Evangelização

O engraçado é que conheço razoavelmente bem uma parte d@s participantes, dois deles desde pequenino(s). A menos que fosse para apresentar uma visão crítica disto, não havia mesmo necessidade, camarada conselheiro Raminhos; na próxima reunião acertamos contas (a menos que tragas bolo).

De: DGAE.MEC@dgae.mec.pt
Enviada: quarta-feira, 11 de outubro de 2017 16:31
Assunto: Convite para participar no Encontro “Formação Contínua: Contributos para a Gestão da Mudança”

Exmo(a). Sr(a). Diretor(a)

Considerando a pertinência de proporcionar momentos de partilha e reflexão de experiências e práticas, a Direção-Geral da Administração Escolar tem o prazer de convidar V.ª Ex.ª para o Encontro Formação Contínua: Contributos para a Gestão da Mudança, que se irá realizar no Auditório do Arquivo Nacional da Torre do Tombo,  no dia 26 de outubro de 2017 (programa provisório em anexo).

Esta iniciativa destina-se prioritariamente a Diretores de Centros de Formação de Associação de Escolas, de Agrupamentos de Escolas e de Escolas não Agrupadas, valorizando-se assim o papel das lideranças nas opções que são tomadas para as temáticas das ações de formação contínua, com vista à valorização do desenvolvimento profissional dos docentes e ao reconhecimento da importância da formação contínua na conceção e implementação de projetos educativos, como instrumentos de promoção do sucesso escolar e da qualidade do ensino público.

A inscrição para este evento deverá ser efetuada até ao dia 20 de outubro, através do linkhttps://goo.gl/forms/Vuz3gQopMKHz2Gn42.

Maria Luísa Oliveira

Diretora-Geral da Administração Escolar

(basta ver o dia escolhido, para se perceber que isto não é para zecos como bem se percebe pela “convocatória”, embora lhe chamem “formação contínua”, a menos que seja com ordem superior… basicamente é para “ancorar” a coisa nas hierarquias…)

DGAE - Programa Encontro Formação Contínua

A Ver se Acabo de Vez com as Limpezas de Verão

Embora me apareçam coisas muito úteis, que parecem acabadinhas de preparar para uma intervenção do actual SE Costa para uma plateia ávida de conhecer o “novo” Verbo. Há a “autonomia” de 1992, que já queria há 25 anos “reinventar” a escola exactamente nos mesmos termos de agora, o que me deixa a pensar, mais uma vez, no eterno retorno de certas modas. Há quem tenha lido isto e nuca mais tenha saído do mesmo sítio em termos mentais.

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E depois há o omnipresente espólio MCRoldão sobre flexibilidade curricular e trabalho colaborativo e de projecto. Tenho coisas de todas as décadas e, em especial, de mandatos do PS na Educação.

Há 1999 com Marçal Grilo e Ana Benavente…

 

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Há 2007 com Maria de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos (os mais dinamizadores do “trabalho colaborativo” entre professores, claro)… e o moodle, cruzes, o moodle que continua a andar por aí…

 

Agora, em 2017, com o ministro Tiago e o secretário Costa é mais do mesmo, mais do mesmo, mais do mesmo, só com a grafia depilada.

 

Limpezas de Verão – 3

Eu sabia que isto tinha de ficar por perto… em Educação, nenhuma publicação se perde, todas se reutilizam. Passaram 14 anos, mas isto é tudo muito actual e inovador.

As grelhas que isto tem… rai’s parta que não é material digital editável… mas deve estar quase certamente a chegar por aí uma nova geração destas publicações e eu vou gostar de ver as autorias.

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PAFismo Essencial – Um Guia

Aprendizagens Essenciais

Nas escolas abrangidas pelo projeto de autonomia e flexibilidade curricular (PAFC), são utilizadas as Aprendizagens Essenciais nas turmas dos anos iniciais de ciclo (1.º, 5.º, 7.º anos de escolaridade), de nível de ensino (10.º ano de escolaridade) e de 1.º ano de formação de cursos organizados em ciclos de formação.

As Aprendizagens Essenciais (AE) são documentos de orientação curricular base na planificação, realização e avaliação do ensino e da aprendizagem, conducentes ao desenvolvimento das competências inscritas no Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória (PA).

Para cada ano e área disciplinar/disciplina, as AE elencam os conhecimentos, as capacidades e atitudes a desenvolver por todos os alunos.

