Interessante

Embora algumas partes contradigam claramente certas teses que por cá navegam quanto ao excesso de informação dada aos alunos. Ou quanto à necessidade de repetição.

‘What Works’ In Reading Comprehension—And What Doesn’t

(…)

With word-recognition—and to a lesser extent, fluency—it makes sense to limit the analysis to studies in the field of reading. Learning to sound out, or “decode,” words involves a finite set of skills that, when practiced in a systematic way, usually lead to success.

But reading comprehension is different. It’s not just a reading process. It’s inextricably connected to the process of learning in general. And cognitive scientists have found that the key factor in learning new information is how much relevant information you already have.

That’s because the aspect of our consciousness that takes in new information, our “working memory,” is easily overwhelmed. Until we become fluent readers, we have to juggle things in working memory like how to decode unfamiliar words and where to put the emphasis in sentences, in addition to the new information in the text. The more information we have in long-term memory that’s relevant to the text—whether that’s knowledge of the topic or general academic vocabulary, or both—the more capacity we have in working memory to understand and retain new information.

But little of that evidence from cognitive science is reflected in the practice guide, or in the research the panel surveyed. There’s a nod to “building word and world knowledge,” but that turns out to mean brief, one-time explanations of unfamiliar terms just before students read a text. That may help kids wrest meaning from the passage at hand in the moment, but unless they hear those words again—repeatedly, over a period of weeks, in different contexts—the knowledge is unlikely to stick and enable them to become better overall readers.

A Ler

Não é a mais fácil das leituras, mas vale a pena. Duas entrevistas com uma das menos convencionais escritoras destes dias. Falhou o Booker de 2021 por pouco.

The poet and novelist discusses her “atrocious” early writing, her hysterical family dynamics, and how getting COVID rewired her brain.

“The internet – in the form of social media, at least – is much more like fiction than it is anything else”

Ora Bem!

Todo o artigo, cuja referência agradeço à AC, merece um leitura cuidadosa.

What Differentiated Instruction Really Means

(…) Educators have been anticipating “learning loss” for the past 18 months. But focusing on “loss” assumes something was “had” in the first place. If students “lost” their learning, did they ever really have it? Instead of focusing on “loss,” let’s focus on determining whether or not students have met learning targets.

How To Stay Sane In An Age Of Division

Um livrinho de pequeno formato, com 90 páginas rápidas de ler que consumi em suporte físico, porque sou antiquado. Quem o quiser em formato digital, até paga menos. É da anglo-turca Elif Sharaf e explica-nos como as identidades monolíticas são uma ilusão e o mundo da leitura e escrita nos pode unir, em vez de nos isolar (perante ecrãs, por exemplo). Fala-nos de forma muito elegante sobre as ansiedades de um tempo em que cada vez se grita mais, mas menos eficaz é a nossa “voz”, e sobre os equívocos de quem não percebe que certos extremismos e fundamentalismos só ajudam a criar os fenómenos pelos quais, depois, a maioria gosta de se desresponsabilizar. Ajuda-nos a perceber que a sanidade é possível, se não nos desligarmos do passado, de tudo o que nos ajudou a criar enquanto seres que não se definem por um único traço (geográfico, político, étnico, religioso), mas de forma compósita. Um livrinho que só na aparência poderá parecer ligeiro ou defensor de uma tolerância inconsequente. Pelo contrário, ensina-nos que a inconsequência está em encerrar-nos em câmaras de eco, nas quais a verdade aceite é apenas a que nos faz sentir confortáveis.

Domingo

Dia de balanço das leituras terminadas ou em desenvolvimento, porque só leio “notas informativas” da DGAE e despachos ou decretos por necessidade, própria ou alheia 🙂 .

Chantal Mouffle, Por um Populismo de Esquerda apresenta umas teses interessantes sobre uma reconfiguração de parte da Esquerda, através da aceitação do sistema político liberal democrático, mas mantendo a crítica ao sistema capitalista neoliberal, de que se percebem apenas umas penugens no Bloco de Esquerda. Não sendo grande fã da autora, confesso que algumas partes são mais lúcidas do que a média e infinitamente superiores a qualquer “reflexão” nacional sobre o tema, entregue a vultos que se limitam a papaguear chavões.

Nigel Warburton, Liberdade de Expressão – Uma breve introdução é um livrinho curto mas interessante para leitores menos habituados a discutir opiniões de forma “aberta”. O capítulo sobre a pornografia é, curiosamente, o mais longo e o menos interessante.

Com alguma relação, A Morte da Verdade – A Falsidade na Era de Trump de Michiko Kakutani, bvale a pena, até porque a autora não esconde o seu “lado” na questão.

