do trabalho pedagógico cuja prioridade seja a promoção das aprendizagens dos alunos e o desenvolvimento das suas competências”)

Coerências

Apresentar uma comunicação em que, assim como que de passagem, se criticam os professores “velhos” (cheguei a ouvir pessoa dizer coisas que nem vale a pena aqui repetir) por darem aulas em tempos digitais recorrendo ao Powerpoint como recurso substitutivo do velho quadro e fazer exactamente isso durante a intervenção. Realmente, a inovação não tem idade cronológica, mas mental. E há quem não tenha espelhos em casa. Claramente.

Deformação Contínua

Deveria existir uma espécie de plafond em certas intervenções de “formador@s” para o uso e abuso dos talking points da propaganda do ministério. Eu percebo que é preciso justificar a mobilidade, a requisição, o destacamento, mas deveria existir um máximo admissível para expressões como “autonomia”, “flexibilidade”, “avaliação formativa”, “estratégia inclusiva”, “perfil do aluno…”, “diferenciação pedagógica”, “transição digital” ou, por exemplo “zona de conforto”. Pessoalmente, parece-me que a zona de conforto é o objectivo maior de quem se pôs na alheta e agora vai às escolas só de visita e a salas de aula só para “observar” ou “investigar”. Por outro lado, parece que agora o orgulho de qualquer currículo é complemehtar um número vago de anos de “exercício docente” com a participação em “projectos europeus”.

Confesso, começo quase a desejar uma formação em atoalhados em geral numa perspectiva de glocalização (é assim mesmo) ou renda de bilros numa abordagem holística e contextual de inclusão social dos idosos ou jovens adultos à espera da primeira ocupação precária.

3ª Feira

Haveria que distinguir com clareza o que é formação de professores do que são, em maior ou menor escala, acções de propaganda governamental. Se é para irem ler o que foi legislado, sem qualquer valor acrescentado ou crítica, é pouco mais do que conferência de imprensa, sem sequer dar direito a perguntas em tempo real.

5ª Feira

O João Miguel Tavares tem razão, por muito que isso custe a muita gente que gosta de tudo a preto e branco: o “Acordo de Formação Profissional e Qualificação: Um Desígnio Estratégico para as Pessoas, para as Empresas e para o País” tem tudo para ser um daqueles buracos negros em que o dinheiro escorre para todos os lados menos para quem deles mais precisa, em troco de uma certificação de “qualificações e competências” que faz lembrar o que cá se passou ao longo das décadas nesta matéria, do Fundo Social Europeu às Novas Oportunidades. O bolo fica todo nas “estruturas”, em que dinamiza os “projectos”, nos “consultores” que apoiam a elaboração e aplicação dos “dossiês” e sobram umas migalhas para o resto. São 5 mil milhões que acabarão na sua larga maioria nos bolsos de quem já os tem bem aconchegados, alegando-se que se está a dar formação e a certificar as ditas qualificações. Depois, em parte quem esteve na preparação de tudo aparecerá a fazer uma auto-avaliação do sucesso das medidas e nem que seja como há uns anos, concluir-se-á que as pessoas ficaram com a auto-estima em cima em troca de um certificado, mesmo se continuaram desempregadas, precárias e/ou com baixíssimos salários.

Seria bom que assim não fosse, mas em Portugal os milagres costumam concentrar-se no desporto e raramente se conhecem ocorrências em matéria de distribuição de fundos europeus.

A Isto Chama-se Gozar Fortemente Com O Pessoal (Até Porque É Apenas Para Directores/Lideranças)

Tornar a Escola numa Organização (ainda mais) Feliz

O domínio do bem-estar pessoal e profissional docente, bem como o da felicidade organizacional, integram atualmente o leque das preocupações dos sistemas educativos na Europa e no mundo, tendo começado a ocupar alguma centralidade na investigação em educação a partir do momento em que se começaram a recolher evidências sobre o impacto da felicidade nas práticas dos docentes e no sucesso académico dos seus alunos (só para referir alguns exemplos).

Assim, pela sua atualidade e pertinência quis a DGAE, em parceria com a Universidade Atlântica, proporcionar aos diretores/lideranças das UOs públicas uma formação nesse âmbito, na modalidade de curso de formação, acreditada pelo CCPFC, com a designação “Ferramentas para construir uma “Happy School”: docentes, lideranças e organizações educativas”, dinamizada pelos Professores Doutores Jorge Humberto Dias, Tiago Pita e Georg Dutschke, especialistas na área da felicidade pessoal e organizacional.

São objetivos desta 1ª edição do curso:

  • Compreender o enquadramento da teoria da felicidade na formação ética do docente e sua intervenção em contexto educativo e escolar
  • Conhecer as experiências de outros sistemas educativos e organizações escolares pela análise da nova literatura/realidade sobre a importância da felicidade na administração escolar
  • Percecionar a utilidade e eficácia das ferramentas do trabalho felicitário na liderança das organizações educativas
  • Criar materiais de suporte a uma intervenção sustentável de felicidade nas organizações educativas dirigidas a resultados, como sejam, aumento de sentimento de pertença, comunicação, diminuição do absentismo, fixação do pessoal, entre outras.

Pela adesão e interesse demonstrados pelos participantes, prevê-se uma 2ª edição para o próximo ano letivo 2021/2022.

Afinal, Começa Logo…

Na primeira vez que tentei visionar, levei com 30 minutos de outras coisas, mas parece que já lá não estão.

Com vários intervenientes, sobrou pouco tempo para cada um. Eu abri as duas rondas, pelo que não deu para comentar algumas coisas, em especial na segunda volta. E pelo que percebi há quem já seja convidado habitual.