Não sei se foi por falta de voluntários para a produção dos documentos, mas a esta data ainda são poucos os documentos disciplinares produzidos.

A sério… estive a ler os de Inglês e Matemática (os únicos que aparecem para o 2º e 3º ciclos) e não sei bem que diga… sem parecer mal.

Fiquemos assim: mais papelada, quase completamente desnecessária, mas que terá dado uns êxtases (espero que não demasiado passageiros) a quem a produziu.

Ouroboros

Começou

O período de promoção dos manuais. Olhando de fora, as coisas continuam muito parecidas (sou dos que acham que os nossos manuais são globalmente bons, mais esta ou aquela falha) e com toda a parafernália em redor a sublinhar a dimensão do “projecto”. O manual é um “projecto” (acaso não o era antes?), as propostas de trabalho são para “projectos”, o pacote pedagógico resulta do “projecto” e tudo é apresentado como “flexível”. Por saber o trabalho que dá a os autores fazer tudo isto e nem sempre ter a devida compensação, por respeito a muitos deles, é que não digo tudo o que penso acerca desta forma submissa (cínica? oportunista?) de fazer marketing por parte das editoras que vendem o peixe à medida da conversa da época. Não sei o que me desgosta mais… quem faz isto por conveniência comercial ou quem o faz na ingénua (?) convicção do paleio recauchutado de outrora.

E depois há ainda os que estão dos dois lados da fogueira das vaidades, porque a ética é apenas um “projecto”.

bla bla bla

Regresso ao Futuro – 7

Repito o que escrevi em outro post, logo a abrir este, para que não existam confusões ou distorções, a bem da verdade. O que apresento por aqui de lavra pessoal é, na melhor das hipóteses, mediano em relação ao que conheço e sei que foi feito por outras pessoas, em outras escolas, em muitos outros momentos. Faço-o apenas porque são coisas minhas e na sua mediania, talvez ajudem algumas pessoas que não sabem, não viram, não leram, não testemunharam ou – mais grave – sabem mas dizem que não, a entender que os professores já fizeram muito daquilo que agora se diz que não foi feito.

O que se segue é um rascunho de projecto (sem grelhas, mas com algum fraseado que na altura se usava muito) de 2000 para desenvolver na escola onde estava (não sei se me foi pedido pela directora, se pela minha coordenadora de História) e onde sabia que não estaria no ano seguinte (a malta não se negava, quando era pedido com maneiras e sem presunções da treta, a fazer trabalho extra), O projecto, ia dizendo, destinava-se a fazer a aplicação do currículo das diversas disciplinas à realidade local, visando desenvolver uma abordagem local do currículo e abrindo a escola à participação da comunidade envolvente. Estávamos em 2000, era muita gente uma criança nisto, não sei se já usando gel ou não na cachimónia (se não sabem o que é, espreitem aqui).

Ainda não havia banda larga, pens ou clouds… portanto, o projecto era para ser promovido por um cd-rom. Bons velhos tempos… já não eram as disquetes flexíveis, mas…

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Como é fácil de constatar, sempre me arrepiou um bocado o quadriculado das grelhas e sempre preferi a suavidade e harmonia das formas curvas.

Regresso ao Futuro – 6

Até eu começo a estar farto deste mergulho na memory lane, mas acho que devo levar este triste ofício até ao fim, passando para um testemunho mais pessoal acerca da preparação de materiais para a gestão flexível do currículo ali pelo ano 2000, que foi quando se começou a transição de experiências-piloto para uma generalização que durou pouco tempo. Para quem ainda se lembre, em especial no caso dos manuais da Asa, recebemos no pacote da época (não sei se já terá prescrito a suspeita de corrupção, mas eu juro que não adoptei o manual em causa), um livrinho que tinha como autor, entre outros, o José Matias Alves. A capa interior era assim; por fora tinha como subtítulo O ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa.

