Para Quando Um Plano De Não-Retenção No Ensino Superior?

Porque é um desperdício de meios financeiros e capital humano o que se anda a passar ,pois mesmo em licenciaturas bolonhesas (não estamos a falar de Medicinas ou coisas assim), nem metade dos alunos as completa com um percurso directo de sucesso em 3 ou 4 anos. Penso que este insucesso poderia ser combatido com um PNPSE para o Ensino Superior, ao qual se deveria estender a lógica dos PIPP. Porque é sempre possível às instituições e aos professores trabalharem mais com os alunos e diversificar melhor as suas metodologias e abordagens pedagógicas.

O estudo da DGEEC de 2018 é o seguinte:

PERCURSOS NO ENSINO SUPERIOR
Situação após quatro anos dos alunos inscritos em licenciaturas de três anos

Há muitos dados interessantes, mas este quadro é um resumo bem revelador do flagelo do insucesso escolar no Ensino Superior, sendo que o dinheiro dos contribuintes não é infinito e deveriam existir medidas para estancar esta hemorragia, pois o custo por aluno é elevado e não sei quantos milhões poderíamos poupar para outras áreas da governação como a promoção do Turismo ou os incentivos fiscais para aposentados estrangeiros que se fixem no país. Ou para chineses com cartões de crédito dourados.

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E para quem diz que a nota de ingresso não prevê o desempenho dos alunos, embora possam ter razão nas excepções, não a têm na regra, como bem se pode ver.

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Mas, claro, devemos esquecer esse método arcaico e ineficaz de “selecção” dos alunos.

O Expresso De Sexta Quase À Meia Noite

Onde se podem tirar dúvidas sobre o que foi dito efectivamente. E onde, como disse quando recebi o inesperado convite, iria estar quase sempre numa proporção de 1 para 3. Mas antes isso do que todos a empurrar para o lado da demagogia.

Do ME ninguém aceitou ir, deixando de forma pouco corajosa para a presidente do CNE o ónus de defender o que outros assumem apenas pela metade; já a recusa do ex-presidente do CNE, David Justino, se compreende à luz do que ele defende e do que foi a intervenção do líder do seu partido no Parlamento. Ou foram só mesmo questões de agenda, claro.

Redução dos chumbos escolares

ExpMeiaNoite

Este Homem Quer Ficar Na História

(não sei bem se como o coveiro da escola pública e o grande impulsionador das alternativas privadas…)

Tiago Brandão Rodrigues: Não haverá “eliminação administrativa” de chumbos, mas mais trabalho com alunos

Mais trabalho com os alunos?

Porquê? Os professores trabalham pouco, é isso? Não se esforçam? O ministro Tiago pensa assim? Não terá sido por causa de tantas reuniões com quem não dá aulas?

E já agora, como? Seduzindo-os? Forçando-os a ir às aulas ou a outras actividades? O ministro Tiago oferece-se para demonstrar como se faz, mas sem escolher escola e turma? Pode trazer o SE Costa com ele?

E, já agora, assumir o fim das provas finais de 9º ano.

Claro que já apareceu o do costume a reclamar a paternidade da criança.

METiago

Pode Servir Para Não Desmoralizar Grande Parte Dos Alunos Da Turma…

… que se esforçam por não faltar, abandalhar ou gozar com tudo à volta.

Chumbar um aluno “não serve para nada”, diz presidente do Conselho Nacional de Educação

É absolutamente intolerável que esta nova vida de certas cliques ideológicas do terceiro quartel do século XX se faça à custa de acusar os professores pelo mau desempenho dos seus alunos, dando um ar de legitimação às teses economicistas que são o aspecto nuclear das preocupações do governo nesta matéria.

Quem sabe um pouco de História Comparada da Educação sabe que, com algumas nuances, o No Child Left Behind (que é, curiosamente, a inspiração retórica mais próxima da actual investida entre nós, sendo uma iniciativa do Bush Jr.) terminou em fiasco e acabou com o desempenho dos alunos americanos pior do que antes. Por lá demorou uma dúzia de anos a reconhecer nisso. Por cá, basta ficarem sempre os mesmos – ou os seus herdeiros – a dominar o CNE ou o ME e será sempre um sucesso.

Os erros do NCLB foram reconhecidos em plena era Obama (para que não restem dúvidas sobre o facto de não ter sido a “direita” a acabar com a coisa) e seria bom que aprendêssemos com eles. Caso exista ainda quem tenha vontade de aprender, após décadas de enquistamento intelectual em teses ultrapassadas.

A minha opinião, em resumo de sete minutos, ficou hoje no fim (a partir dos 42′) do Antena Aberta da Antena Um.

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(a abrir, o SE Costa já apareceu a dizer que afinal se anda a discutir um plano que ainda não existe e tal… o costume após ter sido atirado o barro à parede e tocado à campaínha dos amigos MEM do CNE)

 

Mais 118.500 Euros Para Aqueles Senhores (Que, Por Acaso, Até São Conhecidos)

Para “Aquisição de serviços de Avaliação do Contributo do Portugal 2020 para a Promoção do Sucesso Educativo, Redução do Abandono Escolar Precoce e Empregabilidade dos Jovens para o Programa Operacional Capital Humano (POCH)”.

