A Sério?

Mas então, andam há 20 anos a mentir-nos, tanto políticos do alargado arco da governação (estou a incluir as muletas que se destacaram pela inacção), como um alargado naipe de opinadores mediáticos, subitamente preocupados com a Saúde e a Educação, quando levaram anos a catequizar-nos acerca do que se fazia lá fora e pelos vistos não é nada disso??

Não é cá que os funcionários públicos ganham muito e progridem sem qualquer travão ou mérito? qualquer dia, ainda dizem que até trabalham menos horas lá fora (e é verdade).

Melhores salários e rápida progressão: eles trabalham na função pública lá fora

Ainda Há Margem Para Espanto?

Quase… quando se lê alguém a desvalorizar hoje, o que ainda há poucas semanas se erguia como grande causa de indignação. Realmente há “especialistas” e “especializados”. Uns fazem estudos por encomenda. Outros produzem opinião à medida de cada momento. O decoro anda mesmo, mesmo escasso.

E por falar nisso… quanto passará até à grande entrevista do ministro Costa ao DN/JN/TSF?

Ku-Lambismo – 2

Importam-se que relembre isto daqui a um par de anos? È que eu ainda me lembro dos elogios e sorrisos ao anterior até meio do mandato. Mas então um tipo está seis anos num governo que não reverte a maioria das políticas e ainda as aprofunda e agora é que se vai transformar em borboleta?

Sindicato considera que o professor João Costa tem todas as condições para ser um excelente ministro da Educação

(…) “Para além de o professor João Costa ser um académico dedicado a pensar a educação, o mesmo integrou as equipas do Ministério da Educação nos últimos seis anos, em dois Governos, conhecendo, por isso, os cantos à casa”, desta o SPLIU.

Por outro lado, o Professor João Costa conhece também profundamente “os principais problemas do funcionamento do sistema educativo português, com particular enfoque nas organizações escolares, motivo pelo qual se espera que encete, no seio de um Governo para 4 anos, uma reforma consistente e estável, capaz de debelar os problemas que afetam, na atual conjuntura social e educativa, o ensino e a escola pública”.

Ku-Lambismo

Pela minha nunca o vi, prometendo eu que desapareço se ele sentir algum dia o apelo por lá passar. Parece que na zona dá mais preferência aos colegas do escutismo e outras beatices. Mas acredito que para outros, fosse sempre um ouvido disponível, desde que não fosse nada de muito complicado ou impopular.

O presidente da associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) garante que as escolas nunca tiveram um secretário de Estado “tão próximo”. “Inexcedível. Não deve haver escolas onde não tenha estado nos últimos seis anos. Conhece os agrupamentos como ninguém”, assegura. Manuel Pereira elogia, aliás, toda a proximidade de toda a anterior equipa governativa, alargando o elogio a Tiago Brandão Rodrigues e Inês Ramires. João Costa, insiste, “conhece as necessidades das escolas e dos professores também”.

Há Muito Pouca Esperança De Mudanças Significativas…

… em qualquer situação, quando boa parte dos potenciais interessados optam (ou se deixam seduzir) pelas micro-causas com ganhos pessoais, perdendo de vista o que pode ser significativo para uma larga maioria. Quando disfarçam o seu interesse particular em algo que apresentam como de interesse geral. Aquilo do “dividir para reinar” transformou-se no “dividir para me desenrascar”. a coerência é atirada para qualquer lado e aceita-se ser parte activa de uma engrenagem que até há pouco se considerava e malévola. Estes últimos 3-4 anos têm sido muito férteis no vira-casaquismo, mas uma versão que se tenta disfarçar com muito barulho justificativo e lançamento de pseudo-lutas ao lado, para ver se ninguém dá muito por isso. Claro que as criaturas (e grupos) têm nome, quem estiver atento percebe bem certos desaparecimentos e reaparecimentos estratégicos. Claro que só os burros não mudam de posição. Mas há malabarismos com proezas e malabarismos encarpados em torno dos 180 graus que a minha compleição e uma certa rigidez nas vértebras não permite. Já bebo bastante água, tenho de passar para as cápsulas de cartilagem de tubarão e colagénio. E botox pró sorriso social.

