A Maldição Dos 2ºs Mandatos

O segundo mandato em maioria absoluta de Cavaco Silva, chegou ao fim, mas de modo penoso, marcado por uma degenerescência completa e culpou-se a maioria absoluta pelos abusos de poder e por todo os esquemas de compadrio que tomaram conta do Estado e da sociedade.

O segundo mandato, em maioria relativa quase absoluta, de António Guterres terminou com ele a fugir de um “pântano” (político e não só) de que em parte se responsabilizou a tal maioria quase absoluta que precisava de favores limianos para se aguentar.

O segundo mandato, em maioria relativa, de Sócrates foi o que nos encaminho decisivamente para a falência técnica e a troika e na altura as culpas foram espalhadas em muitas direcções, com ele a criticar a maioria relativa que permitia maiorias negativas de bloqueio.

O segundo mandato de Costa, em maioria relativa com muletas parlamentares (PAN, PCP, as novas “limianas” independentes), vai-se aguentando, encostada a Belém, tropeçando aqui e ali, para além dos vários tropeções do primeiro mandato que a geringonça protegeu, e culpa-se a “percepção”.

Isto agora a seguir é apenas uma especulação, um “suponhamos”, porque me dizem que sem ideias novas, as coisas estagnam, não avançam e encalham nas águas movediças da pasmaceira.

E que tal limitar-se a um mandato o exercício de cargos governamentais (podendo voltar um mandato mais tarde), a começar pelo de PM, mesmo que seja o mesmo partido ou coligação a vencer as eleições, com eventual extensão da sua duração para 5 anos? E quanto aos presidente poderia fazer-se algo como estender o mandato para sete anos e ficar-se também por um, por causa de tudo que acarreta de cálculos o desejo de se ser reeleito como todos os anteriores?

Tenho Pouco Contra Continuar Na Escola…

… a trabalhar de forma remota com os alunos, deslocando-me eu e ficando eles em casa. Nem me incomoda que me obriguem a cumprir horário presencial na escola, se é que é isso que dá tanta comichão aos sousastavares e outros como ele (ou quase tão fraquinhos de raciocínio).

Só que para isso é necessário que existam nas escolas computadores devidamente equipados para o efeito e que ao fim destes meses todos, seja possível acudir aos alunos e famílias sem meios para seguir o ensino à distância com um mínimo de qualidade. Não é com 2 ou 3 a partilharem o mesmo equipamento. E a verdade é que neste momento esse continua a ser o grande risco, porque dos 400 milhões de euros anunciados para a Escola Digital, nem um décimo terá chegado a quem de direito: em primeiro lugar, os alunos e depois, escolas e docentes. Em vez disso temos entretenimentos, em que o dinheiro se vai escoando nos meandros da “formação”, conforme os grupos a satisfazer. Agora é o da “Capacitação”. Que tal “capacitarem” as escolas para assegurarem o ensino remoto a partir das suas instalações e não do meu escritório ou sala?

6º Feira

Para que serve um pseudo-confinamento, de 6ª a 3ª feira, com tantas excepções que, na prática, faz ficar em casa apenas quem não tem nada para fazer fora ou não lhe apetece gastar um “compromisso de honra” há muito gasta?

Simples: preparar os confinamentos quase a sério dos fins de semana anteriores aos feriados de 1 e 8 de Dezembro.

A Sério? Andam A Fumar Material Orgânico Do Bom?

O PAN apresentou uma recomendação ao Governo para que as crianças que ingressam pela primeira vez no ensino Pré-Escolar ou no 1.º ciclo do Ensino Básico possam ser acompanhadas até à sala de aula, em vez de entregues à porta do estabelecimento.

(a mim dá ansiedades é quando ouço certo pessoal do PAN a falar…)

Que @s Senhor@s Da DGS Não Percebam De Escolas, Eu Entendo…

… já que quem lá passa a maior parte do seu tempo pareça não “processar” o que observa é mais estranho. Ou não.

Fazer horários nas actuais circunstâncias é um trabalho difícil. Há duas possibilidades principais: manter mais ou menos as coisas como estavam no regime presencial, se é que os horários estavam bem feitos ou redesenhar por completo a lógica dos horários e da própria geografia escolar, com horários desfasados e um “zonamento” temático/por ano/ciclo da escola, um pouco como já existiu em construções escolares do passado ou, por exemplo, em algumas EBI.

