Os Meus Discutem No 9º Ano

Até porque faz parte do programa e numa escola com muitos alunos dos PALOP os ajuda a perceberem muitas coisas. Mas eu não tenho traumas de esquerda ou direita em relação a um tema da História. E claro que me espanto por alguém afirmar que é preciso criar uma disciplina nova para que o tema seja tratado.

Alunos do 12.º ano vão passar a discutir a Guerra Colonial

WTF1

(e, sim, as apresentações que uso têm algumas fotos menos fofinhas de algumas atrocidades… a duas cores…)

Muit’Agradecido, Embora Seja Pouquinho

Estão homologadas as aprendizagens essenciais para o Ensino Básico. Foi na 5ª feira, em despacho de 19 de Julho, que é sempre data adequada para o pessoal adaptar planificações.

Há algumas alterações, não substanciais, mas algumas com a dose indispensável de bom senso para que quem decide não apareça irremediavelmente inepto. Falo, por enquanto de História e do 7º ano, onde a Antiguidade Clássica continua muito maltratada, mas pelo menos já existe o vislumbre da abordagem de uma “Civilização dos Grandes Rios”, mesmo se de forma esquelética, caso avance de forma generalizada a ideia de que duas aulas de 45/50 minutos por semana chegam.

Aprendizagens Hist7

Aquela pequena frase entre ( ) faz toda uma diferença. Pelo menos para quem segue estes documentos como se de textos sagrados se tratasse ou que os usa como pretexto para dizer que “agora precisam de menos tempo para dar a matéria”.

Claro que a sucessão de posições da APH – ou de alguns dos seus dirigentes – acerca deste assunto continua a revelar-se ainda trapalhona, pois parecem não ter percebido que tudo isto era apenas a forma de reduzir os conteúdos por forma a encaixarem ainda em menos tempos lectivo. Ingenuidade? Talvez… talvez.

 

 

 

Por Vila Verde

A partir do Facebook:, para que não digam que não divulgo coisas de grupos onde sou persona non grata 😉

Escola Secundária de Vila Verde reuniu para concertar formas de luta.

Partilho convosco o resumo (que enviei para todos os colegas através do mail institucional) da reunião sindical que dinamizei hoje na minha escola… aqui estão algumas formas de luta que vamos levar a cabo no sentido de “boicotar” o mais possível esta afronta dos serviços mínimos ilegais. A ideia foi de uma colega, que foi ganhando forma após muitos contactos com o spn!

VAMOS À LUTA!

Como prometido, segue o esclarecimento/resumo sobre as decisões tomadas por uma boa parte dos docentes da ESVV, que se reuniu hoje de tarde no sentido de concertar novas formas de luta.

Assim, perante a afronta do ME, ao convocar serviços mínimos ilegais e ainda recusar-se a negociar com a Plataforma Sindical desde o dia 4 de junho, os colegas presentes na reunião concordaram que a nossa luta não pode parar agora, correndo o risco de nunca mais sermos ouvidos relativamente às nossas mais do que justas reivindicações (em cima da mesa está a recuperação do tempo de serviço, mas também a aposentação, a precariedade/contratados, os escalões “tampão”).

Decidiu-se, então, proceder da seguinte forma, na próxima semana:

1º Os CT dos 7º, 8º e 10º anos continuarão sem se realizar, utilizando o mesmo esquema de escalonamento/destacamento diário;

Os CT dos 9º, 11º e 12º anos, realizar-se-ão, mas nos seguintes moldes: os professores que receberem uma convocatória nominal com base nos serviços mínimos, terão de se apresentar na reunião, NÃO PODENDO FALTAR; os professores que não forem convocados nominalmente, não deverão comparecer na reunião, para dar força ao “braço de ferro” que os colegas em reunião terão de exercer contra a ilegalidade dos serviços mínimos.

Passo a explicar: os professores convocados irão reunir e, em todos os pontos da ata que exijam uma reflexão pedagógica e/ou tomada de posições/decisões, deixarão claro que não o farão, por não estarem reunidas as condições legais, devido à falta dos professores x, y, z, s, … Ou seja, a reunião será realizada mas ninguém assumirá a responsabilidade das avaliações, sendo que os Diretores de Turma e secretários recusar-se-ão a assinar a pauta, uma vez que a sua ratificação seria ilegal, dada a ausência de muitos professores, sabendo nós que a lei não permite a validação da avaliação sem a presença de TODOS os professores do CT. Chegada esta situação de impasse e não finalização da reunião, será tempo de chamar o Diretor e expor a situação… este decidirá da melhor forma (assumindo a responsabilidade e assinando todas as pautas ou expondo a situação hierarquicamente, pressionando ainda mais as negociações em curso nesta altura, espera-se!!).

Para que os DT possam tomar esta decisão, necessitam então do apoio dos colegas do CT que, não estando convocados para serviços mínimos, se manterão em greve e entregarão antecipadamente (via mail ou em mãos) as avaliações com o texto que se anexa, deixando bem claro que entregam propostas e não avaliações finais (ver documento 2).

