6ª Feira – Dia 61

Sim, em regra teórica, é melhor uma cura do que qualquer doença. E apesar do processo ter sido muito rápido, estas vacinas seguiram protocolos de verificação científica. Só que, em cada momento, há limites para aquilo que se consegue controlar em medicamentos acabados de entrar no mercado, muito em especial quando existe esta pressão pública. Só que, quando se percepciona medo nas lideranças políticas, que têm muito mais informação do que os cidadãos comuns, como haveremos de nos sentir?

Está Bem Pensado

A 12 de Fevereiro sai o “novo” calendário escolar, com datas para as provas de aferição do Básico que qualquer pessoa com um mínimo de bom senso sabe que, para além de inúteis nesta sua variante, seriam de realização perfeitamente idiota, para a 11 de Março serem canceladas. O mesmo para as provas finais do 9º ano. Porque parece que a 12 de Fevereiro a prioridade era dar a entender que isto estava quase tudo normal, como é evidente. E depois ainda há quem fale em stress e ansiedade na miudagem, como se este tipo de ziguezagues nada tivessem a ver com isso.

Atentado Ao Pudor Na Via Pública

Tiago Brandão Rodrigues, 21 de Janeiro, conferência de imprensa televisionada:

Após o primeiro-ministro ter anunciado, no final do Conselho de Ministros, que as aulas estavam suspensas a partir desta sexta-feira e até 5 de fevereiro, Tiago Brandão Rodrigues veio esclarecer que esta suspensão abrange todo o ensino, incluindo os estabelecimentos particulares. “Não há exceções”, frisou.

E deixou críticas ao ensino particular, após a associação dos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo, ter admitido recorrer ao ensino à distância nas próximas duas semanas.

António Costa, 27 de Janeiro, Circulatura do Quadrado:

No programa, após críticas feitas pelo antigo dirigente do CDS António Lobo Xavier às posições assumidas pelo ministro da Educação a propósito da suspensão das aulas presenciais, o líder do executivo saiu em defesa de Tiago Brandão Rodrigues.

Ninguém proibiu ninguém de ter o ensino online”, advogou António Costa, recusando que o seu executivo entre “numa discussão fantasma” e que haja “preconceitos” em relação ao ensino do setor privado.

João Costa, 27 de Janeiro, Jornal de Letras:

Há uns cheios de certezas, outros cheios de realismo. As certezas chegam no dia seguinte, no “devia ter sido”. O realismo convive com as (in)certezas dos especialistas, a (im)previsibilidade das estirpes, o estar preparado para o pior e ser surpreendido pelo ainda pior que ninguém adivinhava. Há quem hoje tenha a certeza disto, para no dia seguinte afirmar, confiante, o seu contrário.

3ª Feira – Dia 5

Para o Digital já e em força! parece ser a reacção do ME após apenas 2 dias de suspensão do ensino presencial, como se em uma ou duas semanas se pudesse fazer o muito que ficou meses à espera de ser feito. O que é, de certo modo, a admissão que as coisas poderiam ter acontecido de outro modo. Percebe-se que o regresso ao presencial não deve acontecer tão cedo (talvez depois do Carnaval) e perante as críticas que se avolumaram, empurra-se as escolas, directores e professores de modo a, se necessário, os culpar se alguma coisa não correr pelo melhor. E lá se dá mais uma guinada em tudo isto, mas sequer é navegação à bolina. É à vista e curta.

E De Zigue Em Zague Lá Vamos, Cantando E Rindo

O rumo é à vista, conforme o oportunismo do momento. Um destes dias ainda se lembram que, afinal, os exames até são maus e as perguntas deviam todas trazer a resposta. Ou ser tudo de cruzinhas. Ou ser tudo sorteado como no euromilhões. É conforme.

As provas do 9.º. 11.º e 12.º anos vão manter perguntas opcionais, como no ano passado, mas o nível de dificuldade das alternativas será semelhante para evitar classificações acima do normal.

Sua Majestade, Excelência, Desculpe-me, Mas Está A Ver Mal, Porque Há Em Portugal Gente Que Garante Que Na Suécia É Que Se Fez Tudo Bem!

A Suécia, que apostou em medidas menos restritivas e numa abordagem de “responsabilização individual”, contabiliza actualmente quase 350 mil casos de infecção e mais de 7800 vítimas mortais devido à covid-19.

(é estranho um país onde alguém admite erros nas decisões políticas… )

O Farol Sueco

Estas decisões são complicadas, curiosamente, para muita gente deste nosso rectângulo, porque disseram muita coisa em piloto automático, pensando pouco.

Isto faz-me lembrar quando os arautos da liberdade de escolha” e municipalização da Educação usavam a Suécia como exemplo, quando por lá se tinham invertido as reformas.

Quanto a provas/exames, eu eliminava, sem quaisquer dramas, pelo menos as do 2º ano. Até porque servem para muito pouco ou nada. Excepto umas vaidades, claro.

Spring exams cancelled due to pandemic