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Vinha em seguida um pequeno conjunto de textos e materiais (pouco acima das 100 páginas), de que destaco em seguida algumas páginas (3, 6-8, 20-26) e que resumem bem tudo o que agora tem sido apresentado como projecto inédito do ME para quem na altura andava distraído ou nem sequer se preocupava com isto. Eu era qzp de fresco, estava muito longe de entrar no quadro, mas nunca recusei ideias (quase) novas e em 2000 isto ainda não era muito reciclado:

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Na altura eu era dt de uma turma de 5º ano carregada de casos ao abrigo do 319/91 (só para malta velha, do século XX), 6 alunos em 22 (seis, não leram mal, mais três com dificuldades que se poderiam considerar moderadas), pelo que já na altura (graças a uma directora que já o era antes do modelo único e que tinha uma boa dose de “peso” para levar as suas ideias adiante, boas ou menos boas, como dar-me esta dt no ano da minha profissionalização com horário misto todos os dias) dispunha de parceria pedagógica com a professora de Ensino Especial nas aulas de Português e tinha aplicado algumas ferramentas que estavam então meio em experimentação, meio em trabalho de campo para a tese de um dos gurus do Ensino Especial da península de Setúbal.

E então desenvolvemos uma intervenção na turma que passou pela reorganização espacial da sala, pelo trabalho inter-pares (cada aluno do “319”, salvo um caso, teria ao seu lado um colega que o ajudaria nas aprendizagens) e pela aplicação de uma “ferramenta” que era o “perfil do aluno” (a tal experimentação aplicada na ECAE* de Sesimbra).

O trabalho acabaria por ter bons resultados e ser apresentado em sessões no seminário “Inclusão” da CERCIP (por onde passou, por exemplo o José Morgado) e no Instituto Piaget de Almada (pois, nunca me chegaram a pagar as sessões conforme prometido… é a vida!), por mim e pela Maria João Pinto da Educação Especial. Ficam em seguida excertos do resumo desse trabalho, a começar pela introdução escrita com todos os tiques da época (que reconhecerão facilmente da declaração de Salamanca no discurso do actual SE e de muita gente bem intencionada, mas nem sempre com experiência concreta que se veja):

Tomando como princípio orientador da nossa prática pedagógica o conceito de inclusão, urge concretizar na prática estratégias efectivas para a construção de uma “escola inclusiva”. A tarefa não é fácil, pois está nos seus primeiros passos, e estamos conscientes das muitas dificuldades que nos surgirão num caminho por onde ainda tacteamos em busca das orientações mais adequadas.

Sabendo que é necessário gerir diferenças em sala de aula e estando empenhados em promover aprendizagens de qualidade para todos os alunos, surgem-nos desde logo diversas questões:

  • Planificar… para quem ?
  • Como definir estratégias de intervenção sem conhecer em profundidade as situações a enfrentar ?
  • Que materiais utilizar no apoio a uma pedagogia que se pretende diferenciada e adaptada às necessidades educativas de cada aluno ?

Sem possuirmos um conhecimento sistemático dos alunos com quem vamos trabalhar, desde os seus ritmos e formas de aprendizagem ao seu contexto familiar, passando pelas aspirações de futuro, pela imagem que têm da Escola, não é possível planificar um trabalho adequado a todos os alunos e que aspire a alcançar um real sucesso educativo que ultrapasse o mero sucesso escolar para consumo estatístico.

Com tudo isto em mente, pretendemos apresentar um instrumento de trabalho que visa identificar os diversos estilos de aprendizagem presentes em cada grupo de alunos, denominado “Perfil de Turma”, actualmente em aplicação em todas as escolas do concelho de Sesimbra, como estratégia dinamizadora das práticas inclusivas do trabalho entre docentes e discentes de cada turma.

Para exemplificar a sua aplicação apresentamos um caso concreto – uma turma de 5º ano da Escola Básica Integrada da Quinta do Conde.

O trabalho passou em especial por diagnosticar o mais rigorosamente possível (nem sempre com sucesso) as situações-problema, definir algumas propostas de solução, reorganizar o espaço da sala de aula e diferenciar muito o trabalho. O que fica em seguida são imagens do texto então produzido. Em outros anos conheci muita coisa parecida, participei pessoalmente em diversos projectos do mesmo tipo, tive conhecimento de muita outra coisa similar ou bem mais avançada. Neste caso, a “papelada” foi produzida a pedido, para as tais apresentações que decorreram em meados de 2000.

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É bom que se entenda que nada disto é excepcional ou raro. Este é um trabalho que a generalidade dos professores faz há anos, como prática quotidiana, sem necessidade de reclamar louros pelo seu esforço. Há muitos milhares de colegas com experiências deste tipo, talvez não sejam é tanto de guardar as coisas como eu em sucessivos discos rígidos.

