Eu Sou Flexível…

… e já admito – quase espero – que acabem com as provas finais de 9º ano. Se em troca acabarem com as conversas da treta sobre as “combinações” ganhadoras ou perdedoras nas reuniões do 3º período. A mim aflige um bocado, em especial quando se fez um percurso de três anos com um aluno, que seja tudo decidido no photo-finish, com base em conversas bacocas e alguns ensimesmamentos de quem fez formação do 54 para totós. Ainda bem que não tenho 9ºs este ano ou ainda andariam a bater com um pau na lama a ver se estava a falar de alguém em concreto e não da névoa imensa que cobre as reuniões de avaliação por estes dias, pela generalidade do país.

Acabem com o raio das provas finais e com as retenções. Passa tudo e pronto. Tenham-nos no sítio e assumam-se em vez de massacrarem a malta que não é surda e tem vida com tanta vacuidade pomposa e verborreica. A sério… acho que se ganham importantes horas de vida (dias mesmo se formos acumulando), se for passagem automática e fecho-éclair na boca das boas intenções, até porque assim não existiria Inferno para encher.

Bigorna

 

Não Se Admirem Se…

… logo em Julho ou em Setembro pré-eleitoral os números de quem aderiu ao faseamento seja usado como argumento político, insinuando-se que quem queria 9-4-2 correu em busca de um terço dos 2-9-18. Claro que a maioria (dos que não progrediram em 2019) pensa que assim sempre progredirá, em média um ano mais cedo e ganhará algo material com isso. E é compreensível. Mas não se admirem se a coisa vier em forma de pedrada na direcção da classe docente.

E lembrem-se que Costa já anunciou que não aceita a questão dos professores como condição para assinar nova geringonça. Pelo que não adiante ter grande esperança em ir bater à porta de um novo governo liderado pelo PS (sem que isto signifique que adiante bater à porta do PSD).

Portanto… winter is here to stay!

winter has come

 

O Meu Prognóstico

Ao contrário das multidões que andam a desgostar (e a fazer petições) da última temporada de A Guerra dos Tronos, eu acho-a perfeitamente coerente com tudo o resto e muito bem escrita como as anteriores. E aposto que a Arya Stark fará brilhantemente a folha à Daenerys Targaryen, aquela que se anuncia com um rol de títulos antes de dizer bom dia seja a quem for. Se assim for, pelo menos na ficção teremos direito ao castigo apropriado para quem se sente predestinado ao poder e incapaz de perceber que o mundo continuará a girar por muitos salvadores insubstituíveis que desapareçam do cenário.

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Exclusivo Cósmico – A Transcrição De Uma Hipotética Reunião De Um Gabinete De Inexistente Emergência/Crise – Parte 3

Última parte da gravação obtida por meios já antes descritos – fortíssima rede de espionagem doméstica, alicerçada em três primos do enteado de um vizinho meu de há 30 anos – da dramática reunião do gabinete de crise do actual PM. Para detalhes técnicos e acrónimos dos presentes, remeto para a primeira parte. Neste caso trata-se da quarta cassete, porque a terceira ficou preenchida quase em exclusivo pelos pedidos de comida, sua chegada e ruídos subsequentes de consumo de saladinhas dietéticas, águas minerais, sem cataplanas, lampreias ou cristinas ferreiras com sushi no umbigo (ok, ok, estou a divagar…). O que se segue, sublinho de novo, é uma transcrição o mais fiel possível, podendo conter imprecisões ou partes cortadas, devido ao uso de vernáculo em açlguns momentos.

Última cassete. Hora de início: 13.30

AC: Então, já estão mais satisfeitinhos? Já podemos voltar à [pi-pi-pi] do assunto do [pi-pi-pi] dos professores?

SS: António, calma… deixa essas partes para mim… que sou há muito o especialista em zurzir nesta malta armada em esperta, não te destrambelhes, já lá diria a preclara no espesso da meia noite.

TBR: Eu ainda tenho aqui um buraquinho…. mas a haladinha estava muito intereshante, com os crotões e aquelas lashquinhas de fiambre de peru. Não é leitão, mas…

VS: Leitão? Mmmrrfff…. A sério? O que perdi eu?

MVS: Nada, paizinho, eu já mando vir um sandes de carne assada e uma mine para ti.

VS: Isso era uma boa ideia… acorda-me quando chegar.

MC: As contas são por conta de quem? Querem que faça a divisão?

AC: Deixa-te ficar quieto que tu só sabes somar e multiplicar. Há dias que pareces o sousadostavares a dizer números à balda. Fica-te pelos 600 e 800. ok?

