3ª Feira

Como pode a Educação servir para formar alunos críticos e futuros cidadãos activos e emancipados, se todo o sistema tem sido progressivamente desenhado para transformar os professores numa massa amorfa e cada vez menos capaz de se opor aos desmandos dos vários poderes, preferindo a “estabilidade” do remanso à agitação da defesa dos seus direitos, e nem sequer me refiro a questões salariais? Pode quem se transformou em parte de um rebanho ou pastor oportunista ensinar alguém a ser outra coisa? De que adianta tanto encherem a boca e as prosas de Paulo Freire se alinham pelo lado do “opressor” e quase tudo fazem para reduzir os outros a oprimidos? Pode a “libertação” acontecer numa sala de aula, quando toda a escola está sitiada por uma prática que desvaloriza e amesquinha qualquer tentativa de verdadeira emancipação? Poder, até pode, mas quase de forma clandestina, fugindo ao guião dos que travestiram o que dizem ter sido os seus ensinamentos. Acreditem, Paulo Freire, mesmo que estejam muito datadas as suas concepções, coraria de vergonha ao ver a prática de tant@s que o citam por aí, sem pudor e por simples conveniência.

6ª Feira

Pelas 8 da manhã, na TSF dava-se conta da “vitória” que tinha sido conseguida na reunião dos líderes da União Europeia, no sentido de desbloquear os fundos para combater a crise resultante da pandemia. Tal “vitória” (foi o termo usado no noticiário) resultou do abandono da exigência do cumprimentos das regras de Estado de Direito para aceder a fundos europeus, ou seja “a simples constatação da ocorrência de uma violação do Estado de direito não é suficiente para desencadear o mecanismo”. O que, na prática, é apenas a “vitória” de depois países (Polónia e Hungria) que pela voz e risos de Orbán e Morawiecki demonstraram que na União Europeia se poderá governar de uma forma que ultrapassa o nosso Chega e ainda se ficar a rir dos outros. Ou que, afinal, dois países do centro da Europa com proximidade à Alemanha podem bloquear decisões europeias, algo que nunca os países do sul conseguiram, mesmo quando se quiseram semi-organizar em grupo de pressão.

A ultrapassagem do “impasse” tem mais do que consequências simbólicas, mas o nosso PM já tinha declarado que não se incomodava muito com as exigências de polacos e húngaros. Até porque, se internamente se mostra muito ofendido com a “extrema-direita”, com a intolerância, o racismo e as derivas “fascistas”, lá fora, desde que paguem, fica logo amansado. O que até não admira porque mesmo cá já se tornou uso e costume do seu governo desrespeitar as regras do Estado de Direito ou o primado da Lei quando o que está em causa é impor a sua vontade a qualquer custo. A Educação é apenas um exemplo e nem de propósito ler respostas de organismos oficiais exactamente com o mesmo texto e “fundamentação” a pedidos com anos de diferença e alegações bastante diversas. Ou remeter sem qualquer pudor para articulados que dizem o contrário do que se afirma lá estar.

O “estado de Direito” foi a enterrar esta madrugada na União Europeia. Em Portugal, em muitas áreas, está em coma induzido há bastante tempo. Desde que venha o dinheiro, que se lixe. Já sabemos disso desde que se venderam jóias e dedos a representantes estrangeiros de regimes mais do que nebulosos em relação aos Direitos Humanos. É um espírito “mercenário” a toda a prova. Que o digam Sócrates na Líbia, Portas na Venezuela, tantos outros em Angola ou China. Ou mesmo os que aplaudem a Guiné Equatorial na CPLP.

A Lei Da Rolha?

Que havia gente que tinha sido desaconselhada a ser vista por aqui a colaborar (nem que fosse com comentários), eu já sabia. Não é novidade (aliás, foi uma espécie de omertá estabelecida logo ali à saída de 2015) Ou a partilhar textos deste blogue em redes sociais e coisas assim. Eu já nem vou colocar nada em “grupos” para evitar chatices. Agora que uma colega seja chamada à Direcção porque publicou aqui um texto, com a coragem de assinar por baixo, já me parece claramente algo mais do que mero “conselho”, extravasando para territórios que me fazem lembrar outros tempos, mas se calhar para pior. E falo dos tempos da “outra senhora”, da “reitora”, para que não existam dúvidas, porque o argumento ad hitlerum fica para outro post, que me ocorreu depois de uma conversa em privado com alguém que vocês conhecem bem, mas que agora não interessa nada saber quem é (não, não foi o shôr sub-director, esse leu a mensagem que lhe mandei e enfiou a viola no saco, como seria de esperar em pessoa tão responsável; quanto muito foi fazer queixinhas ao senhor de cima).

Mas já toda a gente sabe que se querem espaços de “informação” e alguma opinião, mas se possível sem levantar as ondas que não sejam as desejadas, este não é o “quintal” certo.

Uma Questão De Liberdade?

