Causa-me Alguma Aflição…

… ver gente que nem dois parágrafos consegue alinhavar (será já por causa de terem feito teste com cruzinhas na Faculdade?) querer ser avaliador de colegas professor@s ou, muito pior, aceitarem o papel de árbitros em processos de recurso, quando nem conseguem saber qual é a legislação em vigor, muito menos escrever um parecer vagamente articulado, e revelam apenas uma imensa capacidade para funcionarem como araras ou papagaios dos sistemas locais.

Se a avaliação do desempenho é uma enorme vergonha que quem tem responsabilidades finge ignorar, pelo menos ao nível das “bases” locais deveria demonstrar-se algum respeito pel@s colegas que reclamam e recorrem, pois, até podendo não ter toda a razão, merecem algo mais do que ignorância e evidente displicência. Deveria existir um patamar mínimo de competência para aceder à função de árbitro e, já agora, um mínimo de decência por parte de quem aceita desempenhar esse papel. Não deveria valer tudo, de SADD’s arrogantes e prepotentes a gente que nem uma composição com parâmetros de 6º ano consegue escrever, passando por uma dgae que manda dar cobertura ao incumprimento do que está bem explícito na lei, ao nível das garantias de reclamantes e recorrentes.

Há situações que felizmente se resolvem porque, afinal, ainda há um mínimo de pessoas que aliam sentido de dever a honestidade intelectual. E que não se limitam a dizer que o modelo é mau, mas depois fazem tudo por aplicá-lo da pior maneira possível. Que subscrevem abaixo assinados, mas aceitam servir de operacionais a ajustes de contas.

Isto é tudo muito vago? Deixemos tudo transitar (foram sete recursos em poucos meses, mais umas reclamações seguidas mais ou menos de perto) e lá chegaremos aos específicos. Fiquemo-nos por agora pelos princípios gerais da, repito-me, competência e decência mínimas admissíveis em tudo isto.

4ª Feira

Há umas semanas para o Jornal de Letras escrevi um texto em que questionava se continua a valer ir à escola e para mais tantos anos. “Que disparate!” foi a reacção de alguns cortesãos do costismo educacional. O problema é que os factos e as “evidências” estão por aí: “Prémio salarial da escolaridade está a cair para os mais jovens”. E muitos dos que trabalham, são empurrados para ocupações abaixo das suas qualificações, porque o nosso mercado de trabalho é mais para caixas de supermercado e empregados de lojas de telemóveis, sem desprimor para quem faz isso com profissionalismo. A escolaridade obrigatória de doze anos seria um progresso mais notório, se muita gente pudesse ver nisso algo de útil para a sua vida e não apenas uma estratégia para diferir inconseguimentos em tantas áreas da governação que nem com bazuca se libertarão dos velhos vícios de dar de comer sempre aos do costume, mais ou menos rotativismo, maior ou menor arco da governabilidade.

Será Outro Problema “Complexo”, Senhor Secretário?

Ter a gestão das escolas e da avaliação do desempenho dos professores entregue, em muitos locais, a gente que nem sequer ouviu falar do Código do Procedimento Administrativo? A alguns antigos, que lá estão antes de existir o Código de Hammurabi, eu ainda entendo, mas gente “nova”, que anda a entrar para os cargos agora? Não tiveram de fazer um curso qualquer? Eu sei que até pode ser online, desde que paguem, mas pelo menos convinha que algumas “chefias intermédias” percebessem ao que andam, em especial quando acham que devem fazer parte de uma SADD que, como ainda me aconteceu há não muito tempo, nem umas contra-alegações sabem alinhavar em condições e em tempo legal. Ou nomear um árbitro em condições, sem evidente incompatibilidade de funções ou conflito de interesses (lembra a alguém com um mínimo de sensatez nomear para arbitrar um recurso alguém que concorreu directamente por vagas com o recorrente?). Raios, o DR 26/2012 operacionaliza uma lógica abjecta de controle da progressão na carreira, mas ainda por lá ficam umas réstias de garantias para os avaliados, em especial quando articuladas com o CPA (“CPA, o que é isso, colega?”). E não é assim tão complicado de ler aquela meia dúzia de artigos.

