Grande MOOCA

Decidi explorar o maravilhoso mundo dos massive open online courses. Há umas coisas nacionais com algum interesse e muitas coisas lá fora. A generalidade das maiores universidades têm-nos e de borla para quem quiser “frequentar” e a 40-50 euros para quem quiser ficar “certificado” por Harvard, Yale, Stanford ou pelo MIT.  Por cá há umas borlas, umas coisas assim para o carote (o dobro dos de lá de fora) e a velha habilidade de cobrar mais quando certifica créditos pós shores professores.

Dou um exemplo: inscrevi-me num anunciado como sendo de borla, mas certificado e tudo, só que para outro grupo disciplinar. Mas o tema interessava-me. E lá me “matriculei”, mesmo se nem preciso, por agora, de créditos. No dia de arrancar, não arrancou. Ficou para uma semana depois. No dia do segundo arranque, descubro que, afinal, a minha “matrícula” tinha sido “deslocada” para uma de duas variantes do curso (a “geral”), sendo que esta já seria para todos os grupos disciplinares com certificado em troca de umas dezenas de euros (80), não publicitados no anúncio online do curso. O curso em que me tinha inscrito passou a ser frequentável apenas por “convite”. O pessoal começou a protestar no espaço de “debate”. Com razão. E começarem a dizer que, coiso e tal, existiam dois cursos, um “aberto” e o outro “fechado”. O que não era verdade quando me inscrevi. Por estas bandas, basta cheirar à possibilidade de negócio e não há nada garantido. Eles é que são os “donos” da coisa.

Carteira

 

Toda Uma Outra Realidade

Fiquei absolutamente abismado quando vi as imagens aéreas do espaço onde a China promete construir um hospital em duas semanas. Afinal, foram eles que há séculos e séculos, conseguiram fazer a única construção humana vista do espaço e foi pedra a pedra (com o início há mais de dois mil anos). E, afinal também, nada nos garante que ao fim de seis meses aquilo não vá abaixo como certas obras feitas em África.

3ª Feira

Já refeito do aumento de glicose no sangue enquanto via o PeC de ontem, fez-se-me luz no neurónio saudável e entendi que a mensagem a transmitir é “as escolas são seguras” e quem leva nas trombas (por incivilizado e “residual” que isso seja) é porque não soube flexibilizar as abordagens ou a escola não soube oferecer aos alunos o que eles desejam (aparentemente, serão aulas de Teatro) e não tem direito a indignar-se. Para além disso os professores portugueses parecem embaraçar-se por ser cultos e adoram coisas da Cidadania.

Ou seja, a mensagem foi “para fora”, para tranquilizar quem não está todos os dias nas escolas e percebi como alguns dos presentes, não intervenientes de microfone nas mãos, pareciam pacificados. Quase todos quiseram transmitir uma “boa imagem” das escolas públicas, o que é estimável, mas me parece altamente hipócrita. Não é verdade que o problema seja meramente de erupção “mediática”, pois existem assuntos muito mais suculentos, a começar pelo caminho de Sócrates para o arquivamento ou do Sporting para os lugares que lutam pela não descida de divisão ou o relvado da Luz que não deixou o Pizzi fazer aquela escorregadela pós-golo sem dar um tombo.

Valha-nos o Luís “Resíduo” Braga e alguns fogachos dispersos de quem, quando com a possibilidade de falar um ou dois minutos, desperdiçou a maior parte do tempo em demonstrações de adesão ao século XXI ou se perdeu em contradições, terminando intervenções a dizer o contrário do início (demonstrando à saciedade o burnout mental que vai por aí).

Na sequência do que escrevi ontem, o programa poderia ter sido sobre a mudança da cor das folhas no Outono que não teria tentado fugir de forma mais rápida ao tema. Nem sei se foi pena, mas, curiosamente, esperava melhor. E honra seja feita desta vez à Fátima Campos Ferreira que, apesar de querer tanto “dinamismo” que o resultado final pareceu uma manta desconexa de retalhos e purpurinas, ainda foi quem mais tentou “focar” a tertúlia.

