É Só Fumaça!

Quando os mandarem abrir, até pulam e vão pessoalmente abrir os portões. E ai de quem for convocado e não aparecer. Basta ver como já estão “confiantes”. O maior sucesso desta pandemia foi a forma como certos governantes conseguiram aliciar quase toda a gente para um discurso “positivo” acerca de tudo e mais alguma coisa. Não sei se existirão moedas, daqui a uns tempos, para distribuir por tod@s as almas boas, mas acredito que exista “confiança” de que tudo vai correr a contento da maioria. Basta um modelo de carreira feito à medida das chefias (de topo ou intermédias) obedientes, positivas e colaborantes.

Sem condições de segurança, directores não reabrirão escolas

O regresso às aulas presenciais também vai abranger os alunos dos dois últimos anos dos cursos profissionais. Serão mais 70 mil a voltar às escolas. Directores estão confiantes que serão encontradas soluções para garantir este regresso.Mas garantem que este só se concretizará nos estabelecimentos onde existam condições de segurança

Fumo

Phosga-se! – Série “E Quem Diz Que Não Há Quem Já Ande A Preparar O 3º Período?”

Era para publicar só amanhã, mas como quero ver se faço uma certa dieta digital, fica desde já aqui o ponto 12 de uma comunicação de um director às suas “tropas” ao fim do dia de ontem.

Complementando a informação já existente, relativa à planificação da atividade dos conselhos de turma no 3º período chama-se a atenção para a leitura da orientações enviadas por e-mail, produzidas pela administração – Plano de E @ A (ensino à distância)- adequado aos recursos disponíveis e ao público alvo. Mais se informa que até ao dia 2 de abril deverão os DT’s fazer chegar ao coordenador e ao diretor do agrupamento o plano elaborado na sua turma, registar as aulas presenciais no calendário TEAMS (bastará fazer uma semana, indicando a periodicidade com que se repete (semanal). Caso não se consiga concluir o referido plano, alerta-se para a marcação de reuniões de trabalho durante a pausa da Páscoa.

As Medalhas do General2

 

“O Foco Tem Sido Dois”

Um SE Costa com cara de sexta.-feira ao fim do dia apareceu na TVI24 a agradecer a colaboração do canal na divulgação da sua mensagem e a dizer que a preocupação do ministério é tranquilizar os alunos que o ano termina e termina com trabalho no 3º período, mas sem saber bem como (garanto que a sequência foi mesmo assim). A seguir, que estão a trabalhar em “grande proximidade” com as escolas, em busca de uma resposta única às necessidades, enquanto tentava fugir à questão do acesso (ou falta dele) dos alunos à net. Encaminhado para o tema começou a falar em questões de violência quando os alunos ficam em casa fechados com os pais (a sério, a articulação de ideias seguiu um caminho esquisito) e depois passou para os contactos com o Alto Comissariado para as Migrações e com os Escuteiros e, em bom momento, a jornalista cortou-lhe o pio, porque se estava a notar muito a opção pela navegação à bolina e, no fundo, a opção por encenar qualquer coisa.

Estão perdidos, sem saber se devem tomar decisões antes de fazer cálculos sobre os custos políticos. O ministro, que ontem também apareceu com umas vacuidades, ainda deve estar a carpir todas as viagens que não fará.

Se eu tenho muitas certezas sobre o caminho a seguir? Nem por isso, mas não passo de um professorzeco de subúrbio, daqueles que não alinha em geringonças blogosféricas telecomandadas. Mas, pelo menos, não finjo ignorar os “problemas” que se colocam a certas “soluções” da treta.

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(não, não se mandam os chefes escuteiros entregar fichas em certos bairros onde serão o equivalente a tenrinhos frangos ou docentes reformados de porta em porta… atinem, ganhem juízo, desçam à terra… acordem desse sono que vos faz pesar as pálpebras e raciocinar em forma de oito)

(isto não é qualquer embirração pessoal, é mesmo embirração com quem sabe governar em modelo de visita vip, com os cortesãos a aplaudir mas que, quando as coisas apertam, fica muito pouco de substancial debaixo do folheado)

 

Assim É Complicado

Se o PM diz que vamos ter três meses difíceis (e o homem evita as más notícias como o Maomé evitava o toucinho salgado), não seria altura do ME desenterrar a cabeça da areia e deixar-se de planos a uma semana ou de acreditar que vamos ter uma rede de ensino à distância eficaz e “universal” no mesmo tempo que os chineses levam a montar um par de hospitais de campanha?

Devemos procurar soluções e não problemas, como é palavra de ordem num certo “grupo de apoio” cheio de gente que nos ajuda a ficar baralhados?

Sim, devemos recear tomar medidas erradas, porque precipitadas. Mas o raio do vírus não apareceu aos saltos na semana passada.

Então, que tal tentarmos encontrar um rumo para o que há a fazer até Junho – o que não significa soluções únicas e iguais para todos, porque esse é o erro maior, que ignora as enormes desigualdades existentes – e não esperar que tudo corra pelo melhor, porque temos um santinho na gaveta da secretária e fizemos as orações certas em menin@s?

