Domingo

Não é extrema novidade desconfiar de quem, partir de fora, tece loas aos professores. Há casos singulares de sinceridade mas, em regra, quando alguém começa, assim de repente, a elogiar os professores tem um de dois objectivos: a) conseguir o seu apoio para chegar ou manter-se no poder e, então, limitar os direitos profissionais e laborais da classe docente; b) vender-lhe qualquer coisa como se lhe fosse muito útil para o seu desenvolvimento profissional (formações, guias de boas práticas, manuais).

Temos o azar de ultimamente termos quem acumula .os dois tipos de objectivos.

(o Crato elogiava, mas nada fazia de positivo, a “reitora” não elogiava e ainda destratava, portanto…)

5ª Feira

É interessante a forma como são tratados de forma diferente certos assuntos conforme a posição de alguns partidos em relação às migalhas do orçamento. Anos a clamar demissões ao mais pequeno pretexto e depois, desde 2015, já se abstém em quase tudo, de modo a evitar audições parlamentares perfeitamente razoáveis.

Mas como diz (mesmo no fim da notícia) quem assim faz, não é coisa que me espante por aí além.

Sábado

Correndo o risco de ficar quase monotemático, volto ao tema da hipocrisia dos que, na prática, dizem muito mal duma coisa, até ela lhes dar alguma forma de alimento, nem que seja simbólico. Um dos casos é o da gestão escolar… ai, ai, ai que é má, que não é assim, que devemos lutar contra ela, a menos que eu possa ir para director@ ou ser escolhido para sub, adjunto ou qualquer outro tipo de penduricalho do sistema. Justificação? A pessoa diz que com ela tudo vai ser mais justo e que agora é que não haverá discriminações e iniquidades. Pois, pois… é só chegar a vez de alguém que lhe caia do lado errado do goto. A cooptação é, em muitos casos, a estratégia mais eficaz de esterilização “química”.

O mesmo com a add, contra cujo modelo muita gente ainda se afirma contra (pois, porque uma parte já razoável, virou a casaca e adoptou o discurso do “mérito”… dos outros, que o próprio escasseia bastante), até ter a possibilidade de demonstrar que, podendo ajudar colegas a fugir ao garrote, hesita e começa a andar em círculos, alegando que não sei o quê, depois é “injusto” com os outros que não reclamaram ou recorreram. Tivessem reclamado ou recorrido. Não tivessem medo de ficar com as piores e/ou maiores turmas da escola, entrar para o ano às 8 e sair às 18 ou ter horários com 6 horas de buracos como já vi em alguns casos de quem não baixou a cabeça aos abusos. Sim, porque não há kapo mais eficaz do que aquele que diz que até é contra e que só com ele é que o gás cheira a rosas primaveris.

(e nem cheguei a falar daqueles professores autarcas, com ou sem pelouro, que se dizem contra a municipalização… até vermos o que efectivamente não fazem a esse respeito… ou daqueles partidos que em vez de fazerem propostas de lei, fazem inúteis propostas de resolução,,,)

5ª Feira

Muita gente chocada com a “fuga” de João Rendeiro. Mas ele não fugiu agora, nem este foi o primeiro processo em que ele foi condenado. Nem é o primeiro a saber a tempo quando se colocar na alheta. Porque há por aí muitas solidariedades subterrâneas e ele é mais um daqueles que, em devido tempo, “investiu” bastante na sua imagem. Há por aí muitos artigos e até livros a prová-lo para além de qualquer dúvida razoável. E até me lembro de bons elogios de “senadores” que devem subscrever a tese da “legítima defesa”.

Há Muito Pouca Esperança De Mudanças Significativas…

… em qualquer situação, quando boa parte dos potenciais interessados optam (ou se deixam seduzir) pelas micro-causas com ganhos pessoais, perdendo de vista o que pode ser significativo para uma larga maioria. Quando disfarçam o seu interesse particular em algo que apresentam como de interesse geral. Aquilo do “dividir para reinar” transformou-se no “dividir para me desenrascar”. a coerência é atirada para qualquer lado e aceita-se ser parte activa de uma engrenagem que até há pouco se considerava e malévola. Estes últimos 3-4 anos têm sido muito férteis no vira-casaquismo, mas uma versão que se tenta disfarçar com muito barulho justificativo e lançamento de pseudo-lutas ao lado, para ver se ninguém dá muito por isso. Claro que as criaturas (e grupos) têm nome, quem estiver atento percebe bem certos desaparecimentos e reaparecimentos estratégicos. Claro que só os burros não mudam de posição. Mas há malabarismos com proezas e malabarismos encarpados em torno dos 180 graus que a minha compleição e uma certa rigidez nas vértebras não permite. Já bebo bastante água, tenho de passar para as cápsulas de cartilagem de tubarão e colagénio. E botox pró sorriso social.

Só Ao Vírus Da Temporada?

