Prognósticos

Agora quase toda a imprensa portuguesa, incluindo a especializada em nada, já sabe de todos os problemas, devedores, créditos mal parados, negócios mal amanhados e conexões nebulosas da CGD. Como aconteceu com o BPN, BPP, BES, Banif e acontecerá com outros no futuro, termos muitas previsões acertadas com o jogo no fim. Até porque ainda ecoa o suspiro de alívio com a depuração dos Panama Papers.

Sabado23Jun16(a Sábado desta semana traz uma espécie de roda da sorte dos administradores com ligações políticas e a Visão a lista dos maiores devedores, tudo coisas longe de serem desconhecidas até agora…)

Tácticas

Acabado o campeonato com as suas fidelidades analíticas pavlovianas, estamos com o Euro a arrancar e a Copa América nas madrugadas, para ver em diferido pela manhã e ouvir as doutas análises técnico-tácticas da plétora de comentadores futebolísticos nacionais. Maravilho-me na análise dos esquemas e na forma como os clássicos 4-4-2 e 4-3-3 se desdobram em 4-1-3-2, 4-2-3-1, 4-1-2-1-2, 3-5-2 e 5-3-2 e mais outros códigos do multibanco. Eu olho e, a menos seja a Argentina na última meia hora com o Panamá que jogou em 10 mais 1 (o Messi marcou 3 golos em 20 minutos), aquilo parece-me quase tudo o mesmo, com mais ou menos jeitinho para acarinhas a chincha.

Agora, agorinha mesmo, estou é farto de ouvir um tipo dizer que o Eric Dier (que acabou de marcar o golo da Inglaterra) “fez parte da formação no Sporting”. Sendo que o rapaz nasceu em 1994 e esteve no Sporting de 2003 a 2014, estou a tentar perceber qual foi a outra parte da formação que ele fez algures.

Estebes

Panamagate

Já repararam como o que prometia ser um escândalo enorme – apesar do Panamá ser apenas um entre muitos paraísos fiscais – acabou em praticamente nada através de uma hábil estratégia de descobrir o já descoberto. Indo em busca dos Espírito Santo e Salgado e de periferias do caso Sócrates captava-se a atenção do pessoal e nada se revelava de essencial ou problemático. Entretanto, enquanto se expurgava a base de dados do que é incómodo, anunciava-se a sua abertura ao público no que é (mais) uma enorme mistificação jornalística entre nós. Deplorável, sendo de lamentar que se deixou amarrar desta forma na sua liberdade de informar. Mesmo que fosse incómodo, até porque consta que lá estariam dados muito interessantes para se perceber quem informa(va) o quê a mando de quem. Porque o caso-banif na tvi (que tanto parece incomodar alguns como as escutas do caso Marquês divulgadas pelo CM que tanto encrespam gente que ficaria melhor calada) é apenas uma migalha em relação aos anos e anos de contaminação da opinião pública com falsidades à la carte.

claustrofobia

 

Esperem pela Municipalização…

… e em algumas zonas verão os senhores autarcas que acumulam interesses aqui e ali (na reportagem da RTP apareceram alguns – como aquele que foi acabar o 12º ano ao colégio privado 🙂 – e outros esmeraram-se por não aparecer) a reordenar a rede escolar a seu gosto. Mas há por aí gente muito mais inteligente do que eu que acha que tudo pode ser controlado porque, no seu caso particular, a câmara é agora dos seus amigos.

(tudo em defesa dos interesses dos alunos, é claro)

Um bocado como aqueles que dizem que os colégios até são maus e fazem negócio, excepto aquele onde andaram que sempre foi virtuoso. Até pode ser que sim, mas…

zandinga

Desmentido

Depois de assistir à parte final da audição de Sérgio Figueiredo na Comissão Parlamentar sobre o Banif, em especial as respostas ao deputado Miguel Tiago, em que ouvi dizer que as regras de protecção das fontes se aplicavam aos jornalistas que anonimamente divulgaram a notícia da resolução do banco com algumas substanciais imprecisões e que não é prática nas notícias de “última hora” referir que se estão a corrigir dados antes errados, não me espanta que a Sábado  assobie para o lado depois deste esclarecimento. O mais que fez foi passar a qualificar como “burla” o que antes referia ser “crime”. Parecendo que não, muita coisa anda ligada porque há demasiada gente com demasiado poder mediático nas mãos que tem de obedecer a quem manda vai mandando nisto quase tudo, agora que o outro já não pode pagar publicidades e avenças a quem, pelos vistos, nunca viremos a saber. E há quem muito clame pela necessidade de ética e deontologia nos outros, mas depois se esqueça em causa própria.

janus

A Implosão

Imaginemos que uma escola tem um problema grave para resolver e trata de o fazer de modo rápido, em menos de uma semana, com todos os trâmites processuais cumpridos, incluindo uma decisão final com a anuência de todos os interessados. Agora imaginemos que, porque essa decisão precisa de validação superior (a tal autonomia das escolas e confiança nos professores a funcionar), os serviços competentes do ME demoram mês e meio a fazer o que lhes… compete, inviabilizando em boa parte a eficácia da medida original.

