Não, Afinal… Coiso E Tal

Quando parece impossível fazer pior figura.

CNE manda repetir eleições em toda a Europa a 12 e 13 de Março – poderá haver nova AR e Governo a partir de dia 28

Não sei porquê, isto faz-me lembrar um pouco os fiascos com alguns exames. Nada como o descrédito, para depois se apresentar a desnecessidade.

De verdadeiramente importante, esta malta tem uma coisa por fazer por ano ou nem isso. Por vezes, têm o azar de duas eleições num ano. E mesmo assim…

As Vantagens Da Tecnologia (Ou Não!)

Desde que o primeiro hominídeo conseguiu afiar um pau para melhor caçar uma ave ou roedor fugidio ou lhe juntou uma pedra afiada para fazer o protótipo de uma lança (entre tantos outros exemplos possíveis e menos simplistas) que a tecnologia tem como principal finalidade facilitar a vida dos humanos. Ou fazendo algo de modo mais eficaz ou mais rapidamente. A roda permitiu deslocar cargas mais depressa e mais facilmente. E muitos etc. Se é verdade que haverá exemplos contrários, o avançar dos tempos deveria ter-nos aperfeiçoado as capacidades de criar e usar as tecnologias que melhor se adaptam a aligeirar o quotidiano e algumas das tarefas mais complicadas ou chatas. Se é para manter tudo como estava ou pior, não vale a pena gastar tempo e engenho.

Vem isto a propósito – já estavam a adivinhar – das afamadas tecnologias de informação que nos permitiram chegar mais longe e tão rapidamente a tanta coisa. Ou criar “ferramentas” que, após criação e verificação, devem tornar tudo mais fácil e fluido. Como as bases de dados. As folhas de cálculo. Os formulários.

Se é para usar um ano, testar, aperfeiçoar no ano seguinte, e mudar quando se começa a usar em modo de cruzeiro, não vale a pena. Ou se é para exigir trabalho redundante. Ou pura e simplesmente desnecessário ou inútil (também estou a redundar, eu sei). Se é para mudar os quadradinhos de sítio de um ano para o outro. Para deixar de fazer cruzes e passar a escrever qualquer tipo de código. Se agora é na horizontal e antes era na vertical. Ou melhor, na transversal. Se é para satisfazer apenas os fetiches alheios na minudência. Nesse caso, não há digital que nos valha, porque os zingarelhos e as apps e coisas assim só fazem o que lhes mandaram fazer os humanos. Mas se aos humanos com capacidade e poder para lhes mandar fazer coisas escassear a competência ou – mais importante – o bom senso, nada feito. Ficamos com uma roda triangular, que dá ainda menos jeito do que arrastar a palha pelo campo. E não há “formações” ou “capacitações” que nos valham.

3ª Feira

Em que parte do processo é que eu falhei para uma aluna que nasceu e viveu no Brasil até aos 11 anos, só sendo minha aluna desde Outubro, não saber localizar o dito Brasil num mapa, nem sequer ao nível do continente ou sub-continente? Lá está… falha na espacialização. Mas como também não me consegue dizer em que terra ou região nasceu, talvez o meu inconseguimento pedagógico seja mais grave ainda.

(terá tido o azar de ter andado naquelas escolas que fazem parte do périplo pachequiano pelos trópicos?)

Causa-me Alguma Aflição…

… ver gente que nem dois parágrafos consegue alinhavar (será já por causa de terem feito teste com cruzinhas na Faculdade?) querer ser avaliador de colegas professor@s ou, muito pior, aceitarem o papel de árbitros em processos de recurso, quando nem conseguem saber qual é a legislação em vigor, muito menos escrever um parecer vagamente articulado, e revelam apenas uma imensa capacidade para funcionarem como araras ou papagaios dos sistemas locais.

Se a avaliação do desempenho é uma enorme vergonha que quem tem responsabilidades finge ignorar, pelo menos ao nível das “bases” locais deveria demonstrar-se algum respeito pel@s colegas que reclamam e recorrem, pois, até podendo não ter toda a razão, merecem algo mais do que ignorância e evidente displicência. Deveria existir um patamar mínimo de competência para aceder à função de árbitro e, já agora, um mínimo de decência por parte de quem aceita desempenhar esse papel. Não deveria valer tudo, de SADD’s arrogantes e prepotentes a gente que nem uma composição com parâmetros de 6º ano consegue escrever, passando por uma dgae que manda dar cobertura ao incumprimento do que está bem explícito na lei, ao nível das garantias de reclamantes e recorrentes.

Há situações que felizmente se resolvem porque, afinal, ainda há um mínimo de pessoas que aliam sentido de dever a honestidade intelectual. E que não se limitam a dizer que o modelo é mau, mas depois fazem tudo por aplicá-lo da pior maneira possível. Que subscrevem abaixo assinados, mas aceitam servir de operacionais a ajustes de contas.

Isto é tudo muito vago? Deixemos tudo transitar (foram sete recursos em poucos meses, mais umas reclamações seguidas mais ou menos de perto) e lá chegaremos aos específicos. Fiquemo-nos por agora pelos princípios gerais da, repito-me, competência e decência mínimas admissíveis em tudo isto.

4ª Feira

Há umas semanas para o Jornal de Letras escrevi um texto em que questionava se continua a valer ir à escola e para mais tantos anos. “Que disparate!” foi a reacção de alguns cortesãos do costismo educacional. O problema é que os factos e as “evidências” estão por aí: “Prémio salarial da escolaridade está a cair para os mais jovens”. E muitos dos que trabalham, são empurrados para ocupações abaixo das suas qualificações, porque o nosso mercado de trabalho é mais para caixas de supermercado e empregados de lojas de telemóveis, sem desprimor para quem faz isso com profissionalismo. A escolaridade obrigatória de doze anos seria um progresso mais notório, se muita gente pudesse ver nisso algo de útil para a sua vida e não apenas uma estratégia para diferir inconseguimentos em tantas áreas da governação que nem com bazuca se libertarão dos velhos vícios de dar de comer sempre aos do costume, mais ou menos rotativismo, maior ou menor arco da governabilidade.

