E Vão Aprender A Não Passar Nos Semáforos Vermelhos Ou Nas Passadeiras Para Peões Como Fazem Muitos Papás e Algumas Mamãs?

E quem fornece o “material”?

Aprender a pedalar será, nos próximos anos, obrigatório para as crianças a partir do ensino básico. A estratégia do Governo vai ao encontro de uma ideia quase consensual: a de fazer das crianças força de mudança de comportamentos. José Mendes, Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, recorda o que se passou com a reciclagem para explicar a mais recente aposta, agora no que a mobilidade diz respeito. A contaminação, esperam, será grande.

“As crianças têm uma capacidade de sensibilização enorme”, disse ao PÚBLICO. A “pedagogia” à boleia dos mais novos, que no caso da mobilidade e ambiente abarca uma quase “alteração de paradigma”, pode ser uma forma de fazer quem está à volta “copiar” comportamentos. “Todos os alunos terão a oportunidade de aprender a pedalar, num processo de formação faseado ao longo dos vários níveis de escolaridade”, lê-se na Estratégia Nacional para a Mobilidade Activa apresentada nesta quinta-feira. No 1º ciclo as aulas serão em contexto protegido, nos 2º, 3º ciclos e secundário haverá uma passagem para o espaço público.

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(eu aprendi ali pelos 5 anos em ambiente não protegido com o meu pai a ajudar, dando uns tombos quando olhava para trás e ele estava a rir-se depois de me ter largado… sou mesmo velho… mas compreendo, é tempo de ultrapassar o mesozóico das funções familiares)

2ª Feira

Nada como começar a semana a tentar explicar a origem, difusão e uso adequado das redes sociais com uma aula prática em que a rede da altice está literalmente aos soluços e ninguém consegue entrar no século XXI, nem sequer no final do século XX, porque até um velho router de 54k conseguiria melhor. Sem o bom e velho verbo, nada está assegurado.

Um Ciclo de 12 Anos Eliminaria Esse Problema

Pelo menos é a conclusão lógica do que se afirma. Falta ousadia às propostas. Eu lecciono o 2º ciclo e também acho que é uma redundância a existência de dois ciclos entre o 5º e o 9º ano e que um ciclo de cinco anos permitiria eliminar redundâncias nos conteúdos e abordá-los de uma forma diferente, sem precisar de flexibilidades e malabarismos.

Mas, se tudo é obrigatório… que tal apenas um ciclo? Acabavam-se as transições… até porque, como um dos argumentos é financeiro e não pedagógico, bastava meterem um professor a dar tudo e outros a fazerem uns biscates no resto, tipo aec com saco azul (ou da cor que gostarem mais, conforme a associação ou autarquia).

Para a presidente do CNE, Maria Emília Brederode Santos, deveria ser repensada a organização do ensino básico, atualmente dividido em três ciclos, “designadamente a velha questão do 2.º ciclo [um ano para entrar e outro para sair, dadas as dificuldades assinaladas nos anos de transição”, lê-se na introdução do relatório Estado da Educação 2017, esta quarta-feira divulgado.

As taxas de retenção e desistência têm vindo a diminuir nos últimos anos, tendo atingido no ano letivo de 2016/2017 o valor mais baixo da última década em todos os três ciclos de ensino.

No entanto, olhando para o relatório divulgado, percebe-se que é nos anos de transição de ciclo (5.º e 7.º) que os alunos apresentam mais dificuldades e acabam por ficar retidos, uma realidade que continua a preocupar o CNE.

Eu Ainda Sou Do Tempo…

… em que quando se preparava uma reforma educativa com alguma profundidade se produzia mais do que legislação e powerpoints. Em que quem preparava a “reforma” produzia para o ME documentação explicativa (folhetos, pequenos livrinhos, “manuais” de maior dimensão) para distribuição (gratuita) pela escolas e professores ou, nos casos mais restritos, pelos Centros de Formação, como no caso de publicações do I.I.E. (se não souber o que significa é porque é um millenial). Sim, à medida que os anos 90 foram avançando, foi possível encontrar muita publicação (na Asa, na Porto, na Texto, etc) em que essas pessoas depois também assinavam obras de multiplicação do que estava escrito nos outros documentos.

Sim, havia casos em que parecia a mesma coisa, com outra roupagem. Nem de propósito, alguns dos nomes que se liam nessas obras são reencontráveis agora ou então até já passaram pelas secretarias do poder (ocorre-me coisas sobre o sucesso pelo inefável gualter e amig@s, quando ele ainda pensava ser do cds). Mas existia toda a documentação que o próprio ME disponibilizava. Lembro-me de passar pelo rés-do-chão da 5 de Outubro, pela Biblioteca e por lá existirem obras que podíamos trazer, até com estatísticas, sem ser necessário recorrer a fundos extra. Agora as coisas mudaram e com o pretexto da revolução digital, a única coisa que se desmaterializou – ao ponto da evaporação – foi o material de apoio, conciso, claro, sobre as reformas em implementação.

Circulam os tais powerpoints e em nome da “autonomia” espera-se que as elites da conceptualização grelhística produzam os documentos “locais” sobre o assunto. E, em alguns momentos, acontece o descalabro, mensurável pelo volume da documentação produzida em forma de exibição de saberes esotéricos que transformam o que deveriam ser instruções claras e “abertas” (ousaria qualificar como “flexíveis”) num arrazoado imparável.

Incluo em anexo o texto de um dos principais nomes (Joaquim Colôa) ligados à Educação Especial/Inclusiva que denuncia exactamente esta nova deriva de quem, por certo, terá menos aulas para dar do que a maioria e, sem qualquer dúvida, menos alunos em quem concentrar a sua atenção e esforço.

