3ª Feira

Já refeito do aumento de glicose no sangue enquanto via o PeC de ontem, fez-se-me luz no neurónio saudável e entendi que a mensagem a transmitir é “as escolas são seguras” e quem leva nas trombas (por incivilizado e “residual” que isso seja) é porque não soube flexibilizar as abordagens ou a escola não soube oferecer aos alunos o que eles desejam (aparentemente, serão aulas de Teatro) e não tem direito a indignar-se. Para além disso os professores portugueses parecem embaraçar-se por ser cultos e adoram coisas da Cidadania.

Ou seja, a mensagem foi “para fora”, para tranquilizar quem não está todos os dias nas escolas e percebi como alguns dos presentes, não intervenientes de microfone nas mãos, pareciam pacificados. Quase todos quiseram transmitir uma “boa imagem” das escolas públicas, o que é estimável, mas me parece altamente hipócrita. Não é verdade que o problema seja meramente de erupção “mediática”, pois existem assuntos muito mais suculentos, a começar pelo caminho de Sócrates para o arquivamento ou do Sporting para os lugares que lutam pela não descida de divisão ou o relvado da Luz que não deixou o Pizzi fazer aquela escorregadela pós-golo sem dar um tombo.

Valha-nos o Luís “Resíduo” Braga e alguns fogachos dispersos de quem, quando com a possibilidade de falar um ou dois minutos, desperdiçou a maior parte do tempo em demonstrações de adesão ao século XXI ou se perdeu em contradições, terminando intervenções a dizer o contrário do início (demonstrando à saciedade o burnout mental que vai por aí).

Na sequência do que escrevi ontem, o programa poderia ter sido sobre a mudança da cor das folhas no Outono que não teria tentado fugir de forma mais rápida ao tema. Nem sei se foi pena, mas, curiosamente, esperava melhor. E honra seja feita desta vez à Fátima Campos Ferreira que, apesar de querer tanto “dinamismo” que o resultado final pareceu uma manta desconexa de retalhos e purpurinas, ainda foi quem mais tentou “focar” a tertúlia.

As Sucessivas Greves Patrocinadas Pela Fenprof Visam Atingir A Escola Pública, Caro Francisco Lopes?

Francisco Lopes: “Enfermeiros estão a ser usados e pagos para atingir o SNS”

Hã algum tipo de provas ou as coisas são como aquelas acusações dirigidas à ILC (por exemplo numa “notícia” da AbrilAbril) porque um dos apoiantes (eu) era um conhecido desmobilizador de greves.

Este tipo de atitude contra iniciativas que escapam ao seu controle e revelam que é possível um sindicalismo eficaz fora da sua esfera é antigo, assim como a tentativa de lançar insinuações sobre motivações dos seus promotores que nunca se explicitam com toda a clareza.

O facto de a paralisação ter sido decretada por um mês e meio, ter causado já o cancelamento de cinco mil cirurgias programadas, aliado ao facto de os grevistas serem compensados pela perda salarial causada pelos dias de greve, levanta dúvidas. O protesto é inédito e foi convocado por um movimento recente, espontaneamente criado nas redes sociais. O pré-aviso foi apresentado por um sindicato, igualmente, recente e filiado na UGT.

Francisco Lopes não põe em causa a justeza das reivindicações, nem a ‘originalidade’ do protesto. “Não há formas de luta tradicionais ou não tradicionais”, diz, para sublinhar que a diferença está entre “formas de luta adequadas e não adequadas”.

O caso dos enfermeiros será um desses exemplos de desadequação.

A Fenprof decretou uma greve com duração maior, inviabilizando milhares de reuniões de avaliação, com evidentes perdas salariais que em algumas escolas/agrupamentos foram minorada por fundos de greve sobre os quais alguns aparelhistas levantaram dúvidas. De acordo com a lógica de Francisco Lopes, isso terá sido um ataque à Escola Pública. Algo que, por acaso, foi insinuado por alguma Direita.

Depois da greve dos estivadores em Setúbal – que teve uma solidariedade que primou pela invisibilidade pública por parte do sindicato dos trabalhadores da Autoeuropa – a greve dos enfermeiros levanta problemas ao PCP na sua função de controlar os protestos em moldes “responsáveis”. Ou seja, fazem-se greve e “lutas”, mas desde que não perturbem o status quo da geringonça.

Quando a coisa foge à formatação, o PCP sai em campanha anti-grevista activa. Eu era pequenito, mas lembro-me – e se não me lembrasse, tive oportunidade de estudar e ler sobre o assunto – que em 74-75, por exemplo, se passaram coisas similares, com acusações contra diversos movimentos grevistas (cf. aqui e aqui). Neste caso, em vez de se acusar o governo de estar a desqualificar os profissionais do SNS, atacam-se os grevistas.

É triste ver o PCP a fazer este papel de cão de fila do governo contra os enfermeiros, por muito que depois diga que as reivindicações até são justas. Repare-se que a investida é das mais fortes a que se assistiu nos últimos tempos contra um movimento grevista e nem sequer parte do PS. É nestas alturas que se percebe que há partidos que são apenas de alguns trabalhadores e que, como já escrevi, desconfiam imenso de profissões com qualificação superior, não enquadráveis na concepção clássica de “proletariado”.

Shame

 

Venham Mais Quatro!

João Dias da Silva de pedra e cal que isto de limitação de mandatos é só para outros e o líder da UGT a pairar na estratosfera:

No seu discurso, Carlos Silva disse que, neste momento, “há um clamor intenso” em Portugal, almejando por um conjunto de expectativas que foram criadas pelo Governo que está em funções, dizendo que “não deixava cair os professores”.