ACM: Não deveríamos chamar mais alguns elementos habituados a estas coisas? O João das Gambas, por exemplo, era óptimo naquele programa do canal oquê e nos tempos daquele que não podemos nomear. E que tal o marquêsdoslopes que não é dos nossos mas até parece? Ou o centeiopereira que também sabe fazer contas e sabe sempre aplicar a “equidade e justiça” em tudo o que diz? Sei que ele agora diz que é mais independente do que era, mas talvez fosse útil. Ou o tipo que tem nome de loja dos anos 80 e que se irrita e fala alto com muita facilidade?

AC: Nada disso, isto aqui é o núcleo duro e mais nada. O Augustíssimo sabe mais do que essa malta toda junta, não é?

SS: António, até me embaraças, mas é verdade. Essa malta ainda precisa de aprender muito. Falta-lhes aquele tom suave e impassível com que eu consigo dizer a maior barbaridade e ainda sorrir para a câmara. Eles ainda se entusiasmam muito. O João das Gambas está muito bem lá onde está a desenrascar aqueles negócios de que diria o pior se fossem os laranjinhas a fazer.

AC: Mas, pensando bem… aquele tipo que é deputado e diz que é alpistemo… eprotemo… epistalom… filósofo ou qualquer coisa assim parece-me dos bons. Já merecia uma secretaria de Estado. Fica para a próxima. Ele e o Atão e Surfes são valores seguros. Nem precisam de guião, aquilo está-lhes no sangue.

PNS: Então e eu? Pensava que eu é que era a estrela em ascensão?

AC: Tu? Só tinhas de manter as gajas do bloco quietas e nem isso conseguiste. Fica sossegado.

DC (ainda se lembram dele? tem estado caladinho a ver as nomeações que pode fazer de mulheres de gente amiga com boas casas para passar férias): E eu?

AC: Tu o quê?

DC: Não sou também uma estrela em ascensão?

SS (em voz baixa): Tu és mais um cometa…

AC: Acaba lá a tua salada, DC, e não se fala mais nisso. Nomeia, que isso fazes quase tão bem como o Merdinas.

MC: Estive aqui a fazer umas contas e dão 60 euros de despesa a cada um do almoço.

Os outros todos em coro, até o VS em sobressalto: O quê? 60 euros por umas saladas e água?

MC: Sorry, friends… é do hábito de meter zeros nas contas… é só 16 com impostos, sobretaxa, encargos sociais e IRS.

Os outros todos, de novo: O quê, mas um almoço completo aqui em São Bento nem chega a 6 euros… [confirma-se]

MC: Sorry, sorry… é que lá no Eurogrupo é mais caro… 6 euros a cada um, pronto, mas vou ter de descontar isto a uma outra despesa qualquer… logo se vê… enfim… o país há-de conseguir ultrapassar este desvio orçamental.

SS: Mas vamos lá… já passaram quase três horas e não decidimos nada.

AC: Já sei… digo que me demito mesmo e vou falar ao Marcelo! Isto é firmeza! Isto é ser responsável! O eleitorado verá o animal feroz que também sou.

SS: Olha-me o coração do Pater Cesare! O que lhe digo?

AC: Não quero saber… voltarei a ganhar as eleições e fica tudo na mesma… até haverá mais lugares porque o Merdinas manda fora da Câmara toda a malta do Bloco. Ainda dá umas dezenas, nem que seja como fiscais da EMEL.

SS: Tens a certeza? E como queres fazer isso? Uma declaração oficial?

AC: Tenho… o Rio fica todo acagaçado e o Justinho está lá para lhe dizer que isto é inconstitucional e o Montepreto vai logo aproveitar para dizer qualquer coisa. E a Cristinha não vai aguentar ser vista a votar ao lado das esganiçadas… E o Marcelo que não se meta com coisas se quer ser eleito outra vez. Depois de falar com ele, apareço aos jornalistas e lanço a bomba… e chamo irresponsáveis a todos… apontem isso. Quero toda a gente a dizer “irresponsabilidade” frase sim, frase não.

SV/PNS/FA/TA/MVS/TBR/DC: Grande primeiro dos ministros é mesmo assim.

VS: mmmrrrrfffff Ahrrrummmm !!!

SS: E quem vai às televisões explicar as coisas? E avisamos logo que não queremos pivôs armados em jornalistas… aquilo é para passar a mensagem, que não se armem em coisos.

