Sábado

Durante muitos anos era o dia de sair para ir buscar o Expresso e saber das últimas, mesmo dando o desconto a algumas coisas plantadas a preceito pelos zeinais, granadeiros e outros que tais que agora se descobre terem sido meninos maus. De há uns tempos, não tão recentes assim, é o dia de lhe fugir e de primeiras páginas feitas por encomenda. E garanto que não sou teorizador da conspiração em relação a jornais e imprensa em geral, bastando para isso ver os anos e anos de papelada comprada e acumulada.

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E O Meu Caro, Excelentíssimo Henrique Monteiro, O Que Fez A Esse Respeito?

Afinal, é um senador da comunicação social do regime, com espaço privilegiado e fixo para denunciar todas estas coisas… o que fez? Sim, sabíamos de onde Berardo vinha, mas há uma assimetria imensa entre o acesso de uns e outros ao espaço mediático para o dar a conhecer. Com tanta oportunidade podia ter feito alguma coisa, mas o que fez, caro comendador fictício das cartas a tentar a pilhéria?

Toda a gente se indignou com o modo de estar, a fanfarronice, o desbragamento de Joe Berardo no Parlamento. Não sou exceção. Há, no entanto, uma diferença substancial entre as indignações que se ouvem: aquelas de quem nada podia fazer e aquelas de quem podia ter feito alguma coisa. A estes, recomendo que se interroguem como foi possível alguém cujo passado era de todos conhecido, chegar ao ponto a que chegou.

Vanishing

 

Regresso (Breve, Por Motivos Sanitários) Ao Jornal da Noite de Ontem da TVI

A noção de “jornalismo” foi colocar como “moderadores” de um “debate” e “entrevistadores” o campeão das críticas aos professores e o que parecia querer ser um seu delfim, fazendo perguntas completamente enviesadas e com a estrela da companhia a dizer coisas do género “todos ouvimos”, “todos lemos” coisas que não foram ditas ou escritas.

No “debate” o que estava em causa era criticar o PSD e o CDS e não esclarecer fosse o que fosse. Não estava ninguém da horrível esquerda parlamentar e muito menos alguém vagamente representativo das posições dos professores, fosse sindicalista façanhudo ou alguém com uma ligeira simpatia por essa escória social e profissional.

Na “entrevista”, o grande “entrevistador” conseguia relevar 12 pontos numa escala de 10 na aversão em relação a qualquer pessoa ou posição que ele sonhasse não ser radicalmente crítica das reivindicações dos professores. Perante ele, António Costa limitava-se a seguir as indicações e até a parecer moderado.

Tudo em prime time, em espaço alegadamente “noticioso”. Agit-prop pura e dura a lembrar um PREC de sinal contrário, uma espécie de vendetta pessoal com um canal de televisão de sinal aberto ao dispor. Sem qualquer tipo de contraditório, apenas a propagação do eco. Todos os números puderam ser debitados sem qualquer tipo de escrutínio. Só faltou notar-se a espuma raivosa aos cantos da boca do “entrevistador”, mas talvez tenha sido porque viraram as câmaras a tempo.

Obrigado, TVI, pela enorme lição de jornalismo e informação que nos deste. Em todos os sentidos.

TVI

Pluralismo: TVI Style

Embora o baile inicial de Nuno Morais Sarmento (20.04 a 20.06) a Miguel Sousa Tavares tenha dado um certo gozo, porque deixou à vista a ignorância com que ele trata os assuntos, usando a tentativa de interrupção para esconder a sua impreparação. Pedro Pinto também se revela mais um militante de facção do que “jornalista”.

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20.10 – É a vez de Nuno Magalhães desmentir uma citação der MST.

20.12 – Ansioso por meter a faca na manteiga, MST lança uma boca sobre “retroactivos” que Nuno Magalhães volta a desmentir. Continua a conversa com MST a dizer que ouviu qualquer coisa que mais ninguém ouviu.

20.14 – MST em roda livre atira com a boca de o CDS querer um “estatuto especial para os professores”. É curioso como Morais Sarmento e Nuno Magalhães parecem professores a explicar coisas evidentes a uma criança birrenta. Pedro Pinto faz de parelha, citando Pires de Lima. O que está em causa é pressionar PSD e CDS e não analisar seja o que for.

20.17 – MST atira como o “suicídio político” de Assunção Cristas.

