Os Exemplos “Lá De Fora”…

… de que alguns cronistas, especialistas, presidentes disto e daquilo gostam tanto, em nome da “liberdade de escolha”. O que não dizem é que a experiência só é boa para alguns.

Lisa Pelling explains how ‘freedom of choice’ has wrought a vicious circle of inequality and underperformance.

Uma ADD Liberal

Não percebi se a proposta é apenas para a Madeira, se é para todo o país. Anoto que os liberais também aderiram ao linguajar do eduquês, nisso pouco se distinguindo da “esquerda socialista e radical” (a prova do algodão é o uso de expressões como “disseminação de boas práticas”, “partilha e experiências”, “potenciar o escrutínio” ou “cultura de indicadores transversais”. Em boa verdade, isto poderia ser dito pelo ministro Tiago, sob guião do SE Costa, que nestas coisas faz sempre de encoberto, com aplauso da maioria da esquerda parlamentar e belos nacos do psd da facção Azevedo/Matias Alves e eventual estudo legitimador do CNE.

Todos diferentes, mas tão iguais.

Assim a IL propõe:

· Rever, em conjunto com os agentes educativos, o regime de avaliação dos docentes;

· Estabelecer um regime de avaliação das escolas com base numa análise multifactorial;

· Rever a divulgação de rankings escolares;

· Promover a disseminação de boas práticas, com base na autonomia e na promoção de partilha de experiências entre escolas;

· Ter uma política de publicitação activa de dados em matérias relacionadas com a Educação, para potenciar o escrutínio e o debate público;

· Promover uma cultura de indicadores transversais entre as diversas instituições.

Sempre Que Chego À Parte Das Invasões Francesas…

… e da Revolução Liberal (6º ano) gosto de explicar com algum detalhe aos alunos o funcionamento do regime liberal, desde o princípio dom primado da legalidade constitucional sobre o arbítrio das decisões casuísticas às limitações de um liberalismo que (como a democracia ateniense) estava longe de ser “inclusivo”. Mas a parte da divisão de poderes e das respectivas competências faço questão de detalhar, para não ser preciso vir o Cotrim de Figueiredo (ou o clone do emplastro) explicar-nos uma versão do “liberalismo (económico) para totós”. Ou para que não engulam que os debates para as as eleições para o Parlamento são mesmo entre candidatos a primeiro-ministro, quando são apenas uma versão de justas entre cabecilhas de facções. Essas aprendizagens faço mesmo questão que sejam transmitidas para além do “essencial”, mesmo se com o tempo possam ver a ser perdidas ou baralhadas com a ruidosa distorção que por aí anda, em especial em tempos de campanha para o controlo do Orçamento.

Para Os Liberais, Parece Que Sem Pandemia Estaria Tudo Bem Na Educação

O problema são os confinamentos e as férias. Note-se que nesta agremiação política não é raro haver queixas contra o excessivo tempo da petizada em aulas, mas parece que desde que fiquem na escola, com ou sem contágios, não interessa. neste caso, penso que em convergência com as prioridades do SE Costa.

“O problema da educação em Portugal está, por via de decisões política, relativas a confinamentos, horários e férias, a transformar-se numa autêntica tragédia, relativamente à qual, se não tivermos atenção, vamos demorar décadas a recuperar”, disse João Cotrim de Figueiredo, em Lisboa.

É O Liberalismo Do Século XXI

O do candidato único a líder. Só falta saber se o da Iniciativa Liberal foi eleito com o braço no ar e aclamação.

As Medalhas do General2

(depois de algumas esperanças, as primeiras intervenções parlamentares do deputado agora líder deixaram-me a pensar que, afinal, não sei se haverá tanta substância quanto isso nesta “novidade”…)

Dissoluções

Boris Johnson suspende o Parlamento à João Franco, alegando que quer cumprir a vontade da maioria que votou pelo Brexit. Por cá, ameaçam-se de dissolução organizações ou corpos sociais que se tenham revelado mais dificilmente domesticáveis. Aposto que nos dois casos se alega o “interesse nacional” e se bate no peito em jeito de patriotismo. A democracia em minúsculas segue dentro de momentos.

Democracy1

Os Elevados Custos da Erosão dos Serviços Públicos

É anedótico ver tipos como o Hugo Soares e afins a clamar pela desprotecção dos cidadãos perante os fogos, atribuindo a responsabilidade ao fracasso do “Estado”. No que eu estou plenamente de acordo, só que levaria a questão a outro nível de análise, um pouco além da demagogia de parlamentares de aviário. Ou seja, o “Estado” é quem? Todos, mas nenhuns em concreto? O “Estado” – neste caso guardas florestais ou recursos equiparáveis para detecção precoce de incêndios, polícias para fechar estradas, isolar áreas, recolher pessoas (a bem ou menos bem) em zonas de elevado risco, bem como, bombeiros equipados e com orientação para intervir, sem andarem às  cegas atrás de tudo e nada, a fazer o impossível – é determinado por quem?