TBR: Eu gosto de ir à televishão… acho que tenho uma fotochenia natural e um dishcurso claro.

(seguem-se alguns segundos em que ninguém diz nada, sentindo-se um embaraço capaz de colar a cassete ao tecto)

ACM: Adiante… Eu acho que deveria ir pelo menos uma mulher para dar um ar de igualdade de género…

SS (em voz baixa): Desde que não meta medo ao susto… (em voz alta) Vai a Maria Ana que é menos conhecida… um rosto fresco, pode ser à TÈVI que o programa daquele gajo que acha que tem graça já acabou e assim não gozam com ela.

MC: Eu tenho as contas, eu acho que deveria ir!

AC: Ora bem… na SIQUE não há risco de ter fazerem perguntas difíceis… o gajo de hoje detesta ainda mais os chungas dos profes do que eu e a Santa de Lourdes juntos… podes ir… não digas muita coisa e tenta não sorrir com aquele ar do costume… ou melhor, sorri dessa maneira que parece que estás a ter um esgar de sofrimento e que a crise é mesmo grave. Augustíssimo, tu vais, claro, à RTP, certo?

SS: Sim, tenho o maior apreço pela Televisão Pública, mesmo se for o periscópio a estar por lá. São muitos anos a assar franguinhos no espeto. Entretanto vou telefonar ao Pater Cesare para ficar calmo que está tudo controlado. E tu, PNS, manda dizer ao Gerominho e à Katrina que ou baixam a bola ou demitimo-nos duas vezes. E chamamos-lhes irresponsáveis em todas as intervenções.

AC: Está decidido. Esta foi uma reunião muito produtiva, sim, senhoras e senhores. Sinto-me revigorado. Sinto-me firme. Sinto-me hirto. Sinto-me responsável. Sinto-me capaz de fazer uma cataplana à Cristinha, mesmo sem caril. Sinto-me anti-corporativo. Sinto-me o líder predestinado que a mamã sempre disse que eu era. Sinto que acabamos de salvar a Pátria.

Todos em coro: Sim, senhor primeiro dos ministros!

Fim da cassete. Hora: 14.27 (esta era das de 60 minutos…)

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Exclusivo Cósmico – A Transcrição De Uma Hipotética Reunião De Um Gabinete De Inexistente Emergência/Crise – Parte 2

Continua a transcrição, obtida graças a métodos altamente sofisticados como um funil na parede com ligação directa a um gravador de cassetes, da reunião do gabinete de crise convocado por António Costa para a manhã de ontem. Qualquer erro ortográfico é porque a fita da máquina de escrever está a ficar velha e falta-me fita correctora. As iniciais têm explicação em post anterior.

Início da segunda cassete. Hora: 11.33

ACM: Acho que estamos de novo a divergir do essencial e que é como vamos passar a nossa mensagem de forma concertada. Quem vai preparar os dossiês de imprensa e fazer circular pelos nossos amigos e conhecidos? Alguns não precisam, já sabem o que escrever, aconteça o que acontecer.

FA/TA (em uníssono): Isso somos nós. Já está tudo pronto.

MC: Já têm as minhas contas? Eu pedi agora mais uns cálculos para ver se chegava aos mil milhões…

FA/TA (em uníssono): Não é preciso, o pessoal já ficou os 600 e os 800 milhões, agora só lhes ia baralhar o cérebro.

TBR: Eu já comia qualquer coisha… tenho aqui um bixinho…

FA/TA (em uníssono): O senhor primeiro dos ministros quer que se vá à cafetaria buscar uns salgadinhos, uma bebida para refrescar?

TBR: Há morchela? Lampreia? Eu quero emagrecher, mas estou com uma larica… depois faço uma caminhada.

MVS: Paizinho, queres qualquer coisa para comer?

VS: Hã? Mmmrrrfff…. Quem me acorda? O que aconteceu? Não se pode descansar?

AC: Não quero nada, não há cá petiscos até definirmos uma estratégia irrevogável, indesmentível, insofismável, impreterível, ninguém sai daqui.

SS: Temos de dar na cabeça da Catarina. Anda a lixar-.nos por causa daquilo na Saúde. E o Jerónimo? A defender a pequena burguesia intelectual? Há que lhes dar um aperto nos calos ou levam de novo com a Direita e o Salazar em cima.

TBR: Eu obrigava-os a fager uma caminhada de 30 quilómetros para ver como she fica shaudável de corpo e eshpírito.

SS (em voz baixa): Olha lá, ó António, o que veio este aqui fazer?

