Às Vezes, Apetece-me Dar Um Valente Berro E Já Irão Ver Porquê

A todas as horas encaro 28 indivíduos numa sala que, em mais de metade do meu horário lectivo, tem uns 40 metros quadrados assim ao primeiro olhar de um não empreiteiro ou pintor a calcular baldes de tinta. No resto, a sala é maior, mas são 28 individualidades na mesma, com as quais devo interagir e motivar para que aprendam coisas a que podem não achar sentido agora, mas que eu procuro limitar ao que tem a mínima inutilidade. Dialogo em permanência com os anseios, (des)interesses, frustrações, alegrias, revoltas, desentendimentos de todas essas pessoas (sim, podem ter 10-12-14 anos, mas são pessoas) e é minha função conseguir o equilíbrio possível, arriscando decisões a cada minuto (claro que menos do que isso) que podem entrar em choque com este ou aquela, que podem desagradar, que não têm necessariamente de serem tomadas a pesar em conveniências ou “interesses” e humores passageiros. É algo que faço há bastantes anos e, com essas pessoas que encaro todos os dias, algumas 2 a 4 horas seguidas (toma lá 90 de Português, mais 90 de HGP ou CD, só tendo a sorte de não ter um metrónomo `porta a tiquetaquear logo que dá o toque de entrada), as coisas até correm razoavelmente bem.

Por isso, chateiam-me de morte aqueloutras pessoas que, tendo uma ou duas para lidar, não o conseguem, procuram rótulos e truques para justificarem as suas incapacidades e recorrem a subterfúgios para atirar as responsabilidades para terceiros, nem sendo capazes de assumir em pleno a sua condição de adulto e tudo o que isso implica. Gente que ficou muito desgastada quando as aulas deixaram de ser presenciais mas que, agora que pensam que já tudo passou, regressaram à postura que alia a incapacidade para desempenhar o seu papel perante as crianças e jovens a seu cargo com a pesporrência dirigida a quem faz o seu melhor por manter todos os pratos no ar sem se partirem. Com a pesporrência posso eu bem, que estou habituado a detectar a idiotice arrogante à distância e resvala na couraça da minha indiferença; o que me custa é pensar que há petizes que, ao saírem da escola, ficam à mercê da desorientação alheia, sem terem culpa nenhuma.

E claro que me dá vontade de berrar forte e feio.

Mas é melhor não.

Porque dizem que coiso e tal, é preciso “capacitação emocional” e o escafandro pelo pescoço francês acima, if you know what I mean.

É pá, tivessem pensado, tomado um duche frio em vez de. Tivessem tido imaginação. Tivessem feito uma qualquer “formação” num par de “capacitações”. Antes de se meterem naquilo em que, claramente, muitos “milenares” se encontram atolados e, com a aflição, só sabendo esbracejar e salpicar tudo em redor, inocentes incluídos, reclamando por todos os direitos imagináveis, mas com muito pouca vocação para encarar os seus deveres. Pior mesmo, só quando até acham que sabem algo sobre aquilo que notoriamente é demasiado volumoso para a sua vanete.

Zelensky

Pareceu-me ligeiramente menos nazi do que aquele tipo, como é que ele se chamava? O que fez um acordo com o senhor do cocktails flamejantes… como é que o homem se chamava? Joaquim? Joaquim qualquer coisa… von qualquer coisa… é pá… Arribatropas? Era um tipo bem apessoado, ar decente, a quem se compra um tanque em segunda mão e com um handshake firme. Já este Vladimiro, com aquela t-shirt parece mais um galfarro a ir para um festival de Verão, não é? Até bate certo com os cocktails

Da Imaginação

Estava a ler uma curiosa citação colocada por uma figura destacada do nosso iluminismo educacional e a pensar que se há algo que distingue as pessoas com imaginação é demonstrarem-na na sua acção. Ou será que o Picasso alguma vez mandou outros fazerem os seus quadros? Acaso Camões definiu as regras a seguir na sua obra e mandou um escriba aplicá-las e fazer os sonetos que temos como seus? Em boa verdade, quem imagina algo de novo, criativo, de visionário é conhecido por isso, não por ter derivados a vulgarizar a fórmula de forma repetitiva. O estranho é que por cá, passa por ser “inovação” mandar repetir o que se acha que “imaginou”, mas mais não é do que, quantas vezes, isso mesmo uma repetição, tradução ou adaptação, de algo lido ou ouvido algures. Em cima dos ombros de gigantes, dirão. Sim, dos que verdadeiramente imaginaram algo novo e permitiram ir mais além, não ficar pela mera replicação.

Não nos deixemos enganar por títulos, graus, certificações. Quem inventa algo novo, só manda repetir quando passa para a fase do negócio e da promoção do consumo de massas. A imaginação, ao replicar-se em cascata, torna-se rotina, automatismo. Comércio.

Minha imaginação é um Arco de Triunfo.

Por baixo passa roda a Vida.

Passa a vida comercial de hoje, automóveis, camiões,

Passa a vida tradicional nos trajes de alguns regimentos,

Passam todas as classes sociais, passam todas as formas de vida,

E no momento em que passam na sombra do Arco de Triunfo

Qualquer coisa de triunfal cai sobre eles,

E eles são, um momento, pequenos e grandes.

