Imparidades – 2

Aquilo do inversamente proporcional também se aplica ao tempo passado em sala de aulas e “sensibilidade” para o tratamento da indisciplina. Isso e políticas de encobrimento para alcançar “metas”, sendo tidos como “melhores” os que pactuam com a encenação. São “formas de estar”.

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Isto É Apenas Uma Sensação

Vale apenas o que vale. Na expressão usada por uma colega no fbook é o resultado do “sentómetro” (a que eu acrescentei a definição de “sensações sentidas enquanto sentado”). E sinto que se vai sentindo 🙂 um acréscimo de inquietude e agitação, em especial na pequenada.Há uns tempos escrevi sobre anos bons e maus, mas quer-me parecer que não é apenas no meu quintal, que a coisa se sente também em outras paragens. Quer-me parecer que – sim, já sei, os profes estão velhos e pouco pacientes e tudo isso, mas não explica tudo – é um fenómeno que não melhorará com certas generalizações inovadoras, fazendo-nos recuar ao clima dos tempos de juventude (se isso foi possível) de alguns que agora andam de novo por aí, claramente mais encanecidos.

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Para Novos, Velhos e Até Para Os Assim-Assim

Algumas coisas funcionam com uns, outras com outros, tudo depende. Mas ficar a saber ou relembrar não deixa de fazer bem às meninges.

New Teachers: Fundamentals of Classroom Management

 

Resources for developing routines, fostering classroom community, managing disruptions, and building student relationships.

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Concordo…

… com tudo isto e sou acérrimos defensor de estratégias de prevenção do abandono e insucesso escolar. Até ao ponto em que deparamos com casos em que a presença dos alunos se torna, quando não devidamente sancionada pelos actos de agressão ou desrespeito, uma factor de desânimo e medo para os restantes.

Porque, por estranho que pareça, há que nos lembrarmos que são muitos mais os que se portam bem e se podem ver diariamente agredidos ou desmoralizados perante a insensibilidade alheia e a sensação de que não há consequências para o que se faz de assumida e voluntariamente errado. Curiosamente, a menos que eu desperte com frequência o síndrome de Estocolmo, os alunos que eu castiguei com maior severidade (mas acredito que com justiça) nunca deixaram de se relacionar bem comigo. Mesmo depois de adultos, como aconteceu recentemente com alguém com quem, há cerca de 20 anos, tive o único desaguisado mais grave (por via indirecta, pois os actos gravosos não me tinham sido dirigidos, eu apenas tratei do procedimento disciplinar). Agora com os seus 35 anos, ao encontrar-me,  pediu desculpa por tudo e só não fomos beber um copo, porque eu estava na aceleração habitual.

Onde Traçamos os Limites? – 2

Para o desrespeito verbal entre alunos na sala de aula? É vagamente aceitável que alunos (se) ofendam – e não, não digam que são simples brincadeiras de crianças, porque há quem já tenha idade para saber o que está a fazer – só porque se querem sentir superiores na sua arrogância medíocre, tantas vezes validada por iguais qualidades em quem os educou assim, a amesquinhar à primeira hipótese e a dar cobertura se alguém se queixa ou aparece a traçar os tais limites da razoabilidade?

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O Sebastião é um Génio

E há muito que o velho amigo da MLR não gosta dos professores e nem o esconde muito bem. Em apenas três respostas apresenta uma mundividência que mete 120.000 professores no saco dos idiotas que criam regras só para penalizar os alunos. Para ele, no fundo, só há indisciplina porque há regras a cumprir (“João Sebastião, investigador do ISCTE e antigo responsável pelo Observatório de Segurança em Meio Escolar, aponta mais o dedo aos professores do que aos alunos.”). Pela mesmo lógica, só há crimes e criminosos porque há leis. Já quanto a observatórios, parece que existem porque há subsídios sempre que o ps vai ao pote do poder e há verbas disponíveis. Só me cruzei uma vez com a criatura e tenho pena de não lhe ter dedicado mais tempo, mas cada vez que o leio até se me arrepia o proletário que há em mim e que despreza esta sociologia do coitadinhismo que tudo quer fazer passar por normal. Raios… o meu bom senso impede-me de escrever que um idiota será sempre um idiota. Claro que não. Há quem consiga evoluir. Mas há sempre quem dê direito e espaço ao disparate sem contraditório. Se é que vale a pena, sequer, contraditar.

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Uma Situação

Todas as segundas-feiras, ali no bloco do meio da manhã, estou a massacrar os alunos da minha direcção de turma de 5º ano com coisas do Português e assim. A sala é num ponto de passagem que, na hora de mudança de turno, fica no trajecto de uma agitada turma de 9º ano que, na sua composição, tem alguns elementos que acham por bem pontapear-me a porta. ao fim de duas situações semelhantes, passei a deixar a porta encostada, de modo a que o pontapeador seja apanhado em pleno acto, a menos que apenas esmurre a porta e corra muito depressa. Há os dias em que tenho o ânimo para sair da aula e confrontar os agentes de tamanho acto de compreensível rebeldia com o establishment e partilhar com eles a minha opinião sobre a sua atitude. Nem sempre gostam, acham-me áspero no trato. Costumo responder que eles foram ásperos no trato com a porta da  inha sala, material escolar a que me habituei a afeiçoar e por cujo bem estar gosto de velar (a Parque Escolar passa sempre longe e os danos têm de ser resolvidos internamente). E com o tempo consigo que a minha aspereza desaconselhe a aspereza dos pontapés e murros, mesmo se nem sempre passo por bom da cabeça. Mas eu explico sempre que a experiência deles como radicais livres é imensamente menor do que a minha e ou temos respeito uns pelos outros ou a coisa anda mal, muito mal. Mas não “os ponho na rua”, mesmo se por vezes questiono se é assim que tratam as portas lá de casa e se não querem ir rebelar-se à mesa do jantar.

A modos que tenho mau feitio, mas raramente não percebem o ponto em questão.

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Tirar o Tapete aos Ex-Colegas

“Sou director há 14 anos e nunca suspendi um aluno, nem nunca o farei. Porque mandar um aluno para a rua é mandar também o problema para a rua e isso não se faz. Isto não quer dizer que não tenhamos tido problemas graves, mas conseguimos resolvê-los na escola”, refere a propósito o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira.

Se um dia for agredido a sério por um aluno (como já aconteceu a outros) quero ver como se resolve a coisa. Na Polícia? E depois ainda dizem que não há razões para burnout docente quando um director afirma publicamente isto, dando toda a margem de comportamento aos alunos. Para além de dizer que assumidamente não pretende cumprir uma lei em vigor.

Quase tão mau como isto só uma então secretária de Estado afirmar num programa televisivo que cuspir num professor não era necessariamente uma infracção grave ou muito grave.

Cruzes, há gente com muita sorte por (não) dar aulas onde dá. Ou então vivemos mesmo em planetas (físicos e mentais) diferentes. Até porque há megas com mais alunos do que a população de toda a sede de concelho.

Mas eu sou um matamouros abrutalhado, como se sabe. Só que dou mesmo aulas, enquanto há quem não o faça há muito e viva em ambiente protegido. E não me incomoda dizê-lo.

NEVER SAY NEVER AGAIN [BR / US / GER 1983]