Sábado – Dia 2 Do Re-Re-Confinamento

Começou ontem a contar o tempo para um novo ajuste de contas com os professores, não tenha qualquer dúvida. Porque estas duas semanas de “férias” irão ser pagas a dobrar daqui a não muito tempo. Pois, vão-se percebendo – claro que há ingénuos, verdadeiros ou nem por isso, que dizem que não é assim – os contornos da “narrativa” em construção para, sacrificando uma parte (a opinião pública começou a ter uma “percepção” errada dos riscos e/ou o governo teve uma “percepção” errada dessa outra “percepção”, numa espécie de jogo de espelhos), salvar o essencial (a bondade das intenções do governo, que reagiu tarde porque tudo tentou fazer para evitar os maiores problemas, não podendo prever o que se está a passar).

Sendo mais claro: o governo não poderia ter feito de outra forma o que fez, pois tudo isto ganhou uma dimensão imprevisível e a opinião pública “forçou” a que se tomassem medidas que esse mesmo governo estava convicto de não serem necessárias.

Bullshit (caca de boi em português).

Desde há mais de um mês que se sabe que a evolução da pandemia não podia ser medida apenas pelos dados de Março-Abril, seja por causa das variantes do vírus, seja por causa da procrastinação de medidas mais firmes para travar a progressão dos contágios.

E é aqui que entra a necessidade do encerramento das escolas – óbvio pelo que implica de mobilidade da população, não por ter focos virais nas salas – que foi apresentado de modo errado como uma espécie de fronteira final de combate à pandemia, quando deveria ter sido encarado como a primeira barreira a erguer (e que no caso da primeira vaga, sem estirpe britânica, se revelou bem eficaz).

E é aqui que surgem aqueles sinais, nem sequer especialmente difusos, em que o “fecho das escolas” começa a ser um problema de que o governo que alijar responsabilidades. E começam a surgir expressões como “a vontade dos professores” ou tiradas completamente despropositadas como a do economista Aguiar-Conraria que já começou a acenar contra a “corporação dos professores e sindicatos” (só quem não viu o estado do Mário Nogueira nas últimas intervenções é que pode ainda apresentá-lo como bicho-papão) a propósito da posterior necessidade de compensar estas duas semanas de “férias”. Que até podem ser mais.

Em que se vai sublinhar que os professores nem estão a trabalhar. Porque nem há “ensino à distância”, como se isso fosse culpa deles e não da falha grosseira da equipa do Ministério da Educação e do governo. E basta ler o que foi sendo escrito por mais um punhado de “opinadores” para se perceber que o fecho das escolas é o “símbolo maior do falhanço nacional”. E não a acumulação de cadáveres em contentores nos hospitais, porque já não existirem condições para os ter nas instalações. Um deles fica a pouco mais de 1 km da minha escola, talvez por isso eu dê mais atenção a esses “detalhes”. Mas há quem ache que a culpa das escolas encerrarem é das próprias, dos seus directores e professores (parece que era ontem a tese na TVI24de um dos comentadores, mas ainda não confirmei) por não terem preparado um novo período de E@D. Como se a culpa de não aparecerem omoletes fresquinhas pela manhã fosse do cozinheiro a quem não deram os ovos.

A estranha e permanente raiva mal disfarçada contra os professores irá voltar à superfície de modo mais claro em pouco tempo. Ui, que eles estão de férias e fizeram tudo para fechar as escolas e nem sequer dar apoio aos alunos, essa matilha se parasitas da sociedade. O ministro da Educação, pisca-piscando de nervoso, já começou a desresponsabilizar-se de tudo, afirmado que mandou comprar paletes de computadores. Os pontas de lança alinhados com a Situação lançaram as primeiras farpas, a ver se algumas pegam.

Por mim, já estou convencido que este ano não terá “férias” de Verão. Ou quaisquer outras que não forçadas. Se essa é uma necessidade de corrente destas paragens de aulas, não tenho qualquer problema em as compensar. E digo-o desde já, apenas garantindo que não estou disponível para outros “fretes”.

Não preciso que venha alguém espicaçar-me o “espírito cívico” ou equivalente. Ou fazer elogios hipócritas aos professores quando isso dá jeito. Só quero que guardem lá já as facas que andam a afiar.