Será Outro Problema “Complexo”, Senhor Secretário?

Ter a gestão das escolas e da avaliação do desempenho dos professores entregue, em muitos locais, a gente que nem sequer ouviu falar do Código do Procedimento Administrativo? A alguns antigos, que lá estão antes de existir o Código de Hammurabi, eu ainda entendo, mas gente “nova”, que anda a entrar para os cargos agora? Não tiveram de fazer um curso qualquer? Eu sei que até pode ser online, desde que paguem, mas pelo menos convinha que algumas “chefias intermédias” percebessem ao que andam, em especial quando acham que devem fazer parte de uma SADD que, como ainda me aconteceu há não muito tempo, nem umas contra-alegações sabem alinhavar em condições e em tempo legal. Ou nomear um árbitro em condições, sem evidente incompatibilidade de funções ou conflito de interesses (lembra a alguém com um mínimo de sensatez nomear para arbitrar um recurso alguém que concorreu directamente por vagas com o recorrente?). Raios, o DR 26/2012 operacionaliza uma lógica abjecta de controle da progressão na carreira, mas ainda por lá ficam umas réstias de garantias para os avaliados, em especial quando articuladas com o CPA (“CPA, o que é isso, colega?”). E não é assim tão complicado de ler aquela meia dúzia de artigos.

O senhor secretário, em toda a sua imensa sabedoria e desdobramento em matéria de presença de “proximidade” junto dos seus comissários políticos, poderia recomendar a algumas figurinhas do círculo exterior da sua “corte” que ao menos se informassem antes de se candidatarem ou aceitarem certos cargos? Porque quem lixa o próximo sem pudor (e culpa a lei), não pode depois pedir “boa vontade” quando mete os cotovelos pelos artelhos (por não saber o que diz a lei que antes fez que citou).

Em seu tempo, abandonarei a técnica do “vocês sabem que eu sei que vocês sabem que eu sei”, porque há coisas que só mesmo com muita paciência dá para aturar.

Quanto ao senhor secretário, já que abocanhou praticamente todas as funções que antes eram da secretária Leitão, que tal não fingir que nada do que se anda a passar é com ele? Fazer algo de relevante em vez de andar a webinar de um lado para o outro cheio de sorrisinhos?

Cidadania nas escolas? Nada como ensinar pelo exemplo.

Ainda As Reclamações E Recursos

Antes de mais, por mais boa vontade que tenha, o tempo não é elástico e com aulas torna-se impossível meter o nariz de forma muito activa em mais processos de contestação da avaliação do desempenho. Posso dar uma ou outra indicação ou conselho, mas o “expediente” entrou em fase de esgotamento. Dos casos “em mãos” resultam algumas “evidências” particularmente evidentes. A saber… há gente com muito boa vontade e sentido ético das funções ocupadas, mas a balança tende a pender para o lado inverso, quando se lêem certas respostas a reclamações ou mesmo contra-alegações escritas na base da preguiça ou prepotência. Mas o que é ainda mais grave é a forma como quem é responsável por aplicar uma lei (má e injusta) o faz com desconhecimento das mais básicas garantias que ainda existem e opta por tornar tudo mais insuportável.

Sei que repito isto há umas semanas, mas é chocante ler coisas do género “ó pá, há quotas e portanto não tens vaga e não estamos para explicar porque tiveste a nota que tiveste, mesmo se apenas aparece lá o valor e nenhuma fundamentação ou descritor aplicável”. Ou “olha… devias ter colocado 471 evidências do que fizeste no relatório com 3 páginas e se não conseguiste, problema teu”. Ou ainda constatar que os prazos são encarados como o exemplo clássico dos horários dos comboios na margem sul em meados dos anos 80. Meramente indicativos de que – quiçá – alguma coisa (se) passe em data ou hora indeterminada.

Como é possível querer que se respeite e aceite a autoridade de quem não respeita os outros e demonstra uma quase completa ausência de conhecimentos das suas obrigações?

A Ler

Sobre a falta de coerência (e qualidade) dos exames de FQ de 11º ano:

Exames que não servem para nada

O IAVE determinou que as provas de exame nacional de Física e Química A (FQA), aplicadas em 2020, contivessem dois conjuntos diferenciados de itens: um conjunto de 8 itens cujas respostas contribuíam obrigatoriamente para a classificação final da prova, e um outro  conjunto de 18 itens dos quais apenas contribuíam para a classificação final os 12 itens cujas respostas obtivessem melhor pontuação.

Sendo o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e as Aprendizagens Essenciais da disciplina os documentos de referência na conceção das provas de avaliação externa, não é congruente admitir-se  que as provas incluam itens que não avaliem aprendizagens essenciais. Do ponto de vista das aprendizagens avaliadas, não existiam assim diferenças entre o primeiro e o segundo daqueles conjuntos –  todos os itens, quer se incluíssem no primeiro conjunto ou no segundo, avaliavam aprendizagens significativas e essenciais.

(…)

Se a comparação dos resultados de 2020 com os resultados de 2019 não permite tirar qualquer conclusão sobre a evolução/regressão das aprendizagens dos alunos no domínio da disciplina de FQA, também a comparação dos resultados de 2020 com os de 2021 não terá qualquer significado, não permitindo também obter qualquer conclusão.