Por Outro Lado

De que adianta andarem alunos a fazer trabalhos, apresentações e etc, se há “doutor@s do pós-Básico”  que na hora de “dar nota” fazem a média aritmética dos testes, meia bola e força? É muito difícil defender qualquer dos extremos da parvoíce. Que os há. E nem são dos que estão naquele lote de 11.000. Não é uma questão de “velhice”.

coelho-em-cartola-fantasia-magos-1428249

Os Professores Começam A Ficar Escassos Para O Século XXI

Já em Outubro, ainda há gente por colocar em alguns grupos disciplinares. No fim do ano lectivo passado já começavam a chegar pessoas que nem profissionalização tinham, em contratação de escola. Agora, passam as RR e ou não chegam ou chega quem andou anos por fora, a fazer outras coisas ou em AEC, porque os que estavam mais à frente desistiram. E que passaram ao lado das sucessivas reformas dos últimos anos e perderam mais o fim à meada do que quando se aparecia a dar aulas aos 21-22 depois de se ter sido aluno até aos 17-18 naqueles mesmos pavilhões.

O tempo acelerou e não perdoou.

A destruição criativa não é bem isto. Vai cavar-se um fosso enorme em termos geracionais daqui por uma década se as coisas continuam assim. Não sei se a ideia é transformar todos em arianazinhas e joõezinhos, formatados à medida dos mandantes, públicos ou ocultos, de agora. Só que daqui a uns anos, andarão por certo lá por fora em gabinetes especializados e terão deixado por cá apenas terra queimada.

Mas Isso é Novidade?

Parece que há uns potenciais alunos do ex-PM que acham que ele não lhes poderá ensinar grande coisa por ter um grau académico inferior ao deles. Até pode ser que tenham razão, mas isso está longe de ser novidade no Ensino Superior e Politécnico. Ainda me lembro de, nos tempos da minha profissionalização, de todos os professores que apareciam a dar umas aulas, só um tinha as mesmas habilitações do que eu. Se me ensinaram alguma coisa? Nem por isso, até porque já na altura não eram poucos os que andavam desfasados de qualquer realidade terrena. No caso do Passos Coelho, podemos discordar politicamente do homem, achar que desenvolveu políticas medíocres e subservientes à madre merkel, mas dificilmente podemos achar que a situação dele é singular no contexto universitário. Ou então há quem desconheça mesmo que há por aí já muita gente com mestrados bolonheses a armar-se ao pingarelho.

torre univ coimbra

 

Leis Há, Falta o Resto

Mas a construção legislativa da realidade para afago das consciências é o jardim muito particular em que se auto-satisfazem aqueles que preferem a verborreia à acção concreta.

O relatório sublinha que as leis até podem ser boas, mas de pouco servem se não existir fiscalização que garanta, de facto, o direito à saúde física e psicológica no local de trabalho, não sendo por acaso que o mesmo documento do Conselho da Europa diz que Portugal tem altos níveis de acidentes profissionais fatais e não-fatais em comparação com o resto da União Europeia.

A EARHVD não poupa o Ministério Público. Considera que a denúncia nunca foi tratada como um efetivo caso de violência doméstica mercê, é sublinhado no relatório, da falta de preparação de quem ficou com este caso em mãos. A burocracia sobrepôs-se à urgência com que a denúncia deveria ter sido tratada. Foram desperdiçadas três oportunidades de ajudar esta mulher. É recomendado ao Ministério Público que elabore um “documento hierárquico de boas práticas”.

tristeza_2

(exemplos de más práticas. uma sinalização para a CPCJ quase a completar um ano sem resposta, mesmo se isso implica riscos para outros alunos… um serviço que está seis semanas para dar despacho a algo que nas escolas deve ser resolvido em seis dias… esta é a realidade… temos políticos de ocasião, parlamentares incontinentes e uma inacção enorme perante a arrogância dos poderosos, como o minion catroga, que terá sempre espaço para as suas diarreias particulares enquanto existirem órgãos de comunicação social a necessitar de promover eventos com retorno)

O Panteão

Em 2017, alguém se indigna com um jantar num espaço público que outro alguém, em 2014, permitiu que fosse alugado por eventos, sendo que o primeiro alguém já lá tinha estado num evento semelhante em 2013. Ainda antes da lei feita pelo tipo que também lá esteve ainda antes de legislar e que agora também diz que coiso e tal, passa ao outro e nada a ele?