Invertebrado É Quem…

… por não ter a coragem de assumir certas decisões complicadas, lança a responsabilidade para outrem, esperando , de caminho, fomentar a discórdia ou mesmo a clara animosidade em relação ao alegado “responsável”. Só que tudo acaba por se saber e é assim que se confirmam todas as piores suspeitas acerca do carácter de certas pessoas tão adeptas de “afectos”-

Incompetências

Alguns colegas têm-me feito chegar os materiais relativos aos recursos que apresentaram da sua avaliação de desempenho e das respectivas decisões, em regra de recusa de alteração da classificação pelos dois árbitros nomeados pelo “sistema” (o que é nomeado pela SADD e o que é nomeado pelo Presidente do Conselho Geral, na ausência de acordo entre o nomeado pel@ recorrente e o da SADD).

A “riqueza” de alguns argumentos é notável, no pior dos sentidos, para justificar que tudo se mantenha bem quietinho. No entanto, há coisas que são (quase) inexplicáveis, como aquela de uma pessoa aceitar ser árbitro e depois declarar que não tem legitimidade para alterar o que foi decidido antes. Nesse caso, para que aceitou a função? Para servir de eco? Para garantir o 2-1 final, sem grande esforço? Para fazer o frete ao poder local?

Só deram pela falta de “legitimidade” depois de aceitarem ser árbitros? E não pediram escusa, assim sendo?

Neste sentido, o árbitro [nomeado pela SADD] afirmou que (…) face ao que leu e analisou, não pode propor a alteração da classificação atribuída à docente, tendo ainda sublinhado que, quer a avaliadora interna quer a avaliadora externa, que mais de perto acompanharam o desempenho da referida docente, depois de analisarem a sua reclamação, decidiram manter as classificações que lhe haviam atribuído inicialmente, pelo que este árbitro não sente legitimidade para pôr em causa a avaliação atribuída.

O terceiro árbitro, (…), no que concerne a avaliação externa realizada à docente (…), afirmou que, não pondo em causa a competência, quer científica, quer pedagógica da docente, não pode propor a alteração da classificação que lhe foi atribuída pela avaliadora, dado não ter estado presente nas aulas observadas, acrescentando que considera que a avaliadora, face à reclamação da docente, manteve, fundamentadamente, a classificação atribuída. No respeitante à avaliação interna da docente, o terceiro árbitro referiu que, tendo a avaliadora mantido a avaliação atribuída, após o recurso apresentado pela docente, não sente legitimidade para colocar em causa tal avaliação, uma vez que a avaliadora desempenhou esse papel ao longo de um ano letivo e o que lhe é dado avaliar, no papel de terceiro árbitro, não lhe permite ter a mesma visão.

Ou estas pessoas não percebem qual o seu papel como árbitro ou estão apenas a gozar com quem recorre. Isto equivaleria a um juiz da Relação dizer que não poderia alterar uma decisão da primeira instância porque não esteve presente no julgamento e o juiz da da dita primeira instância até escreveu um acórdão bem escrito, não valendo a pena ver se está conforme às provas apresentadas.

É bem provável que estas pessoas até digam que “o modelo é injusto” e que tenham andado em manifs contra a add e, quiçá, assinado petições e abaixo-assinados contra isto ou aquilo. Só que, chegando ao momento de assumirem em nome próprio alguma atitude, amocham num instante.

Catch 22

Pela manhã, antes de ver parte do Inter-Roma, ouvi numa peça de um canal noticioso confirmar que António Costa quer um confinamento com as escolas abertas. Mas também ouvi que parte dos ministros do Governo discorda dessa decisão de não fechar as escolas, o que significa que há gente que não está completamente arrebanhada atrás do líder do “interesse geral” do país.

Não pensem que não percebo a que ponto a situação é complexa, mas convém não ocultar as razões.