Foi assim que ficámos com a implosão do ME, nem sendo bom falar da estratégia do deixa estar na gaveta sem resposta que eles acabam por se cansar, esquecer ou achar que já não vale a pena praticada com recursos hierárquicos que ao fim de um ano, ano e meio permanecem sem resposta, nem sequer de arquivamento. Hesito na proporção a atribuir à incompetência ou má fé, acreditando que em algumas situações se possa tratar de cansaço.

Isto anda vergonhoso, só que muita gente já aderiu mesmo à estratégia do que se lixe, isto é mesmo uma palhaçada pegada. E nada irá mudar para melhor nos próximos tempos nestas matérias. A reversão é uma ilusão, tirando o exame da 4ª classe.

Madeira

Estou Marreta de Dizer…

… que há mais rabos de palha do que nos querem fazer acreditar. Não há honoris causa de borla, nem notícias fofinhas sem almoços por conta. O conta-gotas das revelações não se explica apenas pela massa de informação disponível, mas pelo enorme incómodo que pode causar em certos círculos de gente que gosta de passar por séria. Noticiadores ou opinadores. Há publicações que não poderiam suportar tanto articulista remunerado sem um oleoduto financeiro bem dirigido.

E nem falo das inocentes viagens patrocinadas. Não apenas pelo espírito santo, mas por muitas outras “entidades”, com ou sem offchoras. Há novaiorquinos, parisienses, bruxelenses e/ou londrinos  de adopção de tanto passearem à pala de mecenas. Houve alturas em que eu olhava (olho?) para os escaparates matinais e até via as caixas registadoras a tilintar. Há jornais que não admira fecharem, admira é porque ainda continuam abertos sem que se conheçam os patrocínios de forma nítida. Como é possível que empresas falidas compr(ass)em tanto espaço publicitários ou dezenas/centenas de exemplares para distribuir?

Luvas para jornalistas: Sindicato pede “clarificação” ao Expresso

O Sindicato dos Jornalistas pediu ao jornal Expresso para divulgar os nomes dos jornalistas que diz estarem envolvidos numa investigação judicial relacionada com o designado “saco azul do BES”.

Pig

Como sou Muito Prestável aos Sábados, Explico

No ME há quem ache que sabe imenso sobre as más práticas das escolas. Conversas de amigos, confidências aqui e ali, mais uns espíritos santos de orelha e acha-se que sabe tudo e mais alguma coisa. Só faltando confirmação em forma de estudo que sirva para legitimar decisões.

E o CNE forneceu a arma fumegante em forma de identificação de muitas turmas com NEE e ali nos 19-20 alunos no seu recente estudo acerca da dimensão das ditas. Eis os quadros em causa, mais o que se lhe segue:

Turmas2Turmas3 Turmas4 Turmas5A partir daí foi só ir buscar a calculadora, a folhita de excel e calcular quanto se poderia poupar se uma série de turmas com 19-20 alunos passassem para 28-30, com o bónus dos alunos com CEI passarem menos tempo em outras atividades em pequeno grupo ou com os docentes de Educação Especial a trabalhar dificuldades específicas. E nem interessa saber se é em seu interesse esse tipo de trabalho ou não.

E é assim a vidinha; podem dizer que não, que eu digo que sim, que sou vidente e já tenho muitos anos de prática de distinguir banha da cobra disfarçada de “induzir mais inclusão”. Em especial quando é bastante inábil e deixa o gato todo de fora só com o rabo escondido em palavreado da treta.

 

Direitos (Não) Adquiridos

Aparentemente, há quem considere que os direitos exercidos em tempos do Umbigo transitariam directamente para este Quintal. Ora… tais direitos foram resultado de um privilégio temporário e não perpétuo, bem como as regras de um espaço não são as de outro. Infelizmente, gente biologicamente crescida parece não ter entendido isso e já ganhei um stalker-tipo-vargas nesta minha nova encarnação na pessoa de um anterior colaborador que parece não ter percebido que à uma da manhã não se enviam sms para acordar a minha família só porque as noites do emissário são vazias de outro interesse que não uma certa auto-satisfação comentarística. Tendo passado por isto anos a fio e pensando estar encerrado este tipo de episódios, roça o ridículo ter de o voltar a aguentar vindo de quem vem e que teve conhecimento directo de muito do que tive de aturar e tendo eu suportado muito disso exactamente para defender a criatura em causa de todos os ataques que nunca lhe chegaram. Havendo necessidade de comunicar análises profundas e inteligentes e não apenas remoques destrutivos, pode sempre criar-se um 14º blogue e esperar que poisem. Espero ser esta a última vez que tenha de fazer este tipo de explicações públicas e solicitação de um decoro que devia resultar de alguém que se diz reger por princípios (embora se perceba que não olhando a meios e fins).

A tag deste post é sem vergonha na cara.

povinho