Sábado

Lamento repetir-me, mas cansa-me muito ver e ler as “lideranças” a falar muito em “trabalho colaborativo” quando do que se trata é dos outros fazerem o que el@s querem que se faça. Vem isto a propósito, mais uma vez, de “líderes” que se mostram muito nas redes sociais a apelar ou a pugnar pelo “espírito de equipa”, com apresentações modernaças e coisas assim, tipo slogans de gente conhecida, mas que têm da sua prática uma perspectiva muito peculiar e diferente da que aprendi quando as palavras tinham alguma substância e não eram apenas floreios.

Lá está, prefiro muitas vezes certas solidões do que determinadas companhias. Ao menos, quando falha alguma coisa, não vou logo culpar o seferovic.

Para Uma Colecção De Cromos Iluminados

Julho de 2019:

“Temos professores a mais, infelizmente”. Rio defende o “redimensionar” da administração pública

Na mesma altura, Isabel Flores (especialista, claro, daquelas que tem feito muitos estudos, bem próxima de notáveis ex-governantes, com bastante mercado em fundações e posição destacada no ISCTE):

Plano de Emergência: no futuro não teremos professores. A sério?

Mentir com números é fácil, mas sem eles é muito mais fácil. Desmontemos então a ideia de urgência por falta de professores.

E para além de serem muitos, eram maus, escrevia o especialista instantâneo e alegado “investigador” Homem Cristo, que uns anos depois, de forma oportunista, afirmava ter sido incompreendido.

São muitos anos a aturar m@rd@s destas, pázinhos!

A Teoria Da Relatividade Factual

Setembro de 2012:

Crato diz que há professores a mais e que “redução é inevitável”

Novembro de 2021:

Falta de professores é um “drama anunciado há muito tempo”, diz Nuno Crato

Ó faxavor, pode definir o que entende por “muito tempo”?

E lembram-se de todos aqueles que repetiram o estribilho dos “professores a mais”? Por onde andam agora e a dizer o quê? Eu lembro-me bem das discussões que tive na altura. E com quem. Mas isso agora não interessa nada, certo? Com jeitinho, ainda se paga aos que criaram o problema para o estudarem e fazerem propostas de solução. Como aqueles que acham que sabem como seleccionar os “melhores” e evitar a entrada de uns 15% de maus. Estaremos agora em condições de fazer as escolhas mais adequadas? Ou damos carta branca às escolas para recrutar quem aparecer?

É Inevitável A Estranheza…

… quando “democratas” que defendem eleições para o país, depois não as querem nas suas agremiações. O mesmo se aplica a outros “democratas” que acham que o sistema só pode ou deve funcionar de 4 em 4 anos, quando são eles a estar no poder.

Santana, não voltes só à Figueira, que estás perdoado.

Já Que Estou Em Maré De Irritações…

… o que dizer daquelas pessoas que não se suportando e dizendo pior umas das outras, mal as apanham pelas costas e fora do alcance dos ouvidos, quando se encontram assim de frente desatam em grandes cumprimentos, beijinhos e estrídulos “querida”, “querido” ou outras variações açucaradas com vinagre. Dizem que é pelo bem das aparências e convivências. eu chamo-lhe outra coisa. E não consigo praticar. Se por acaso é motivo de trabalho, ok, suporta-se o tempo a que a obrigação obriga. Mas não havendo motivo, que meta as queriduchiches lá para bem longe de mim, do sovaco ao dedo grande do pé do judas. E ganhem um pouco de vergonha na cara que já têm idade para isso.

Nem sei porque será que me lembro disto à aproximação da 2ª feira.

Domingo

Não é extrema novidade desconfiar de quem, partir de fora, tece loas aos professores. Há casos singulares de sinceridade mas, em regra, quando alguém começa, assim de repente, a elogiar os professores tem um de dois objectivos: a) conseguir o seu apoio para chegar ou manter-se no poder e, então, limitar os direitos profissionais e laborais da classe docente; b) vender-lhe qualquer coisa como se lhe fosse muito útil para o seu desenvolvimento profissional (formações, guias de boas práticas, manuais).

Temos o azar de ultimamente termos quem acumula .os dois tipos de objectivos.

(o Crato elogiava, mas nada fazia de positivo, a “reitora” não elogiava e ainda destratava, portanto…)

5ª Feira

É interessante a forma como são tratados de forma diferente certos assuntos conforme a posição de alguns partidos em relação às migalhas do orçamento. Anos a clamar demissões ao mais pequeno pretexto e depois, desde 2015, já se abstém em quase tudo, de modo a evitar audições parlamentares perfeitamente razoáveis.

Mas como diz (mesmo no fim da notícia) quem assim faz, não é coisa que me espante por aí além.

Sábado

Correndo o risco de ficar quase monotemático, volto ao tema da hipocrisia dos que, na prática, dizem muito mal duma coisa, até ela lhes dar alguma forma de alimento, nem que seja simbólico. Um dos casos é o da gestão escolar… ai, ai, ai que é má, que não é assim, que devemos lutar contra ela, a menos que eu possa ir para director@ ou ser escolhido para sub, adjunto ou qualquer outro tipo de penduricalho do sistema. Justificação? A pessoa diz que com ela tudo vai ser mais justo e que agora é que não haverá discriminações e iniquidades. Pois, pois… é só chegar a vez de alguém que lhe caia do lado errado do goto. A cooptação é, em muitos casos, a estratégia mais eficaz de esterilização “química”.

O mesmo com a add, contra cujo modelo muita gente ainda se afirma contra (pois, porque uma parte já razoável, virou a casaca e adoptou o discurso do “mérito”… dos outros, que o próprio escasseia bastante), até ter a possibilidade de demonstrar que, podendo ajudar colegas a fugir ao garrote, hesita e começa a andar em círculos, alegando que não sei o quê, depois é “injusto” com os outros que não reclamaram ou recorreram. Tivessem reclamado ou recorrido. Não tivessem medo de ficar com as piores e/ou maiores turmas da escola, entrar para o ano às 8 e sair às 18 ou ter horários com 6 horas de buracos como já vi em alguns casos de quem não baixou a cabeça aos abusos. Sim, porque não há kapo mais eficaz do que aquele que diz que até é contra e que só com ele é que o gás cheira a rosas primaveris.

(e nem cheguei a falar daqueles professores autarcas, com ou sem pelouro, que se dizem contra a municipalização… até vermos o que efectivamente não fazem a esse respeito… ou daqueles partidos que em vez de fazerem propostas de lei, fazem inúteis propostas de resolução,,,)

5ª Feira

Muita gente chocada com a “fuga” de João Rendeiro. Mas ele não fugiu agora, nem este foi o primeiro processo em que ele foi condenado. Nem é o primeiro a saber a tempo quando se colocar na alheta. Porque há por aí muitas solidariedades subterrâneas e ele é mais um daqueles que, em devido tempo, “investiu” bastante na sua imagem. Há por aí muitos artigos e até livros a prová-lo para além de qualquer dúvida razoável. E até me lembro de bons elogios de “senadores” que devem subscrever a tese da “legítima defesa”.