Pastiche #2

E eis que, no ano em que se tornam mais absurdos, nos aparecem os exames. Se acha que refletem uma avaliação clara da qualidade da escola, desengane-se.

Os exames são o resultado de uma lista ordenada de perguntas feitas por um grupo de professores que não conhece os alunos. Ponto. É mesmo só isto.

(…)

Avaliar os alunos e o seu desempenho é muito mais do que ordenar um ficheiro Excel por ordem descendente de resultados.

Frade

(um tipo que se afirma contra rankings com base em exames e que os critica, está há cinco anos no governo e mantém as coisas na mesma, mesmo num ano de pandemia? e tem a lata de escrever sobre os alunos que “não [é] ma centésima o que lhe dará asas para chegar mais longe”?)

(eu defendo os exames como mecanismo necessário de regulação externa das avaliações internas e, apesar disso, acho que este ano a sua realização é um erro desnecessário…)

Quem Terá Disponibilizado Os Dados E Com Embargo Até Ao Dia Seguinte Ao Novo Final Do Ano Lectivo?

Ao que parece, atendendo à extrema desafeição que lhes dedica, foi tudo contra a vontade do secretário Costa.

E eis que, no ano em que se tornam mais absurdos, nos aparecem os rankings. Se acha que refletem uma avaliação clara da qualidade da escola, desengane-se.

Os rankings não surgiram do nada. Há perto de 20 anos surgem quando o ME fornece os dados aos órgãos de comunicação social e é estabelecida uma data (pelo ME) para a sua divulgação.

O resto da prosa? Sim, seduz muitas sensibilidades, mas seria giro que fizessem umas perguntas difíceis a quem assim escreve, tão levemente, sobre o aspecto redutor dos rankings e o dos resultados dos alunos em exames mas que, “no ano em que se tornam mais absurdos, nos aparecem” de novos esses mesmos exames que dão origem a todo o mal agora denunciado.

Tanta pomba assassinada, mas nada de novo se fez quanto ao modelo dos exames (com que eu concordo em tempos normais) que certas pessoas criticam, mas deixam passar uma “oportunidade” de alterar.

Estranhamente, há quem vá dar a cara contra os exames “no ano em que se tornam mais absurdos”. E não vai ser o secretário Costa.

janus

Dúvida Jacobina

Porque será que tantos representantes, moderadamente jovens, de uma certa “Direita” que afirma valores como a Família acima de quase tudo, parecem tão incomodados quando têm de a suportar 24/7 durante umas semanas de confinamento?

Quem ler os lamentos de pessoal como o Henrique Raposo até pode pensar que ele é um desgraçadinho, sem meios para trabalhar em casa ou em lay off de uma qualquer empresa de venda a retalho, em vez de ser um “rabo sentado” bem instalado no sistema da avença mediática. Está a falar em nome da “sua” geração e não a nível pessoal?

Sim, claro… é mesmo isso.

Em especial quando diz que esta forma de ser pai não é feita em liberdade, nem como escolha. Mas ele, durante o acto sagrado da procriação, estava a pensar nas horas em que o fruto da sua semente iria ficar todos os dias úteis na creche ou escola?

malandro

Tem A Sua Graça

Pessoal incomodado por ver publicados documentos sem identificação de autoria ou sequer de que escola são, mas nada preocupado em recorrer a aplicações e redes sociais para formar grupos sem qualquer incómodo com as regras do RPGD (ou do bom senso), achando que podem ser desenvolvidas todas e quaisquer práticas de “partilha”. Sem sequer se interrogar se a idade dos alunos choca frontalmente com o recurso a certas “ferramentas” que ainda há pouco se vilipendiavam. Pessoal muito preocupado com uns despachos e umas portarias e nada com outr@s, incluindo leis e decretos. Se há coisa que não há entre nós é “pânico moral” como diz o outro do post mais abaixo, existe é uma evidente “crise moral” e ética (nem vale a pena falar da imensa hipocrisia) e não é de agora, Porque há quem, após provar o seu “poderzinho”, tende logo a ficar apanhado pela volúpia que ele transmite ao nível do “poder de mando”.

