3ª Feira

Também adoro pessoas que acham iníquo o modelo de avaliação do desempenho, mas consideram extremamente importante desempenhar com muito rigor a sua função de avaliadores. E ficam tão contentinh@s. Vão a par daquelas que abominam grelhas, indicadores e descritores, mas depois perdem horas a debater o tempo dos verbos e a largura das colunas e as letrinhas do perfil.

Homer

Tudo Num Só Corpinho (E Acreditemos Que Numa Mente)

Já repararam que algumas das pessoas que mais teorizam sobre o arcaísmo da avaliação dos alunos são das que mais excitadas ficam quando são nomeadas avaliadoras, de preferência externas,e  começam logo a recolher e acumular grelhas, por causa da “responsabilidade” enorme que passaram a ter?

Frade

A Sério Que Já Não Me Admira…

… que uma das estratégias de quem não consegue tolerar que discordem do seu “belo pensamento” seja atacar a “formação” (académica, profissional) das pessoas que “desalinham” do rebanho moderno. Em regra, quem assim faz, não nomeia os atacados, em público apresenta pose delicada, cosmopolita e tolerante, enquanto em privado expele répteis diversos em tom alterado quando o tema é essa discordância e os discordantes. Digamos que a estrutura emocional da intolerância é muito envernizada para se apresentar uma capa de tolerância pública que “venda” o “produto”.

Admito que estou nos antípodas desse tipo de atitude, porque gosto de expor publicamente o que penso pela minha cabeça em privado, sem usar o interruptor on/off (o que pode ser confirmado por muita gente que até me conhece só de mail ou telefone e a quem digo que pode publicar o que bem entenda, sem limitações) e preocupo-me pouco com “alianças estratégicas” para escalar seja o que for. E quando me sinto mal, desligo e vou à minha vida, pois se ficarmos muito tempo num lugar, ainda escorregamos no musgo e nascem-nos fungos em sítios recônditos.

Se discordo de alguém não lhe tento ir de forma soez às canelas, insinuando falhas de “formação”. Por exemplo, tenho o maior respeito pessoal e profissional pela presidente do CNE, mas discordo das ideias que mantém há muitas décadas e acho que já deveria ter saído daquela “zona de conforto”. Discordo frontalmente das ideias do SE Costa, mas – mesmo achando curiosa a sua opção por se especializar em gramática portuguesa no estrangeiro – não acho que seja por ele ter falta de habilitações. Ao ministro Tiago aponto falhas imensas em matéria de pensamento sobre Educação, mas nunca coloquei em causa a sua formação científica. Claro que há excepções… nunca me ocorreu reconhecer competência científica ou pedagógica para falar sobre Educação aos mst desta vida ou aos pais albinos. Mas mesmo assim, em regra, preferi dar-lhes forte no que disseram ou escreveram, mais no que aquilo que (não) estudaram.

Por isso mesmo, diverte-me a falta de subtileza com que certos arautos da tolerância inclusiva, fiquem tão descompensados na sua altivez por não aderirmos todos à sua Fé que se tornam o equivalente a fundamentalistas religiosos que só conseguem ver ignorância e maldade nos incréus e nos que questionam os modelos únicos da “boa palavra”. Ficam com os carretos completamente passados mas, curiosamente, é essa a crítica a quem os tenta fazer ver luzes de outras cores com frontalidade.

Claro que isto se torna mais irónico, usando o mesmo truque de não nomear quem se verá retratado a ler isto e ficará uns dias a produzir posts sociais enviesados, com aquele fel mal disfarçado com falso aroma de mel.

Otavio

(no mandato anterior passaram-se coisas na sombra, com vista a desacreditar estes ou aquelas, de uma falta de decência enorme, só que, por não serem feitas à moda do engenheiro e para que não se notasse tanto, ficaram quase sempre pelos bastidores; só que… mais tarde ou mais cedo quase tudo se descobre e acabamos por perceber que, se calhar, aquelas pessoas mesmo sempre assim, apenas o perfume do poder lhes transtornou mais a natureza…)

Os Especialistas Instantâneos Em Obstetrícia E Ecografias Várias

Durante anos as coisas nem chegaram à superfície. Durante alguns dias foi assunto circunscrito à CMTV. Agora já toda a  gente fala e escreve sobre o assunto das ecografias à la minute de um médico muito específico, como se fosse ele o único a ter tal conduta. Até o bastonário da Ordem dos Médicos apareceu a pedir desculpa – olhando-nos lentes nos olhos, abandonando os seus característicos óculos e agora até diz – dias depois de afirmar que a Ordem não tivera conhecimento de nada (4º parágrafo), nem que o teria de ter – que por ele já tinha demitido uma série de gente. Vamos deixar-nos de hipocrisias, pois somos muitos os que conhecemos histórias deste tipo e em primeira mão. Há gente excelente e medíocre em todas as profissões, mesmo naquelas que necessitam de 17 ou 18 de média no acesso ao curso.

