Que Conversa Tão Pobrezinha

Mas sabe, senhor ministro, que quem põe em causa são os professores que disseram que não estavam satisfeitos e que querem que contem o tempo que esteve congelado.

Eu não acredito que algum professor não esteja contente com o facto de a carreira descongelar no dia 1 de janeiro.

Querem mais.

Essa é outra questão. Eu acredito que quem gosta de futebol, por exemplo, um portista ferrenho – imaginemos a vitória do Porto contra o Benfica -, fique contente ainda que não seja o campeonato. E não vai dizer que não vai ficar contente, porque isso implica logo uma coisa, é o jogo, o clássico, e vai ficar contente com esse clássico e com essa vitória. Se ganhar o Benfica, serão os benfiquistas ou se houver um empate ficarão todos. Isso não implica que na próxima etapa não tenham outras pretensões. Essa é uma outra etapa e é uma outra pretensão, isso é o que tem de ficar absolutamente claro e, com isto, não estou a desvirtuar, nem a desvalorizar, essa outra etapa e essa outra pretensão.

(já agora… e quem é do Sporting como eu? Pode ficar-se nas tintas para esta conversa de programa de 2ªa à noite com grunhos de fato?)

E depois aparecem as perguntas baldaiadas (eu traduzo… perguntas que são afirmações de preconceitos do entrevistador, pois nem sequer são interrogações, hã as que acabam em ponto final que até podia ser ponto de exclamação!) que é impossível não esperar.

Ainda gostava de voltar ao modelo de avaliação dos professores para lhe perguntar se, em sua opinião, ele é suficientemente bom, se pode ser melhorado ou se acha que os professores que avaliam alunos têm, no fundo, medo de serem avaliados?

(…)

Ela não é feita, basicamente, e sempre que um ministro tentou fazer correu-lhe mal: Maria de Lurdes Rodrigues, como ministra da Educação, teve problemas sérios com os professores quando tentou fazer a avaliação; o último ministro, no Governo PSD/CDS fez uma avaliação que foi praticamente boicotada. Isso significa que os professores têm uma avaliação para poderem progredir na carreira, mas que praticamente não é feita.

Para que conste… a afirmação sobre o que se passou com Nuno Crato é objectivamente falsa. Se alguém tentou boicotar a avaliação dos professores foi o próprio para apagar um fogo no início do seu mandato, cedendo à tentação de um novo simplex, sem coragem para acabar com um modelo errado e erguer um novo. Baldaia deve saber disso, se não sabe anda muito mal informado e deveria ser avaliado pela sua ignorância na preparação de entrevistas.

Pensando bem… ele já é avaliado pelos leitores que nos últimos anos  debandaram aos milhares do DN. Só que enquanto existir uma missão a cumprir, a avaliação é outra.

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Qual a Sensação de Ser Publicamente [pi-pi-pi-pi] Depois de Tanto Colaboracionismo?

Quanto ao ME já sabíamos que só lá está para aparecer quando se lembra de fazer prova de vida, o SE Costa para espalhar a palavra da pedagogia requentada (enquanto prepara a subida de degrau) e a SE Leitão para catrapilar o que se mexer.

A proposta de OE para 2018, apresentada pelo Governo, agrava fortemente a situação profissional dos docentes, tornando ainda mais fortes as razões que levaram a FENPROF a colocar ao Ministro da Educação a necessidade de uma reunião para amanhã, 16 de outubro, que, entretanto, foi por este rejeitada. Alega o ME, em ofício enviado à FENPROF ao início da noite de sexta-feira, 13, que a discussão do descongelamento das carreiras não é da sua responsabilidade e que só lhe compete negociar matérias de ordem setorial que não tenham incidência orçamental. Por essa razão, continua o Ministério da Educação, não agendará qualquer reunião sobre matéria remuneratória (referindo o gabinete do Ministro que supõe ser disso que se trata quando a FENPROF fala de descongelamento de carreiras!), concluindo que quando a FENPROF exige esta reunião está a tentar criar ruído.

Mas então pensam que já podem “criar ruído”? Quando tanto se esforçaram por colaborar em apagá-lo nestes dois anos? Portaram-se tão bem e agora dizem-lhes que as reuniões de que tanto gostam não servem para nada?

O camarada Mário parece não ter percebido – será assim tão ingénuo? – que andou a funcionar como muleta do poder que agora lhe dá um chuto no rabo e o manda calar. Teria a sua graça, se tudo isto não tivesse os professores como os grandes entalados da última década.