Emmanuel Carrère, Je suis vivant et vos êtes morts é uma espécie de biografia de Philip K. Dick que podia ser mais interessante se não se preocupasse tanto em descrever as histórias dos livros do biografado. Ficou em banho-maria entre a página 150 e a 200.

A Cidade das Palavras de Alberto Manguel é uma demonstração de virtuosismo erudito, que se lê muito bem e com o prazer de se saber que a leitura pode ser mesmo só isso, admirar o que os outros sabem e gostam de nos comunicar.

O Desassossego da Noite de Marieke Lucas Rijneveld é um livro de leitura difícil, não pelo estilo, mas pelo quotidiano e sentimentos que aborda. Um negrume desconfortável. Mas uma extraordinária experiência, muito longe das xaropadas que fazem a maior parte dos tops e mesmo de muitos prémios literários.

De Afonso Cruz vou lendo as coisas algo fora de ordem. Para Onde Vão os Guarda-Chuvas é muito bom na sua falsa leveza. Daquelas páginas que apetece sempre ler um pouco mais.

A Minha Irmã é uma Serial Killer de Oyinkan Braithwaite é uma história original, que se lê muito bem, mas parra a qual a autora não conseguiu achar um final à altura, o que é pena.

The Man in the Red Coat de Julian Barnes é uma delícia, escrito com uma elegância que quase só ele consegue manter e um livro de História que muitos historiadores não saberiam escrever no modo como recria um ambiente específico (a Belle Époque na França e Inglaterra), a partir de um conjunto de personagens sobejamente conhecidas e outras nem tanto (o homem do casaco vermelho, desde logo) e de temas que mostram como pouco do que agora se apresenta como “fracturante” vem de muito longe.

Dulce Maria Cardoso, Autobiografia Não Autorizada. Livro de crónicas, ideal para leituras rápidas que se agarram quando apetece. Já tinha lido O Retorno, agora comecei a comprar o resto.

My Dark Vanessa de Kate Elizabeth Russell, ainda no início. Alguma curiosidade por revisitar um tema complicado em termos literários desde o Lolita, com a esperança que fuja aos lugares-comuns muito habituais nestas coisas.

Também no início, adiado demasiadas vezes, o Índice Médio de Felicidade do David Machado. às primeiras páginas, não nos faz desanimar, o que já é uma boa qualidade.

Comprei, apesar das quase 800 páginas do formato de bolso, o Night, Sleep, Death, Stars da Joyce Carol Oates, porque até agora ela raramente me falhou.

Em matéria de BD, os volumes 3 e 4 da série Stumptown de Greg Rucka são agradáveis, até porque o grafismo mudou. Nada de excepcional, mas pelo menos deixa-se ler bem, sem grandes pretensiosismos.

O azul é uma cor quente de Julie Maroh foi uma muito agradável surpresa, no estilo, já não tão novo como isso, da novela gráfica mais ou menos autobiográfica.

Mais fora da caixa, Garra Cinzenta, 1937-1939, é uma reedição da que é considerada a primeira HQ (História em Quadrinhos) de terror brasileira de Franscisco Armond e Renato Silva. Para nostálgicos de outro tipo de traços e do estilo pulp original

Na Immanquable, este mês continua a nova reencarnação do Bob Morane (Les 100 Demons de L’Aube Jaune), série que nunca apreciei excessivamente, mas que renasceu com algum interesse, e o episódio mais recente d’As Torres de Bois-Maury do Hermann. O resto não é mau, mas estas são as duas razões principais para o investimento.

Leituras (Pouco) Natalícias

Pela extensão, já não vai a tempo de entrar da luta pelas melhores leituras de 2020, mas deve vir a ser a primeira boa leitura de 2021. A edição portuguesa saiu há pouco, mas o preço empurrou-me para o paperback americano (10 euros em vez de 25), menos robusto, mas também mais portátil.

Uma Vida Inglesa

Ficcionalmente, Adrian Mole é dois anos mais novo do que eu porque, ainda ficcionalmente, nasceu a 2 de Abril de 1967. Somos ambos Carneiro e partilhámos muitas das inadequações da adolescência e início da idade adulta. As suas memórias escritas por Sue Townsend acompanharam-me de forma irregular até aos “anos da próstata”. A sua autora não viveu até aos anos do Brexit, o que teria dado um volume tão ou mais hilariante do que os melhores da série. Revisitar cada um deles, relembrando o contexto, é voltar ao prazer inicial. Para mim, um “clássico” (com melhores e piores momentos) do meu tempo.