São momentaneamente um triunfo que eu os faço ser.

Álvaro de Campos/FP

Eu Acho Que O Que Faz Mesmo Falta É…

… uma formação para formadores de formadores de formadores de professores. A ser dada por aqueles que diagnosticaram agora a situação que os próprios criaram. Se possível com financiamento generoso ao abrigo dos programas da famigerada bazuca e ainda uns apoios privados de fundações amigas (acreditem, que eu vi uma nesga do funcionamento da coisa). Com decisão após consulta dos mais interessados e bem localizados no acesso a este tipo de envelopes financeiros e prebendas conexas. Porque a situação é grave e há ganâncias e sofreguidões que se não forem satisfeitas ainda produzem algum colapso nervoso e muita agitação mediática.

Já agora… não sei se repararam, mas depois dos especialistas em ensino à distância e recuperação das aprendizagens, surgiram imensos especialistas em “ser professor” no ensino básico e secundário, com destaque para quem nunca o foi ou por lá passou em modo de biscate e algum nojo pela camaraderie. Tenho de ir ver se @s economistas da minha maior estima não se pronunciaram já sobre o assunto (uma ainda está encravada nas máscaras, não percebendo o bem que lhe fazem).

Benefício Da Dúvida?

Dou ao Diogo Costa, como guarda-redes da selecção. Agora ao João Moutinho, ao Pepe ou ao pai do Cristianinho, que andam lá desde o tempo da pedra lascada é um bocado tarde, certo? Já sabemos para o bem ou o mal o que valem, o que fizeram e podem fazer. No caso deles, para que se esclareça, é quase sempre para o bem, tirando quando dá um daqueles amoques ao Pepe e se esquece que não está a jogar no clube.

Já quanto a outros “jogadores”, ao fim de uma série de temporadas no activo, é difícil esperar que se transformem no que nunca foram. Mesmo que garantam conversão legítima e profunda, passem a usar as vestes de uma nova fé e a vergastarem-se por pecados do passado.

E para quem pensa que pior não pode ficar vai o meu prémio “santa ingenuidade”.

Espero Mesmo Que Seja Ele

Que o SE Costa passe a ser o ministro João. Quer porque seria passar a de jure o que já era de facto, quer porque assim terá de assumir por inteiro aquilo que gostava de apresentar sempre como sendo da competência ou área alheia. Porque chega meia dúzia de anos de desculpabilização em relação ao que é mau e de vitimização perante a mínima crítica ao seu desempenho, com aquela estratégia do “ai não gostam de mim e eu sou tão inocente de tudo” que adoptou este tempo todo no cargo. e com apenas um secretário de Estado, não vai dar para se esconder quando for necessário discutir a carreira docente, a avaliação do desempenho, os “truques” que por aí andam prometidos para a formação e recrutamento à la minute de professores. Não vai chegar o refúgio das “fofices”, das flexibilidades, inclusões, autonomias, diversidades e demais retóricas esvaziadas de substância. A parte má é que toda aquela “ganga” que o rodeava, a sua corte particular de nostálgicos das pedagogias patchouly, das ubuntices e daquelas outras relativizações nas margens da anti-ciência, em que tudo é motivo para identificar necessidades de formação dos professores, vai continuar a pairar por aí. Resta saber quem será @ escolhid@ para figura sacrificial como secretári@ para se chegar à frente em questões negociais. Aposto em figura feminina, a bem da diversidade – lá está! -, da inclusão e da necessidade de encandear os faróis do papão-mário. Não carreguem é muito nos peróxidos.

Alfa Ou Ómega?

Na próxima 4ª feira, dia em que se conhecerão os novos governantes, há um evento na Gulbenkian (que belo feudo que conquistaram!) que poderá ser o último ou o primeiro do (novo) regime costista na Educação. Último se o actual SE costa decidir que já chega e que é tempo de outros voos; primeiro, se decidir, finalmente, assumir como seu o lugar que sempre foi. E eu até acharia bem que assim fosse, que ficasse para a parte “chata” das negociações com os sindicatos acerca daquelas coias pouco populares fofinhas como a carreira docente e a add, e que consigo trouxesse para a claridade as eminências pardas dos últimos seis anos de governança flexível, inclusiva e modernaça, a menos que lhes desgoste serem “secretários”: Domingos Fernandes como secretário da Educação para as Coisas Pedagógicas; David Rodrigues como secretário de Estado da Educação para as Coisas Inclusivas; Rui Trindade como secretário de Estado para as Coisas Formativas, ficando por preencher (será que é desta, Filinto? sabes que não te coloco aqui por mal, antes pelo contrário) o cargo de secretário de Estado para as Coisas Administrativas.

Anote-se a presença do sempre disponível, na ausência de Andreas Schleicher, Paulo Santiago, para dar a chancela da OCDE a tudo isto.

Começa A Assustar-me

A procissão de tod@s @s que se começam a perfilar na sombra de Nóvoa ir para a Educação. Não por ele, mas pela pré-Corte em constituição. Demasiada fidalguia e beatice, pronta a lixar a plebe à primeira oportunidade, por muitas loas que agora se andem tecendo, que isto da diferenciação começa no berço ideológico.