Sábado

Manhã de formação iluminada por uma comunicação de Maria do Carmo Vieira. Em prol da Arte, do Belo, da Educação como abertura para outras realidades, valores, formas de expressão. Contra o que ela designou como “bestialidade” naquela sua voz suave mas plena de indignação; como a “boçalidade” de quem nos desgoverna com palavras que enganam e práticas que desqualificam. Contra o que eu acho um basismo pedagógico pedestre que considera que os “pobrezinhos” só se conseguem interessar pelo que está ao alcance da vista. A pior das formas de promover a inclusão é acreditar que todos podem “aprender”, mas reduzindo o acto pedagógico ao mais simplista e os seus objectivos apenas a vagamente conhecer algo que já os rodeia. Não sou dos que acredita que todos podem aprender tudo (olhem para mim e para o raio das funções, que só à martelada foram entrando a custo), mas que, pelo menos, podemos tentar despertar todos para o que de melhor nos foi legando a herança humana, do espírito às obras. Não é ser enciclopédico, elitista, etc, é apenas querer partilhar o que nos foi fazendo humanos, no que isso tem de melhor.

Fica, por não ter sido possível ouvir sem “ruído” precipitado a escolha original da Maria do Carmo para terminar a sua intervenção, a valsa mais conhecida de Shostakovich.

Sábado

Manhã em acção de formação sobre partilha de saberes entre várias áreas disciplinares. Conferência de abertura sem especiais novidades mas agradável e sensata de Marçal Grilo, com a qual só discordei em um ou dois pontos, sendo que no de maior divergência julgo que seja por estarmos em 2020 e não em 1995. Seguiram-se duas outras intervenções que não é correcto estar por aqui a comentar no conteúdo, embora eu goste de ser picuínhas em alguns aspectos de forma. Se vamos a uma iniciativa de um centro de formação, com um tema central, não me parece – coloquemos a coisa assim – cortês ou de bom gosto apresentar em todos os slides uma das versões da tarja da propaganda da “Autonomia e Flexibilidade Curricular”, até quando esse não era – repito – o tema em discussão. Só faltou o hino ao “Perfil do Aluno”. Vou acreditar que foi distracção e que, como outra pessoa no passado, esta também trabalhou “em cima” de um documento anterior e não teve o tempo ou engenho para mudar a estrutura da apresentação. Qualquer das alternativas é pior.

PAFC Logo

(como até se falou em “frustração” e “amargura”, é bem verdade que se fica um pouco frustrado quando nos dão hamster por zibelina)

 

O IAVÉ Faz-se Pagar Bem

Um organismo, mesmo que “autónomo”, cobra e bem pela “formação”. E há quem corra, salivando e dando a patinha.

Encontram-se abertas as inscrições para a ação de formação «Avaliar para aprender: construção de instrumentos de avaliação»

Contando abrir 3 turmas a 30 alunos é só fazer as contas.

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Mais Uma Transversalidade

Com a curiosidade de ser promovida a partir de um ministério que produz spin e fake news sempre que lhe dá jeito, truncando ou manipulando os dados de que tem o monopólio do acesso em primeira mão, e de um governo em que um ministro acha que as leis não devem ser interpretadas literalmente (Silva 1), enquanto outro acha que nada pode ser contrário à lei (Silva 2) e o PM finaliza dizendo que só acata recomendações da PGR se forem do seu agrado.

Tudo com patrocínio do presidente Marcelo que, nos seus tempos de jornalista, ficou conhecido pela criação de “factos políticos” tirados do nada.

Encontro Nacional de Literacia para os Media e Jornalismo – 16 de setembro em Lisboa

Claro que tudo isto se baseia muito na “formação” e na rede de colaboracionistas, digo, colaboradores, designados como “formadores”.

ardina

Algarve 2020

Faltava o reino dos Algarves. Os projectos aprovados até final de Maio encontram-se aqui. Fica a tabela, a parte da Educação começa na linha 799. Entre TEIP, alguns CEF e EFA e Centros Qualifica, são pouco mais de 40 projectos que levam quase 13.750.000 euros, com comparticipação a 80% (poucos euros menos de 11 M€). Sete deles são para “Formação contínua de professores, formadores e outros agentes de formação”. Quase 840.000 euros e 670.000 de comparticipação. De acordo com o Perfil do Docente para 2016/17 existiam menos de 6000 educadores e professores em exercício no Algarve.  Agora não devem ser muito mais. Façam as contas… quando dá de verbas por docente e ainda há quem peça dinheiro para os diplomas.

Algarve 2020

Be Afraid…

… porque entrámos numa espécie de ambiente típico de seitas religiosas. Só que que se trata de Educação e alguns dos sacerdotes são incrivelmente ineptos, para mão dizer estúpidos.

Passei por um conjunto de conferências viradas para o futuro da educação que decorre perto da minha localização. Quando entrei, o conferencista dizia: “a avaliação formativa e sumativa deve ser acompanhada por um texto descritivo. Com o excel automatizam-se as grelhas (o descritivo corresponde à inserção de um dado numérico)”. Compreendo todas as apreensões com o futuro.

Só pela situação se percebe a mediocridade dos conhecimentos do “conferencista”, embora esteja ao nível da larga maioria do nicho de “formadores” nestas matéria patrocinados pelo ME e seus secretários.

O problema é que, nas últimas semanas isto tem-se repetido a um ritmo quase diário por escolas e centros de formação do país na tentativa de deixar a reforma inscrita a reforma costista de forma indelével no nosso sistema de ensino.

E não vale a pena andarem em off a dizer que este ou aquele é só má língua e mau carácter, porque se fosse assim, muita coisa teria sido dita e escrita que não foi. Os mentirosos são os que lá estão. Pena é que não investiguem muito do que anda a acontecer nos bastidores, beneficiando do ruído da “luta” entretanto interrompida.

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