Jornalismo De Ocasião

O JN faz primeira página com uma não-notícia, que dará jeito não sei a quem, mas certamente pouco a quem queira ser bem informado, para além das parangonas. As turmas de EMR (Educação Moral e Religiosa) são, em muitas escolas, formadas por alunos de diferentes turmas-base, pois é disciplina opcional em que nem todos se inscrevem. Este ano, por causa das novas “regras” e das “bo(rbu)lhas”, ou o ME aceitava a formação de turmas mais pequenas ou a disciplina não funcionaria, a menos que se mantivesse a “mistura”. O ME não autorizou. Em algumas escolas, a disciplina acabou por não funcionar, em outras funciona “subvertendo” as regras gerais. No corpo da notícia percebe-se um pouco da situação. A primeira página não passa de sensacionalismo tabloidista em quem, depois, critica isso nas redes sociais.

 

Pensamentos Da Pandemia – 5

O jornalismo televisivo de tipo popularucho vai fazendo o seu caminho, pois agora já todas as estações acham por bem ter a sua “reportagem”, o seu “directo” à beira de uma esplanada a perguntar se o café matinal está a saber bem e se já tinham muitas saudades, como se o isolamento viesse de anos e não apenas de uns moderados dois meses. Parece que havia muita gente ansiosa por poder voltar a sentar-se com vista para o trânsito na Avenida da Liberdade. E uns minutos de emissão por preencher com questões prementes.

Cafe

6ª Feira

É sempre preciso ter em conta que não estamos a lidar com gente séria. Não é “populismo” ou “demagogia” denunciar a “elite” política, em particular a que governa de forma formal ou informal, por se ter tornado essencialmente desonesta. Hoje é dia de apresentar como uma espécie de dádiva o descongelamento de carreiras e as progressões que daí resultaram. O que o Tribunal Constitucional, embora de forma timorata, considerou ilegal e apenas admissível de forma temporária, parece ter sido interiorizado por alguma comunicação social como sendo algo “normal”. E a classe política cavalga isso para dar a entender que os professores terão progredido nos últimos anos graças à sua enorme generosidade.

Chegaram 6000 ao topo da carreira? Mas ganham menos, agora, em termos líquidos, no índice 370, do que há quinze no 340. E de acordo com as regras do ECD, legislado pela “reitora” que recusou fazer a sua add, muitos mais ficaram barrados de lá chegar. Progrediram 45.000? Acredito. Mas deveriam ter sido muito mais e, em vez de um ou dois escalões, deveriam ter progredido três ou quatro.

Ok… noticiam-se “factos”. Pena que se transmita a sensação de isto serem “benesses” ou mesmo “conquistas” quando não passa da tentativa de legitimar os danos causados e as graves perdas verificadas.

Pura e simples bullshit.

Turd

Porque Insistem Em Enganar Quem Lê Apenas Os Títulos

A chamada de primeira página é a seguinte:

Pub 2Jan20

O que se lê na notícia?

Entre Novembro e Dezembro foram colocados nas escolas mais 1741 professores a contrato para substituírem docentes do quadro que se encontram ausentes, sobretudo devido a baixas médicas.

Ou seja: não existem mais 2000 professores nas escolas, apenas foram substituídos os que estão/ficaram doentes ou “ausentes”. E no caso destes “ausentes” que não sejam por baixa médica, seria interessante perceber porque apenas depois de Novembro terão sido substituídos. E nos caso das baixas médicas seria tão interessante que se investigasse quem está a entrar e com que qualificações, em vez de se debitarem os números do Arlindo, sem os explicar devidamente. Porque o que fica à vista é um engano e é bom que isso seja claramente demonstrado. E a foto do ministro, o que está ali a fazer? Foi ele que tomou alguma decisão nova para resolver o problema?

E depois acrescenta-se ainda que há “140 docentes sem alunos”.

Não. Existem muitos mais. Basta fazer as contas aos directores e subdirectores sem componente lectiva. Acho que dá dez vezes esse número.

Não é bem o mesmo?

Pois… mas então não façam chamadas de primeira página à moda de fake news. Acham que é assim que 1) Vendem mais? 2) Combatem as redes sociais? 3) Dão algum exemplo de jornalismo rigoroso?

Phosga-se… pensava que estes tempos, em alguns casos, estavam ultrapassados, mas já se está a ver que não e que 2020 começa mal, muito mal.

