Morreu O Embaixador José Cutileiro

Não o escultor João Cutileiro. Não se apressem a ir para as redes sociais dizer que sempre apreciaram a sua arte (pirilau do Parque Eduardo VII incluído ou não) e muito menos que há uns tempos juntaram todo o vosso dinheirinho para comprar uma qualquer obra menor sua, como já li a alguém com muita vaidade apressada.

RIP

Dia 30 – O Último Voo De Sepúlveda

(…)

Os meus alunos do final dos anos 90 do século XX e inícios do século XXI foram muito cedo introduzidos no universo que gosto de designar como “realismo fabulástico” de Sepúlveda, com especial destaque para gato Zorbas que ensinou a Ditosa gaivota que só voa quem se atreve a fazê-lo. E todos voámos com eles e mesmo agora, quando as prescrições administrativas me dizem que é leitura de 7.º ano, ainda lhes damos uma piscadela de olho quase todos os anos.

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Luís Sepúlveda (1949-2020)

– O humano de Bubulina? Porquê ele? – quis saber Colonello.
– Não sei. Esse humano inspira-me confiança – reconheceu Zorbas. – Ouvi-o ler o que escreve. São palavras belas que alegram ou entristecem, mas que produzem sempre prazer e suscitam o desejo de continuar a ouvir.
– Um poeta? O que aquele humano faz chama-se poesia. Volume dezassete, letra «P», da enciclopédia – garantiu SAbetudo.
– E o que o te leva a pensar que esse humano sabe voar? – quis saber Secretário.
– Talvez não saiba voar com asas de pássaro, mas ao ouvi-lo sempre pensei que voa com as palavra – respondeu Zorbas.

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Uderzo (1927-2020)

Ontem não tive tempo para assinalar o desaparecimento desenhador do Astérix, série de culto, mesmo depois da morte de Goscinny, o autor dos mais brilhantes argumentos da série. Comprei sempre os álbuns, quando passei a ter dinheiro para isso, mesmo quando a qualidade do desenho se mantinha muito acima das histórias, progressivamente mais desinspiradas. Pode ser que agora se liberte um pouco da figura tutelar. Os meus favoritos serão sempre Astérix e os Normandos (por causa da aprendizagem do medo) e A Zaragata (graças ao Caius Detritus), mas a cada um@ o seu paladar.

Mas… em nome dos tempos da infância e adolescência (ainda se aguenta muito bem O Grande Fosso), fica aqui a referência.

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Vasco Pulido Valente (Correia Guedes)

Brilhante a pensar e escrever em muitos momentos, ingénuo ou qualquer outra coisa em outros, como aquele de se deixar ir como deputado para a Assembleia da República. Período áureo entre o Indy anti-Cavaco e o Público dos anos 2000. Gostava que não tivesse feito da História, muito cedo, uma espécie de segunda ou terceira opção. Por muito que alguns tentem, colocando-se em bicos de pés. não deixa descendência intelectual, na análise política ou no ofício de historiador.

RIP