Napoleão Minion

 

3ª Feira

Apesar das “naturais” excepções relativizadoras e contextualizadoras (como as que gostam de “contextualizar” fenómenos como o bullying) , há um coro imenso de repúdio nos comentadores mediáticos pelo racismo e por tudo o que de mal existe na nossa sociedade e acham que não se deve analisar a coisa pelo prisma da cor da camisola. Muitos destes comentadores não se incomodam, contudo, em enveredar pela pós-verdade quando comentam assuntos de natureza política. nesse caso, a cor da camisola já importa.

fio-de-prumo

 

A Coutada Dos Venturas

É a dos que, perante a situação que envolveu o Marega, vão buscar o Mantorras e idas às Antas e o comportamento dos Super Dragões em tantos episódios lamentáveis. Que, por o serem, não desculpam em nada o que se passou em Guimarães. Quando um problema destes é discutido seguindo trincheiras de Benfica/Porto, percebe-se que os “princípios” não valem nada e a coerência é uma bola de sabão.

VenturaVenturaVenturaVentura

A grande vantagem do Marega em relação a todos os que no passado preferiram fingir ou aguentar é que não ouviu e calou. Não me interessa se é do Porto, se festejou muito o golo ou se isto ou aquilo. Fez bem em abandonar o campo e do modo que o fez.

Quanto àquele governante com cara de copinho de leite que aparece nestas alturas a prometer muita coisa e a dizer banalidades, não vale, em acções, o que custa ao erário público. Se é para poupar, poupe-se em redundâncias governamentais. Basta ver o gabinete… motoristas são três, com habilitações entre o 6º e o 12º ano de escolaridade, todos a ganhar mais do que um professor no 5º escalão.

(e para que conste, os gritos de “Alcochete Sempre” são próprios de um culto de violência e não de qualquer amor clubístico ou de prazer no desporto, para além de serem um escape para frustrações e malformações individuais que, no rebanho do grupo, podem parecer mais despercebidas)

3ª Feira

Sou favorável à despenalização da eutanásia, mas também sou favorável ao referendo. Até porque se formalizaria o que, em tantos casos, acontece de facto,na sombra da ilegalidade.

Que  PS quer aprovar a medida sem a ter no programa eleitoral (tal como a recuperação de tempo de serviço dos professores ou o IVA da luz) e agora a quer aprovar é apenas um detalhe na hipocrisia geral em que vivemos.

janus

(também foi giro ouvir o deputado Pureza do Bloco insurgir-se contra petições nestas matérias, quando ele promoveu uma, ou criticar o recurso à democracia directa, como se isso fosse uma horrível prática esquerdista)

Sociologia Superficial Do “Mau Ambiente Vivido Nas Escolas”

Há teses que, de forma recorrente, voltam à baila por falta de melhores pensamentos. A guerra velhos/novos, em especial quando quase não há novos é ridícula. Até porque mesmo alguns de meia idade estão mais velhos do que os velhos e os velhos são por vezes bem mais jovens do que os mais novos. Há uns anos levei o José Ruy (já na altura com mais de 80 anos) a fazer uma palestra sobre BD à miudagem de 10 anos e acreditem que há quem, com 30, 40 ou 50 tenha muito menos capacidade comunicativa e pedagógica.

Uma tese, com algum fundamento, mas que dificilmente se pode considerar que é apenas agora que acontece, é que a ADD está a contaminar as relações no interior das escolas, agora que o descongelamento começou a revelar as injustiças do “modelo”. Sim, tem o tal fundamento, mas se só agora deram por isso, onde andam desde 2008?