E ainda há quem ouse falar em “dignidade” no meio disto tudo?

dupontd

 

Supervisão Pedagógica

Como durante estas férias/pausa não me fui ilustrar em viagens distantes, aproveitei para me encontrar, conviver e, claro  falar com amig@s e colegas que também têm esta interessante profissão sobre a maneira como na suas paragens de encara aquilo a que se designa como “supervisão pedagógica”.

A maioria concordou numa caracterização que tem os seguintes pontos fundamentais:

  • Definir critérios de avaliação (em conselho pedagógico, departamento, grupo disciplinar, conselho de turma) aparentemente muito completos, cheios de ponderações, alíneas e sub-alíneas.
  • Criar grelhas/tabelas para registo da avaliação feita em todos esses critérios, com uma nível de sofisticação de fazer inveja a muito maníaco da estatística.
  • Preencher afanosamente tais grelhas, não esquecendo nenhuma célula.
  • Mostrar essas grelhas aos “supervisores” designados (coordenadores de departamento, directores de turma, fiscalizadores oficiais de equipas de avaliação interna ou dos planos para o sucesso, etc, etc), para ver se está tudo bem preenchido no sentido do sucesso.
  • Refazer as coisas se as estatísticas finais desagradarem às metas traçadas superiormente.

Também parecem ser tendências comuns a padronização de critérios entre disciplinas e turmas, matando à nascença qualquer esperança de diferenciação e a ausência quase completa de um acompanhamento do trabalho pedagógico “supervisionado”.

Claro que ainda há excepções, mas a verdasquice do sucesso tem dado nesta pobreza fransciscana que passa por ser uma coisa que não é. Ou melhor, que se destina a fazer parecer que é o que não é. Ou algo assim.

Isto é controlo e não supervisão. Isto não é pedagógico é meramente administrativo. Chamem-lhe “controlo administrativo”, não nos ofendam mais a inteligência que ainda sobrevive ao massacre.

Tiro

Neutralização

De forma directa nesta última agitada década e de modo mais indirecto em tempos menos frenéticos, tive a possibilidade de verificar os processos de “sedução” do poder em relação aos que considera serem permeáveis à sua influência nas fileiras “adversárias” ou em zonas de fronteira. A metodologia é multicolorida e não exclusiva destes ou daqueles, apenas variando os meios ao dispor em dado momento para neutralizar oposições chatas, mas tipo esparguete.

O primeiro esforço é o do contacto e o da chamada para “conversas” ou “iniciativas” que envolvam os alvos em grupos mais alargados, assim quase que como quando as vaquinhas entram na arena para levar o touro para os curros.

Conversando… há diversas hipóteses e/ou fases do “diálogo”:

A garantia da importância da nossa opinião sobre os problemas em apreço e a elevada estima em que têm a nossa estimadíssima pessoa e o nosso saber específico.

A promessa de ouvirem todos os “contributos” e estarem “abertos” a todas as ideias, numa perspectiva de inclusão de diferentes perspectivas.

A promessa adicional de irem fazer algo na área que sabem ser do nosso interesse, pelo que nada melhor do que colaborarmos nesse “esforço conjunto” para “melhorar” a situação existente e que “como sabemos” precisa de “urgente mudança”.

A garantia de termos excelentes ideias, que é necessário “operacionalizar” e nada melhor do que formar-se um grupo para discutir o que pode ser feito, em forma de “estudo” ou coisa afim.

A aceitação daquilo que já pensavam fazer, mas dando a sensação que fomos nós a convencê-los da justeza imensa dessa posição particular.

A diluição progressiva, de forma mais ou menos subtil, de todas as propostas que nunca consideraram verdadeiramente úteis para a sua agenda, mas garantindo – mal se levante a questão – que “oportunamente” entrara na “nossa” agenda.

Em casos mais duros de ouvido – ou como forma de encurtar estas fases – adianta-se logo um convite para participar numa “formação”, dependendo depois as condições da retribuição pela colaboração. Mas isso será tema para outra prosa suave acerca da forma como as convicções se transformam em conveniências por um processo que eu diria quase inconsciente 🙂 .

O segredo, sempre, é não nos deixarmos agarrar pela gosma.

sereias