Quem Ousa (Sequer Pensar Em) Levantar O Cabelo Contra O Largo Arco Da Governabilidade, Leva!

Este caso é para se dizer… nem o António das botas.

Por outro lado, já se percebe melhor aquela malta que se organiza em defesa da criação de uma Ordem dos Professores, mas depois limita-se a organizar a sua vidinha.

PSD abstém-se na lei das ordens profissionais e garante aprovação na generalidade

A Liberdade De Expressão Incomoda?

A liberdade de expressão é para os sectários tanto quanto para os intelectuais liberais polidos. Não é claro por que um princípio seria digno no nome «liberdade de expressão» se só protegesse as perspectivas daqueles com quem simpatizamos.

Além disso, dar-se à autocensura para evitar ofender seria ceder ao que se poderia chamar «o veto do desordeiro», a ideia de que não lhe devia ser permitido falar, ou pelo menos deveria ter a decência de não o fazer. no caso de ser provável um elemento da sua potencial audiência se sentir ofendido pelo que o leitor teria para dizer. Quão plausível é esta ideia?

(Nigel Warburton, Liberdade de Expressão – Uma breve introdução. Lisboa: Gradiva, 2015, pp. 53-54)

Domingo

Porque a nossa Liberdade passa, cada vez mais, pela capacidade para gerir o nosso tempo.

As 35 horas de trabalho semanal dos professores é um mito há muito denunciado e surgem de forma recorrente os apelos à greve de zelo, para que não se ultrapasse o horário legalmente previsto para o chamado “trabalho autónomo” ou para a “componente de estabelecimento”. Mas a verdade é que são erupções de indignação tão intensas quanto fugazes. E a larga maioria – mesmo entre os que dizem o contrário – acaba por amputar o seu justo tempo de descanso com a dedicação de várias horas do fim de semana ao trabalho escolar.

3ª Feira

Como pode a Educação servir para formar alunos críticos e futuros cidadãos activos e emancipados, se todo o sistema tem sido progressivamente desenhado para transformar os professores numa massa amorfa e cada vez menos capaz de se opor aos desmandos dos vários poderes, preferindo a “estabilidade” do remanso à agitação da defesa dos seus direitos, e nem sequer me refiro a questões salariais? Pode quem se transformou em parte de um rebanho ou pastor oportunista ensinar alguém a ser outra coisa? De que adianta tanto encherem a boca e as prosas de Paulo Freire se alinham pelo lado do “opressor” e quase tudo fazem para reduzir os outros a oprimidos? Pode a “libertação” acontecer numa sala de aula, quando toda a escola está sitiada por uma prática que desvaloriza e amesquinha qualquer tentativa de verdadeira emancipação? Poder, até pode, mas quase de forma clandestina, fugindo ao guião dos que travestiram o que dizem ter sido os seus ensinamentos. Acreditem, Paulo Freire, mesmo que estejam muito datadas as suas concepções, coraria de vergonha ao ver a prática de tant@s que o citam por aí, sem pudor e por simples conveniência.

6ª Feira

Pelas 8 da manhã, na TSF dava-se conta da “vitória” que tinha sido conseguida na reunião dos líderes da União Europeia, no sentido de desbloquear os fundos para combater a crise resultante da pandemia. Tal “vitória” (foi o termo usado no noticiário) resultou do abandono da exigência do cumprimentos das regras de Estado de Direito para aceder a fundos europeus, ou seja “a simples constatação da ocorrência de uma violação do Estado de direito não é suficiente para desencadear o mecanismo”. O que, na prática, é apenas a “vitória” de depois países (Polónia e Hungria) que pela voz e risos de Orbán e Morawiecki demonstraram que na União Europeia se poderá governar de uma forma que ultrapassa o nosso Chega e ainda se ficar a rir dos outros. Ou que, afinal, dois países do centro da Europa com proximidade à Alemanha podem bloquear decisões europeias, algo que nunca os países do sul conseguiram, mesmo quando se quiseram semi-organizar em grupo de pressão.