O senhor secretário, em toda a sua imensa sabedoria e desdobramento em matéria de presença de “proximidade” junto dos seus comissários políticos, poderia recomendar a algumas figurinhas do círculo exterior da sua “corte” que ao menos se informassem antes de se candidatarem ou aceitarem certos cargos? Porque quem lixa o próximo sem pudor (e culpa a lei), não pode depois pedir “boa vontade” quando mete os cotovelos pelos artelhos (por não saber o que diz a lei que antes fez que citou).

Em seu tempo, abandonarei a técnica do “vocês sabem que eu sei que vocês sabem que eu sei”, porque há coisas que só mesmo com muita paciência dá para aturar.

Quanto ao senhor secretário, já que abocanhou praticamente todas as funções que antes eram da secretária Leitão, que tal não fingir que nada do que se anda a passar é com ele? Fazer algo de relevante em vez de andar a webinar de um lado para o outro cheio de sorrisinhos?

Cidadania nas escolas? Nada como ensinar pelo exemplo.

Ainda As Reclamações E Recursos

Antes de mais, por mais boa vontade que tenha, o tempo não é elástico e com aulas torna-se impossível meter o nariz de forma muito activa em mais processos de contestação da avaliação do desempenho. Posso dar uma ou outra indicação ou conselho, mas o “expediente” entrou em fase de esgotamento. Dos casos “em mãos” resultam algumas “evidências” particularmente evidentes. A saber… há gente com muito boa vontade e sentido ético das funções ocupadas, mas a balança tende a pender para o lado inverso, quando se lêem certas respostas a reclamações ou mesmo contra-alegações escritas na base da preguiça ou prepotência. Mas o que é ainda mais grave é a forma como quem é responsável por aplicar uma lei (má e injusta) o faz com desconhecimento das mais básicas garantias que ainda existem e opta por tornar tudo mais insuportável.

Sei que repito isto há umas semanas, mas é chocante ler coisas do género “ó pá, há quotas e portanto não tens vaga e não estamos para explicar porque tiveste a nota que tiveste, mesmo se apenas aparece lá o valor e nenhuma fundamentação ou descritor aplicável”. Ou “olha… devias ter colocado 471 evidências do que fizeste no relatório com 3 páginas e se não conseguiste, problema teu”. Ou ainda constatar que os prazos são encarados como o exemplo clássico dos horários dos comboios na margem sul em meados dos anos 80. Meramente indicativos de que – quiçá – alguma coisa (se) passe em data ou hora indeterminada.

Como é possível querer que se respeite e aceite a autoridade de quem não respeita os outros e demonstra uma quase completa ausência de conhecimentos das suas obrigações?

A Ler

Sobre a falta de coerência (e qualidade) dos exames de FQ de 11º ano:

Exames que não servem para nada

O IAVE determinou que as provas de exame nacional de Física e Química A (FQA), aplicadas em 2020, contivessem dois conjuntos diferenciados de itens: um conjunto de 8 itens cujas respostas contribuíam obrigatoriamente para a classificação final da prova, e um outro  conjunto de 18 itens dos quais apenas contribuíam para a classificação final os 12 itens cujas respostas obtivessem melhor pontuação.

Sendo o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e as Aprendizagens Essenciais da disciplina os documentos de referência na conceção das provas de avaliação externa, não é congruente admitir-se  que as provas incluam itens que não avaliem aprendizagens essenciais. Do ponto de vista das aprendizagens avaliadas, não existiam assim diferenças entre o primeiro e o segundo daqueles conjuntos –  todos os itens, quer se incluíssem no primeiro conjunto ou no segundo, avaliavam aprendizagens significativas e essenciais.

(…)

Se a comparação dos resultados de 2020 com os resultados de 2019 não permite tirar qualquer conclusão sobre a evolução/regressão das aprendizagens dos alunos no domínio da disciplina de FQA, também a comparação dos resultados de 2020 com os de 2021 não terá qualquer significado, não permitindo também obter qualquer conclusão.

