Um Bom Método “Científico” Usado Medir A Falta De Professores Nas Escolas

Comparar o ruído ambiente que nos chega pelas janelas das salas (pode ser dos dos professores, se estivermos em agradáveis tarefas burrocráticas) durante os intervalos e os períodos de aulas.

O problema pode ser “complexo”, mas as “evidências” estão aí.

Horário De Expediente

Salvo para gente amiga, assuntos de natureza pessoal ou combinações previamente acordadas entre as partes, deve ter-se em conta que eu não beneficio de flexibilidade de horário, pelo que assuntos sérios não devem ser tratados fora de horas. E por fora de horas entenda-se o crepúsculo. No máximo. E a alvorada, já agora.

A Coragem Do Dia Seguinte

Não me sensibiliza muito quem “assume” qualquer coisa quando não há mais nada a fazer, porque se ficou a conhecer sem ser por acção da própria pessoa. E há ainda quem dê todo o apoio a causas que afirma já conhecer, mas acerca das quais nada fez. Ou como o meu pai me contava, ainda era eu petiz, foi muito simples ser-se democrata no dia 26.

A Sério?

O que eu gostava que esta malta viesse dar aulas para o mundo real. Claro que entendo o objectivo. Assim como as portas das salas também devem estar (como estiveram o ano passado). O que estes especialistas de gabinete parecem desconhecer são algumas das implicações práticas destas medidas, que nem vale a pena estar por aqui a enumerar porque há estados de alheamento que não querem ser perturbados.

Covid-19. Janelas das salas devem estar sempre abertas

Despacho 7356/2021 De 23 de Julho

E depois há os que se amofinam porque eu digo que levam metade do dia de rabo sentado e ainda acham que devem meter o nariz na avaliação alheia. Bem… antes isso que outras coisas.

Claro que há belíssimas práticas mesmo em tempo de pandemia, não me entendam mal, porque não é nada contra a disciplina de EF. É só um desabafo contra certos oportunismos e encostanços. Claro que há quem não pape tudo para si e o(s) amigo(s). Só que eu vejo muito mal ao longe.

Ainda se arranjassem Centros de Formação Histórica (Cultural e Patrimonial) ou de Línguas ou de Ciências, eu poderia sentir alguma “boa vontade”. Mas…

Estabelece as normas de funcionamento do Desporto Escolar para o ano letivo de 2021-2022.

(…)

4 – A distribuição do crédito horário pelos docentes dos AE/ENA para as atividades do Desporto Escolar é realizada nos seguintes termos:

a) Professor responsável por grupo-equipa de nível ii – até três tempos letivos;

b) Professor responsável por grupo-equipa de nível iii – até dois tempos letivos, acumuláveis com os tempos letivos atribuídos na alínea anterior;

c) Exercício de funções nos CFD – até 6 tempos letivos por docente, acumuláveis com os tempos letivos atribuídos na alínea a), até um limite máximo de 15 tempos letivos por CFD, a distribuir pelos docentes que pertencem a cada CFD.

Invertebrado É Quem…

… por não ter a coragem de assumir certas decisões complicadas, lança a responsabilidade para outrem, esperando , de caminho, fomentar a discórdia ou mesmo a clara animosidade em relação ao alegado “responsável”. Só que tudo acaba por se saber e é assim que se confirmam todas as piores suspeitas acerca do carácter de certas pessoas tão adeptas de “afectos”-

Concursos

Não são anos, mas décadas que passei a ouvir falar na necessidade de “estabilizar” o corpo docente das escolas. A cada alteração nos concursos, a justificação mais comum é essa, mesmo quando o que é legislado tem exactamente o sentido contrário. A “fixação” dos docentes é uma prioridade nunca concretizada. Parece que agora vem aí nova vaga reformista, no sentido da “fixação dos quadros” (leia-se, eliminação das hipóteses de “mobilidade”, algo já ensaiado por David Justino há quase 20 anos e que tão mal correu), para que fiquem de vez onde ficarem colocados. Como criatura rara que nunca concorreu a qualquer mobilidade (andando mais de um lado para o outro, em seu tempo, conforme os concursos, sem direito a “jeitinhos”), colocado quando calhava em tempos de contratado e professor na escola onde fiquei pela primeira vez no quadro, sou todo favorável a que se eliminem atalhos e coisas assim mais para o manhoso, lado a lado com outras que são gritantes injustiças.

Por isso, receio muito a simultaneidade desta preocupação do ME e o recrudescimento do apelo dos directores para terem um papel mais activo na escolha dos professores a colocar nas suas coutadas. Já várias vezes referi que não selecciono alunos e devo trabalhar com todos os que me surgem porta dentro, pelo que não percebo porque certas lideranças sentem tanta necessidade de escolher os professores que lhes entram pelos portões. Se um bom professor deve saber mobilizar todos os alunos para o sucesso, independentemente das suas características, acho que um bom director deve saber mobilizar to, os os professores para um bom desempenho.

Mas, ia eu dizendo, receio muito os “mecanismos” que possam vir a ser usados para garantir certas “fixações”, pois se há coisa que já observo é que quem tem as costas mais aquecidas, já consegue “fixar” quem bem entende, ano após ano. O que nem sempre tem sido possível é abrir vaga com retrato à medida. Até porque há quem já esteja há tanto tempo na fila que, mesmo com as ultrapassagens “extraordinárias” que se conhecem, nem sempre é possível meter a agulha no buraco do camelo. Ou algo assim.

É que, com as tais décadas de experiência em ouvir boas intenções “plasmarem-se” em péssimas práticas, nada me garante que não se esteja para aí a preparar um cozinhado meio esquisito. Em que se retribua o favor de aplicar com eficácia e arreganho certas medidas, com uma acréscimo de “autonomia” da acção dos senhores directores, em matéria de concursos “localizados”. E depois não digam que não avisei a tempo. Mesmo sabendo que há quem goste de dar a entender que, qual Cassandra, as minhas profecias não são de fiar, mesmo quando acertam no alvo.