Alentejo 2020

Concordo sem reservas que as zonas mais desfavorecidas devem ter um tratamento preferencial na distribuição de verbas (comparticipação de verbas europeias entre 77% e 85%). Embora não seja já o bastião de outrora, ainda boa parte do Alentejo é vermelha. Talvez seja essa uma das razões da real politik do PCP com a geringonça, porque assim sempre se acede com mais facilidade aos dinheirinhos da União Europeia de que se se dizia que não deveríamos fazer parte. Aqui estão os projectos aprovados até 31 de Março deste ano. A tabela em excel fica aqui: 2020ALENTEJO projetos_aprovados_31MAR2019.

No âmbito dos “TEIP, PIEF, Mais Sucesso” há 18 projetos a custarem mais 16,6 M€ (14,1 de comparticipação). O projecto que leva mais dinheiro (mais de 2 milhões de euros) apresenta a seguinte fundamentação:

Esta operação pretende dar uma resposta global às diferentes problemáticas identificadas na fusão de diferentes diagnósticos efetuados, promovendo assim, os valores de Identidade, Qualidade, Autonomia, Inovação, Participação e Cidadania, pilares fundamentais a uma Escola que se identifica como um Movimento de vontades no prosseguimento de objetivos Nobres comuns, recusando o elitismo e rompendo os seus próprios muros.

Caramba… que naco de prosa.

E depois há os PICIS, 37 deles, 34 de municípios e 3 de Comunidades Intermunicipais, que levam um valor unitário mais baixo, mas mesmo assim são 17,1 M€ (14,5 em comparticipações). A fundamentação parece ter sido fotocopiada. Há conco municípios que apresentam a mesma:

Esta operação materializa o contributo específico que o Município de […], de forma complementar e articulada com a ação do Agrupamento de Escolas, se propõe desenvolver com vista a promover a igualdade no acesso ao ensino, a melhoria do sucesso educativo dos alunos e a qualidade e eficiência do sistema de educação a nível local.

Mas a minha descrição favorita é a de outros cinco que optam por outro prato da ementa:

O Município de […] decidiu apostar no desenvolvimento de uma abordagem de intervenção sistémica e holística do aluno e da problemática do insucesso e abandono escolar.Foi assim delineado um plano integrado de combate ao insucesso que integra a estruturação de uma equipa multidisciplinar e promove o desenvolvimento de novas metodologias e conteúdos pedagógicos,bem como a construção de uma ferramenta de monitorização de todo o meio escola

Como menções honrosas destaco:

É um projeto com profundidade e densidade pedagógica que envolve todos os atores num mesmo desígnio: a promoção do sucesso escolar como base num “território educador” que tem como ideia mobilizadora “uma adaptação emergente e uma mitigação do desperdício com vista à vitalidade do futuro”. (Odemira)

Esta candidatura, de âmbito social, visa tirar partido das sinergias existentes na comunidade como instrumento de prevenção ao abandono escolar e promoção do sucesso educativo; estruturando-se ações em domínios do conhecimento que são cruciais para a integridade dos indivíduos. Pretende-se um amplo envolvimento comunitário em torno deste projeto no qual a componente de territorialidade é determinante para implementação e sucesso da iniciativa. (Castelo de Vide)

O projecto consiste numa intervenção multifacetada tendente ao desenvolvimento de práticas socializadoras, identitárias e potenciadoras do desenvolvimento pessoal das crianças e jovens, que contribuam para a redução do insucesso e abandono escolar, melhorando as questões da disciplina em contexto escolar. (Beja)

rainbow

Lisboa 2020: TEIP, PICIS, CEF, Qualifica, Etc

Por Lisboa a comparticipação europeia é mais baixa (30%), mas há mesmo assim muito dinheiro a circular nos projectos já aprovados. Na tabela que incluo (Lisboa 2020 Abril19), na “folha 1”, fiz um apanhado do que tem mais a ver com o Ensino Básico e Secundário. Para 44 TEIP há 15 M€ (7,5 em comparticipações do FSE, para os 12 PICIS (os tais Planos Inovadores de Combate ao Insucesso Escolar) municipais há 10,2 M€ (5,1 do FSE), para 25 CEF há mais de 4,7 M€ (e encontrarão lá instituições interessantes como aquela Ensinus do outro dia), mas os 13 Cursos Profissionais aprovados levam mais dinheiro à unidade apresentam como despesas elegíveis 6,5 M€ (a comparticipação europeia continua a ser de 50%). A fatia maior vai para os Centros Qualifica, que estão longe de estar restritos à rede pública de escolas, pois os 59 projectos estão orçados em mais de 11,6 M€.

