A Inclusão Burocrática

Claro que haverá quem – já adivinharam, certo? – consiga justificar tudo e mais alguma coisa, mas realmente é de um outro nível tudo aquilo que é exigido para que o Estado paga o que é  devido (por lei) aos alunos/famílias que beneficiam de Subsídio de Educação Especial. Em tempos de pandemia e ensino remoto, em vez de simplificarem, complicam, assumindo que os cidadãos são desonestos até provarem o contrário. Ou seja, com o cidadão comum fazem exactamente o contrário que fazem com os criminosos mais do que óbvios, incluindo aqueles que se armam em inocentes até a coisa prescrever.

Leiam-se uns nacos da “Orientação Técnica”/Circular nº 1 da Direcção Geral da Segurança Social (COT_1_2020) que dá uma no cravo (estes alunos necessitam de continuar a ter apoio) e várias na ferradura (tudo o que exige para pagar o subsídio):

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Dia 72 – Vamos Falar Disto Mesmo A Sério? – 5

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Não estão apenas em causa – e são de monta – os condicionalismos económicos, mas igualmente os culturais e os que se relacionam com os eventuais handicaps dos alunos, desde dificuldades de natureza cognitiva com múltiplas potenciais origens a défices sensoriais, sendo mais óbvios os da visão e audição.

Para esses alunos, mais do que buscar as plataformas mais intuitivas ou com mais funcionalidades para trabalhar com a generalidade dos alunos, há que mobilizar as “tecnologias assistivas” (assistive technologies, na designação original) mais adequadas à inclusão de alunos com situações que vão da dislexia à cegueira, passando por muitas outras situações que parece mal agora designar como “necessidades educativas especiais”, sendo mais politicamente correcto optar por necessidades específicas de aprendizagem.

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diario

As “Tecnologias Assistivas” De Que Se Fala Muito Pouco

Porque a formação disponível é na base da “Abordagem Multinível” e da doutrinação sobre o “54” e pouquíssimo mais.

E há quem prefira discutir os méritos de ir ao Goucha ou à Cristina (salvo seja) do que tratar este tipo de assuntos em relação ao que anda a ser completamente esquecido no E@D.

Using Assistive Technology to Empower Students with Disabilities

Implementing assistive technologies in the classroom gives students of all abilities a voice in their education.

Apps for Students With Special Needs—As School Buildings Shutter

The coronavirus creates a unique challenge for students with special needs—educators share recommendations for apps to support learning at home.

Assistive Technology for Students with Learning Disabilities

5 Examples of Assistive Technology in the Classroom

Teclado

A Ler

Via Rui Cardoso:

The Difference Between Emergency Remote Teaching and Online Learning

Outras propostas, via Livresco, em especial relacionadas com os mais vulneráveis à exclusão. Lá fora, a questão tem estado a ser analisada. Por cá, parece que se começa a ter maior atenção e menos pressa.

With Schools Closed, Kids With Disabilities Are More Vulnerable Than Ever

New Strategies in Special Education as Kids Learn From Home

Families of children with special needs ‘are in crisis mode,’ says Milton mother

With classrooms closed, teachers search for positive ways to connect with isolated students

Finger

 

E Lembrem-se Que No Sudão Do Sul Não Há Quase Água Canalizada E Electricidade, Por Isso, Trabalhem E Calem-se!

Tenho alguma dificuldade em lidar com estas mentalidades “inclusivas”. Mas lá porque há quem esteja pior, os outros devem calar-se? Sim, na guerra, os soldados estão na linha da frente, mas na rectaguarda nem se pode piar?

É aqui que se percebem algumas limitações… digamos assim… na forma como a liberdade de expressão e a democracia são encaradas ao primeiro solavanco. E que tal eliminarmos as notícias sobre tudo o que corre menos bem? Em nome do Interesse da Pátria?

O grupo é del@s, claro, fazem as regras de etiqueta que entenderem, mas ao menos cuidem melhor da justificação.

Rolha

Dia 8 – O Verdadeiro Exame À Inclusão

Este tipo de medidas de ensino à distância e a forma como se querem colocar no terreno de forma apressada parece resultar de uma forma de pensamento mágico que desatende as questões tão proclamadas da “inclusão”. Já li declarações absolutamente aterradoras pela forma como menorizam qualquer pretensão de igualdade de oportunidades em prol de uma espécie de excitado projecto de “escola do século XXI” num país com parte substancial da população abaixo do limiar da pobreza e que, com a presente situação económica, irá por certo aumentar.

Onde estão os arautos da “inclusão” quando precisamos deles?

diario

O Problema É Mesmo Dos “Conceitos”?

Mais de metade dos professores não compreendem conceitos do diploma da educação inclusiva

Não me venham com tretas. Isto cheira-me a um imenso esturro. Do género “não funciona, porque os professores são burros e não entendem a nossa conceptualização brilhante”. Porque uma coisa é ter problemas com a forma de “aplicar” as coisas ou de a explicar aos encarregados de educação e outra o não entender uma coisa tão básica como o “multinível” que se traduz apenas na possibilidade de, a qualquer momento um@ alun@ transitar de tipo de medidas de apoio. O que me parece a principal (única?) vantagem do novo modelo.

Um problema sério é quando existe quem, nas escolas, faz tudo para que o “multinível” não funcione porque isso lhe dá mais trabalho, mas é todo um outro campeonato que se agrava com a burocracia que implica (infelizmente) todo esse processo.

Isto é apenas mais um “contributo” para que se façam mais “formações” que só servem para replicar powerpoints conhecidos, mais slide, menos slide. Metam muit@s dess@s formador@s no terreno e nas EMAEI.

 

Dança Inclusiva? Não Seria Melhor Flexível?

Aparece sempre de tudo na minha caixa de correio.

WORKSHOP DANÇA INCLUSIVA
A formação será orientada pela CiM – Companhia de Dança

O workshop procura explorar diferentes metodologias da dança contemporânea através da prática de técnicas que configuram o movimento como extensão do corpo, e desenvolvem a consciência do mesmo por parte de cada participante.
O workshop consiste numa abordagem aos conceitos base da improvisação, assente em experiências de comunicação através do movimento partilhadas entre todos, sendo o corpo o principal instrumento de observação e trabalho.
Pretende-se criar um espaço de pesquisa de uma linguagem de movimento comum aos participantes e de percepção e integração das potencialidades de cada um, no sentido de trabalhar sobre os limites do corpo como inspiração para a criação.

Público-alvo | Aberto a todos os participantes com ou sem deficiência, com ou sem experiência anterior em dança, interessados em explorar e partilhar práticas de movimento no cruzamento entre dança inclusiva e dança contemporânea.

Entrada livre, mediante inscrição prévia.

Danca