As Sucessivas Greves Patrocinadas Pela Fenprof Visam Atingir A Escola Pública, Caro Francisco Lopes?

Francisco Lopes: “Enfermeiros estão a ser usados e pagos para atingir o SNS”

Hã algum tipo de provas ou as coisas são como aquelas acusações dirigidas à ILC (por exemplo numa “notícia” da AbrilAbril) porque um dos apoiantes (eu) era um conhecido desmobilizador de greves.

Este tipo de atitude contra iniciativas que escapam ao seu controle e revelam que é possível um sindicalismo eficaz fora da sua esfera é antigo, assim como a tentativa de lançar insinuações sobre motivações dos seus promotores que nunca se explicitam com toda a clareza.

O facto de a paralisação ter sido decretada por um mês e meio, ter causado já o cancelamento de cinco mil cirurgias programadas, aliado ao facto de os grevistas serem compensados pela perda salarial causada pelos dias de greve, levanta dúvidas. O protesto é inédito e foi convocado por um movimento recente, espontaneamente criado nas redes sociais. O pré-aviso foi apresentado por um sindicato, igualmente, recente e filiado na UGT.

Francisco Lopes não põe em causa a justeza das reivindicações, nem a ‘originalidade’ do protesto. “Não há formas de luta tradicionais ou não tradicionais”, diz, para sublinhar que a diferença está entre “formas de luta adequadas e não adequadas”.

O caso dos enfermeiros será um desses exemplos de desadequação.

A Fenprof decretou uma greve com duração maior, inviabilizando milhares de reuniões de avaliação, com evidentes perdas salariais que em algumas escolas/agrupamentos foram minorada por fundos de greve sobre os quais alguns aparelhistas levantaram dúvidas. De acordo com a lógica de Francisco Lopes, isso terá sido um ataque à Escola Pública. Algo que, por acaso, foi insinuado por alguma Direita.

Depois da greve dos estivadores em Setúbal – que teve uma solidariedade que primou pela invisibilidade pública por parte do sindicato dos trabalhadores da Autoeuropa – a greve dos enfermeiros levanta problemas ao PCP na sua função de controlar os protestos em moldes “responsáveis”. Ou seja, fazem-se greve e “lutas”, mas desde que não perturbem o status quo da geringonça.

Quando a coisa foge à formatação, o PCP sai em campanha anti-grevista activa. Eu era pequenito, mas lembro-me – e se não me lembrasse, tive oportunidade de estudar e ler sobre o assunto – que em 74-75, por exemplo, se passaram coisas similares, com acusações contra diversos movimentos grevistas (cf. aqui e aqui). Neste caso, em vez de se acusar o governo de estar a desqualificar os profissionais do SNS, atacam-se os grevistas.

É triste ver o PCP a fazer este papel de cão de fila do governo contra os enfermeiros, por muito que depois diga que as reivindicações até são justas. Repare-se que a investida é das mais fortes a que se assistiu nos últimos tempos contra um movimento grevista e nem sequer parte do PS. É nestas alturas que se percebe que há partidos que são apenas de alguns trabalhadores e que, como já escrevi, desconfiam imenso de profissões com qualificação superior, não enquadráveis na concepção clássica de “proletariado”.

Shame

 

Venham Mais Quatro!

João Dias da Silva de pedra e cal que isto de limitação de mandatos é só para outros e o líder da UGT a pairar na estratosfera:

No seu discurso, Carlos Silva disse que, neste momento, “há um clamor intenso” em Portugal, almejando por um conjunto de expectativas que foram criadas pelo Governo que está em funções, dizendo que “não deixava cair os professores”.

“Onde é que estão aqueles que defenderam que não deixavam cair os professores? Onde é que estão? Esses, porventura, por calendário político-partidário, talvez tenham deixado cair os professores, mas nós não os deixamos cair”, garantiu.

VASCO-SANTANA