Tudo junto, 153 projectos (2041 a 2193 da tabela), têm um custo apresentado como elegível superior a 48 milhões de euros, mais de 24 com comparticipação do FSE. Espera-se, no mínimo que o insucesso escolar fique erradicado de vez, bem como se espera uma elevação sensível (embora sem ser ao nível das NO) na qualificação da população adulta. Pelo menos começo a perceber algumas coisas de proximidade.

Lisboa2020

 

Centro 2020: Mais Sucesso e Mais Planos Inovadores

A tabela consegue-se aqui. Para 13 projectos “PEIP, PIEF, Mais Sucesso” são 9 milhões de euros, comparticipados em mais de 7,7 milhões pelo FSE, que vão para os agrupamentos (perto de 700.000 euros em média). No caso dos “Planos Inovadores de Combate ao Insucesso Escolar”, apenas 8 custam 35,5 M€, comparticipados com 28,5 M€ de verbas europeias, o que dá uma média de 4,5 M€ para cada projecto da responsabilidade de 8 CIM. Se não acreditam, façam as contas, estas e a outras coisas que lá aparecem: Centro 2020 ProjetosAprovados. Nem sei para que querem oficializar a regionalização. Depois digam-me se deram por alguma coisa.

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Norte 2020: Planos Integrados E Inovadores De Combate Ao Insucesso Escolar

Podem consultar-se a partir daqui. De qualquer modo, fica a tabela completa (N2020_RelatorioPublicitacao_Aprov31052019_abordagensterritoriais_final), sendo que existem 137 projectos, desde o nº 6929 ao 7065 (podem filtrar ao consultarem) num valor próximo dos 47 M€ para municípios e comunidades intermunicipais. É por aqui que passa boa parte do novo financiamento autárquico, pois a participação municipal é de apenas uns 15% do total.

Quem diz que o insucesso não rende?

Money3

A Verdade É Que A Flexibilidade Foi Muito Maior Na Avaliação Do Que No Currículo

E se fizerem as contas depressa, depressinha, perceberão que este ano o milagre rosa das passagens ainda é maior.

Chumbos no ensino básico e secundário continuam a diminuir

Taxas de retenção nunca foram tão baixas, indicam as estatísticas relativas a 2017/18 agora divulgadas.

Será que conseguem ter um powerpoint a tempo da campanha eleitoral com os dados deste ano milagroso? Para demonstrar que, por exemplo, até os anos sem flexibilidade  curricular foram positivamente atingidos pela mudança de paradigma?

Claro que se pode colocar a questão… se a evolução tem sido tão boa, bastando governantes preclaros, firmes e hirtos, para que faz falta a municipalização?

Beaker-Bunsen

A Ler

Só falta vir a réplica irritada dos pachecos e pachequinhos. Porque não querem perceber que uma escola experimental pode ser um sucesso aqui e ali ou mesmo em todo um pequeno país do terceiro-mundo ou numa província amazónica mas, no mundo ocidental actual, apenas acaba por agravar a diferença entre os que podem escapar à rebaldaria e aqueles que lá ficam, por ausência de alternativas ou porque querem ainda creditar muito que a Escola Pública pode ser outra coisa. Basta ver, em matéria de coerência, o que certos governantes fazem com a sua descendência. Ou já escaparam no tempo ou escapam no espaço.

Uma fábrica de desigualdades

Vítimas de teorias e práticas pedagógicas que já eram velhas há 40 anos, porque lhes dão jeito para camuflar o insucesso que realmente existe e continuará a existir por este caminho, há escolas (e cada vez são mais) que vivem um autêntico PREC educativo.

Finger

4ª Feira

Quando se entra numa sala e o caixote dos papéis está repleto de folhas de apontamentos ou fichas informativas das disciplinas anteriores, porque os ditosos discentes acharam tudo isso supérfluo, não percebo bem porque tenham de ser @s docentes dessas mesmas disciplinas a justificar o putativo e expectável insucesso em qualquer actividade de avaliação, mesmo que formativa. E quanto a “atitudes e valores” estamos conversados.

diario