Cá por casa, conhecemos um excelente especialista (nem de propósito, o que foi escolhido para resolver a situação que está na génese de muita asneira) e um abrenúncio de bata que, nem por ter já falecido, deixarei de recordar sempre como uma besta quadrada que também só teve oportunidade de o ser uma vez na minha presença. Porque ficou a perceber que lá por ser “doutor-médico” não tinha o direito de ser estúpido e displicente. Da segunda vez, já sabia ter maneiras à mesa e até ensaiou cortesias, mas era tarde e por mim até dar-lhe um “boa tarde” era saliva gasta em excesso. Claro que o primeiro nos foi indicado por quem sabia diferenciar o trigo do joio. Quanto ao joio, conseguiu nunca ver aquilo que mesmo eu – gajo de História, logo com certa diminuição mental de acordo com a escala dos créditos académicos correntes – conseguia ver e lhe tinha sido assinalado pelo colega num exame anterior.

Se me queixei dele? Não, porque tudo acabou por se resolver sem necessidade da sua intervenção e também porque é certo e sabido que alguns dos maiores incompetentes são aqueles que mais protegidos são pelas mecanismos efectivamente “corporativos”, arrastando-se as coisas até aparecerem nas televisões.

Voltando ao que interessa: era bom que o senhor bastonário da Ordem dos Médicos (o tal que tanto apareceu a criticar os enfermeiros) arrumasse a sua própria casa e não andasse tanto aos ziguezagues; no caso da imprensa “respeitável” talvez fosse interessante não saltar para a caravana só depois dos “tablóides” martelarem os assuntos à exaustão.

Shame

(para mim, a Medicina é a mais nobre profissão de todas, pois lida com a vida e com o combate à doença e morte, mas isso não significa que todos os que a exercem mereçam vénias e mesuras à sua passagem quando dela fazem mero negócio)

E Podemos Esperar Deitados

Eu não diria que a indisciplina é “o” cancro escolar, até porque deriva de outras causas externas que metastizaram, mas o Alberto Veronesi tem toda a razão ao afirmar que “não há ninguém, nem social, nem politicamente que se solidarize com a causa e tome medidas para a erradicar das escolas!” E poderia acrescentar, sem receio de falhar muito, que cada vez é menor o apoio ou a solidariedade de proximidade.

Porque temos uma esquerda maioritariamente marcada por uma ideologia desresponsabilizadora e contemporizadora com o que acham ser “natural” ou, melhor ainda, “rebeldia” justificável contra a “Autoridade”. Há os mais velhos que, antes de irem estudar para boas universidades estrangeiras, ficaram traumatizados com a escola primária ou o Liceu e há os mais novos que já cresceram num certo clima de condescendência com a bandalheira e confundem isso com “liberdade”.

E porque temos uma direita que até se afirma muito disciplinadora mas que quando chega ao poder está mais interessada em redistribuir as fatias do orçamento para os grupos de interesses amigos e rapidamente esquecem outras promessas (caso notório de Crato, por exemplo, cuja prática nesta matéria negou em quase tudo o que afirmara publicamente anos a fio).

A indisciplina não pode ser erradicada por completo das escolas? Concordo, haverá sempre algo que assim pode ser classificado, mas pode ser prevenida ou tratada de uma forma muito mais eficaz do que com abordagens sociológicas confusas na fundamentação, psicologizantes de terceira categoria e politicamente embaraçadas com o facto de, afinal, todos serem “centenos” e ficar para a escola a missão de aplainar desigualdades que a estrutura económica não consegue reduzir (e nem quer) e o mercado laboral aumenta com a desregulação dos horários e precariedade dos vínculos contratuais.

A indisciplina – não apenas na sala de aula dirigida aos docentes, mas também aos colegas e ao próprio espaço escolar – não é uma inevitabilidade. Mas quase se torna assim quando quem tem o poder para alterar as coisas prefere embarcar nas fotos da moda e em teorizações “afectivas” de que ouviram falar, lhes parecem bem, mas seriam incapazes de fundamentar num debate a sério. Ou pior, quando quem tem esse poder de proximidade tem como primeira preocupação culpar @s professor@s (que só consideram ainda colegas, de forma oportunista e hipócrita em ocasiões seleccionadas) por quase tudo o que acontece de menos positivo, pois eles é que são “os adultos”. Talvez se tirassem o rabo do cadeirão e fossem dar uma aulinhas numa escola em que não soubessem do seu cargo talvez tivessem desagradáveis surpresas e mudassem logo a “perspectiva”.

manguito

Desconfiai…

… de quem andou meses a dizer-nos que a maioria absoluta estava ao virar da esquina e numa semana a afastam por completo do horizonte. O caso de Tancos não teve assim tanto impacto, pelo que ou antes estavam a tentar criar um efeito de bola de neve no sentido de levar cada vez mais gente a saltar para o comboio vencedor e agora travaram ou então estão a tentar atemorizar algum eleitorado que não queira ver o PS a governar com o apoio de quem teve todo um mandato para perceber que, mesmo com 10% do eleitorado, se limitou às migalhas. Seja como for, mesmo num país em que isso é quase uma especialidade, é de desconfiar de tão rápida mudança de casaca.

Seja como for, uma não maioria absoluta, depois de tudo o que assistimos ao longo do tempo, será sempre um ganho.

sinal