A Negociata Da Capacitação Digital

Há colegas aqui da margem sul do Tejo a receber um mail com uma proposta de um “Curso de Formação para a Docência Digital em Rede”. Tudo bem, apenas mais uma entre imensas propostas nos dias que correm. Seria assunto para ir directamente para o lixo se não tivesse reparado nuns detalhes. O curso em causa resulta de uma parceria entre a “Academia do Professor”, a Rede de Centros de Formação de Entre Tejo e Sado e a Universidade Aberta.

Tudo muito institucional e, queria eu acreditar, integrado naquelas iniciativas de formação da Escola Digital, que se anunciaram gratuitas. Pois… gratuitas até certo ponto, pois só “quem não quiser certificado poderá frequentar o Curso sem qualquer custo associado”.

Agora reparem lá nestes “pormenores” relativos à certificação (e nem vou falar dos três conferencistas que ninguém sabe quem serão, mas que não será preciso um zandinga para calcular, atendendo aos monges que costumam usar o hábito por aqui), sendo especialmente engraçado o valor de “cerca de 25 euros”, como se fosse uma quantia ainda em apreciação.

Em que modelo se realiza o curso?

O curso é lecionado na modalidade de eLearning, com recurso a um sistema de gestão de aprendizagem (LMS) e num regime exclusivamente assíncrono. Ao logo do mesmo serão realizadas 3 conferências num total de 6 horas, reconhecidas como ACD válida para efeitos de avaliação e progressão na carreira.

Qual o custo de frequência do curso?

A frequência do curso não tem qualquer custo associado.

Qual o custo de emissão de certificado?

Será emitido um certificado, pela Universiade [sic] Aberta, com a indicação “Curso realizado com aproveitamento” o que implicará realizar as atividades de avaliação definidas no plano do Curso.

Como o curso terá 26 horas, terá acreditação de 1 ECTS e o custo de emissão de certificado será de cerca de 25€.

Esta ação está acreditada pelo CCPFC?

Este curso pode ter um certificado emitido pela Universiadade [sic] Aberta e individulamente [sic] pode ser soliciatado [sic] ao CCPFC a sua acreditação para efeitos de avaliação e progressaõ [sic] na carreira.

​(como autor confesso de “gralhas” – inconseguimentos ortográficos – com alguma frequência, vou apenas referir que uma publicação de uma rede de centros de formação tem um pouquinho mais de responsabilidades do que um blogue de um professorzeco)

Só Para Colocarem Na Agenda

7 de Janeiro:

  • Criar (CFAE) código de respondente de cada docente das escolas associadas.
  • Solicitar (diretor do CFAE) a colaboração do diretor do AE, no sentido de sensibilizar os docentes para a importância da sua participação da resposta ao Check-in e para o seu desenvolvimento profissional.

8 de Janeiro:

  • Enviar (CFAE) o código de respondente e o endereço do Check-in a cada docente, para utilização na resposta ao questionário.

(o preenchimento ainda não está disponível hoje, portantosss….)

  • Preencher (docentes) o questionário Check-in.

12 de Janeiro:

  • Enviar lembrete para todos os docentes.

15 de Janeiro:

  • Enviar último lembrete.

18 de Janeiro:

  • Fim do período de preenchimento do formulário

(dizem que parece que “agora é que vai ser diferente!” Diferente do quê, já agora?)

Ainda O Plano De Capacitação Digital Dos Docentes

Ficam aqui os modelos das acções de formação conforme o nível de “capacitação” dos docentes.

Um bónus, já agora:

Plano De Acção Para O Desenvolvimento Digital

A formação contínua vai fazer uma viragem da Flexibilidade e da Inclusão para a Digitalização. Até 7 de Janeiro os projectos de acções de formação têm de estar prontos para ser financiados.

O esquema geral é o que se segue:

O mais certo é que a partir deste questionário europeu, tenham de preencher em breve a versão nacional, para que possam ser posicionados e recrutados para formações de 50 horas. Eu fiz duas vezes, uma com as condições actuais resultantes da pandemia, que limitam a presença de turmas inteiras nas poucas salas devidamente equipadas nas escolas, e o facto de ter 5ºs anos com muito pouca literacia digital (o que limita as possibilidades de trabalho) e cheguei aos 63 pontos. Respondendo com o que consegui fazer em outros anos, nomeadamente quando tive 9ºs consegui chegar aos 68, porque é complicado responder que, com as condições existentes na maioria das nossas escolas não é muito sério afirmar que se recorre ou faz “sistematicamente” seja o que for.

Não deixa de ser interessante que o questionário ignore por completo a formação do docente ou a formação já feita na área.

E Por Falar Em Negócios

Alguém se lembra de quando tínhamos de nos registar de acordo com as nossas competências digitais? Eu nunca o fiz, mas sei que era obrigatório e não serviu para nada.

Quanto a isto, quer-me parecer que, como tantas outras “formações”, irão dar muito jeito às “entidades formadoras”.

15 M€ FSE para a formação contínua de docentes e outros agentes de educação e formação em competências digitais

Eu, Aluno À Distância, Em Tempos De Pandemia – 2

Já que um tipo está uma porrada de tempo aqui agarrado ao equipamento… até em gestão emocional eu fiz formação 🙂 . O chato foi o curso que fiz sobre “Global Education” e ainda está a 90% de “progresso” porque as participações no “fórum” não foram ainda vistas pelo moderator, apesar de eu já ter respondido a tudo.

Formação Exclusiva Pás Elites

Chama-se a isto gestão assimétrica da (in)formação. E explica como se consolida o modelo feudo-vassálico de gestão escolar a partir do topo. A ideia é terem-se especialistas locais que depois “replicam” a formação. Em vez de se produzirem uns MOOC decentes e de frequência alargada.

Exº/ª Senhor/a Diretor/a de Escola/Agrupamento de Escolas

Exº/ª Senhor/a Presidente de CAP

Por solicitação da Direção-Geral da Educação, remete-se em anexo o documento “FORMAÇÃO PARA A DOCÊNCIA DIGITAL E EM REDE”, cujo prazo de manifestação de interesse na formação é o próximo dia 7 de abril.

Com os melhores cumprimentos,

Maria Manuela Pastor Faria

Diretora-Geral dos Estabelecimentos Escolares

DGEForma