A Maldição Dos 2ºs Mandatos

O segundo mandato em maioria absoluta de Cavaco Silva, chegou ao fim, mas de modo penoso, marcado por uma degenerescência completa e culpou-se a maioria absoluta pelos abusos de poder e por todo os esquemas de compadrio que tomaram conta do Estado e da sociedade.

O segundo mandato, em maioria relativa quase absoluta, de António Guterres terminou com ele a fugir de um “pântano” (político e não só) de que em parte se responsabilizou a tal maioria quase absoluta que precisava de favores limianos para se aguentar.

O segundo mandato, em maioria relativa, de Sócrates foi o que nos encaminho decisivamente para a falência técnica e a troika e na altura as culpas foram espalhadas em muitas direcções, com ele a criticar a maioria relativa que permitia maiorias negativas de bloqueio.

O segundo mandato de Costa, em maioria relativa com muletas parlamentares (PAN, PCP, as novas “limianas” independentes), vai-se aguentando, encostada a Belém, tropeçando aqui e ali, para além dos vários tropeções do primeiro mandato que a geringonça protegeu, e culpa-se a “percepção”.

Isto agora a seguir é apenas uma especulação, um “suponhamos”, porque me dizem que sem ideias novas, as coisas estagnam, não avançam e encalham nas águas movediças da pasmaceira.

E que tal limitar-se a um mandato o exercício de cargos governamentais (podendo voltar um mandato mais tarde), a começar pelo de PM, mesmo que seja o mesmo partido ou coligação a vencer as eleições, com eventual extensão da sua duração para 5 anos? E quanto aos presidente poderia fazer-se algo como estender o mandato para sete anos e ficar-se também por um, por causa de tudo que acarreta de cálculos o desejo de se ser reeleito como todos os anteriores?

Ranking Dos 3 Locais Mais Seguros De Portugal Para Fugir À Pandemia

  1. Escolas.
  2. Qualquer evento organizado pelo PCP.
  3. Um gabinete onde se encontrem À MESA para negociar: o ministro Tiago, o secretário João, os representantes dos professores Mário e João, o pai Jorge e o director Manuel (que ontem ganhou a medalha do primeiro a engraxar o cágado ao PM na televisão).

Escolas Abertas: Apenas Um Pensamento Final

Se o ensino presencial “essencial” e a relação entre professores e alunos é assim tão “insubstituível” e “incontornável”, porque raio os governos dos últimos 15 anos (mais de 10 com o PS e 5 com o PCP pela trela) têm tratado a classe docente com a mais absoluta falta de respeito, sucessivas ofensas e amesquinhamentos públicos?

Bardamerda, Pá!

Ficamos conversados acerca disto?

Phosga-se! – Série “Nas Escolas Não Há Cóvídeo”

  • Face ao número crescente de infetados por COVID-19 que se tem verificado, deste o início do ano, foi decidido adiar a 2.ª eliminatória das Olimpíadas Portuguesas de Matemática.
  • Oportunamente será anunciada a nova data da 2.ª eliminatória das Olimpíadas Portuguesas de Matemática.

Decisão De Ano Velho

Já estava tomada, até por causa dos prazos envolvidos, mas senti que ficava um pouquinho mais legitimada com esta absoluta falta de vergonha a envolver a nomeação para um dos belos tachos na burocracia europeia de mais um boy do regime, daqueles cinzentos, que ninguém conhece, até chegar à tona com currículo inventado à engenheiro, à relvas, à tantos outros, desde o plano local ao global, que até custa pensar em fazer lista só dos conhecidos.

Resumindo: indeferido o pedido de escusa de inclusão na bolsa de avaliadores externos pelo excelentíssimo senhor sub-director geral da Administração Escolar com justificação jurídica que não passa de puro gozo, pois remete para legislação que não diz de maneira nenhuma o que dão a entender, pus-me a pensar se valeria mesmo a pena fazer um recurso hierárquico da decisão para o ilustríssimo senhor secretário de Estado. Claro que – mesmo que transcrevesse de forma extensa a legislação que “fundamenta” o referido indeferimento, demonstrando a completa falta de pudor – novo indeferimento estaria garantido, tendo eu apenas de pesar se o gozo de fazer prosa jocosa compensaria a perda de tempo.