“Onde é que estão aqueles que defenderam que não deixavam cair os professores? Onde é que estão? Esses, porventura, por calendário político-partidário, talvez tenham deixado cair os professores, mas nós não os deixamos cair”, garantiu.

VASCO-SANTANA

Esta Posição do PCP é Absolutamente Lamentável…

… e faz lembrar o que algumas das suas práticas têm de pior no lançamento de suspeições sobre tudo o que não controla. Só o excerto que transcrevo contém suspeições não fundamentadas em quaisquer factos, informações falsas e outras truncadas. Uma das passagens é objectivamente difamatória para os promotores da ILC. Pessoalmente não me surpreende ou sequer ofende, porque conheço bem os meandros da “máquina”.

Mas uma coisa é querer defender o papel da Fenprof e o protagonismo do herói da luta Mário Nogueira, outra o mentir ou lançar assim um manto de poeira (para não dizer lama) sobre o tema. O PCP sabe que no OE para 2018 não vem nenhuma “lei” que exija a reposição do tempo de serviço. Isso é falso. O PCP sabe que um processo de revisão do ECD não depende em nada de uma iniciativa legislativa como esta e que pode ser aberto a qualquer momento, com ou sem acordo dos sindicatos.

Mas o que é mesmo pior é que acenando com o medo da revisão do ECD, o PCP demonstra que, por si, os professores não teriam qualquer estatuto de carreira específico.

Independentemente das dúvidas quanto à sua origem e autores, trata-se de uma iniciativa que, invocando a defesa dos professores, contribui para prejudicar os seus direitos e interesses, servindo os objectivos e o discurso do Governo em todo este processo. [mentira]

A Iniciativa Legislativa de Cidadãos pretende recolocar em discussão a questão da contagem do tempo de serviço quando esta já ficou decidida no OE 2018. Pretende remeter para 2019 aquilo que ficou decidido no OE iniciar-se já em 2018. [mentira] Pretende remeter para a Assembleia da República a aprovação de (mais) uma Lei quando o que se exige é o cumprimento pelo Governo da Lei do OE 2018. Pretende utilizar o descongelamento da progressão na carreira como pretexto para abrir um processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente [mentira]. Pretende estabelecer por via de Lei regras que podem ser prejudiciais aos professores [mentira] e que, sendo discutidas na negociação colectiva, podem ter soluções específicas mais adequadas. Pretende ainda fixar para os professores uma solução de excepção face aos restantes trabalhadores da Administração Pública, incluindo os das restantes carreiras especiais, ocultando todos os problemas que levantaria uma decisão dessa natureza e os pretextos acrescidos que assim se davam ao Governo para o seu não cumprimento.

Com que então pretendemos uma “solução de excepção”? A sério… as carreiras gerais recebem o tempo todo de serviço que prestaram e pedir o mesmo é que é “excepção”. Não é de agora que algum sindicalismo acorrentado ao PCP defende a “unidade dos trabalhadores da Administração Pública” no sentido da diluição das suas especificidades e da indiferenciação. “Somos todos Arménio Carlos” é o que se pretende. No meu caso, gostaria antes que no PCP existisse a coragem de não promover o sindicalismo como profissão vitalícia na classe docente.

E, já agora, para que não exista qualquer confusão, acho que este comunicado é dos nacos mais vergonhosos da estratégia recente do PCP de andar pela trela do Governo, fingindo que não. E uma manifestação objectiva do desdém ancestral que certos sectores políticos revelam pelo “trabalho intelectual” quando não colocado ao serviço da sua propaganda.

No caso da ILC apostaram em manobras algo subterrâneas de boicote nas redes sociais e em comentários nas escolas em reuniões sindicais. Soubemos disso, mas fomos ficando calados. Em especial quem sabia do que se passava por múltiplas fontes. No meu caso, fui ficando à espera de ver até que ponto desceriam quando fossem ultrapassadas as 20.000 assinaturas, o que era mais do que previsível perante um estrondoso fracasso negocial de alguns sindicatos que pensavam que reuniões trimestrais diziam alguma coisa aos professores.

“Independentemente das dúvidas”.

shit-hitting-the-fan

A Moda dos MOOC

Vou em breve fazer algo similar a um mooc depois de perceber que a dimensão do “massivo” é a menos importante. Mas a moda dos mooc está aí para lavar enquanto durarem verbas para apoiar este tipo de “ferramenta de formação”, que se diz ser toda século XXI.

E eu acho que a ferramenta tem, com efeito, muito a ver com a forma como agora estas coisas são encaradas pela via do oportunismo, superficialidade e foguetório.

Porquê?

  • Desde logo, porque se baseia na produção de materiais-padrão para consumo “massificado”, sendo especialmente interessantes os que ensinam de forma massificada como se deve praticar o ensino diferenciado e individualizado.
  • Em seguida, porque em nome de uma maior comodidade e flexibilidade para os formandos, desloca para eles quase todo o ónus do “equipamento”. Quem participa necessita de o ter em casa (pode ser no local de trabalho, mas em muitos casos o horário é incompatível com isso).
  • Em terceiro lugar, por agora, porque a verificação do trabalho dos formandos é mesmo à distância e tão virtual em alguns casos – estou a lembrar-me de coisas como cursos de administração e gestão escolar que até são bem pagos pelos aspirantes a directores do futuro, mas não só – que as possibilidades de controlo da execução do “produto” da formação é algo – vamos usar um eufemismo – ténue e bastante desadequado ao conteúdo da formação – neste caso, mais aquela que incide sobre o desempenho em sala de aula.

Mas, claro, quem critica estas coisas é porque não se conseguiu “adaptar” aos novos tempos e às imensas possibilidades que as novas tecnologias abriram para a massificação do ensino, da formação, de tudo.

Teia