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Prioridades, Lideranças E Outros Bens Políticos Essenciais Em Falta Na Educação Do Nosso Século XXI

Ao fim de uma semana de encerramento das aulas – ou “actividades lectivas presenciais” – começa a ser possível perceber até que ponto a equipa do ME é muito útil em cerimónias, viagens recepções, visitas VIP e conversa mole em tempo de paz, mas um bocado ausente quando as dificuldades apertam.

No actual contesto, seria interessante que se tivessem estabelecido algumas linhas claras de orientação que fossem além de “os professores não estão de férias” do ministro ou daquela enfastiada ida do secretário de Estado a um programa televisivo vespertino para falar de modo vago no ensino à distância. Sabemos que na Educação, tirando a conversa teórica sobre inovação, flexibilidade, inclusão e outros chavões, há escassa autonomia para tomar decisões, mas, neste caso, até porque as questões orçamentais não são as decisivas (isso está dominado, e bem, pela Saúde) até bastaria aparecer alguém com alguma voz de comando e que desse a sensação de perceber o que é prioritário e, já agora, demonstrar que todo aquele parlapatório sobre o século XXI tem reflexos na capacidade prática do ME reagir ao “desafio” que enfrentamos.

Em vez disso, temos um grupo de figuras segundas ou terceiras altamente estimáveis, com evidente saber técnico, a tentar preencher de algum modo ao vazio criado, com recurso às “redes sociais” de que tanto mal por vezes é dito e a formar grupos de “apoio” para “ajudar os professores”. O esforço é meritório, mas não substitui uma verdadeira liderança. E muito menos é capaz de responder às exigências, percebendo-se que o voluntarismo de alguns chega ao terreno em conta-gostas e em modo que eu chamaria “consultivo”.

No grupo de apoio ao e-learning criado no fbook dá para perceber como a maioria das escolas está entregue a si, assim como os professores, na algo vã tentativa de provar que não se está de férias. Repare-se no inquérito lançado pelo Jorge Sottomaior Braga (que anda convencido que estou chateado com ele, não entendendo bem o que verdadeiramente me cansa em certos climas de agitação e pouco “foco”) no grupo há mais de um dia acerca das soluções adoptadas para acompanhar os alunos à distância.

Elearning

Num grupo com mais de 17.300 membros, em mais de 24 horas, existiam menos de 170 respostas (cerca de 1%), sendo que metade declara que não existe qualquer solução padronizada nas suas escolas. Um pouco mais de 30% refere a opção pela plataforma Microsoft Teams (claramente a preferida por alguns dos dinamizadores do grupo) e o resto dispersa-se.

Embora não seja essa a sua vocação, por ser uma ferramente essencialmente para fins administrativos, percebe-se que o E-360 nem é referido. Mesmo se é afirmado no site oficial que:

Com o E-360 pretende-se ainda a facilitar a interação de todos os intervenientes no processo educativo do aluno (encarregados de educação, professores, dirigentes escolares e pessoal administrativo e organismos da administração educativa) que resultará numa maior colaboração, troca de informação mais célere e eficaz, garantindo a segurança de informação.

Ou seja, o ME parece ter-se alheado de fazer mais do que encaminhar para as plataformas e ferramentas existentes, numa espécie de sortido rico das propostas no mercado. Só que a acumulação de sugestões, está longe de permitir que se adoptem soluções com um mínimo de coerência pelo país e não me venham com a “autonomia” para justificar a inexistência de um plano com prioridades claramente definidas e ajustadas ao calendário e especificidades de cada grupo de alunos, conforme os graus de ensino. Apresentar todas as alternativas que um grupo de gente informada conhece há muito é algo muito diferente de ter um rumo claramente traçado.

Não chega a demagogia de afirmar que estamos perante um “enorme desafio” e “uma oportunidade” para inovar os processos de ensino com base em recursos digitais. Porque o resultado é que, um pouco por todo o lado, passámos a ter uma espécie de formigueiros a quem falta uma “cabeça”.

Sim, todos podemos colaborar e fazer a nossa parte, mas depois o conjunto parece uma daquelas mantas das nossas avós, coloridas, criativas qb, e agora até bem caras por serem uma espécie de artesanato gourmet, mas que nem sempre chegam para tapar a cama toda.

Não é tempo para apontar divergências e “unir esforços”? Sim, mas para isso teria de haver com o que convergir ou divergir e, como escrevi, o que se encontra é um enorme vazio de liderança.

Já agora:

Things to Consider Before Implementing Virtual Reality Training

(…)

Ignore Novelty And Start With The Pedagogy

Taking a step back is an essential first thing to consider before implementing virtual reality training for your organization. Firstly, you need to check if VR is best for you to achieve your desired results.

Of course, VR is not right for every situation or performance problem. So, ensure that you start with the pedagogy and define your challenges and learning goals.

(…)

 

 

Alguém Que Se Chegue À Frente

Não sei se é estratégia do governo no seu todo, se apenas da equipa do ME, mas o sector da Educação ficou entregue e telefonemas das técnicas de serviço no fim de semana, com uma evidente falta de liderança política. Ao menos o Filinto dá a cara e que me desculpem os que não gostam dele, mas merece aplauso por isso.

Orgulhosamente Escola Pública!!!

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