2ª Feira

Aproveitem esta 2ª feira e a próxima porque me parece que ainda neste período vai regressar a tese do “mais com menos” ou a variação menos maligna do “mais com o mesmo”, a avaliar pela conversa de uns e o silêncio de outros. Do lado do PSD e circundantes, até se nota o salivar perante a oportunidade demonstrar – sem grande fundamento factual – que nos tempos da troika é que estava tudo bem e que é necessário voltar às práticas de outrora; do lado do PS, um certo silêncio perante a vontade de fazer algo parecido e o embaraço em serem apanhados com a boca na botija, mesmo com a desculpa da guerra, da pandemia e etc, pois fartaram-se de dizer que vinha aí dinheiro europeu a rodos para resolver tudo. Quanto às “esquerdas radicais” (PCP e BE), nesta matéria não adianta muito dar sequer atenção ao que dizem porque, podendo fazer ou influenciar algo diferente, andaram meia década a assinar de cruz o que era parcialmente “revertido” com uma mão e logo sacado num instante com a outra.

Estamos no 3º período de mais um ano lectivo (desde 2018-19 que me lembre, como professor e encarregado de educação) em que há falta de professores durante a maior parte do ano em vários grupos disciplinares. Nada de relevante foi feito e agora querem soluções “urgentes”, claro que “no interesse dos alunos”. Nesse interesse, sublinhando que a minha petiza já não tem de ter professores de Português contratados em saldos para fingir que teve a disciplina no 12º ano, eu volto a propor que @s mais de 800 director@s se dignem ir dar 5 horitas de aulas (ainda seriam umas 4000 semanais) e os restantes elementos das “equipas directivas” com direito a forte redução de horário (serão, pelo menos, uns 2500) façam o mesmo e assim conseguiremos mais 125.000 horas. Não digam que, com isso, as escolas deixariam de funcionar porque eu quero acreditar que com o cansaço que isso lhes causaria talvez deixassem de inventar “pintelhices” (linguagem à catroga) para os outros fazerem e quase todos ficaríamos mais felizes.

Liberdade De Expressão

Muito divertidas as recomendações de vários comentadores à publicação de António Filipe do PCP acerca da ameaça de divulgação de “segredos” do PCP (o ex-deputado comparou a coisa ao ataque ao Expresso, considerado como um ataque à “liberdade de expressão”). À indignação com a ameaça, sucederam-se conselhos sobre a importância de entrar em diálogo com os potenciais agressores, da necessidade de ter uma postura de diálogo e compreensão em relação às razões da ameaça e de, se necessário, ceder à pressão para evitar aquilo que eu chamaria “derramamento” de segredos.

Entretanto, aparece-me no feed do fbook uma publicação em que um tipo de barbas e boina à revolucionário desocupado acusa Zelensky de arrastar o seu povo para a morte. Ia chamar-lhe idiota em outras palavras num comentário, mas contive-me, porque, afinal, o homem não tem nada ar de ser especialista em armamento pesado, tipo artilharia e aviação com mísseis e pode realmente nunca ter ouvido aquele adágio em língua capitalista dos stick and stones can break my bones,…

Nada como ver alguma esquerda “radical” europeia do grupo The Left a alinhar com os tipos da Alt-D e demais elementos da Identidade e Democracia. Os extremos tocam-se quando andam em círculos.

Ricochetes

Se uma solução para “mitigar” a escassez de professores passar por aumentar o número de alunos por turma é capaz de ser daquelas coisas que são piores do que o soneto inicial. Porque mais gente ser irá abaixo e não falo apenas dos malfadados “velhos”. Quem quererá dar aulas a 10 turmas com 30 alunos? Será assim que tornarão a profissão mais atractiva para os “novos”?

Se o problema é sério e necessita de solução?

Pois é… quem me dera que estivesse no ministério da Educação alguém que pudesse ter previsto isto nos últimos, digamos assim, 6 anos.

Uma Ideia Absolutamente Abstrusa!

E que tal tornarem a profissão docente mais atractiva para quem ainda está nas escolas e não é queridinh@ da direcção e vive sentado à conta do “crédito horário”?

Eu percebo que é um conceito absolutamente inovador, mas… tem o seu potencial para reduzir um pouco o êxodo antecipado. Eu sei que o que está na moda é “incentivos” para os mais novos e não estou contra eles. Mas estou farto de culparem os “velhos” de tudo, mas ser a eles que tudo pedem (salvo as tais excepções acima assinaladas).

2ª Feira

Tenho de arranjar maneira de aparecer aí uma proposta de lei que defenda que os professores actualmente no grupo 200, mas que em Março de 1987 começaram a leccionar no velho 10º A em horário nocturno, possam passar imediatamente à situação de pré-reforma, com direito a 100% da remuneração calculada com base no escalão previsível a que chegaria se ficasse na carreira até aos 67 anos, com a classificação de Excelente em todas as avaliações.

Salas Devidamente Ventiladas?

Sim, até porque em muitas escolas não há dinheiro para substituir persianas, estores e outras minudências assim. Já nas da “festa” da outra, os equipamentos até podem ser bons, mas aí falta dinheiro para a manutenção dos “pormaiores”. Há coisas que têm mesmo imensa graça, assim quando as vemos escritas, porque se imagina logo o tipo de criatura “pensante” que esteve na origem.

Então se não forem escolas-sede, o processo decisório pode ser daqueles típicos da portugalidade.

A Maldição Dos 2ºs Mandatos

O segundo mandato em maioria absoluta de Cavaco Silva, chegou ao fim, mas de modo penoso, marcado por uma degenerescência completa e culpou-se a maioria absoluta pelos abusos de poder e por todo os esquemas de compadrio que tomaram conta do Estado e da sociedade.

O segundo mandato, em maioria relativa quase absoluta, de António Guterres terminou com ele a fugir de um “pântano” (político e não só) de que em parte se responsabilizou a tal maioria quase absoluta que precisava de favores limianos para se aguentar.

O segundo mandato, em maioria relativa, de Sócrates foi o que nos encaminho decisivamente para a falência técnica e a troika e na altura as culpas foram espalhadas em muitas direcções, com ele a criticar a maioria relativa que permitia maiorias negativas de bloqueio.

O segundo mandato de Costa, em maioria relativa com muletas parlamentares (PAN, PCP, as novas “limianas” independentes), vai-se aguentando, encostada a Belém, tropeçando aqui e ali, para além dos vários tropeções do primeiro mandato que a geringonça protegeu, e culpa-se a “percepção”.

Isto agora a seguir é apenas uma especulação, um “suponhamos”, porque me dizem que sem ideias novas, as coisas estagnam, não avançam e encalham nas águas movediças da pasmaceira.

E que tal limitar-se a um mandato o exercício de cargos governamentais (podendo voltar um mandato mais tarde), a começar pelo de PM, mesmo que seja o mesmo partido ou coligação a vencer as eleições, com eventual extensão da sua duração para 5 anos? E quanto aos presidente poderia fazer-se algo como estender o mandato para sete anos e ficar-se também por um, por causa de tudo que acarreta de cálculos o desejo de se ser reeleito como todos os anteriores?