Quem Pode Evitar?

Que um@ alun@ dê o código ou link de uma aula online a um@ qualquer amig@ que assim nela entre só para abandalhar? Não sou eu a dar ideias… quem o pretende fazer, já pensou nisso há muito e não há “recomendações” ou “instruções” que o possam evitar. Alguém acha que isto é o fim da indisciplina, como já cheguei a ler a quem parece estar a viver numa outra realidade? O facto de não ser “presencial” retira-lhe gravidade? Ou passa a ter outro nome e pronto?

Beavis and Butthead

Exactamente!

Embora em situação equivalente (já aconteceu) eu seja dos que os convido a saírem ou terão de me ouvir um sermão pior do que a mais longa catilinária.

Hoje abandonei a sala de aula

(…)

Não é uma escolha fácil a de abandonar uma sala de aula, nem a de expulsar um aluno da sala. Vejo muitos a defenderem que não se devem expulsar alunos da sala; leio muitas teorias, muitas técnicas supostamente pedagógicas… Mas nada disso é importante! Chega!!!
Vão para o terreno, vão tentar dar aulas a quem não quer lá estar; vão tentar falar com alguém que repetidamente não levanta sequer os olhos do telemóvel para olhar para a vossa cara, nem deixa de escrever a mensagem que está a mandar para o namorado/a. Sabem para onde vai toda a pedagogia nestas alturas? Pois… Pois é! O que falta nas salas de aulas é empatia, é formação cívica de qualidade! Menos papel meus senhores! Nós não precisamos de tanto papel na nossa profissão. Mais respeito!
Curiosamente ou não, muitos professores há que faltam ao respeito à sua profissão, seja por cederem finalmente ao cansaço e os deixarem fazer o que querem dentro da sala, ou seja, por os passarem a todos só para se verem livres deles… ou porque alguém lhes diz para não se preocuparem, eles vão ter que passar mesmo!!!
Não! Eu digo não, grito que não. Se for para ceder desta maneira mais vale mudar de profissão. Se for para passar toda a gente mais vale deixar de dar aulas e dedicar-me à jardinagem ou a alguma actividade onde pelo menos apanhe sol e ar!!
Pois meus caros, por isso abandonei a sala de aula, porque não cedo, se eles não me respeitam, se eles, pela primeira vez se recusaram a sair quando eu pedi e/ou me viraram as costas quando eu estava a falar, se me desrespeitaram com palavras e atitudes então saí eu. Acabou-se a aula!

(…)

Stop

(deveria existir nas salas um “botãocostasecretário” ou “botãoverdasca” ou mesmo “botãoarianacohenrodrigues” para os chamarmos e eles nos mostrarem como se faz…)

Violência, Indisciplina, Etc

O meu depoimento completo (embora esteja quase todo transcrito) para a peça do Educare sobre o tema.