Não Basta Dar Um Ar De Seriedade…

… porque nos tempos que correm as aparências só servem para iludir os incautos. Há que ter aquela dose extra de integridade para se ir além.

Segundo o “Correio da Manhã” esta sexta-feira, durante a reunião extraordinária do Conselho de Redação (CR) da RTP que aconteceu há dois dias, Maria Flor Pedroso admitiu que interveio numa investigação, que estava a ser preparada, sobre suspeitas de recebimento indevido de dinheiro vivo no processo de transferência de alunos do Instituto Superior de Comunicação Empresarial para outras instituições de Ensino Superior.

A diretora da RTP, que trabalhava como docente a tempo parcial no ISCEM, revelou que contactou a diretora desta instituição, Regina Moreira, para dar conta de que esta investigação estava a ser feita pela equipa do formato da RTP. Flor Pedroso disse tê-lo feito por acreditar que estava a ajudar no desenvolvimento do trabalho.

Todavia, a intervenção da diretora de informação acabou por se revelar desastrosa para a investigação uma vez que Regina Moreira terá entretanto resolvido as ilegalidades de que era acusada por alguns alunos e que estavam a ser analisadas pelo “Sexta às 9”.

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(já agora, há por aí muit@s professor@s convidad@s em certas instituições que valem zero em termos académicos, mas o seu peso em ouro em “influência”)

34 Anos No Papel (Fora As Contas Marteladas)

Na vida real nem em 40… talvez em 44 e mesmo assim há quem nunca lá chegará, no presente ou no futuro mais ou menos próximo, cortesia de um sistema de quotas administrativas para a progressão. Sim, há quem tenha chegado ao mítico 10º escalão criado pelo engenheiro para atrair candidatos a “titulares”, mas esses foram os que escaparam aos garrotes na progressão. Não são “privilegiados”. Porque deveríamos ter todos essa possibilidade, mas ela nos foi roubada.

Rede Eurydice aponta Portugal como sendo o país que apresenta a maior disparidade salarial entre os professores no início e no topo da carreira: 116%, no 3º ciclo do básico. E são precisos 34 anos para que um docente consiga atingir o salário máximo.

Discutir este tipo de coisas tornou-se absolutamente surreal, porque estas “análises” se baseiam em dados “formais” que não correspondem ao que se passa efectivamente. E depois há coisas incompreensíveis… se o ECD é comum a todos os ciclos, porque se afirma que a disparidade é de “116% do 3º ciclo”? Não é em todos os ciclos?

Pensando bem… as coisas nem são bem assim. Se formos consultar as tabelas salariais para 2019, verifica-se que entre o 1º escalão (1 518,63€) e o 10º escalão (3 364,63€) existe uma diferença de 1846€, o que equivale a uma diferença de 121,6% (é possível que tenham usado a tabela de outro ano, mas nem vou verificar, não adianta). Mas esses são valores nominais. Os valores reais, líquidos, são outros. E a belíssima carga fiscal o que deixa mesmo nos bolsos d@s docentes?

Por exemplo…  um@ docente não casad@, sem dependentes, no 1′ escalão, recebe em valor líquido 1 133,37€; no 10º escalão, na mesma situação, receberá 1 989,70€. São mais 856,33€. O que corresponde a um diferencial real de 75,5%.

Passemos para uma situação que se pode considerar até mais comum: um@ docente casad@, dois titulares, dois dependentes. No 1º escalão recebe, em termos líquidos, 1 174,37€; no 10º escalão, 2 006,70€. A diferença? 832,33€. O diferencial efectivo? 70.9%.

Já repararam na diferença entre o valor real e o valor “mediático” com chancela de instituições oficiais internacionais?

Vale a pena ainda tentar demonstrar e discutir isto? Com gente surda (políticos) ou que engole o que lhes é servido com aparência de seriedade “oficial” (comunicação social)? Cada vez menos… porque os preconceitos estão instalados, a preguiça ou a incapacidade analítica são a regra e um tipo já está cansado de andar a ensinar o bê-à-bá anos a fio. Porque, realmente, é “lamentável” ouvir a repetição de mentiras e ainda fazer boa cara.

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Quanto Por Notícias Se Entende Noticiar O Que Foi Noticiado Lá Fora Com Base No Que Se Fez Noticiar Por Cá

O Expresso engalana-se com o que é dito sobre aquilo que Costa disse na entrevista que publicou. E, como sabemos, o Financial Times é o farol da esquerda europeia.