4º Por sua vez, os professores convocados apoiarão a decisão do DT e deixarão em ata o texto que se anexa (documento 1).

Qualquer esclarecimento de que necessitem ou dúvida que tenham, não hesitem em contactar-me. ESTAMOS JUNTOS!

Entretanto, no fim de semana, receberão um questionário do sindicato (se forem associados) e/ou meu (se não estiverem sindicalizados), que vai servir para auscultar os professores sobre negociações e formas de luta. Este é um procedimento que pretende alcançar todos os professores e todas as escolas.

A PRÓXIMA SEMANA VAI SER CRUCIAL PARA FAZER AVANÇAR AS NEGOCIAÇÕES: NÃO PODEMOS DESISTIR!

Abraço,

Sandra

Doc. 1

Vila Verde

Doc. 2

Vila Verde2

Trégua?

A Porto Editora e o PS andam numa guerra surda há anos, não é de agora, na área dos conteúdos digitais e da política dos manuais escolares. Fazer a crónica do que dá para perceber, mesmo olhando de fora, seria motivo para um tipo ser empalado a sangue frio e agora isso não me apetece. Fiquemo-nos pela novidade do dia:

Comissão da Igualdade e Porto Editora vão produzir conteúdos em conjunto

O episódio dos livros para meninos e meninas foi apenas um epifenómeno mediático que, ao que parece, serviu para agora se estabelecerem pontes e para deixar quem muito opinou sobre o assunto, de cada lado da “polémica”, a ver navios, sem perceber até que ponto são peões em jogos de gente crescida.

Já agora… se aceitam propostas, poderiam reeditar o volume abaixo (há outro para o 3ºº ciclo) que até é jeitoso e tem muitos subsídios institucionais, o que é sempre muito bom para qualquer editora, mesmo grande. E, claro, poderiam, editar comercialmente outras obras da CIG… tipo aquela colecção que tem as teses premiadas por eles 🙂 .

 

Dissonância Completa

O secretário de Estado João Costa dá uma entrevista ao suplemento de Educação do JLetras na qual, com a previsibilidade esperada, elogia imenso o que tem feito e o que será feito, se seguirmos as suas iluminadas orientações que ele insiste muito em dizer que são assentes num enorme “diálogo” com as escolas, os directores e os professores. As palavras são bonitas, como sempre, mas eu concentro-me nos actos e é neles que não vejo correspondência com a retórica humanista.

Está em decurso uma não muito explícita guerra em torno do currículo (nomeadamente do Básico), com evidentes ganhos por parte de uma concepção utilitarista da Educação, que nega alguns dos elementos que ao longo dos tempos mais distinguem o ideal clássico da Paideia como educação integral do corpo, mas em especial do espírito.

Foi sobre isso que escrevi nesse mesmo suplemento e de que agora transcrevo um excerto.

Atenas vs Esparta?

A situação que vivemos de combate pelo domínio do currículo do Ensino Básico lembra uma espécie de luta entre o modelo educativo ateniense, baseado na Filosofia e no culto do Espírito (incluindo as Ciências e a Matemática, sem descurar o corpo e as áreas mais técnicas), e o modelo espartano, assente no culto do corpo, da força e do seu utilitarismo guerreiro.

A primeira disciplina a ser trucidada nestas “guerras do currículo” foi a Filosofia, menorizada no Ensino Secundário perante outras áreas que associo mais à promoção de estilos de vida do que a ensinar a pensar e muito menos criativamente. É para mim impensável que um aluno possa entrar num curso superior na área das Ciências Sociais e Humanas sem que a Filosofia faça parte do seu currículo obrigatório para esse acesso. Em boa verdade, a Filosofia, como disciplina estruturante do pensamento, crítico, criativo ou outro, deveria ser considerada obrigatória para qualquer candidato à Universidade, mas parece que isso é cada vez mais tido como arcaico.

O alvo seguinte, ao nível do Ensino Básico, tem tentado centrar-se na História, que se gosta de apresentar como coisa só de memorização e cheia de coisas inúteis para o presente. O cerco tem tido avanços e recuos, mas não tem parado, beneficiando de algumas inimizades de proximidade com posições chave na definição do chamado “desenvolvimento curricular”. Se perguntarem aos governantes se isto é assim, negarão e poderão mesmo dizer que eles são os maiores defensores das Humanidades e até devem ter alguma História do Círculo de Leitores nas estantes para confirmar a sua devoção. Filosofia e História são disciplinas “malditas” para os cultores do Agora, do Futuro, do Homem Novo Saudável e Tecnológico a quem não interessa como aqui chegámos e detestam que alguém lhes relembre que a fatiota agora desempoeirada é velha e, pior, que se tenha a capacidade para o demonstrar sem a wikipedia à mão.

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