Foi então que realmente me surgiu o argumento maior contra submeter um aspecto da minha vida profissional à decisão. nem que seja apenas por assinatura, de alguém que considero politicamente oportunista (o Tiago que se chegue â frente que os bastidores são dele), intelectualmente desonesto (basta comparar, para não ir mais longe, a forma como reagiu ao sucesso nos PISA 2015 com o insucesso nos TIMMS 2019) e juridicamente manhoso (achemos o que acharmos da posição do encarregado de educação em causa, o despacho sobre os dois alunos que não frequentaram a disciplina de Cidadania é uma vergonha, remetendo para articulado não aplicável ao caso concreto). Sim, porque passou a acumular também esta área da governação que antes pertencia à colega Leitão, pois as mais recentes secretárias não passam de advérbios de pouco encher.

Quero eu ter um despacho do magnífico secretário de Estado a confirmar o despacho anterior do digníssimo sub-director geral? Não foi já suficientemente mau ter de ler um despacho de alguém com a estatura e o currículo de um licenciado César Israel Mendes de Sousa Paulo a indeferir um pedido formulado de modo correcto e juridicamente sério? Estarei eu para ver isso confirmado pelo catedrático secretário João Miguel Marques da Costa, com justificação jurídica automática fornecida por uma técnica superior sem qualquer autonomia que não fazer o que lhe mandam e como lhe mandam?

Não, não me apetece voltar a ser amesquinhado desse modo. Chegou o primeiro despacho do boy de segundo escalão. Não preciso da confirmação do seu superior, mais um num governo que se especializou na manipulação de factos e que considera que a mentira, desde que necessária para manter a face, é absolutamente aceitável, estejam em casa encenações com granadas ou nomeações de Estado. Isso não significa que não exista plano B (mais criativo) ou C (recuperando velhas tácticas que muita gente parece ter esquecido preferindo amochar) acerca do assunto, apenas que devemos estabelecer um padrão mínimo para entrarmos neste tipo de circo. Porque quando nos baixamos muito, ficamos à mão de semear e com esta gente é melhor nunca se ficar de costas em público. Porque ainda nos podem confundir.

(até porque me desgosta bastante quem faz o mal e ainda se arma em vítima e queixinhas…)

Como Transmitir Uma Sensação De “Segurança”?

Alunos que testem positivo por contacto com alguém “em ambiente familiar” vai para casa. E vão alunos em seu redor numas escolas, a turma toda em outras, ninguém ainda em aqueloutras. Uma coisa curiosa é que os que vão para casa por contacto directo com o colega positivo, em regra ficam à espera para serem testados até que passa o tempo e é altura de voltarem às aulas. Ou se as famílias, com natural receio, perdem a paciência e tomam a iniciativa de mandar fazer o teste, já passaram os dias suficientes para a carga viral ser muito baixa. E assim se impede, por via de esperteza saloia, que se registem “surtos”. Vamos acreditar que isto que escrevi é apenas uma suposição.

Sábado

É sempre complicado quando encontram@s alunos que vivem sob uma pressão imensa por parte da família, sendo que esta ou nem tem noção do que faz ou opta por alijar responsabilidades pelas consequências para quem nada tem a ver com o assunto. A projecção de aspirações próprias não realizadas (ou que parecem indispensáveis para manter um estatuto) na descendência ou, no outro extremo, a necessidade doentia de a amesquinhar sem razão aceitável são atitudes do mais lamentável que um@ professor@ em algumas horas por semana não tem forma de minorar. O bullying familiar é o parente pobre dos estudos sobre este tipo de temas. Fala-se em violência doméstica, sim, mas não é bem o mesmo. É algo mais insidioso.

(quantas vezes a miudagem acaba por arranjar esta ou aquela “desculpa” apenas para não enfrentar a fúria de um progenitor ou ver-lhe o olhar de desilusão… e nem sempre apenas o olhar?)

4ª Feira

Ora cá estamos nós. No meu caso, em cheio num dia de actividades para a avaliação, se me é permitido o arcaísmo. Com alunos presentes e outros ausentes há que flexibilizar e diferenciar. Mas a sério. Adaptar critérios, com autonomia. Mesmo que ainda esteja muito por definir, que nem sempre o pessoal se lembra que avaliar – apesar de ser algo muito passé nos modelos futurísticos da desmaterialização – é diferente conforme as circunstâncias dos alunos em contexto de pandemia, mesmo sem passagem generalizada a ensino misto ou não presencial. Nem me parece que o Plano de Contingência seja o documento ideal para isso lá estar. Mas parece-me natural que, na maioria dos casos, os Pedagógicos já tenham previsto estas situações.