AC (também em murmúrio): O que queres… isto tem a ver com a Educação e sempre precisamos de alguém da área. O João das Costas diz que não gosta de protagonismos nestas coisas que lhe parecem pouco inclusivas, ainda se fosse qualquer coisa da OCDE… A Alexandra dos Leitões disse que tinha de ir ao colégio discutir as notas dos filhos ao colégio, parece que um teve só 19 a Educação Física. Mas já falou com o sogro para dizer que é inconstitucional.

SS: O quê?

AC: Tudo.

SV (o das Economias, para quem já se esqueceu): Senhor primeiro dos ministros, já tiraram as fotos todas, já me posso ir embora?

AC: Não, que raios… se os jornalistas dão com alguém a sair ainda pensam que isto não está a ser reflectido de forma profunda a detalhada.

MC: Eu tenho as contas aqui.

PNS (o ministro adjunto para controle das Esquerdas): Já posso dizer alguma coisa?

AC: Nâo! Vê lá quantos laikes temos no Insta e já chega.

SS: Ó António, mas isto da demissão é mesmo a sério, olha que o Pater Cesare está agitado… já me mandou meia dúzia de sms porque tem de dar uma entrevista, com foto e tudo, e a família está muito agitada… tem medo que não ganhemos e tem parentes que não querem voltar a São Miguel.

AC: Da outra vez também não ganhámos e viste como foi. Até os papamos a todos. O Rio nem tem hipótese. Com mais umas primeiras páginas do Espesso nem chega ao Verão.

SS: Posso tranquilizar o tipo? Achas que há ainda uns lugares para os enteados dos primos do vizinho?

ACM: Há umas vagas para professores de Sociologia Avançada no Isczé, disse-me o Pedro Atão e Surfes, que precisam de gente para ajudar os estudos do Capuchinho e da Pasionária Rodrigues.

TBR: Eu tenho por acajo uns amigos que gostam muito de shurf e também eram capages de gostar de fazer uma tege.

AC/SS (muito alto): Cala-te!

VS (despertando, algo agitado): O que foi… ahrummmm… ahrummm. Há novidades? Já é hora de almoço?

MVS: Paizinho… não é contigo… ainda não são horas… descansa.

Fim da segunda cassete. Hora: 12.18

(continua…)

Mission Impossible

 

 

Exclusivo Cósmico – A Transcrição De Uma Hipotética Reunião De Um Gabinete De Inexistente Emergência/Crise – Parte 1

Aqui o Quintal, através de poderosas ferramentas de espionagem rural, conseguiu aceder à gravação em banda magnética analógica (cassetes basf das boas, com caixa prateada e tudo) da reunião ocorrida ontem por esta hora no Palácio do Santo Benzido, com a presença do primeiro dos ministro António de Costas (AC), do seu desconhecido chefe de gabinete (FA), do ministro do Eurogrupo, Mário das Centenas (MC), do ministro da Inegurança Social, José António Vieiras e Silvas (VS) e sua filha Maria Ana (MVS), do ministro de qualquer coisa política, Pedrinho Nuno e Santos da Casa (PNS), do ministro da Propaganda e Negócios Estrangeiros, Augustíssimo Santos e Silva (SS), do ministro virtual da Educação, Tiago com Brazão dos Rodrigues (TBR), do ministro da Economia, o outro Siza Vieira (SV) e ainda de um secretário de Estado para levar o guarda-chuva do PM, Tiago Antunesinho (TA) e de uma senhora com um cargo importante no PS por impedimento do esposo, Ana Catarina Mentes.

O registo, pela sua natureza, tem muito ruído que pode ter causado erros de transcrição e eventuais omissões do que possa ter sido dito em voz baixa ou transmitido por bilhetinhos ou por mensagem em suporte moderno, dito digital para os leigos.

Início da primeira cassete. Hora: 10.45. 

(ruído de papéis, cadeira a arrastar, disparos rápidos de máquina fotográfica).

AC: Vamos lá a começar, tomem as vossas posições para as fotos, pá. Temos de dar uma imagem de unidade, firmeza, trabalho e força. Vá lá, sentem-se, ponham um ar de seriedade e de quem tem uma crise séria para debelar. Pensem na Síria, pensem na Venezuela, pensem em Winterfell antes da grande batalha.

PNS: Senhor PM, eu vi o episódio, quer que faça ar de John Snow?

AC: Do que é que está a falar? Senta-te, pá. A única coisa que te mandei fazer, que era acalmar as tipas do Bloco, tu não conseguiste. Senta-te direito e cala-te quando eu não falar contigo, que já me desiludiste o suficiente.