  • Ficou demonstrado que a opção pelo regime não presencial, E@D, etc, com ou sem #EstudoEmCasa, falhou no final do ano lectivo passado, agravando de forma evidente as desigualdades que só não foram maiores porque a maior parte dos docentes deu um banho de água benta às pautas do 3º período.
  • Vai-se começando a perceber que, por muito que o neguem, o encerramento das escolas esteve na base da redução do movimento de pessoas e foi muito importante para a contenção dos contágios na 1ª vaga. Cada vez mais, os estudos internacionais, não-paroquiais ou baseados no “acho que” ou no “está provado [onde?] que há ‘contágio zero’ nas escolas”, revelam que, apesar de assintomáticos, crianças e jovens são agentes de contágio, mesmo que tenha origem no exterior das escolas.
  • Percebe-se que a decisão acertada, para conter a pandemia, seria passar as aulas para não-presenciais, mesmo que os professores continuem nas escolas a assegurar as actividades lectivas. Não é com mais de um milhão de crianças e jovens em trânsito para/das escolas, em transportes públicos ou privados que se reduzem significativamente as interacções (basta olhar para os espaços envolventes das entradas dos espaços escolares). Um confinamento com escolas abertas é como uma refeição sem prato principal.
  • Mas… percebe-se também que muito pouco mudou entre Março de 2020 e Janeiro de 2021 nas condições para um regime de E@D em condições. O atraso no equipamento das escolas, as opções erradas no que deveria ser o início deste ano lectivo quanto à prioridade das aprendizagens a realizar, a evidente crença no “tudo vai acabar bem” por parte de uma tutela que insistiu num calendário escolar que só fugiu à norma no alongamento das semanas de aulas, tornam a opção pelo não-presencial uma porta para novo agravar do que correu mal há menos de um ano.
  • E também se percebe que o teletrabalho não é possível em muitas actividades e em outras não foi sequer previamente preparado para o caso de um reconfinamento. O nosso mercado de trabalho continua a apostar no precariado e, sempre que se pode, que o “investimento” adicional seja feito pelo trabalhador. E nem estou a falar apenas dos professores.
  • Portanto… a situação é complicada. Claro que é. Poderia ser diferente? Poderia, mesmo que não completamente. Na área da Educação, ficou à vista que muito do que se tem andado por aí a falar não passa de cosmética. A pandemia revelou as “rugas” profundas do sistema. Tem-se optado, de modo quase sistemático, por intervir no superficial, no decreto para a satisfação de clientelas, de medidas para a produção de estatísticas (internas, que já se viu pelo TIMMS que as coisas estão longe de ser o que se quer dar a entender). A “inclusão” é um conceito com uma prática muito limitada, a “flexibilidade” faz com que eu tenha alunos sem TIC por causa dos semestres e a “autonomia” tem arreata curta.
  • Quem se candidata a cargos políticos ou aceita nomeações não está propriamente em situação de se queixar da sorte quando as coisas se tornam difíceis. Foi para isso que concorreram, certo? Não foi apenas para a parte das prebendas e “acesso” aos “círculos do poder”, para posterior enriquecimento curricular. É porque acham que têm competência para isso. Mesmo que sejam incompetentes, há muitos que acreditam que “se não fosse eu… seria tudo pior”. Já sabem que discordo. Mas o que interessa que eu ache que são mais competentes na desresponsabilização do que na coragem de agir em devido tempo, sem andar a ver se escapam ao inevitável? Sou apenas um zeco a quem a pimenta não pica no teclado.
  • O que faria eu se me achasse com “perfil” ou “competência” para tal? Parece-me evidente, pelo que escrevi nos últimos meses. E até parece que sou capaz de ter razão, a avaliar pelos “factos”. Mas claro que nem tenho o “perfil”, nem a “competência” e muito menos a vontade de fazer parte de falsas “soluções” com base em “bolhas”. Ou de anunciar “desconfinamentos” com a mais absoluta irresponsabilidade.
  • Para terminar: as coisas estão como estão porque há quem acredite no “pensamento mágico” e agora se queixe de se ter metido numa enrascada, São os mesmos que acreditara ter sido responsáveis pelo 4º “milagre” de Fátima.