20.18 – Pedro Pinto ganha créditos ao falar na defesa dos contribuintes e  mais umas platitudes, ao voltar a inquirir Morais Sarmento. MST deve estar com os nervos à flor da pele, não consegue parar com àpartes.

20.19 – MST insiste em exibir ignorância… neste caso sobre as competências da Assembleia da República. Não percebe que é o Governo que responde perante o Parlamento e não o inverso.

De certo modo, a entrevista a António Costa é redundante, visto que MST já defendeu tudo o que ele irá dizer. E depois diz disparates como “não sei quê que todos percebemos”, mas que mais ninguém terá percebido. Mais uma peculiaridade: é uma entrevista ser comentada antes de ser realizada.

20.25 – Nuno Morais Sarmento arrasa os números de Centeno.

20.26 – Pedro Pinto acaba o debate e passa directamente para a possibilidade de greve às avaliações.

Foto do novo par de Marretas sem graça:

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A Cereja No Topo Do Bolo Mediático Da Isenção Informativa

Na TVI, hoje, Miguel Sousa Tavares “entrevista” António Costa. Em vez de cataplana será servido churrasco com cheiro a professor assado em brasa lenta.

Como garantia de isenção “jornalística”, leia-se um naco da última crónica do “entrevistador”, perante quem a aversão do entrevistado aos professores parecerá amor apaixonado.

E o que dizer do rigor com que usa os números?

 PSD e CDS à direita, e Bloco e PCP à esquerda, juntarão os seus votos para amarrarem o país a uma despesa acrescida de 680 milhões de euros anuais na folha salarial da função pública — ou um total de mais de 800 milhões, se, como é inevitável que suceda, a satisfação das exigências dos professores se tornar também extensiva aos demais “corpos especiais” da Função Pública. É o equivalente, explicou Mário Centeno, à despesa orçamentada para os aumentos normais anuais dos trabalhadores do Estado, despesa essa que assim duplicaria o seu montante. Explicação inútil: a cobiça dos votos dos professores, dos magistrados e dos polícias ultrapassa qualquer outra consideração

CristinaMST

Projectos Educativos Locais E Outras Coisas Que Tais

Esta notícia sobre Braga, fez-me pesquisar coisas parecidas. E subitamente há dezenas de milhares de euros para implementar “equipas multinível”, porque as escolas não o sabem fazer. E as comunidades intermunicipais até têm mesmo muitas dezenas de milhar de euros. E que as há por todo o lado. E só num ano já se factura mais de 100.000 euros. Outras empresas já vão em várias centenas de milhar de euros.

Se é bom todo este envolvimento autárquico no combate ao insucesso escolar? Se está bem que estas oportunidades de negócio sejam aproveitadas por quem criou empresas-cogumelo à la minute para esse efeito? Claro que sim, sou todo pelo empreendedorismo nacional. Mas que é um enorme atestado de menoridade às escolas, lá isso é. E não é de agora. Se alguém se der ao trabalho de ir em busca – nas várias zonas do país – dos fios da meada, perceberá que tudo isto é feito em benefício de alguém. O interesse dos alunos é apenas um pretexto.

Alguém decide investigar isto na comunicação social séria e rigorosa? Perceber se é tudo claro e transparente e se não há medidas políticas à medida de um determinado nicho de interesses. Dá menos trabalho receber dossiers já preparados e publicá-los sem cotejo.

cadeia-e-teia-alimentar

(e quase aposto que vou encontrar, daqui a não muito tempo, certos ex-qualquer coisa neste tipo de contratos, muitos deles nem sequer publicitados…)

6ª Feira (Santa?)

Fico embasbacado com o embasbacamento da dupla Expresso/SIC com o facto de António Costa ter “gerido” a “crise dos combustíveis” usando o WhatsApp. Mas também já tinha ficado embasbacado com a reverência prestada a Berardo (basta ver a colecção imensa de entrevistas feitas ao longo dos anos a alguém que, para lá da aparência de dinheiro, não tinha nada a dizer, mesmo se usava camisolas pretas de gola alta para parecer que era não sei quê) a quem tudo foi dado por parolos que agora só não lhe vão penhorar os balneários porque há uma garagem. É assim que o jornalismo quer combater fake news e o “populismo das redes sociais”?

F3.ChapeusHaMuitos