O deputado Hugo Soares, alguns dos tristes pares que o colocaram como líder parlamentar, mais o pessoal do CDS arrepiado com as mortes rápidas verificadas, parecem não se interrogar sobre a razão da erosão dos serviços públicos que os seus partidos promoveram de forma activa, em colaboração com o PS, não esqueçamos, desde o início deste século, para não irmos mais longe. E se falarmos em tantas outras mortes em combustão lenta por ausência de serviços públicos (caso da Saúde, não apenas da Administração Interna), o que nos responderão? Até há dias diriam que a maioria desses serviços seriam melhor desempenhados pela “iniciativa privada”.

Mas agora já dizem outra coisa. O sempre presente e tudólogo José Gomes Ferreira estava no outro dia na SICN a denunciar a “economia/indústria dos fogos” que ganha com as consequências dos incêndios, desde a madeira queimada ao aluguer de equipamentos para combate aos fogos e indignava-se com a falta de investigação sobre os interesses instalados no rescaldo destas tragédias. E concluía, com uma clarividência que não lhe via há anos (e muito menos quando dialoga com luminárias do tipo Mira Amaral, João Duque, João Salgueiro, Ferraz da Costa e muitos etc) que o mais certo é que este tipo de serviços (prevenção e combate a incêndios) sairia mais barato ao Estado se fosse feito com meios próprios (públicos, permanentes,.

O homem viu a Luz! O arauto da “eficácia”, da “racionalização”, do “combate ao despesismo do Estado” e tantos outros lugares vulgaríssimos parece ter percebido à fora de mais de uma centena de mortes quase em directo que serviços públicos não guiados pelo lucro de prolongar a intervenção e explorar os despojos, talvez sejam melhores do que contratos sazonais com interesses privados.

Não me refiro, claro, àqueles negócios que também surgem ao nível de certas chefias (Protecção Civil, Bombeiros) e que são pura e simples corrupção. Falo de toda uma estrutura no terreno que actue em permanência com uma orgânica clara e não uma pulverização de hierarquias em que há mais chefes no papel do que bombeiros no terreno. Serviços que não respondam porque “os acontecimentos foram foram o resultado de circunstâncias fora do normal” (também há aquela das inundações se deverem muitas vezes a chuvas “acima da média para a época do ano”).

Se serviços públicos permanentes, bem estruturados e equipados do ponto de vista técnico, humano, com um planeamento racional e não a pensar apenas em quem pode ter que cargo e ganhar o quê, são a médio prazo mais vantajosos para as contas públicas do que contratualizações ruinosas, das casuísticas para acudir a qualquer preço a desgraças às de prazos indeterminados e rendas calamitosas (olhem, parece que, afinal, foi a EDP da parceria sino-mexia que não limpou as zonas em torno das suas linhas na zona de Pedrógão, podendo ter causado o incêndio), parece-me algo pacífico e não necessariamente ideológico como alguns pseudo-liberais defendem (para poderem ter contratos com o Estado que abominam).

Até porque a expansão desse tipo de serviços foi exactamente a matriz do Estado Liberal moderno ocidental desde o século XIX, no sentido de chegar a todo o território e a todos os cidadãos para que se concretize o princípio da igualdade de oportunidades e mesmo da possibilidade de liberdade e prosperidade.

Só que dos hugos sorares aos gomes ferreira, passando por tantos outros putos reguilas ou velhas raposas, a aprendizagem do liberalismo foi feita pela cartilha do cuspo mal amanhado. Assim como a enorme paixão do cds (minúsculo) pela segurança dos cidadãos se traduziu mais em submarinos parados do que em esquadras de proximidade no interior do país.

Mas o que interessa é que fizemos estádios para o euro que agora se calhar até servem para jogos de solidariedade.

brainstorm

 

Nada que se Estranhe

É mais do que uma hipótese conspirativa que a austeridade imposta aos países do sul, com os seus resgates e juros, tenha sido mais uma forma para salvar a banca alemã do que propriamente moralizar as contas e desequilíbrios orçamentais cá da malta. O colapso do Deutsche Bank é algo quase impensável, em especial se lhe juntarmos o moralismo financeiro e pseudo-ético dos xóibles e dos seus súbditos nacionais. Mas é uma hipótese. Ou de ser apenas uma espécie de buraco bancário a uma escala global. Nos EUA há muito dinheiro a pagar mesmo se os número têm vindo a descer. A corrupção em larga escala (a globalização da corrupção é outras das vantagens dos novos tempos) é coisa de espantar, devendo envergonhar quem por cá se contenta com tostões. Se acontecer o descalabro e com ele cair em desgraça a grande luminária política da nova geração de liberais em cueiros, quem pagará os 30 dinheiros aos (nossos) judas locais? Claro que nessa altura nunca, alguém, terá tido seja o que for a ver seja com o que for que eventualmente se alegue que hipoteticamente aconteceu. Apenas vergaram a espinha em nome do país. De um país. Que não o deles. São cidadãos globais. Como aquele que, pelo menos, assume de caras a mando de quem anda, a quem chama amigos.

No caso do Deutsche Bank, a corrupção está mais do que demonstrada, assim como a imensa fraude da Volkswagen. Só que os americanos têm a capacidade para os meter no lugar e, mesmo que descendo a parada, impor-lhes sanções das que doem. Em dinheirinho.

Pela Europa, alguma vez será possível castigar quem – sabendo bem o que fazia ou com quem e com o que colaborava – foi responsável por tudo o que gregos, portugueses e espanhóis (e outros) têm passado?

Lama