Por Matosinhos (E Mais Além)

São 90.000 euros para:

AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS PARA CONCEÇÃO, IMPLEMENTAÇÃO, MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DE UM PROJETO DE INOVAÇÃO PEDAGÓGICA PARA EB1 DO PADRÃO, DE COMBATE AO INSUCESSO ESCOLAR

Por 46 meses até que pode não parecer muito, mas é, pois trata-se apenas de uma escola. Pelos vistos, as autarquias não têm meios humanos para tratar destes assuntos, mas dinheirinho não lhes falta.

O insucesso escolar dá de comer um pouco por todo o país. A Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central tem 60.000 euros só para propaganda do que vai fazer.

Aquisição de serviços de Promoção e divulgação do Programa Intermunicipal de Combate ao Insucesso Escolar

Mas há tanta mais coisa… como contratos de prestação de serviço por dois anos e mais por valores mensais do 1º escalão da carreira docente (ver o caso de Mora). Mas ainda bem… só é pena que as escolas não tenham esses meios humanos nos seus quadros.

Só mais uma… a Comunidade Intermunicipal do Ave por 69 dias de prestação de serviços, paga 55.000 euros com a seguinte descrição

No âmbito das políticas governamentais definidas para a intervenção ao nível das temáticas da educação, com as quais a CIM do Ave e seus Municípios constituintes estão alinhadas, tendo em vista a concretização das prioridades regionais e locais definidas no Pacto para o Desenvolvimento e Coesão Territorial, nomeadamente no que respeita à Prioridade de Investimento “10.1. – Redução e prevenção do abandono escolar precoce e estabelecimento de condições de igualdade no acesso à educação infantil, primária e secundária, incluindo percursos de aprendizagem, formais, não formais e informais, para a reintegração no ensino e formação”

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Como Não Sou Especialista, Acho Que Se Deveriam Combater As Desigualdades Socio-Económicas Antes de Achar Que O Sucesso Se Consegue Por Milagre Pedagógico À Base de Puffs E Zingarelhos

Até pode funcionar como excepção, mas como regra, as sociedades menos desiguais dispensam uma série de estratégias preventivas, remediativas ou etc.

Desigualdades económicas continuam a limitar sucesso dos alunos

PobrePortugal

Para Quando Um Plano De Não-Retenção No Ensino Superior?

Porque é um desperdício de meios financeiros e capital humano o que se anda a passar ,pois mesmo em licenciaturas bolonhesas (não estamos a falar de Medicinas ou coisas assim), nem metade dos alunos as completa com um percurso directo de sucesso em 3 ou 4 anos. Penso que este insucesso poderia ser combatido com um PNPSE para o Ensino Superior, ao qual se deveria estender a lógica dos PIPP. Porque é sempre possível às instituições e aos professores trabalharem mais com os alunos e diversificar melhor as suas metodologias e abordagens pedagógicas.

O estudo da DGEEC de 2018 é o seguinte:

PERCURSOS NO ENSINO SUPERIOR
Situação após quatro anos dos alunos inscritos em licenciaturas de três anos

Há muitos dados interessantes, mas este quadro é um resumo bem revelador do flagelo do insucesso escolar no Ensino Superior, sendo que o dinheiro dos contribuintes não é infinito e deveriam existir medidas para estancar esta hemorragia, pois o custo por aluno é elevado e não sei quantos milhões poderíamos poupar para outras áreas da governação como a promoção do Turismo ou os incentivos fiscais para aposentados estrangeiros que se fixem no país. Ou para chineses com cartões de crédito dourados.

EnsinoSuperior

E para quem diz que a nota de ingresso não prevê o desempenho dos alunos, embora possam ter razão nas excepções, não a têm na regra, como bem se pode ver.

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Mas, claro, devemos esquecer esse método arcaico e ineficaz de “selecção” dos alunos.

O Expresso De Sexta Quase À Meia Noite

Onde se podem tirar dúvidas sobre o que foi dito efectivamente. E onde, como disse quando recebi o inesperado convite, iria estar quase sempre numa proporção de 1 para 3. Mas antes isso do que todos a empurrar para o lado da demagogia.

Do ME ninguém aceitou ir, deixando de forma pouco corajosa para a presidente do CNE o ónus de defender o que outros assumem apenas pela metade; já a recusa do ex-presidente do CNE, David Justino, se compreende à luz do que ele defende e do que foi a intervenção do líder do seu partido no Parlamento. Ou foram só mesmo questões de agenda, claro.

Redução dos chumbos escolares

ExpMeiaNoite

Este Homem Quer Ficar Na História

(não sei bem se como o coveiro da escola pública e o grande impulsionador das alternativas privadas…)

Tiago Brandão Rodrigues: Não haverá “eliminação administrativa” de chumbos, mas mais trabalho com alunos

Mais trabalho com os alunos?

Porquê? Os professores trabalham pouco, é isso? Não se esforçam? O ministro Tiago pensa assim? Não terá sido por causa de tantas reuniões com quem não dá aulas?

E já agora, como? Seduzindo-os? Forçando-os a ir às aulas ou a outras actividades? O ministro Tiago oferece-se para demonstrar como se faz, mas sem escolher escola e turma? Pode trazer o SE Costa com ele?

E, já agora, assumir o fim das provas finais de 9º ano.

Claro que já apareceu o do costume a reclamar a paternidade da criança.

METiago

Pode Servir Para Não Desmoralizar Grande Parte Dos Alunos Da Turma…

… que se esforçam por não faltar, abandalhar ou gozar com tudo à volta.

Chumbar um aluno “não serve para nada”, diz presidente do Conselho Nacional de Educação

É absolutamente intolerável que esta nova vida de certas cliques ideológicas do terceiro quartel do século XX se faça à custa de acusar os professores pelo mau desempenho dos seus alunos, dando um ar de legitimação às teses economicistas que são o aspecto nuclear das preocupações do governo nesta matéria.

Quem sabe um pouco de História Comparada da Educação sabe que, com algumas nuances, o No Child Left Behind (que é, curiosamente, a inspiração retórica mais próxima da actual investida entre nós, sendo uma iniciativa do Bush Jr.) terminou em fiasco e acabou com o desempenho dos alunos americanos pior do que antes. Por lá demorou uma dúzia de anos a reconhecer nisso. Por cá, basta ficarem sempre os mesmos – ou os seus herdeiros – a dominar o CNE ou o ME e será sempre um sucesso.

Os erros do NCLB foram reconhecidos em plena era Obama (para que não restem dúvidas sobre o facto de não ter sido a “direita” a acabar com a coisa) e seria bom que aprendêssemos com eles. Caso exista ainda quem tenha vontade de aprender, após décadas de enquistamento intelectual em teses ultrapassadas.

A minha opinião, em resumo de sete minutos, ficou hoje no fim (a partir dos 42′) do Antena Aberta da Antena Um.

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(a abrir, o SE Costa já apareceu a dizer que afinal se anda a discutir um plano que ainda não existe e tal… o costume após ter sido atirado o barro à parede e tocado à campaínha dos amigos MEM do CNE)