Temos ainda a questão da “inovação” da “flexibilidade” e da capacidade de uns se adaptarem ao que se diz serem as “pedagogias do século XXI” e os mais resistentes à coisa de alinharem com as prédicas do SE Costa e seus clones que por aí andam. Nas últimas semanas ouvi pelo menos duas prelecções (uma feminina, outra masculina) que parecem decalcadas do mesmo molde e que, no fundo, contribuem para azedar os espíritos, ao exigirem sempre mais dando em troca apenas umas palmadinhas nas costas. Sim, esse tipo de discurso, quando replicado nas escolas e sustentado em práticas de certa forma “clientelares” tem criado divisões perfeitamente desnecessárias, pois em muitas situações apenas temos quem opta por não fazer marketing do que é rotina há décadas.

Pessoalmente, acho que tudo desajuda, mais os reposicionamentos e ultrapassagens diversas, mas que o que acaba por envolver todos estes factores que, por si só, seriam insuficientes para o tal “mau ambiente” é um modelo de gestão que deixa a maior parte dos professores a sentir-se excluídos dos processos de decisão, mesmo quando é feita uma espécie de encenação de “participação”.

Quando comecei a dar aulas tive a sorte de não calhar em escolas “históricas”, daquelas em que certos “cadeirões” nas salas de professores tinham titulares reservados e em que havia “professor@s” e os “outros”, leia-se, efectivos de velha cepa e contratados em trânsito. Em que quem mandava eram pequenas cliques, podendo eventualmente existir alguma rotatividade, até porque existiram eleições a partir do 25 de Abril de 1974 e eu já cheguei bem depois disso à docência.

O que me custa é perceber que agora começam a avolumar-se os velhos “cadeirões” e que começam a enquistar-se feudos e coutos pelas escolas, em que alguns decidem por muitos e os mecanismos de “trabalho colaborativo” não passam de colocar uma correia de transmissão a fazer mover uma engrenagem de sentido único, em que se cristalizam clientelas.

Mas fala-se muito em “cidadania”, em “flexibilidade”, em “autonomia”. Mas pratica-se muito pouco uma verdadeira responsabilização e muito menos a confiança. E quanto aos “cadeirões” há uns que parecem tronos. E, isso sim, envenena qualquer ambiente em que uns passaram a ser ímpares porque deixámos de ser pares.

O resto são amendoins.

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A Verdadeira Pele Do PAN

Pelos vistos, são já um partido orçamentalmente responsável e profundamente demagógico em termos de argumentação seguidista.

O PAN não vai viabilizar as propostas de alteração ao Orçamento do Estado para este ano com vista à descida do IVA da eletricidade, por considerar que é uma medida “economicamente irresponsável” e “ambientalmente pouco aceitável”.

Já quanto ao tema seguinte, parece que nada têm a dizer.

Socialistas criam dupla taxa para cães e gatos

Conheço pessoalmente várias eleitoras do PAN, mas sei que será inútil perguntrar-lhes seja o que for sobre isto.

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Este Mês no JL/Educação

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Um excerto:

As proclamações sobre a imensa importância de recrutar os “melhores professores” são feitas pelas mesmas pessoas que foram responsáveis por medidas objectivas que levaram a afastar dos cursos de formação de professores de aqueles que viram a carreira docente ser desqualificada publicamente e proletarizada materialmente. Publicam-se notícias sobre o facto de tais cursos serem frequentados por alunos com algumas das médias mais baixas de acesso à Universidade, mas raramente se tem a coragem de ir mais longe e fazer as perguntas certas sobre a origem desse fenómeno e de questionar se o actual modelo não está errado por outras razões que não as que são lançadas para consumo público.

Estou convicto que os responsáveis políticos não têm qualquer interesse em terem nas escolas os melhores professores, mas sim os professores que façam tudo o que lhes é exigido pelo custo mais baixo e sem especiais contestações. Entre um excelente professor no trabalho com os alunos, mas consciente do seu valor enquanto profissional qualificado e contestatário dos seus direitos e um professor razoável, mas obediente e respeitador das hierarquias, a generalidade das “lideranças” prefere o segundo. Porque se mostrará mais “flexível” para integrar o “projecto” e trabalhar “em equipa”.