Pode Servir Para Não Desmoralizar Grande Parte Dos Alunos Da Turma…

… que se esforçam por não faltar, abandalhar ou gozar com tudo à volta.

Chumbar um aluno “não serve para nada”, diz presidente do Conselho Nacional de Educação

É absolutamente intolerável que esta nova vida de certas cliques ideológicas do terceiro quartel do século XX se faça à custa de acusar os professores pelo mau desempenho dos seus alunos, dando um ar de legitimação às teses economicistas que são o aspecto nuclear das preocupações do governo nesta matéria.

Quem sabe um pouco de História Comparada da Educação sabe que, com algumas nuances, o No Child Left Behind (que é, curiosamente, a inspiração retórica mais próxima da actual investida entre nós, sendo uma iniciativa do Bush Jr.) terminou em fiasco e acabou com o desempenho dos alunos americanos pior do que antes. Por lá demorou uma dúzia de anos a reconhecer nisso. Por cá, basta ficarem sempre os mesmos – ou os seus herdeiros – a dominar o CNE ou o ME e será sempre um sucesso.

Os erros do NCLB foram reconhecidos em plena era Obama (para que não restem dúvidas sobre o facto de não ter sido a “direita” a acabar com a coisa) e seria bom que aprendêssemos com eles. Caso exista ainda quem tenha vontade de aprender, após décadas de enquistamento intelectual em teses ultrapassadas.

A minha opinião, em resumo de sete minutos, ficou hoje no fim (a partir dos 42′) do Antena Aberta da Antena Um.

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(a abrir, o SE Costa já apareceu a dizer que afinal se anda a discutir um plano que ainda não existe e tal… o costume após ter sido atirado o barro à parede e tocado à campaínha dos amigos MEM do CNE)

 

Mais 118.500 Euros Para Aqueles Senhores (Que, Por Acaso, Até São Conhecidos)

Para “Aquisição de serviços de Avaliação do Contributo do Portugal 2020 para a Promoção do Sucesso Educativo, Redução do Abandono Escolar Precoce e Empregabilidade dos Jovens para o Programa Operacional Capital Humano (POCH)”.

Reparem agora numa das empresas do “consórcio” ganhador e, muito em especial, na sua equipa. Mas podem também ir em busca do resto.

.Quem diz que o abandono escolar precoce não tem valor económico?

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Alentejo 2020

Concordo sem reservas que as zonas mais desfavorecidas devem ter um tratamento preferencial na distribuição de verbas (comparticipação de verbas europeias entre 77% e 85%). Embora não seja já o bastião de outrora, ainda boa parte do Alentejo é vermelha. Talvez seja essa uma das razões da real politik do PCP com a geringonça, porque assim sempre se acede com mais facilidade aos dinheirinhos da União Europeia de que se se dizia que não deveríamos fazer parte. Aqui estão os projectos aprovados até 31 de Março deste ano. A tabela em excel fica aqui: 2020ALENTEJO projetos_aprovados_31MAR2019.

No âmbito dos “TEIP, PIEF, Mais Sucesso” há 18 projetos a custarem mais 16,6 M€ (14,1 de comparticipação). O projecto que leva mais dinheiro (mais de 2 milhões de euros) apresenta a seguinte fundamentação:

Esta operação pretende dar uma resposta global às diferentes problemáticas identificadas na fusão de diferentes diagnósticos efetuados, promovendo assim, os valores de Identidade, Qualidade, Autonomia, Inovação, Participação e Cidadania, pilares fundamentais a uma Escola que se identifica como um Movimento de vontades no prosseguimento de objetivos Nobres comuns, recusando o elitismo e rompendo os seus próprios muros.

Caramba… que naco de prosa.

E depois há os PICIS, 37 deles, 34 de municípios e 3 de Comunidades Intermunicipais, que levam um valor unitário mais baixo, mas mesmo assim são 17,1 M€ (14,5 em comparticipações). A fundamentação parece ter sido fotocopiada. Há conco municípios que apresentam a mesma:

Esta operação materializa o contributo específico que o Município de […], de forma complementar e articulada com a ação do Agrupamento de Escolas, se propõe desenvolver com vista a promover a igualdade no acesso ao ensino, a melhoria do sucesso educativo dos alunos e a qualidade e eficiência do sistema de educação a nível local.