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O Delírio Tecno-Digital das Plataformas (Elevado a N)

O documento relativo à Estratégia TIC 2020 na Administração Pública é uma coisa com mais de 250 páginas (Estrategia TIC 2020 na AP_2017) que me faz lembrar o “velho” PTE socrático e não são escassos os pontos em comum e alguns dos protagonistas, a começar pela principal promotora do novo simplex.

Em nada me parece que vá reduzir o labirinto burocrático, apenas lhe colocando uma nova camada, brilhante até entrar em colapso por falta de meios para a sua manutenção nos sectores onde consiga funcionar em pleno (excepto no caso do Fisco).

Para a Educação (página 11), a estratégia essencial é a da submissão quase completa a plataformas informáticas centralizadas (e sabemos bem como funcionam sempre às mil maravilhas as que vamos conhecendo…) para maior eficácia financeira, a padronização dos processos e o reforço de todas as tendência da gestão escolar tal como as conhecemos e desgostamos (pelo menos uns quantos, porque há sempre cristãos-novos em conversão acelerada à “eficácia”).

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E os Contratos de Autonomia?

Cada rodada política tem o seu fetiche, o seu plano, a sua solução, a sua fórmula mágica. Este ano há 190 experiências-piloto “pafistas” (programas ou projectos de autonomia e flexibilidade); há 4 anos houve uma quantidade similar de contratos de autonomia. O arraial de propaganda em seu redor foi parecido. São “projectos” radicalmente diferentes? Nem por isso. A diferença é maior ao nível da conversa sobre as coisas, pois os objectivos eram semelhantes, apenas divergindo na tonalidade de alguns meios.

Pelas minhas bandas, fez-se o balanço de quatro anos de autonomia e apenas uma em trinta e duas medidas ficou por implementar (a que mais exigia uma participação activa e regular dos encarregados de educação) e só um dos indicadores de sucesso não foi ultrapassado.

No entanto, parece que a coisa está morta-defunta e não se fala na possibilidade de renovação do contrato, mesmo que com reformulação dos objectivos para novos patamares, porque a obrigação é sermos todos “paf”.

A mim isto não parece autonomia e muito menos flexibilidade. E muito menos estabilidade.

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Supervisão Pedagógica

Como durante estas férias/pausa não me fui ilustrar em viagens distantes, aproveitei para me encontrar, conviver e, claro  falar com amig@s e colegas que também têm esta interessante profissão sobre a maneira como na suas paragens de encara aquilo a que se designa como “supervisão pedagógica”.

A maioria concordou numa caracterização que tem os seguintes pontos fundamentais:

  • Definir critérios de avaliação (em conselho pedagógico, departamento, grupo disciplinar, conselho de turma) aparentemente muito completos, cheios de ponderações, alíneas e sub-alíneas.
  • Criar grelhas/tabelas para registo da avaliação feita em todos esses critérios, com uma nível de sofisticação de fazer inveja a muito maníaco da estatística.
  • Preencher afanosamente tais grelhas, não esquecendo nenhuma célula.
  • Mostrar essas grelhas aos “supervisores” designados (coordenadores de departamento, directores de turma, fiscalizadores oficiais de equipas de avaliação interna ou dos planos para o sucesso, etc, etc), para ver se está tudo bem preenchido no sentido do sucesso.
  • Refazer as coisas se as estatísticas finais desagradarem às metas traçadas superiormente.

Também parecem ser tendências comuns a padronização de critérios entre disciplinas e turmas, matando à nascença qualquer esperança de diferenciação e a ausência quase completa de um acompanhamento do trabalho pedagógico “supervisionado”.

Claro que ainda há excepções, mas a verdasquice do sucesso tem dado nesta pobreza fransciscana que passa por ser uma coisa que não é. Ou melhor, que se destina a fazer parecer que é o que não é. Ou algo assim.

Isto é controlo e não supervisão. Isto não é pedagógico é meramente administrativo. Chamem-lhe “controlo administrativo”, não nos ofendam mais a inteligência que ainda sobrevive ao massacre.

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Diferenciação

Uma definição oficial, em exclusivo no ComRegras do Alexandre Henriques:

Em segundo lugar, faltava perceber e pôr no papel uma proposta que respondesse a um desafio muito claro: alargar a escolaridade a 12 anos implica definir um perfil que é comum a todas as vias – científico-humanística, profissional e artística. Todas conferem um 12.o ano. Todas são igualmente dignas. Todas são regulares, ao contrário do jargão comum. Mais importante, todas devem servir a aspiração de garantir prosseguimento de estudos. Para isso, era preciso encontrar o perfil comum a que se chega ainda que por diferentes vias.

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