3ª Feira

Excelente jornalismo é descobrir como um foragido escapou à Justiça e para onde foi, divulgando essa informação. Jornalismo de sofá é conseguir mandar-lhe uma qualquer mensagem e acordar um exclusivo onde o dito foragido apresenta as suas exigências para voltar ao país, sem especial contraditório. A CNN Portugal escolheu um destes caminhos.

Pandora Papers

The largest investigation in journalism history exposes a shadow financial system that benefits the world’s most rich and powerful. Read more.

Parece-me peixe miúdo mas, de algum modo, sigificativo:

A nova fuga de informação do ICIJ inclui três políticos em Portugal. O vice-presidente do PSD, Nuno Morais Sarmento, usou as Ilhas Virgens Britânicas para ser sócio de um hotel em Moçambique. Vitalino Canas teve uma procuração passada para abrir contas em Macau. E o ex-ministro Manuel Pinho transferiu o seu dinheiro para uma nova companhia offshore quando quis comprar um apartamento em Nova Iorque

Foram Momentos De Grande Jornalismo Televisivo

Entre tantos momentos inesquecíveis em 15-20 minutos de programa eu destacaria a senhora a quem a bruxa “limpou a casa” e o senhor que, apontando para a cabeça, disse algo como “eu tinha uns problemas”. Já quanto à Maria Gorrete, ficou a faltar uma consulta em ortografia funcional.

O Que Uma Pessoa Diz E Faz Para Ganhar A Vidinha

Grande parte destas “entidades”, criadas com nome forsomethig fazem-me lembrar os vendedores de banha da cobra de outrora. São capazes de diagnosticar inundações no deserto e hiper-pilosidade em bolas de bilhar para justificarem o seu ansiado “nicho de mercado”. O pior é que há “jornalismo” que acha que isto merece títulos como se fossem a sério. A culpa da disseminação da estupidez é só das redes sociais?

Clementina Almeida, fundadora do ForBabiesBrain, primeiro spa clínico para bebés da Europa, diz que “no pré-escolar, a criança já pode trazer um gap com repercussão direta no seu sucesso escolar pelo menos até aos 10 anos.”

4ª Feira

Um das vítimas maiores da pandemia corre o risco de ser a informação de qualidade e rigor, já de si escassa, quando fica dependente de subsídios destes (públicos) ou aqueles (privados). Claro que pode ser tudo um acaso, mas o actual PM multiplicou-se nas últimas semanas em entrevistas a jornais e televisões, sempre em contextos controlados e com as perguntas tidas por adequadas e raramente inesperadas ou com follow up de respostas ao lado, exigindo esclarecimentos. Por exemplo, na mais do que amena cavaqueira de compinchas tida há uns dias com o “entrevistador” MST na TVI, António Costa foi muito detalhado a explicar como o Estado pode aceder aos rendimentos de toda a gente, lucros, etc, etc. Se fosse outro alguém a dizer parecido sobre limites de peças de caça, lucros de empresas promotoras de touradas ou de importação de charutos, aposto que o “entrevistador” esmifraria quem de forma tão “cândida” expôs a que ponto a máquina político-fiscal vai no controlo dos cidadãos. E a verdade é que mais ninguém pegou sequer no assunto. Que é grave na forma como foi apresentado. Porque se é possível à máquina fiscal detalhar a facturação de bicas e pastéis de bacalhau no boteco da esquina, porque deixa escapar coisas bem maiores? E tanta outra coisa que aquelas afirmações poderiam suscitar e nem sequer parecem ter ocorrido a estoutro “animal feroz” que é de amoques e de amigâncias, mas que como “entrevistador” se resume ao tipo que faz as perguntas acordadas de antemão com a mão que dá o milhão.

Jornalismo De Ocasião

O JN faz primeira página com uma não-notícia, que dará jeito não sei a quem, mas certamente pouco a quem queira ser bem informado, para além das parangonas. As turmas de EMR (Educação Moral e Religiosa) são, em muitas escolas, formadas por alunos de diferentes turmas-base, pois é disciplina opcional em que nem todos se inscrevem. Este ano, por causa das novas “regras” e das “bo(rbu)lhas”, ou o ME aceitava a formação de turmas mais pequenas ou a disciplina não funcionaria, a menos que se mantivesse a “mistura”. O ME não autorizou. Em algumas escolas, a disciplina acabou por não funcionar, em outras funciona “subvertendo” as regras gerais. No corpo da notícia percebe-se um pouco da situação. A primeira página não passa de sensacionalismo tabloidista em quem, depois, critica isso nas redes sociais.

 

Pensamentos Da Pandemia – 5

O jornalismo televisivo de tipo popularucho vai fazendo o seu caminho, pois agora já todas as estações acham por bem ter a sua “reportagem”, o seu “directo” à beira de uma esplanada a perguntar se o café matinal está a saber bem e se já tinham muitas saudades, como se o isolamento viesse de anos e não apenas de uns moderados dois meses. Parece que havia muita gente ansiosa por poder voltar a sentar-se com vista para o trânsito na Avenida da Liberdade. E uns minutos de emissão por preencher com questões prementes.

Cafe