Os Meus Discutem No 9º Ano

Até porque faz parte do programa e numa escola com muitos alunos dos PALOP os ajuda a perceberem muitas coisas. Mas eu não tenho traumas de esquerda ou direita em relação a um tema da História. E claro que me espanto por alguém afirmar que é preciso criar uma disciplina nova para que o tema seja tratado.

Alunos do 12.º ano vão passar a discutir a Guerra Colonial

WTF1

(e, sim, as apresentações que uso têm algumas fotos menos fofinhas de algumas atrocidades… a duas cores…)

A APH Lá Conseguiu, Aparentemente, Uma Recompensa…

… pelo seu bom comportamento e fidelidade ao SE Costa na causa da flexibilidade curricular. Escrevo, “aparentemente” porque pode sempre acontecer como com a Cidadania e Desenvolvimento e ir parar a quem calhar.

Os alunos do 12.º ano poderão ter uma nova disciplina no próximo ano letivo que aborda a história contemporânea e pretende que os estudantes consigam interpretar o presente e agir de forma critica e reflexiva.

Chama-se “História, Culturas e Democracia” e destina-se aos alunos de todos os cursos do ensino secundário, segundo informação disponibilizada no ‘site’ da Direção-Geral de Educação (DGE).

Em si, a disciplina nem se justifica(ria) se durante os restantes anos a História tivesse a carga horária que permitisse abordar todas estas questões sem ser no final do decurso. É pena que o currículo seja definido assim, aos remendos, conforme as pressões e queixas, por justas que sejam.

(e há que ter admiração por quem introduz sempre estas belas modificações mesmo a tempo de alguns escaparem… e ficarem os outros com as favas…)

Porque Será…

… que num livro onde até se afirma que a História e a memória são importantes para as aprendizagens e para tudo aquilo que fica bem proclamar (mas nem sempre praticar) se apague por completo a experiência da Gestão Flexível do Currículo quando se aborda a questão da flexibilidade curricular? Será esquecimento (é verdade que nem toda a gente passou por ela) ou incómodo em admitir que nada está a ser inventado de novo e que, na altura realmente na viragem para o século XXI, a experiência falhou? Mas não interessa analisar (criticamente, claro) as razões… ou sequer relembrar o passado…

una-memoria-colectiva

(sim, já li quase todo o livro dos JC’s, mas estou a dar um espaço para respirar antes de ir às partes mais demagógicas…)

O Que Me Interessa Muito…

… é detectar os nacos de hipocrisia de quem ao sair, quer dar a entender que não disse e fez uma série de coisas que efectivamente fez e disse, ao contrário do que agora escreve, recorrendo a malabarismos, truncagens e silogismos diversos. É por isso que ler um confuso elogio dos conhecimentos de história (assim, escrita à moderna com minúscula) dos alunos (pp. 28-32 do livro de que o actual SE Costa é co-autor) me bate mal, quando confronto essas páginas com declarações públicas produzidas há menos de três anos já quando era governante.

O currículo foi sendo vítima do empilhamento de conteúdos. Nas últimas duas décadas nunca se produziu tanto conhecimento e a escola foi absorvendo. A disciplina História é exemplo disso, passam dez, quinze anos e lá vem mais um capítulo para o programa de História. São conteúdos sem fim que não dá para fazer mais do que despejar e esquecer no dia a seguir, descartando o conhecimento”.

Mas depois escreve-se, pelo meio de alguma verborreia de trabalho breve para a cadeira de Teoria da História de curso bolonhês, o seguinte (p. 31, mas podia ter usado outra passagem):

IMG_1916

Repare-se que eu não estou contra o que se escreve agora, mas sim contra o que se disse (que a cada 10-15 anos era preciso saber mais conteúdos de História recente)  e o que se fez antes, nomeadamente ao nível da salamização curricular da História, semestralizada em aprendizagens anedóticas que fazem lembrar aqueles livros para totós. Se a História progride em conhecimentos, a solução é reduzi-los ou ao tempo disponível para construir o “conhecimento histórico” que se elogia em 2019 depois de em 2016 se afirmar que era para esquecer no dia seguinte?