Apresento isto como mero exemplo do que muita gente fazia e faz, melhor do que eu, sendo isto algo que eu gostaria que se entendesse como significativo do que é norma, ao contrário de quem aparece publicamente a afirmar que nada disto (e outras coisas que colocarei em outro post sobre flexibilização curricular e interdisciplinaridade dos conteúdos) se fez ou que foi abandonado, só porque desconhece ou faz que desconhece para oportunismos políticos.

* – Quem não souber ou se recordar destas siglas pode espreitar aqui.

Regresso ao Futuro – 5

Pensava não voltar ao assunto, mas a recente investida da equipa do ME no tema da “flexibilidade” curricular com os seus anexos relativos à forma como a coisa se pode fazer no terreno despertou-me de novo aquela irritação do tipo que anda nisto há tempo suficiente para não engolir as coisas e fingir que as não conhece, nunca ouviu falar e que precisa até de formação para fazer o que já fez há 25, 20 ou 15 anos. Entendo que há quem não se lembre ou mesmo que não saiba ou nunca tenha ouvido falar, até porque sei que há muitas profissionalizações de aviário que valem menos do que o preço do papel do diploma.

Então voltemos lá ao passado, à última década do século XX quando se tentou, em diversos momentos, antecipar o século XXI em que já estamos há quase 20 anos.

Comecemos por um dos melhores livros que existiam na altura sobre Pedagogia Diferenciada (Hachette, Paris, 1991) e de que só consegui fotocópias porque na altura não existia Amazon:

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O livro não era extenso, não era nenhum cartapácio imenso, sendo, pelo contrário, uma espécie de manual conciso e objectivo na apresentação dos fundamentos teóricos (pp- 10-17) e das propostas de aplicação prática. Eis as páginas (18-21) em que se abordava a questão do trabalho em equipa e do que então se chamava “concertação” e já do que se considerava gestão flexível do currículo.

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O que se tem publicitado por estes dias mais não é do que uma versão diluída de tudo isto, com a agravante daquelas propostas de gestão do horário ontem divulgadas serem tudo menos “flexíveis”. Eis como há mais de 25 anos já tudo isto era apresentado, de uma forma bem mais “aberta” ao nível da tipologia dos horários (centrado, variado, globalizado, móvel e flexível)

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Mas depois de eu apresentar isto, já sei… dizem-me: mas cá nada disto se fez, mesmo depois do projecto de gestão flexível do currículo ter passado a legislação efectiva ali por volta de 2000.

Errado e passo a dar um exemplo concreto de um trabalho de projecto muito alargado – ao nível intermunicipal – com a participação de dezenas de escolas dos concelhos da Moita e Barreiro e a coordenação do Grupo de Trabalho do ME para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses durante a segunda metade dos anos 90 do século passado. O livro com o relato da experiência é da Edições Asa (2001).

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Como é que sei isto? Passei a quase totalidade dos anos 90 em escolas destes concelhos (com a excepção de 1994-95 e 1999-2000) e fui desde 1991 colaborador do grupo de trabalho em causa, embora sem intervenção directa neste projecto que já aplicava então muitas das ideias que agora se apresentam como se constituíssem uma enorme novidade.

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(pp. 10-11, 17-20)

Mas há mais do que isto para relembrar, sendo que uma parte é testemunho pessoal, mesmo ali do ano de 1999-2000 quando, curiosamente, fui leccionar para outro concelho. Fica para mais logo…

(Projectos)

Há de diversos tipos… o de finalidades com o seu aspecto vago é fácil de associar a coisas como o “Perfil” que é de tal maneira diáfano e bem intencionado que é difícil apresentar críticas sem parecer pré-neandertal, o autoritário, imposto de cima para baixo que dificilmente não nos faz lembrar a metodologia do costume, e o democrático que é aquele que mesmo a malta das esquerdas receia com medo do conservadorismo docente (como os republicanos que defendiam o feminismo desde que as mulheres não votassem). Este último nunca deve ser confundido com projecto debatido em circuito seguro com quem já se sabe que é crente ou propenso à crendice.

O misto é uma coisa que nem sempre se percebe bem o que é.

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Adalberto Dias de Carvalho, org. (1993), A Construção do Projecto de Escola. Porto: Porto Editora, pp. 17-21.