MC: Senhor PM, eu tenho aqui as minhas contas… com quadros e tudo.

AC: Mete-as à vista, aí em cima da mesa.

Várias vozes: já estamos sentados, senhor primeiro dos ministros, e agora?

AC: Agora deixem-me ver se apanho o Augustíssimo que nunca mais aparece, ele é que percebe bem destas coisas, nunca mais me esqueci de quando ele em 2008 disse que os professores nem sabiam distinguir o Salazar dos democratas. Grande homem, ele é que nos vai esclarecer sobre o rumo a ter. Eu é mais cataplanas.

SV: Senhor primeiro dos ministros, amigo, o que estou eu aqui a fazer? Eu sou da Economia, que já me custa a perceber…

AC: Cala-te, pá. Estás aqui porque eu precisava de ter gente suficiente à volta mesa para as fotos do Instagram. Os baldaias e os tipos do jornal do meu irmão não me largam a pedir uma imagem para colocar online. Queriam que ficasse aqui com meia dúzia de gatos pingados? Não pode! Senta-te direito, olha para mim com ar compenetrado e podes ficar sem falar nada como o Pedrinho. Ó Vieiras, tu que meteste os gajos na ordem em 2008, o que é que me dizes enquanto não chega o Augustíssimo? Arranjas-me aí para uma frase para os achetagues do Insta?

VS: Mmmmrrrffff…. ahrum, ahrum…  (sons de bocejo), o quê, o que se passa?

MVS: Paizinho, acorda, já começámos, olha o António…

VS: Hã…? O quê? O Carvalho das Silvas já chegou? E o das Nogueiras? Tenho sono…

AC: Rais parta isto que ninguém leva esta crise a sério e o Augustíssimo que não me aparece.

MC: Eu tenho aqui as minhas contas…

AC: Já sei, já sei, 250+600 igual a 800 e tal… só não percebo porque não chegaste aos mil milhões, era bem mais fácil.

MC: Posso tentar, rmrmrmrm, vou ver se faço aqui mais umas contas.

ACM: Posso dizer alguma coisa, em termos de coordenação política?

AC: Hmmmm? Olha-me outra! Fica aí sossegada que é preciso outra foto e dá jeito colocar alguma igualdade de género no topo da mesa. Não é para sorrires, isto é sério, faz a cara que fizeste para o Espesso. Assusta qualquer um.

(som de porta a bater, passos)

AC: Ahhh… finalmente! Augustíssimo. Nunca mais chegavas…

SS: Então, camaradas, tudo bem? António, estava aqui com o Pater Cesare ao telefone que diz que isto das demissões lhe está assustar uns quantos primos e enteados de amigos e pergunta se isto é mesmo a sério porque ele tinha umas ideias para mais umas quantas associações cívicas…

AC: E a sério, é a sério. Tem de parecer, temos de meter estes ingratos no lugar, pregar-lhes um susto. Querem lugares nas câmaras ou verbas para projectos? Vou já avisar o Merdinas que acabam os tachos à discrição. Acaba-se já isso. Temos de ser firmes e mostrar que defendemos a Escola Pública e não interesses corporativos de uma gentinha sem nível armada em doutores. Lá porque tiraram um curso já acham que podem ganhar acima de um dos meus motoristas.

TBR: Ouvi falar em Eshcola Pública? Exchelentchimo shor primeiro dos ministros, eu tenho aqui umas ideias muito boas para emagrecer já os shenhores profeshores, tirando as amigas lá de casa que já eshtão pró velhote como a shodona Maria do Céu, coitada. Mete umas bishicletas e uns patins para quem quiger progredir…

AC (som abafado): Mas que raio fiz eu em convidar este tipo. (em tom alto) Ó Tiago, pá, tu és outro que só me desiludiu, então não era suposto controlares o das Nogueiras? Não tinhas autorização para gastares em mais do que água e bolachinhas de água e sal para as reuniões?

TBR: Shor primeiro, eu bem que tentei, mas ele disse que era mais bitoques ali na esquina e que tem saudades de uns copos no metro e meio e eu estou a ver se emagreço. E shempre o tratei por shor professor das Nogueiras, que é dos tempos das amigas lá de casa por quem tenho o mais reshpeito. E ele diche quage sempre muito bem de mim nas entrevishtas…

(ouve-se o som de olhos a revirar de forma repetida, claramente de AC e SS)

Fim da primeira cassete. Hora: 11.30. 

(continua…)

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