Acabei de descobrir uma organização que para implementar o tal de 54 já tem disponíveis 9 documentos/formulários + um novo manual interno… isto só para a “educação especial” (sim que isto das inclusões não é para devaneios multidisciplinares muito menos de toda a escola…. arrumadinhos na tal gavetinha é que ficam bem) + uns 3 ou 4 para o SPO (que estas coisas multidisciplinares não se misturam)… Se “inventarmos” que a “coisa” necessita de monitorização…. pressupomos que nascerão mais uns 3 ou 4 documentos/formulários (sim que isto do multiníveis é muito inovador e diz que a monitorização é muito importante)… Se o antes era muito burocrático… fico entusiasmado a imaginar quantos formulários/documentos conseguiram “abater” com tamanha inovação… pelas movimentações grupais e inspirações formativas já desconfiava mas agora tenho quase a certeza…. HÁ ZONAS DO PAÍS COM UM VINHO MUITA BOM!!!

Ainda bem que não sou apenas eu a escrever que a comitiva vai com velhas novas roupagens que só podem ter saído de cabeças preocupadas com tudo, na prática, menos com os alunos.

Stupid2

Coisas Por Tratar, Anteontem – A Aferição

Ou “avaliação “boa”. Há 2 anos os alunos de 5º ano foram “aferidos” em História e Geografia de Portugal. Seria de esperar que os resultados dessa aferição servissem para melhorar os pontos fracos do desempenho e, três anos depois, voltassem a ser “aferidos”, no 8º ano para analisar a sua evolução.

Não… afinal, este ano, é feitas prova de História e Geografia aos alunos do 8º ano, que não fizeram nenhuma anteriormente nestas matérias, nem as voltarão a fazer, enquanto que os alunos que fizeram a de 5º ano de HGP não voltarão a ser “aferidos”.

Se acham que isto permite algum tipo de monitorização ou análise do desempenho dos alunos ao longo do tempo e que este modelo de “aferição” é para levar a sério, desenganai-vos. Isto não serve para muito mais do que olear as equipas do Santo Iavé.

Ups – 2

Pois.. não há como desmentir o indesmentível e confirmável por variadíssimas fontes. Até a pós-verdade tem os seus limites. As travagens vieram do topo para a base (nesse caso respeitando a lógica das decisões no sector da Educação mas, por uma vez, no bom sentido), no sentido de as coisas se fazerem com um pouco mais de preparação e bom senso. É tempo de cada governante passageiro não se armar em apressado grande guru educativo, como se todos os outros fossem ineptos ou mentecaptos.

Mesmo que a razão esteja longe de ser a melhor – receio de efeitos eleitorais nas autárquicas – mais vale parar e pensar do que ir entusiasticamente em direcção a mais uma coisa qualquer.

Agora uma sugestão: quem se oferecer para projecto-piloto é capaz de ter as suas recompensas…

Costa garantiu a Marcelo que mudanças no currículo não são para já

O Presidente da República já disse publicamente que “as estruturas curriculares não podem mudar de cada vez que muda o Governo”.

Bigorna

Neutralização

De forma directa nesta última agitada década e de modo mais indirecto em tempos menos frenéticos, tive a possibilidade de verificar os processos de “sedução” do poder em relação aos que considera serem permeáveis à sua influência nas fileiras “adversárias” ou em zonas de fronteira. A metodologia é multicolorida e não exclusiva destes ou daqueles, apenas variando os meios ao dispor em dado momento para neutralizar oposições chatas, mas tipo esparguete.

O primeiro esforço é o do contacto e o da chamada para “conversas” ou “iniciativas” que envolvam os alvos em grupos mais alargados, assim quase que como quando as vaquinhas entram na arena para levar o touro para os curros.

Conversando… há diversas hipóteses e/ou fases do “diálogo”:

A garantia da importância da nossa opinião sobre os problemas em apreço e a elevada estima em que têm a nossa estimadíssima pessoa e o nosso saber específico.

A promessa de ouvirem todos os “contributos” e estarem “abertos” a todas as ideias, numa perspectiva de inclusão de diferentes perspectivas.

A promessa adicional de irem fazer algo na área que sabem ser do nosso interesse, pelo que nada melhor do que colaborarmos nesse “esforço conjunto” para “melhorar” a situação existente e que “como sabemos” precisa de “urgente mudança”.

A garantia de termos excelentes ideias, que é necessário “operacionalizar” e nada melhor do que formar-se um grupo para discutir o que pode ser feito, em forma de “estudo” ou coisa afim.

A aceitação daquilo que já pensavam fazer, mas dando a sensação que fomos nós a convencê-los da justeza imensa dessa posição particular.

A diluição progressiva, de forma mais ou menos subtil, de todas as propostas que nunca consideraram verdadeiramente úteis para a sua agenda, mas garantindo – mal se levante a questão – que “oportunamente” entrara na “nossa” agenda.

Em casos mais duros de ouvido – ou como forma de encurtar estas fases – adianta-se logo um convite para participar numa “formação”, dependendo depois as condições da retribuição pela colaboração. Mas isso será tema para outra prosa suave acerca da forma como as convicções se transformam em conveniências por um processo que eu diria quase inconsciente 🙂 .

O segredo, sempre, é não nos deixarmos agarrar pela gosma.

sereias

A Sério?

Ministério diz que não haveria razões para mudar manuais porque não vai fazer nenhuma reforma curricular.

A mim parece que há por aí travagem às quatro rodas, para evitar uma estampagem, desculpem, derrapagem não completamente controlada. Será que, afinal, há ainda um pouco de bom senso por aí?

travagem

Ou é apenas para tranquilizar o público?