E temos todo um primeiro capítulo em que é possível encontrar este tipo de “desconformidades”, como o elogio das artes depois de se ter concretizado a total terraplanagem desta componente no currículo. Nos dois casos com o colaboracionismo, mais ou menos consciente, de certas organizações “académico-profissionais”.

Nem sempre o verbo pode apagar a práxis. As palavras são importantes, mas quando correspondem aos actos.

Por Itália

Parece que por cá (e não só) há gente espantada com o poder que a extrema-direita vai tendo no país onde surgiu o Fascismo (o original), onde depois da Segunda Guerra Mundial existiu uma operação clandestina com apoio internacional para manter a Democracia Cristã no poder durante décadas, se necessário com o envolvimento de uma milícia secreta com contornos neo-fascistas para afastar as pretensões da esquerda, onde o MSI foi legalizado logo em 1946 e apoiou diversas soluções governativas até aos anos 90 graças a votações entre os 2 e os 3 milhões de eleitores (sendo em 1992 eleita deputada Alessandra Mussolini, neta de Benito sem complexos em assumir a sua herança política), onde Berlusconi foi primeiro ministro por três vezes entre 1994 e 2011, com duas vitórias eleitorais já neste século e depois de tudo o que se sabia sobre ele.

Pelos vistos, nem foi preciso semestralizar a História, para muita gente ter apenas as lombadas do Círculo dos Leitores na estante da sala e não perceber nada do que nos rodeia ou como chegámos aqui. A perda da Memória tem coisas destas, surgem espantos quando apenas temos continuidade; pode ser uma continuidade infeliz, mas não deixa de o ser. banging-head-against-wall

(se calhar, acham que certos massacres feitos nos anos 30 e 40 – de judeus e não só – não foram feitos com a colaboração activa de muita gente de países exteriores ao “Eixo”, que com ele colaboraram de forma voluntária… da Checoslováquia à Ucrânia, não esquecendo a própria França, Holanda…)

32 Requisições Civis (1976-2019)

O balanço foi feito pelo DN na altura da 30ª requisição civil que recaiu sobre os enfermeiros (o Observador apenas retoma essa cronologia) . Acrescento as duas sobre os motoristas de matérias perigosas às contas.

Resumo por ano e primeiro-ministro:

  • 1976 – 1 (Mário Soares)
  • 1977 – 5 (Mário Soares)
  • 1978 – 1 (Mário Soares)
  • 1979 – 1 (Mota Pinto)
  • 1980 – 2 (Sá Carneiro)
  • 1981 – 1 (Pinto Balsemão)
  • 1982 – 1 (Pinto Balsemão)
  • 1983 – 1 (Pinto Balsemão)
  • 1986 – 1 (Cavaco Silva)
  • 1988 – 2 (Cavaco Silva)
  • 1989 – 1 (Cavaco Silva)
  • 1990 – 3 (Cavaco Silva)
  • 1992 – 1 (Cavaco Silva)
  • 1997 – 1 (António Guterres)
  • 1998 – 1 (António Guterres)
  • 2000 – 1 (António Guterres)
  • 2004 – 2 (Durão Barroso/Santana Lopes)
  • 2005 – 2 (José Sócrates)
  • 2014 – 1 (Passos Coelho)
  • 2019 – 3 (António Costa) 

Anos com mais requisições: 1976 (5), 1990 (3) e 2019 (3).

Por décadas:

  • 1976-1979: 8.
  • 1980-1989: 9
  • 1990-1999: 6
  • 2000-2009: 5
  • 2010-2019: 4

Primeiros ministros com mais requisições civis:

  • Cavaco Silva com 8 (em 10 anos),
  • Mário Soares com 7 (em 2 anos no seu primeiro mandato, nenhuma no segundo, no governo do Bloco Central)
  • António Costa com 3 (em 4 anos).

Partidos a liderar governos com mais requisições civis:

  • PSD com 16 em 22 anos;
  • PS com 15 em 21 anos;
  • Uma em governo de iniciativa presidencial.

Períodos mais longos sem requisições civis: 1993-1996, 2001-2003, 2006-2013, 2015-2018.

clio