.O número de agressões contra professores dentro da escola está ou não a aumentar?
Não é possível dar uma resposta rigorosa por diversas razões relacionadas com os métodos e critérios de recolha e tratamento deste tipo de dados. Se em termos mediáticos tem havido um maior noticiário sobre o tema, em termos de proximidade a minha experiência é a de que este fenómeno se tem mantido, só que antes com menor divulgação. Os números “oficiais” parecem indicar uma redução das ocorrências, mas os critérios de recolha dos dados nem sempre são os mesmos e, muito em especial, os critérios para a sua comunicação por parte de escolas e professores estão longe de ser uniformes. porque aquilo que é considerado importante numa escola ou agrupamento nem sempre é tratado da mesma forma em outro. Conheço casos pela comunicação social que têm traços de menor gravidade do que outros que conheci de forma directa ou por testemunho pessoal de quem esteve envolvido. Há casos não reportados por embaraço de quem esteve envolvido, por estratégia da gestão da escola de não criar alarmismos ou mesmo de receio de represálias.
.
.O que se está a passar? A falta de valorização da classe docente contribui, de alguma forma, para a perda de respeito por parte de quem agride os professores?
O que se passa quando existem agressões físicas ou verbais a professores é a erosão do civismo mínimo de parte da população. Claro que não ajudou termos governantes ou comentadores na comunicação social a amesquinhar durante anos os professores acusando-os das maiores tropelias, grande parte delas absolutamente imaginárias, desde o desprezo pelo sucesso dos alunos até ao egoísmo de quererem receber “retroactivos”. A última década foi fértil nesse discurso anti-professores, assim como a presente omissão dos governantes desta área tem contrastado com a dos seus pares na Saúde ou Justiça. Claro que existem docentes com práticas que podem merecer crítica, mas o recurso à intimidação e à violência é o sinal de uma sociedade em que os valores da cidadania estão em perda.
.
.Quais as medidas que devem ser tomadas? O que fazer? De que forma deve o Ministério da Educação atuar?
A questão não se resolve de forma simples ou rápida. E não deve ceder a imediatismos demagógicos ou limitar-se a intervenções esporádicas. O mais importante seria que o Ministério promovesse, de forma activa, um programa de sensibilização parental para o respeito pelos professores.
E que as associações representativas dos encarregados de educação com maior intervenção na comunicação social não surgissem, em regra, mais preocupadas em apontar as falhas do que em elogiar os méritos. Como encarregado de educação que também sou não me sinto “representado” na generalidade das intervenções feitas pelos que se apresentam como representantes oficiais das organizações parentais, pois parecem só conseguir apoiar os professores a contragosto.
O problema da falta de civismo está longe de se circunscrever a este ou aquele grupo social, pois existem práticas de bullying contra os professores (por alunos e pais) com origem em estratos que se sentem com uma condição superior e que tratam os docentes como uma espécie de assalariados seus.
Isto significa que, antes de tudo, deveria existir o cuidado de não estar de forma permanente a apontar o dedo aos professores pelas eventuais falhas da Educação, negando-lhes quase sempre a responsabilidade pelos méritos. Afinal, a melhoria dos resultados dos alunos portugueses nos últimos 25 anos, assim como uma série de transformações no funcionamento das escolas, aconteceu ao mesmo tempo que se sucederam inúmeros responsáveis políticos mas em que os professores permaneceram quase os mesmos. E isso nem sempre é devidamente reconhecido por aqueles preferem guardar os louros apenas para si.
Avestruz

O Texto Para O Educare Deste Mês

Na edição que ficou hoje online está novamente o de Setembro, pelo que publico aqui o “novo” (já enviado há uma semana, mas que não parece ter perdido “actualidade”).

Isto está tudo ligado

A agenda mediática tem andado, em matérias de Educação ou afins, muito ocupada com fenómenos como a escassez de professores em vários grupos disciplinares e a violência e indisciplina nas escolas. Mas têm tratado ambos de forma estanque e sem parecer existir qualquer percepção da forma como estão ligados.

A falta de professores é algo que resulta de múltiplos factores para além da questão da deslocação e preço de quartos ou casas para alugar. Desde que me lembro, sempre existiram milhares de professores, contratados mas não só, obrigados a deslocar-se e a pagar para se instalarem para o novo ano lectivo. Na primeira metade dos anos 90 do século XX, quando havia ainda contos de réis, um quarto alugado na periferia de Lisboa, com mais ou menos serventias, levava 25 a 30 contos de um ordenado que, em termos líquidos, ficava pouco acima dos 100, em caso de horário completo. Fora as deslocações semanais para casa. O que era diferente é que mesmo com horário completo inicialmente, era comum que ele pudesse ser completado e até final do 1º período isso significava um ano de tempo de serviço. Havia instabilidade de ano para ano mas, em regra, existia alguma estabilidade durante o ano. Durante esse período, em que nunca concorri como contratado para muito longe e sempre para horários superiores a 145 horas, nunca passei pela necessidade de uma dupla colocação ou a ter de completar horário em várias escolas. É certo que estive um ano inteiro com 21 horas e outro com 18, mas nada que se compare com o que se passa agora.

Por estes dias, a situação de dupla instabilidade alia-se à degradação material das remunerações (se um quarto consumir 300 ou 400 euros de um salário inferior ou a rondar os 1000 líquidos, será racional a opção por aceitar uma colocação longe de casa?), à desvalorização simbólica da docência e à incerteza quanto à possibilidade de alguma vez se ingressar na carreira. O burnout precoce de muitos professores contratados é uma realidade e não apenas um problema dos “velhos” e o sentimento de desânimo e desmotivação é natural quando se anda em regime de turbo-professor e 7-8-10 turmas em 2 ou 3 escolas.

Não é de estranhar que, assim, sejam muitos os horários que ficam por preencher e, como consequência, existam turmas que durante meses inteiros estão várias horas por semana sem aulas, acabando por deambular pelo espaço escolar nem sempre com um propósito claro ou útil e perdendo rotinas de trabalho em sala de aula. O que também prejudica todo o processo de adaptação quando, por fim, chega @ docente substitut@ e é necessário estabelecer uma relação estável de trabalho. Acresce a isto que a desregulação dos procedimentos de colocação/contratação têm permitido um modelo em que não é raro que quem aceitou um horário, dias ou semanas depois o recusem, indo em busca de outra colocação. O que é a outra face da precarização da docência.