A ultrapassagem do “impasse” tem mais do que consequências simbólicas, mas o nosso PM já tinha declarado que não se incomodava muito com as exigências de polacos e húngaros. Até porque, se internamente se mostra muito ofendido com a “extrema-direita”, com a intolerância, o racismo e as derivas “fascistas”, lá fora, desde que paguem, fica logo amansado. O que até não admira porque mesmo cá já se tornou uso e costume do seu governo desrespeitar as regras do Estado de Direito ou o primado da Lei quando o que está em causa é impor a sua vontade a qualquer custo. A Educação é apenas um exemplo e nem de propósito ler respostas de organismos oficiais exactamente com o mesmo texto e “fundamentação” a pedidos com anos de diferença e alegações bastante diversas. Ou remeter sem qualquer pudor para articulados que dizem o contrário do que se afirma lá estar.

O “estado de Direito” foi a enterrar esta madrugada na União Europeia. Em Portugal, em muitas áreas, está em coma induzido há bastante tempo. Desde que venha o dinheiro, que se lixe. Já sabemos disso desde que se venderam jóias e dedos a representantes estrangeiros de regimes mais do que nebulosos em relação aos Direitos Humanos. É um espírito “mercenário” a toda a prova. Que o digam Sócrates na Líbia, Portas na Venezuela, tantos outros em Angola ou China. Ou mesmo os que aplaudem a Guiné Equatorial na CPLP.

A Lei Da Rolha?

Que havia gente que tinha sido desaconselhada a ser vista por aqui a colaborar (nem que fosse com comentários), eu já sabia. Não é novidade (aliás, foi uma espécie de omertá estabelecida logo ali à saída de 2015) Ou a partilhar textos deste blogue em redes sociais e coisas assim. Eu já nem vou colocar nada em “grupos” para evitar chatices. Agora que uma colega seja chamada à Direcção porque publicou aqui um texto, com a coragem de assinar por baixo, já me parece claramente algo mais do que mero “conselho”, extravasando para territórios que me fazem lembrar outros tempos, mas se calhar para pior. E falo dos tempos da “outra senhora”, da “reitora”, para que não existam dúvidas, porque o argumento ad hitlerum fica para outro post, que me ocorreu depois de uma conversa em privado com alguém que vocês conhecem bem, mas que agora não interessa nada saber quem é (não, não foi o shôr sub-director, esse leu a mensagem que lhe mandei e enfiou a viola no saco, como seria de esperar em pessoa tão responsável; quanto muito foi fazer queixinhas ao senhor de cima).

Mas já toda a gente sabe que se querem espaços de “informação” e alguma opinião, mas se possível sem levantar as ondas que não sejam as desejadas, este não é o “quintal” certo.

Uma Questão De Liberdade?

Sim, podemos prescindir de regras básicas destinadas a travar contágios e a maioria sobreviverá. Morrerão os mais velhos e mais frágeis, mas isso até apurará a raça, desculpem, a Humanidade, certo? A sobrevivência dos mais fortes. A destruição criativa.

Sim, podemos prescindir de fechar escolas ou de mandar a miudagem para casa, para que os pais possam trabalhar em paz. Ou ficar em paz, em certos casos, porque há entre quem protesta muito, gente desocupada, que não se deve confundir com desempregada. Ou que até pode trabalhar em casa, mas estar com os miúdos o dia todo é uma chatice. Até podemos, contra o “pânico injustificado”, reservar informação e dar espaço aos boatos, podendo tudo acabar nisto.

Mas, depois, se as coisas correrem pelo pior a quem defende isso, acham que ficarão calados e não quererão apurar “responsabilidades”? Sim, porque muitos dos primeiros a clamar por “liberdade” contra a conspiração global das máscaras e do confinamento, serão dos primeiros a apontar o dedo. Aos outros.

Como Responder Com Classe A Bestas

Apenas com a força da Razão. Bastando repetir o que foi dito (ou feito) por quem depois se “desculpa” de forma falacciosa (por estar casado há 45 anos e ter 2 filhas não poderia ter dito o que disse). Ocasio-Cortez desmonta muito bem a alegada “decência” desta malta, mesmo se há mesmo muita gente que se distingue pouco do congressista Yoho que pede “desculpa”, dizendo que não fez nada de mal.