Mas a minha descrição favorita é a de outros cinco que optam por outro prato da ementa:

O Município de […] decidiu apostar no desenvolvimento de uma abordagem de intervenção sistémica e holística do aluno e da problemática do insucesso e abandono escolar.Foi assim delineado um plano integrado de combate ao insucesso que integra a estruturação de uma equipa multidisciplinar e promove o desenvolvimento de novas metodologias e conteúdos pedagógicos,bem como a construção de uma ferramenta de monitorização de todo o meio escola

Como menções honrosas destaco:

É um projeto com profundidade e densidade pedagógica que envolve todos os atores num mesmo desígnio: a promoção do sucesso escolar como base num “território educador” que tem como ideia mobilizadora “uma adaptação emergente e uma mitigação do desperdício com vista à vitalidade do futuro”. (Odemira)

Esta candidatura, de âmbito social, visa tirar partido das sinergias existentes na comunidade como instrumento de prevenção ao abandono escolar e promoção do sucesso educativo; estruturando-se ações em domínios do conhecimento que são cruciais para a integridade dos indivíduos. Pretende-se um amplo envolvimento comunitário em torno deste projeto no qual a componente de territorialidade é determinante para implementação e sucesso da iniciativa. (Castelo de Vide)

O projecto consiste numa intervenção multifacetada tendente ao desenvolvimento de práticas socializadoras, identitárias e potenciadoras do desenvolvimento pessoal das crianças e jovens, que contribuam para a redução do insucesso e abandono escolar, melhorando as questões da disciplina em contexto escolar. (Beja)

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Lisboa 2020: TEIP, PICIS, CEF, Qualifica, Etc

Por Lisboa a comparticipação europeia é mais baixa (30%), mas há mesmo assim muito dinheiro a circular nos projectos já aprovados. Na tabela que incluo (Lisboa 2020 Abril19), na “folha 1”, fiz um apanhado do que tem mais a ver com o Ensino Básico e Secundário. Para 44 TEIP há 15 M€ (7,5 em comparticipações do FSE, para os 12 PICIS (os tais Planos Inovadores de Combate ao Insucesso Escolar) municipais há 10,2 M€ (5,1 do FSE), para 25 CEF há mais de 4,7 M€ (e encontrarão lá instituições interessantes como aquela Ensinus do outro dia), mas os 13 Cursos Profissionais aprovados levam mais dinheiro à unidade apresentam como despesas elegíveis 6,5 M€ (a comparticipação europeia continua a ser de 50%). A fatia maior vai para os Centros Qualifica, que estão longe de estar restritos à rede pública de escolas, pois os 59 projectos estão orçados em mais de 11,6 M€.

Tudo junto, 153 projectos (2041 a 2193 da tabela), têm um custo apresentado como elegível superior a 48 milhões de euros, mais de 24 com comparticipação do FSE. Espera-se, no mínimo que o insucesso escolar fique erradicado de vez, bem como se espera uma elevação sensível (embora sem ser ao nível das NO) na qualificação da população adulta. Pelo menos começo a perceber algumas coisas de proximidade.

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Centro 2020: Mais Sucesso e Mais Planos Inovadores

A tabela consegue-se aqui. Para 13 projectos “PEIP, PIEF, Mais Sucesso” são 9 milhões de euros, comparticipados em mais de 7,7 milhões pelo FSE, que vão para os agrupamentos (perto de 700.000 euros em média). No caso dos “Planos Inovadores de Combate ao Insucesso Escolar”, apenas 8 custam 35,5 M€, comparticipados com 28,5 M€ de verbas europeias, o que dá uma média de 4,5 M€ para cada projecto da responsabilidade de 8 CIM. Se não acreditam, façam as contas, estas e a outras coisas que lá aparecem: Centro 2020 ProjetosAprovados. Nem sei para que querem oficializar a regionalização. Depois digam-me se deram por alguma coisa.

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Norte 2020: Planos Integrados E Inovadores De Combate Ao Insucesso Escolar

Podem consultar-se a partir daqui. De qualquer modo, fica a tabela completa (N2020_RelatorioPublicitacao_Aprov31052019_abordagensterritoriais_final), sendo que existem 137 projectos, desde o nº 6929 ao 7065 (podem filtrar ao consultarem) num valor próximo dos 47 M€ para municípios e comunidades intermunicipais. É por aqui que passa boa parte do novo financiamento autárquico, pois a participação municipal é de apenas uns 15% do total.

Quem diz que o insucesso não rende?

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A Verdade É Que A Flexibilidade Foi Muito Maior Na Avaliação Do Que No Currículo

E se fizerem as contas depressa, depressinha, perceberão que este ano o milagre rosa das passagens ainda é maior.

Chumbos no ensino básico e secundário continuam a diminuir

Taxas de retenção nunca foram tão baixas, indicam as estatísticas relativas a 2017/18 agora divulgadas.

Será que conseguem ter um powerpoint a tempo da campanha eleitoral com os dados deste ano milagroso? Para demonstrar que, por exemplo, até os anos sem flexibilidade  curricular foram positivamente atingidos pela mudança de paradigma?

Claro que se pode colocar a questão… se a evolução tem sido tão boa, bastando governantes preclaros, firmes e hirtos, para que faz falta a municipalização?

Beaker-Bunsen