Reparem agora numa das empresas do “consórcio” ganhador e, muito em especial, na sua equipa. Mas podem também ir em busca do resto.

.Quem diz que o abandono escolar precoce não tem valor económico?

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Alentejo 2020

Concordo sem reservas que as zonas mais desfavorecidas devem ter um tratamento preferencial na distribuição de verbas (comparticipação de verbas europeias entre 77% e 85%). Embora não seja já o bastião de outrora, ainda boa parte do Alentejo é vermelha. Talvez seja essa uma das razões da real politik do PCP com a geringonça, porque assim sempre se acede com mais facilidade aos dinheirinhos da União Europeia de que se se dizia que não deveríamos fazer parte. Aqui estão os projectos aprovados até 31 de Março deste ano. A tabela em excel fica aqui: 2020ALENTEJO projetos_aprovados_31MAR2019.

No âmbito dos “TEIP, PIEF, Mais Sucesso” há 18 projetos a custarem mais 16,6 M€ (14,1 de comparticipação). O projecto que leva mais dinheiro (mais de 2 milhões de euros) apresenta a seguinte fundamentação:

Esta operação pretende dar uma resposta global às diferentes problemáticas identificadas na fusão de diferentes diagnósticos efetuados, promovendo assim, os valores de Identidade, Qualidade, Autonomia, Inovação, Participação e Cidadania, pilares fundamentais a uma Escola que se identifica como um Movimento de vontades no prosseguimento de objetivos Nobres comuns, recusando o elitismo e rompendo os seus próprios muros.

Caramba… que naco de prosa.

E depois há os PICIS, 37 deles, 34 de municípios e 3 de Comunidades Intermunicipais, que levam um valor unitário mais baixo, mas mesmo assim são 17,1 M€ (14,5 em comparticipações). A fundamentação parece ter sido fotocopiada. Há conco municípios que apresentam a mesma:

Esta operação materializa o contributo específico que o Município de […], de forma complementar e articulada com a ação do Agrupamento de Escolas, se propõe desenvolver com vista a promover a igualdade no acesso ao ensino, a melhoria do sucesso educativo dos alunos e a qualidade e eficiência do sistema de educação a nível local.

Mas a minha descrição favorita é a de outros cinco que optam por outro prato da ementa:

O Município de […] decidiu apostar no desenvolvimento de uma abordagem de intervenção sistémica e holística do aluno e da problemática do insucesso e abandono escolar.Foi assim delineado um plano integrado de combate ao insucesso que integra a estruturação de uma equipa multidisciplinar e promove o desenvolvimento de novas metodologias e conteúdos pedagógicos,bem como a construção de uma ferramenta de monitorização de todo o meio escola

Como menções honrosas destaco:

É um projeto com profundidade e densidade pedagógica que envolve todos os atores num mesmo desígnio: a promoção do sucesso escolar como base num “território educador” que tem como ideia mobilizadora “uma adaptação emergente e uma mitigação do desperdício com vista à vitalidade do futuro”. (Odemira)

Esta candidatura, de âmbito social, visa tirar partido das sinergias existentes na comunidade como instrumento de prevenção ao abandono escolar e promoção do sucesso educativo; estruturando-se ações em domínios do conhecimento que são cruciais para a integridade dos indivíduos. Pretende-se um amplo envolvimento comunitário em torno deste projeto no qual a componente de territorialidade é determinante para implementação e sucesso da iniciativa. (Castelo de Vide)

O projecto consiste numa intervenção multifacetada tendente ao desenvolvimento de práticas socializadoras, identitárias e potenciadoras do desenvolvimento pessoal das crianças e jovens, que contribuam para a redução do insucesso e abandono escolar, melhorando as questões da disciplina em contexto escolar. (Beja)

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Lisboa 2020: TEIP, PICIS, CEF, Qualifica, Etc

Por Lisboa a comparticipação europeia é mais baixa (30%), mas há mesmo assim muito dinheiro a circular nos projectos já aprovados. Na tabela que incluo (Lisboa 2020 Abril19), na “folha 1”, fiz um apanhado do que tem mais a ver com o Ensino Básico e Secundário. Para 44 TEIP há 15 M€ (7,5 em comparticipações do FSE, para os 12 PICIS (os tais Planos Inovadores de Combate ao Insucesso Escolar) municipais há 10,2 M€ (5,1 do FSE), para 25 CEF há mais de 4,7 M€ (e encontrarão lá instituições interessantes como aquela Ensinus do outro dia), mas os 13 Cursos Profissionais aprovados levam mais dinheiro à unidade apresentam como despesas elegíveis 6,5 M€ (a comparticipação europeia continua a ser de 50%). A fatia maior vai para os Centros Qualifica, que estão longe de estar restritos à rede pública de escolas, pois os 59 projectos estão orçados em mais de 11,6 M€.

Tudo junto, 153 projectos (2041 a 2193 da tabela), têm um custo apresentado como elegível superior a 48 milhões de euros, mais de 24 com comparticipação do FSE. Espera-se, no mínimo que o insucesso escolar fique erradicado de vez, bem como se espera uma elevação sensível (embora sem ser ao nível das NO) na qualificação da população adulta. Pelo menos começo a perceber algumas coisas de proximidade.

Lisboa2020