Esta desorientação ao nível de uma gestão míope dos recursos humanos que se pretende de “boa governança”, fascinada pelas poupanças feitas e pelos objectivos alcançados de “redução da despesa” transmite-se com uma grande rapidez ao quotidiano da vida das escolas e potencia situações de instabilidade nos alunos, quer porque ficam com muito tempo desocupado, quer porque muitas vezes não chega a existir tempo para estabelecer uma relação produtiva de trabalho entre os grupos-turma e @s professor@s que chegam e partem, sendo encarad@s como ocasionais. E quando essa base se esboroa, muito mais entra em colapso. Mesmo que se esconda isso com uma política de sucesso por decreto.

Acham que a indisciplina e o desrespeito em relação aos docentes é um fenómeno desligado da sua escassez e da precarização da sua situação laboral? Pensem melhor…

pg contradit

 

Isto Anda Tudo Ligado

Transcrevo a parte final do texto que fiz a meio da semana passada para o Educare, pensando que era para sair na última 6ª feira, quando, afinal, é apenas na próxima que sairá. Mas penso que a antecipação acabou por não lhe fazer perder a oportunidade.

Esta desorientação ao nível de uma gestão míope dos recursos humanos que se pretende de “boa governança”, fascinada pelas poupanças feitas e pelos objectivos alcançados de “redução da despesa” transmite-se com uma grande rapidez ao quotidiano da vida das escolas e potencia situações de instabilidade nos alunos, quer porque ficam com muito tempo desocupado, quer porque muitas vezes não chega a existir tempo para estabelecer uma relação produtiva de trabalho entre os grupos-turma e @s professor@s que chegam e partem, sendo encarad@s como ocasionais. E quando essa base se esboroa, muito mais entra em colapso. Mesmo que se esconda isso com uma política de sucesso por decreto.

Acham que a indisciplina e o desrespeito em relação aos docentes é um fenómeno desligado da sua escassez e da precarização da sua situação laboral? Pensem melhor…

PG 4

Importa-se De Repetir?

Numa semana marcada por várias agressões entre alunos e professores, os números oficiais disponíveis desmentem que haja uma escalada de violência dentro dos portões da escola. O que preocupa os especialistas é o cansaço e o envelhecimento da classe docente e a crescente indisciplina dos alunos.

Os números disponíveis na minha conta da água desmentem a sua falta na minha torneira, o que me preocupa enquanto não especialista é a seca e o baixo nível de água nas barragens.

Ou qualquer coisa assim, porque o meu cansaço com estatísticas marteladas é imenso. E não pensem que é apenas má língua… todos sabemos o que se passa em matéria de “reporte” de muitas “ocorrências”. Basta questionar os alunos acerca do que observam no seu quotidiano que, em termos de violência verbal atinge níveis absolutamente indescritíveis de abuso e em termos físicos não vai mais longe porque ainda se conseguem fazer alguma intervenção, com destaque para o pessoal não docente. Os RASI podem apresentar uma descida das ocorrências nos dois últimos anos, mas seria bom tentar perceber como é que, à micro-escala, isso foi possível.

Se as escolas são, globalmente, espaços seguros? Sim, ainda são. E não são mais porque as associações de directores falam muito mas agem pouco, parecendo achar que ganham mais com o soft power e o falar mansinho.

Ouroboros

E Podemos Esperar Deitados

Eu não diria que a indisciplina é “o” cancro escolar, até porque deriva de outras causas externas que metastizaram, mas o Alberto Veronesi tem toda a razão ao afirmar que “não há ninguém, nem social, nem politicamente que se solidarize com a causa e tome medidas para a erradicar das escolas!” E poderia acrescentar, sem receio de falhar muito, que cada vez é menor o apoio ou a solidariedade de proximidade.

Porque temos uma esquerda maioritariamente marcada por uma ideologia desresponsabilizadora e contemporizadora com o que acham ser “natural” ou, melhor ainda, “rebeldia” justificável contra a “Autoridade”. Há os mais velhos que, antes de irem estudar para boas universidades estrangeiras, ficaram traumatizados com a escola primária ou o Liceu e há os mais novos que já cresceram num certo clima de condescendência com a bandalheira e confundem isso com “liberdade”.

E porque temos uma direita que até se afirma muito disciplinadora mas que quando chega ao poder está mais interessada em redistribuir as fatias do orçamento para os grupos de interesses amigos e rapidamente esquecem outras promessas (caso notório de Crato, por exemplo, cuja prática nesta matéria negou em quase tudo o que afirmara publicamente anos a fio).