Isto É Que Daria Jeito, Mas…

PARTILHAR EFICIÊNCIA

OBJETIVOS

(em desenvolvimento)

DESCRIÇÃO

(em desenvolvimento)

BENEFÍCIOS E IMPACTOS

(em desenvolvimento)

MEDIDAS

(em desenvolvimento)

PARTILHAR EFICÁCIA

OBJETIVOS

(em desenvolvimento)

DESCRIÇÃO

(em desenvolvimento)

BENEFÍCIOS E IMPACTOS

(em desenvolvimento)

MEDIDAS

(em desenvolvimento)

Sábado

Enquanto o pessoal do Educare não o coloca online, fica já por aqui:

Impreparação

Ao longo destas duas semanas foi possível contatar, em primeira mão, o quanto o pensamento mágico acerca da pandemia tomou conta dos decisores políticos e como isso tem reflexos dramáticos no terreno, quando a situação começa a piorar de novo, mesmo que ainda em modo relativamente ligeiro.

Chegadas as vacinas e iniciado o processo de vacinação, em especial depois de ter sido entregue a quem tem ar sério e não larga a farda em público, alguém terá pensado que essa se tinha tornado a única prioridade e vai de esquecer tudo o resto que necessita de continuar a funcionar, desde a testagem aos serviços de saúde ligados aos contactos relacionados com as situações de isolamento profilático e rastreio epidemiológico.

É uma atitude que me faz lembrar a que todos os anos se passa com os incêndios florestais (quando acabam é como se nunca mais voltassem e chegasse o anúncio de umas verbas que nunca chegam e umas leis que de nada adiantam) ou a que alguns teóricos da Educação preconizam acerca da aprendizagem como processo de redescoberta a cada nova geração de alunos. Como se antes deles nada tivesse existido, nada se deva dar por já conhecido e tudo esteja em processo de recomeço.

Ao longo de duas semanas na sequência de três casos positivos nas minhas turmas, sendo que sou director de uma, foi possível constatar, a partir dos contactos estabelecidos com as autoridades de saúde (locais, mas também regionais, da região de Lisboa e Vale do Tejo), que existe uma situação de clara falta de meios humanos, uma evidente falta de liderança e rumo, assim como meios técnicos (leia-se informáticos) a funcionar com enormes falhas, com consequências graves quanto ao momento em que devem ser tomadas medidas, ao que deve ser feito e ao apoio a quem necessita de documentação para apresentar no local de trabalho.

Há gente a trabalhar até à exaustão, mas o sistema está mal montado ou então foi todo virado para a vacinação e tudo o resto ficou à deriva. As listas de laboratórios para fazer testes surgem desactualizadas, os contactos para fazer os rastreios chegam com dias de atraso, o que lhes tira grande parte da eficácia e os procedimentos entraram em evidente curto-circuito. Descrever os detalhes, em concreto, é demasiado penoso. Mas não poderia deixar claro que ao fim de ano e meio, há quem já tenha tido tempo para minorar a sua clamorosa incompetência e impreparação para funções demasiado importantes para serem atribuídas a raparigas e rapazes com o cartão certo.

O Que (Ainda) Está A Correr Mal? – Parte 2

Acerca do que ficou escrito ontem no primeiro parágrafo deste post, o DT em causa (certamente imaginário, que isto não acontece no país real) recebeu da ARSLVT mais cinco declarações de isolamento profilático para o mesmo aluno, por mail, entre a 1.31 e as 13.27 do dia de hoje. Entretanto, em tempo útil (digamos, nas 48 horas depois da ocorrência), quase ninguém tinha recebido a dita declaração.

(adenda: continuam a chegar-me declarações ao ritmo de mais uma a cada três horas, pelo que já recebi nove!)

O sistema está sobrecarregado? Claro… se mandarem sete declarações em menos de 24 horas para cada destinatário…

O Esperado Desconforto

Esperei para ver como o Governo Sombra iria tratar a questão da nomeação do pedro Adão e Silva para comissário do PS para as comemorações do 25 de Abril e a coisa correu de modo ainda mais curioso do que esperava.

Se o Carlos Vaz Marques é rapaz das minhas idades, os três comentadores são da geração do comissário PAS e fazem parte daquela tertúlia alargada de opinadores em vários espaços da “arena mediática” que partilha de uma série de elementos comuns, que não apenas a idade. Embora com três posturas com tonalidades diversas, a verdade é que desde o mais crítico (um João Miguel Tavares que se deve lembrar das críticas que mereceu por causa do 10 de Junho recente) ao mais complacente (um Ricardo Araújo Pereira com sérios problemas em articular um argumento minimamente consistente sobre o tema), todos decidiram confluir no acessório (e não estou a armar-me em JPPereira). Pu seja, que a questão só surgiu por causa do Porto Canal, do salário do comissário PAS e da dimensão a que pode chegar a equipa de apoio.

