As Orientações Da DGEstE Para O…

Regresso às aulas em regime presencial (11º e 12º anos de escolaridade e 2.º e 3.º anos dos cursos de dupla certificação do ensino secundário)

Página e meia de introdução desnecessária (caberia o que interessa num simples parágrafo) e depois o recurso repetido à expressão “sempre que possível””, pois é claro e notório que não será sempre possível muito do que ali está. E isso vai criar uma terceira camada de desigualdade de acesso à Educação.

Atente-se na forma como se “empurra” de forma decidida os alunos e famílias para uma decisão, com uma espécie de “chantagem” pouco subtil:

a. A assiduidade dos alunos é registada;
b. Os alunos que não frequentem as aulas presenciais, por manifesta opção dos encarregados de educação, veem as suas faltas justificadas, não estando a escola obrigada à prestação de serviço remoto.

Se o aluno faltar e isso for uma opção da família já se percebeu que é para “queimar”, porque não lhe serão asseguradas condições de desenvolver as actividades e, logicamente, isso terá reflexos negativos na avaliação.

Esta forma de fazer as coisas é feia, para não dizer pior. És livre de decidir, desde que decidas o que queremos. Se não o fizeres, ficas por tua conta e pagarás por isso.

Brilhante!

Stop

 

Dia 36 – Os Entusiastas Da Epidemia

Podem bater-me o que entenderem, mas se não querem críticas, então não andem a dizer que o “espírito crítico” é essencial do “Perfil dos Alunos”, porque aquilo de que gostam é de carneirada. Se estivesse lá, faria melhor? Não sei, mas certamente não fugiria a críticas e justificaria as opções em vez de tentar calar quem não diz amén sem reservas como nas missas.

O que está a ser feito em pouco tempo é meritório, tem algumas qualidades, mas é uma solução de recurso, com evidentes fragilidades e, apesar de algum grafismo animado, dificilmente se pode considerar um grande (ou pequeno) avanço na forma de conceber a Pedagogia ou mesmo a Didática. Estamos num período de emergência, ao nível político foram definidas prioridades e tomadas decisões e eu compreendo isso. Mas é escusado estar a pensar que se fez alquimia, porque não.

Contudo, em nome de uma espécie de “união sagrada” parece ser proibido criticar seja o que for e, pelo contrário, abdicar de qualquer capacidade reflexiva. Como se tivéssemos dado um súbito salto para uma qualquer ditadura da opinião, os “entusiastas da epidemia” tratam como se fosse horrível meliante quem apontar falhas à metodologia das aulas síncronas por videoconferência, ao empilhamento de planificações diárias, semanais e mensais, bem como aos relatórios de presenças (mesmo se não se devem marcar faltas) e de monitorização e avaliação das aprendizagens (mesmo se criticam as visões limitadas da “avaliação”).

diario

A Tolerância (Modo De Usar)

Agora anda tudo muito agitado com os problemas de certas plataformas. Há umas semanas, andei a partir pedra com algumas “personalidades” entusiasmadas do meio educativo digital. Uma delas levou uma tarde de sábado a dar-me na cabeça. Agora já está preocupada e recomenda a denúncia das situações. Fui lá à publicação relembrar que há quem tenha menorizado os riscos e não tenha feito o seu papel na informação e prevenção. Tudo com bons modos e sem adjectivos. Pimba, apagado. Mas depois andam a pregar por aí a tolerância de cravo ao peito. Poizé.

Censura

E Lembrem-se Que No Sudão Do Sul Não Há Quase Água Canalizada E Electricidade, Por Isso, Trabalhem E Calem-se!

Tenho alguma dificuldade em lidar com estas mentalidades “inclusivas”. Mas lá porque há quem esteja pior, os outros devem calar-se? Sim, na guerra, os soldados estão na linha da frente, mas na rectaguarda nem se pode piar?

É aqui que se percebem algumas limitações… digamos assim… na forma como a liberdade de expressão e a democracia são encaradas ao primeiro solavanco. E que tal eliminarmos as notícias sobre tudo o que corre menos bem? Em nome do Interesse da Pátria?

O grupo é del@s, claro, fazem as regras de etiqueta que entenderem, mas ao menos cuidem melhor da justificação.

Rolha

Impotências

“Liberation is a possibility, and in our time at the beginning of the twenty-first century, it seems to be an unlikely one.

(…) Liberation is not an absolute necessity, but a possibility that needs potency in order to be actualized. And sometimes we don’t have the potency.”

futurability-franco-bifo-berardi

Franco ‘Bifo’ Berardi, The Age of Impotence and the Horizon of Possibility, (Londres, edição em paperback de 2019, p. 9)

Sente-se Um Certo Bafio…

Está suspenso, mas não está. RTP diz que Sexta às 9 só volta depois das eleições

Direção de informação (liderada por prima de António Costa) fala em “ajustes de programação em função da cobertura da campanha eleitoral”. Programa, repleto de casos envolvendo o Governo, nunca tinha tido paragem tão longa.
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(e já nem admira nada que a PGR dê cobertura a tudo… com pézinhos de lã e a a omissão dos “radicais” as coisas foram mais longe do que há uma década e poucos parecem já ter energia para o denunciar e combater porque a teia distendeu-se de tal modo que nem são tanto as ameaças, mas a sensação de que “eles” se não são impunes, pelo menos acabam sempre por cair em pé ou até promovidos…)