A indisciplina não pode ser erradicada por completo das escolas? Concordo, haverá sempre algo que assim pode ser classificado, mas pode ser prevenida ou tratada de uma forma muito mais eficaz do que com abordagens sociológicas confusas na fundamentação, psicologizantes de terceira categoria e politicamente embaraçadas com o facto de, afinal, todos serem “centenos” e ficar para a escola a missão de aplainar desigualdades que a estrutura económica não consegue reduzir (e nem quer) e o mercado laboral aumenta com a desregulação dos horários e precariedade dos vínculos contratuais.

A indisciplina – não apenas na sala de aula dirigida aos docentes, mas também aos colegas e ao próprio espaço escolar – não é uma inevitabilidade. Mas quase se torna assim quando quem tem o poder para alterar as coisas prefere embarcar nas fotos da moda e em teorizações “afectivas” de que ouviram falar, lhes parecem bem, mas seriam incapazes de fundamentar num debate a sério. Ou pior, quando quem tem esse poder de proximidade tem como primeira preocupação culpar @s professor@s (que só consideram ainda colegas, de forma oportunista e hipócrita em ocasiões seleccionadas) por quase tudo o que acontece de menos positivo, pois eles é que são “os adultos”. Talvez se tirassem o rabo do cadeirão e fossem dar uma aulinhas numa escola em que não soubessem do seu cargo talvez tivessem desagradáveis surpresas e mudassem logo a “perspectiva”.

manguito

Mas Já Não Tinham?

Há notícias que são pasmosas em tudo aquilo que nos revelam sobre ou o que se devia fazer e não fazia ou sobre o que de novo nada traz mas como novo é apresentado. Leio no Expresso (em artigo da Isabel Leiria, que muito estimo e admiro pela sua competência e conhecimentos, algo que que gostaria de deixar bem claro) que “Diretores de escolas vão ter de denunciar ao Ministério casos de bullying” e cai-me o queixo até ao chão, em especial quando o ME faz saber que:

(…) quer tolerância zero em relação aos atos de bullying e vai lançar um plano de combate com o objetivo último de o “erradicar” das escolas. O plano e a campanha associada, com o lema “Escola sem bullying. Escola sem violência” preveem um conjunto de medidas que ajudam a identificar sinais de alerta, orientam professores e escolas e levam a intervenções mais eficazes.

Um dos aspetos contemplados no plano passa por uma mudança na forma como o problema é assumido dentro das escolas. O Ministério lembra que o bullying tem de ser tratado como uma situação de “violência em meio escolar” e criou para esse efeito um novo campo no sistema de informação de segurança escolar, a plataforma usada pelos diretores para reportarem à tutela ocorrências que acontecem no interior dos estabelecimentos de ensino.

Vamos lá tentar ser educados a tratar disto e por partes pequenas para que se compreenda:

  • Todas as situações de “bullying” ou “violência em meio escolar” já há muito devem ser reportadas ao ME, em especial quando implicam medidas disciplinares sancionatórias. A sua não comunicação de forma completa, contudo, não me espanta.
  • É bem verdade que, também já de há muito (umas duas décadas ou mais) se tem feito muito, a partir do poder político e de algumas cliques académicas, para relativizar as questões da “indisciplina” e mesmo “violência em meio escolar”, não faltando aquela trupe de sociólogos acarinhados pela “reitora” (sebastiões e abrantes, nomeadamente, mas também antecedentes que remontam ao estatuto benaventista do aluno) que muito teorizaram em torno da “vitimização” dos agredidos e da necessidade de compreensão e contextualização dos actos dos “alegados agressores” (coloco aspas porque é essa a linha de pensamento seguida por esses estudiosos do tema).

(sim, eu sei que devemos distinguir “conceitos” e que indisciplina e bullying não são o mesmo, mas talvez fosse igualmente interessante não se fazerem tantas micro-distinções que até a “intensidade” de um pontapé ou murro possam servir para relativizar oq ue é ou não é “violência”)

  • Também é verdade que em muitas escolas e agrupamentos, ainda antes de se traçarem metas em contratos de autonomia ou planos de sucesso e  combate ao abandono escolar, se enveredou por uma “cosmética da indisciplina”, desincentivando o registo formal de ocorrências ou incentivando o esquecimento do seu devido tratamento de acordo com a legislação (que nem sequer é muito “autoritária”, ao contrário de algumas opiniões no canto inferior esquerdo do espectro político). Conheço de forma directa – porque pedi esses dados para o meu concelho quando estive no CME há quase uma década – a forma como escolas com evidentes problemas de disciplina, do conhecimento de toda a comunidade, reportavam superiormente menos de uma dezenas de casos por ano ou ainda menos. Ou a forma como “classificavam” actos claramente graves como ocorrências menores, evitando abrir processos disciplinares.