E depois há aquilo que a maioria está a fazer, pelo que me dizem, que é colocar tudo em blocos de 90/100 minutos e estreitar os intervalos ao ponto da miudagem de 2º ciclo ter apenas 5 minutos para ir à casa de banho, comer/beber qualquer coisa e voltar. Ou ficar em amontoamento à porta das salas. Só quem não conheça a tipologia da maioria das nossas construções escolares, em particular das zonas de acesso às salas de aula e da localização de sanitários e zonas para alimentação, depois do declínio das concepções de “área aberta”, é que pode pensar que intervalos simultâneos de 5 minutos são algo a considerar com seriedade para os alunos mais novos (ou mesmo os outros).

Acham que permitirá algum distanciamento social? E que aqueles curtos minutos de liberdade terão alguma “etiqueta” respiratória?

Pessoalmente, já me espanto com poucas coisas.

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Importa-se De Repetir?

Eu quase alcanço o objectivo, mas é mesmo quase. E há quases que são quase infinitos.

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) vai avançar para uma greve nos dias 24 e 26 de fevereiro, durante a interrupção letiva do carnaval, avançou, esta quarta-feira, o secretário-geral, Mário Nogueira.

(,..)

A greve incide sobre todas as atividades que sejam marcadas pelas escolas durante estes dias, mas não vai interferir com as aulas, uma vez que coincide com o período de interrupção letiva do Carnaval, inserindo-se no conjunto de greves às horas extraordinárias que se prolongam há mais de um ano.

O Costa PM, o Centeno e a Leitão ainda devem estar a limpar as lágrimas de tanto se rirem.

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2ª Feira

E o Sócrates que nunca se lembrou do prémio Hugo Chávez, Lula da Silva, Vladimir Putin ou José Eduardo dos Santos enquanto fazia jogging lá por fora quando ia de passeio com os amigos festivaleiros. Afinal, nem tudo de mau se lhe pode apontar, tendo-se ficado pelo Lurditas d’Oiro que caiu tão bem a um sector da comunidade das pedagogias ditas de “esquerda”.

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Li Há Pouco Um Livro…

… em que a alguém que está prestes a morrer aparece o Diabo a sugerir uma “troca”: por mais um dia de vida fazer desaparecer qualquer coisa do mundo. Parece ideia do Woody Allen, mas é de um tipo japonês com algum talento para a coisa, mas com menos humor do que a ideia requereria.

Mas adiante… a verdade é que o narrador acaba por perceber que o outro lado do que lhe é oferecido não compensa a extensão da própria vida. Depois de prescindir dos telefones, dos filmes e dos relógios, recusa-se a sacrificar os gatos e a viver mais um dia se isso significa sacrificar os bichanos.

Se ele não tivesse meios para o comprar, acho que mandaria de oferta para um certo secretário de Estado que parece estar em permanente estado de laboratório intelectual, assim a produzir “ideias inovadoras” (agora sem disciplinas, agora sem aulas, agora sem portas, agora sem paredes, agora sem notas, agora sem exames, agora sem professores, agora sem directores de turma, agora sem o raio que nos parta) como uma chaminé da velha cuf cuspia fumarada tóxica.

Que raios… porque falhou esta gente as tripes maradas dos anos 60?

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(a ver se nos entendemos… eu não recuso a mudança, tenho é muitas reservas acerca da transformação do sistema de ensino público no recreio onde brincam meia dúzia de maduros armados em “inovadores”…)

Eu Tenho Aqui Um Cenário D (Ou 4) À Atenção Do Conselho Nacional Da Educação Sobre O Recrutamento Dos Professores

É um cenário inovador e o de maior proximidade em relação aos interessados, não há como o negar. Seria o do recrutamento dos educadores e professores por comités de alunos desde o pré-escolar até ao Secundário. Três ou cinco futur@s alun@s, a quem os candidatos à docência nas suas escolas, após completarem a sua formação académica, profissionalização e com eventual experiência prévia na docência, pudessem apresentar os seus projectos e a quem, já agora, pudessem oferecer umas maçãs bem enceradas, uma pá de borrego ou um cestinho de chupas e gomas. A decisão seria tomada com o clássico sistema de bolas pretas e brancas mas, em nome dos tempos inclusivos, com as bolas pretas a significarem o sim. No caso da contratação de educador@s para os bebés mais picarruchos, poderia medir-se a competência pela capacidade de os fazer gargalhar deliciosamente.

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