A Linha do Tempo

21 de Junho de 2017:

A notícia da investigação a uma alegada fuga de informação foi avançada pelo Expresso nesta quarta-feira e confirmada pelo PÚBLICO junto da assessoria de imprensa do Iave. Que, entretanto, emitiu um comunicado. Informa que “vai hoje remeter para a Inspecção-Geral da Educação e Ciência e para o Ministério Público todas as informações de que dispõe sobre o caso para efeitos de averiguação disciplinar e criminal”.

(…)

Para a presidente da Associação de Professores de Português, Edviges Ferreira, esta é uma situação “bastante chocante”, mas que lhe levanta dúvidas quanto à sua veracidade. Esta professora acredita que “tudo irá ser esclarecido” e que não será preciso anular a prova, solução da qual, aliás, discorda.

24 de Junho de 2017:

O Ministério Público está a investigar o caso depois de a Procuradoria-Geral da República ter confirmado a recepção de uma participação do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) que deu origem a um inquérito.

Edviges Ferreira, presidente da associação de professores de Português, disse à Renascença que espera que a verdade seja apurada:

“Acho muito bem que haja um inquérito feito pela Procuradoria-Geral da República e nem se devia esperar outra coisa. Foram 74 mil alunos a fazer o exame de português, os professores estão já a corrigir os exames mas a procuradoria fará as suas investigações e nós esperamos que a verdade venha a público”, referiu.

14 de Dezembro de 2017:

Inspeção-Geral de Educação concluiu o inquérito à fuga no exame nacional de Português do 12.º ano, instaurando um processo disciplinar a uma professora. O Expresso sabe que se trata da presidente da associação de professores da disciplina, Edviges Ferreira.

Alcatrao2

Radicalismo

Ouvi as medidas que o PSD e CDS estão disponíveis para negociar em troca da auto-sodomização, desculpem, do apoio do PS. Até o plafonamento é esquecido. Afinal, há dinheiro para acabar com a sobretaxa de IRS, aumentar subsídios e o diabo a sete e meio. Na vertical, horizontal ou transversal.

Acho que nem o Bloco apresentou uma proposta de convergência tão radical.

esquerdismo

Sacos

Diz o Público que a nova lei verde dos sacos, em vez de reduzir o seu consumo, acabou a aumentá-lo, porque deixou de existir reutilização dos de supermercado nos lixos domésticos. E que os ganhos não compensam os danos.

Era perfeitamente previsível porque a lei – o que revela a genialidade de Moreira da Silva – fez passar por ecológico o que não passou de um interesse comercial das grandes superfícies que pouparam em sacos oferecidos – e nem sequer passaram a fornecer sacos em papel biodegradável como nos states – e ganharam em sacos de lixo (e de compras) vendidos. E o plástico continuou a ser plástico, só que agora mais resistente.

Claro que o consumidor passou a pagar o que era de borla e ainda a ter de comprar algo que antes consumia em pequena quantidade. E é por isso que eu acho que o Moreira da Silva é um tipo muito esperto, benzódeus. Ainda acaba num conselho de administração ou em consultor.

sacos

Não-Cidadãos

De acordo com uma série de criaturas falantes e teoricamente pensantes, há cerca de pelo menos 30-35% de eleitores que não interessam a ninguém, ou seja, todos aqueles que votaram Bloco, CDU e PS, na esperança que este partido trouxesse uma mudança ao governo do país e pudesse liderar uma solução política alternativa à existente.

Para eles, interessam mesmo é os 30-35% do núcleo duro da coligação governamental, que segue acriticamente a cartilha dos “credores”, dos “mercados” e do modelo único de governação que se pretende impor – qual “comunismo branco” de que falava um jovem Paulo Portas nas páginas do Independente – a partir de Berlim, Bruxelas e Estrasburgo.

Para alguns, a democracia só vale de acordo com as suas regras, que mudam a cada momento pré ou pós-eleitoral. E retorcem a representatividade democrática parlamentar à sua maneira. Os eleitores não elegem deputados mas primeiros-ministros. Querem, nos dias ímpares, círculos uninominais e proximidade entre eleitos e eleitores, mas nos dias pares dizem que em todos os círculos eleitorais se votou Costa ou Passos.

São intelectualmente desonestos e politicamente abjectos. Mesmo sendo pessoas muito importantes na nossa fogueira muito particular de vaidades, em que um marquesmendes faz de pitonisa generosamente avençada, sem que o confrontem com o seu desastroso passado como líder partidário ou o seu currículo de consistente aparelhismo desde o tempo em que quase ainda exibia cueiros.

Para esta camarilha, que rodeia a gamela com os cotovelos bem espetados, quem desalinha do seu “pensamento” é “radical” e “irresponsável”. Não sei mesmo se lá no fundo não pensarão que, estando fora do arco da governabilidade nas suas opções, a essa gente perigosa que faz escolhas “irresponsáveis” e representa um “perigo” para a “boa” sociedade não deveria ser recusado o direito de voto, pela sua notória inutilidade.
Classesperigosas

Estranho

Políticos no activo a funcionar na televisão como comentadores diários ou semanais de si mesmos. Uma coisa é ser entrevistados ou prestar declarações sobre algum facto ou medida particular. Outra coisa serem avaliadores mediáticos de si mesmos, numa exercício de dupla personalidade e não se sabe se dupla remuneração.

Por exemplo, o que qualifica ou legitima um presidente de câmara como analista político? Ou chega alguém suspender a participação como articulista de um jornal durante as duas semanas de uma campanha eleitoral? O que faz um eurodeputado a comentar a política nacional em prime-time?

janus