(tenho ainda esses dados arquivados, que vão de escolas que tudo relataram aos serviços do ME, PSP, GNR, em detalhe e pormenor às que optaram, com escasso decoro, pela versão “paraíso na terra sem pecado”)

  • O ME, da tutela política às estruturas intermédias, sempre preferiu estatísticas “limpas” sobre a indisciplina e a “violência em meio escolar” (leia-se… estatísticas com decréscimo de ocorrências) para divulgação pública, não sendo prática desconhecida a “ameaça” de que se assim não fosse, as escolas em causa poderiam ter de ser visitadas por “equipas” para as ajudar a lidar com as situações, Algo que, como também sabemos, desagrada imenso a quem, lá do topo da gestão escolar local, sente que isso pode ser uma intromissão ou desautorização, quiçá mesmo um factor de menorização da sua avaliação.
  • O bullying é um fenómeno que existe desde muito antes de ter esse nome. Nem sempre é combatido de forma eficaz por indiferença dos adultos que passaram pelo mesmo e acham que, como na tropa, as más práticas podem aceitar-se em nome do “sempre assim foi, é assim que eles crescem”, por falta de meios humanos especializados na sua prevenção, detecção precoce e combate, pela gritante incompetência de alguns que existem ou porque se prefere – por causa dos tais “indicadores” ou dos receios de “má imagem” – apresentar os momentos mais graves como ocorrências isoladas e não integradas num fenómeno contínuo de abuso verbal ou físico de alun@s mais fracos, diferentes ou apenas porque sim, pois há “matilhas” que assim agem e só não o admite quem nunca o sofreu ou observou em funcionamento.
  • Só que o bullying ganhou mediatismo, entrou na agenda dos tempos e fica bem dizer-se que se está a combatê-lo como nunca foi combatido. Com jeitinho até será estudado até ao tutano por aqueles mesmos que há 10-15 anos diziam que ele era residual ou, no limite, o resultado da “vitimização” das “alegadas vítimas”.
  • O que o ME agora fez foi apenas criar um novo campo numa plataforma electrónica, coisa que se faz em poucos minutos, como em poucos minutos já antes se poderia fazer uma pesquisa por palavra-chave na plataforma não revista para detestar este tipo de ocorrências, acaso as mesmas não andem a ser dissimuladas pelos órgãos de gestão das escolas para corresponderem a metas de “sucesso” que incluem a redução das estatísticas de indisciplina.

Ou seja… o mais certo é o novo campo ser muito pouco usado por quem já se habituou por demais a considerar sem gravidade o que a tem e a considerar ser relativamente grave o que é mesmo muito grave. Quando há verdadeiros “arrastões”, com registo documental e tudo, que acabam sem nada se passar, tudo se pode esperar. Quando há agressões físicas ou destruição de material escolar que fica sem qualquer tipo de medida disciplinar, a esperança é pouca que algo mude. Quando se “cozinham” estatísticas para caberem em intervalos de “sucesso” das medidas e “planos” já se percebeu que a realidade já nem chega a ser virtual. Em nome de se cumprirem “metas” tudo pode deixar de ter acontecido.

bullshit-detector

(fica para uma próxima prosa a questão do bullying sobre docentes… com, no mínimo, um punhado inteiro de fontes…)

Mais Um Dia Normal No Asilo Dos Lunáticos

Com jeitinho, safa-se com um pedido de desculpas, um “contrato-promessa” formal de não voltar a fazer o mesmo e a garantia informal que da próxima bate com mais força, que isto dos professores quererem cortar a liberdade e criatividade infantil é muito pouco flexível e deve ser castigado

A agressão aconteceu há uma semana, mas só nesta sexta-feira é que surgiu na estampa dos jornais: um aluno de 12 anos, agrediu a pontapé e a soco um professor de 63 anos depois deste o admoestar por estar a brincar com uma bola dentro da sala de aula.

Haddock

(que pena a jovem criança não ter a possibilidade de aplicar os seus dotes energéticos durante a visita de um qualquer dignitário ministerial… porque há sempre quem diga que nada tem a ver com estes assuntos, mesmo se colabora na implementação de políticas que amesquinham quotidianamente os professores)