Porque há por aí outras pandemias bem maradas. Não tanto físicas, digamos que mais “espirituais”…

Professores vão ser testados à covid-19 antes do início do ano letivo

Entretanto, já comecei uma pequeno trabalho, não digo de limpeza de opiniões contrárias, mas mais de parvoíce pura e dura disfarçada de defesa trôpega das “liberdades”. Sobre tanta outra coisa, não lhes leio ou vejo fazer nada, mas ai, credosssss, a máscara faz-me mal e a pica é uma conspiração global das farmacêuticas e tal… e muita desta gente é daquela que quando lhes falam de alguma coisa relacionada com os grupos de Bildeberg ou Davos ou sobre a forma como os princípios do neoliberalismo no sentido de uma Economia Low Cost desregulada limitam materialmente a liberdade individual e colectiva, começam logo a espernear que é tudo paranóia. Há pouca coisa mais perversamente divertida do que ver estirpes de relativistas de ocasião, cheguistas e trumpistas, a defender as “liberdades cívicas” que querem limitar a grandes parcelas da população.

Não @s mando tratarem-se, porque já sei que não querem.

A Hipocrisia Dos Falsos Mártires

Nunca fui sócio da Associação dos Professores de História, mesmo quando colaborei com textos para o seu site há uns bons anos. Não sei se de acordo com certas “lógicas” poderei criticar a enorme hipocrisia da actual direcção da APH em relação à “situação do ensino da História”. Mas é disso que se trata. Houve quem colaborasse de forma activa e empenhada, até subscrevendo abaixo-assinados próprios de vassalos, na altura em que acharam que a flexibilidade curricular estava em risco, com o estraçalhamento do ensino da História no Ensino Básico. Agora, dizem que desde 2018 que não sei o quê, não sei que mais. É tudo treta. Houve quem estivesse mais preocupado em arranjar contratos para fazer manuais, com o “crédito” de estar no inner circle das AE (que são uma aberração, desde o 7º ano, uma verdadeira destruição de qualquer possibilidade de compreensão histórica em diacronia ou sincronia). Desde 2017 (e antes) houve quem tivesse avisado para o que já se estava a passar. Mas nem se dignaram responder, mesmo quando pediam para divulgar as suas posições, ou deram respostas públicas de arrogância imensa.

O ensino da História no Ensino Básico está reduzido a fatias de 90 minutos semanais (ou 2×50) em grande número das escolas, para dar espaço à disciplina dilecta de um governante. Consta que o “pai” da disciplina prometeu coisas à APH e não cumpriu.

Em Julho de 2017, foi-me reencaminhado o seguinte mail:

Caros associados:

Em audiência concedida à APH e à APG no dia 17 de julho pelo Sr. Secretário de Estado, João Miguel Marques da Costa, foi-nos confirmado que o tempo máximo semanal estipulado para a lecionação da nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento é de vinte e cinco minutos. Ambas as associações solicitaram ao Sr. Secretário de Estado para que se proceda a uma retificação do despacho 5908/2017, colocando-se aí, de forma explícita, essa informação, de forma a não dar origem a interpretações menos corretas por parte das escolas, nomeadamente retirando tempos de lecionação à disciplina de HGP ou de História

A direção da APH

A verdade é que depois do apoio acrítico a boa parte das políticas do SE Costa nos primeiros anos do mandato anterior, alguém na APH abriu os olhos. Abriu tarde. E não abriu mais cedo porque não quis. As razões porque não quis escapam-me e não quero entrar em grandes teorizações acerca disso. A ver vamos se percebem que a História está a ir pelo caminho da Filosofia, sendo ambas consideradas algo anacrónicas para os “modernizadores do currículo”. Se os representantes dos professores de algumas disciplinas, em especial na área das Humanidades, se preocupam mais com outras questões do que em defender o ensino dessas disciplinas e dos respectivos professores não venham depois carpir mágoas.

Há muita gente boa na APH e nos corpos sociais tenho várias pessoas amigas. Lamento.

Agora Já Quase Ninguém O Conhece

Levaram anos nas televisões e jornais a elogiar-lhe a obra, pois nada como ter deputados, (ex) governantes, autarcas e mesmo juízes ou futuros czares das comemorações de Abril como comentadores desportivos. Outros a pedir-lhe bilhetes e lugares vip. Pelos vistos, confirma-se que a nossa elite política é dos grupo mais mal informados da população.

A Vidinha, Acima De Tudo

O pragmatismo da real life é muito parecido ao que ficou conhecido como real politik. Os princípios cedem quando os interesses são por demais tentadores. Não adianta muito criticar a falta de coerência em termos de política (inter)nacional, entre o que se proclama e o que se pratica, quando à micro-escala se faz o mesmo ou equivalente. Fica para os anais da minha memória (mas com suporte documental) aquela declaração de um grande “lutador” (que chegou a candidato a líder do spgl) contra a add que, mal surgiu a oportunidade, se tornou avaliador e declarou ao Expresso que o tinha aceite por mais valia ser ele do que outra pessoa a desempenhar a função. O mesmo se pode dizer de quem, declarando-se acérrimo crítico deste ou aquele aspecto das políticas educativas em vigor, mal pode, aceita logo posição ou cargo na estrutura hierárquica de que tanto se criticaram os vícios. E não estou ainda a pensar no ex-contratado que foi para a dgae, porque dela até já saiu, mas de quem muito grita, mas rapidamente se “adapta” de acordo com a lógica do antes eu do que outr@. E que se lixe a tão amada democracia se a nomeação até dá jeito e é o único caminho para satisfazer esta ou aquela ambição.

E quem quiser que enfie a carapuça, que ela nem sequer está escondida. Já sei que vou para o Inferno, ao menos que vá de papo meio cheio e com alguma justificação.

(não, nem sequer esotu a falar da add, repito…)