Ou seja, entraram pelas questões que se poderão caracterizar, pelos defensores de PAS (papel desempenhado em boa parte pelo RAP e em menor escala pelo Pedro Mexia), como as relativas à “inveja”, não faltando a referência às mal amadas “redes sociais”. Só o JMT recordou o currículo político de PAS, em especial do seu proselitismo socratista, deixando de lado a assessoria a Paulo Pedroso no ministério da Segurança Social. RAP até disse que era interessante terem nomeado alguém nascido em 1974 (o próprio RAP nasce um pouco depois do 25 de Abril, pelo que percebo a afinidade). Com um ataque de amnésia oportuno, parece ter-se esquecido de tudo o que PAS escreveu durante muito tempo, mesmo em períodos recentes, de acordo com a cartilha do PS governamental, mesmo se isso significava mentir sem pudor acerca de vários temas (e ocorre-me um, bem em particular).

Estranhamente, ninguém falou – ou fez isso muito, muito de raspão – na adequação das competências do comissário PAS ao cargo. Porque o trajecto académico de PAS – em especial das reveladas na sua tese sobre o impacto económico do surf ou na de doutoramento sobre políticas públicas europeias. Parece que PAS é simpático, conhece muita gente e almoça com quase tudo o que mexe, tendo estabelecido uma rede de cumplicidades que amarra algumas línguas, tão viperinas quando se trata de nomeações de gente menos dada ao convívio social, aos petiscos e aos comentários futebolísticos.

Ora, a minha crítica não nasceu do salário ou equipa de apoio (acho que a ocasião justifica que quem fique com a função seja bem pago e apoiado) ou de ver uma reportagem no Porto Canal (que não vi, porque é canal que me passa ao lado, como qualquer um ligado a clubes, incluindo o do Sporting), mas sim de achar que Pedro Adão e Silva não tem o perfil mínimo para tal função, excepção feita a, pelo que foi dito, almoçar e jantar com muita gente e ser um tipo simpático. Vamos lá deixar-nos de tibiezas: PAS vai ser um comissário político para as comemorações e não adianta vir dizer que já houve outros no passado (até foram à Comissão de Descobrimentos para “limpar” a actual nomeação); vai ter boa imprensa, porque ele aparece em quase todo o lado e tem lugar residente um pouco em todos os sítios; quem levantar reservas é porque tem inveja do salário e das mordomias ou é do FCPorto. O cenário está montado e faz lembrar outros tempos de intoxicação mediática.

Eu não sou dos que acha que deveria ser um “historiador com vasta obra reconhecida” sobre o tema ou parecido. Sou dos que abominaria tanto um Fernando Rosas como um Rui Ramos na função, porque são líderes de facção. Mas não me chocaria um mais discreto António Costa Pinto, por exemplo, já que não temos entre nós um Medeiros Ferreira. Alguém que, mesmo conhecendo-se as afinidades e inclinações, não tivesse um passado conhecido de deturpação consciente dos factos e de tentativa de construção de uma memória falsa de alguns acontecimentos. Isso é que é importante. Se recebe 4500 euros por mês é o que menos me chateia e se querem que vos diga até acho muito pouco, se compararmos com o balúrdio que vão pagar à esposa do ministro Cabrita por coisa de muito menor relevo. Se vai ter um gabinete de 14 pessoas a apoiá-lo? Desde que não sejam mini-PAS, sempre de cabecinha a dar a dar durante muitos anos perante as piores tropelias, tudo bem. O problema é se são apenas um bando de cartilheiros ou “abrantinos” a quem é preciso recompensar serviços prestados.

Voltando ao Governo Sombra. Percebi onde estão as linhas vermelhas ou as linhas de desconforto. É que o desconforto foi tal que nem uma tirada com piada conseguiram produzir acerca do tema. Quer dizer… eu ri-me com aquela de PAS já ter almoçado com quase toda a gente. Qual gente?