Sim, podemos prescindir de regras básicas destinadas a travar contágios e a maioria sobreviverá. Morrerão os mais velhos e mais frágeis, mas isso até apurará a raça, desculpem, a Humanidade, certo? A sobrevivência dos mais fortes. A destruição criativa.

Sim, podemos prescindir de fechar escolas ou de mandar a miudagem para casa, para que os pais possam trabalhar em paz. Ou ficar em paz, em certos casos, porque há entre quem protesta muito, gente desocupada, que não se deve confundir com desempregada. Ou que até pode trabalhar em casa, mas estar com os miúdos o dia todo é uma chatice. Até podemos, contra o “pânico injustificado”, reservar informação e dar espaço aos boatos, podendo tudo acabar nisto.

Mas, depois, se as coisas correrem pelo pior a quem defende isso, acham que ficarão calados e não quererão apurar “responsabilidades”? Sim, porque muitos dos primeiros a clamar por “liberdade” contra a conspiração global das máscaras e do confinamento, serão dos primeiros a apontar o dedo. Aos outros.

Como Responder Com Classe A Bestas

Apenas com a força da Razão. Bastando repetir o que foi dito (ou feito) por quem depois se “desculpa” de forma falacciosa (por estar casado há 45 anos e ter 2 filhas não poderia ter dito o que disse). Ocasio-Cortez desmonta muito bem a alegada “decência” desta malta, mesmo se há mesmo muita gente que se distingue pouco do congressista Yoho que pede “desculpa”, dizendo que não fez nada de mal.

As Orientações Da DGEstE Para O…

Regresso às aulas em regime presencial (11º e 12º anos de escolaridade e 2.º e 3.º anos dos cursos de dupla certificação do ensino secundário)

Página e meia de introdução desnecessária (caberia o que interessa num simples parágrafo) e depois o recurso repetido à expressão “sempre que possível””, pois é claro e notório que não será sempre possível muito do que ali está. E isso vai criar uma terceira camada de desigualdade de acesso à Educação.

Atente-se na forma como se “empurra” de forma decidida os alunos e famílias para uma decisão, com uma espécie de “chantagem” pouco subtil:

a. A assiduidade dos alunos é registada;
b. Os alunos que não frequentem as aulas presenciais, por manifesta opção dos encarregados de educação, veem as suas faltas justificadas, não estando a escola obrigada à prestação de serviço remoto.

Se o aluno faltar e isso for uma opção da família já se percebeu que é para “queimar”, porque não lhe serão asseguradas condições de desenvolver as actividades e, logicamente, isso terá reflexos negativos na avaliação.

Esta forma de fazer as coisas é feia, para não dizer pior. És livre de decidir, desde que decidas o que queremos. Se não o fizeres, ficas por tua conta e pagarás por isso.

Brilhante!

Stop

 

Dia 36 – Os Entusiastas Da Epidemia

Podem bater-me o que entenderem, mas se não querem críticas, então não andem a dizer que o “espírito crítico” é essencial do “Perfil dos Alunos”, porque aquilo de que gostam é de carneirada. Se estivesse lá, faria melhor? Não sei, mas certamente não fugiria a críticas e justificaria as opções em vez de tentar calar quem não diz amén sem reservas como nas missas.

O que está a ser feito em pouco tempo é meritório, tem algumas qualidades, mas é uma solução de recurso, com evidentes fragilidades e, apesar de algum grafismo animado, dificilmente se pode considerar um grande (ou pequeno) avanço na forma de conceber a Pedagogia ou mesmo a Didática. Estamos num período de emergência, ao nível político foram definidas prioridades e tomadas decisões e eu compreendo isso. Mas é escusado estar a pensar que se fez alquimia, porque não.

Contudo, em nome de uma espécie de “união sagrada” parece ser proibido criticar seja o que for e, pelo contrário, abdicar de qualquer capacidade reflexiva. Como se tivéssemos dado um súbito salto para uma qualquer ditadura da opinião, os “entusiastas da epidemia” tratam como se fosse horrível meliante quem apontar falhas à metodologia das aulas síncronas por videoconferência, ao empilhamento de planificações diárias, semanais e mensais, bem como aos relatórios de presenças (mesmo se não se devem marcar faltas) e de monitorização e avaliação das aprendizagens (mesmo se criticam as visões limitadas da “avaliação”).

diario

A Tolerância (Modo De Usar)

Agora anda tudo muito agitado com os problemas de certas plataformas. Há umas semanas, andei a partir pedra com algumas “personalidades” entusiasmadas do meio educativo digital. Uma delas levou uma tarde de sábado a dar-me na cabeça. Agora já está preocupada e recomenda a denúncia das situações. Fui lá à publicação relembrar que há quem tenha menorizado os riscos e não tenha feito o seu papel na informação e prevenção. Tudo com bons modos e sem adjectivos. Pimba, apagado. Mas depois andam a pregar por aí a tolerância de cravo ao peito. Poizé.

Censura