Será Que O PM Costa Se Aconselhou Com O SE Costa Quanto Ao Uso Demagógico Dos Advérbios De Modo?

Costa voltou a destacar os benefícios da proposta do Governo em contraposição com a do PSD que considera “financeiramente insustentável”, e que não respeita os princípios ambientais e é “socialmente injusta”.

Só faltou o “ambientalmente irresponsável”.

Embora eu ache que se poderia dizer que é uma medida “sustentavelmente financeira” e “justamente social” e andaríamos mais próximos da verdade dos factos.

Entretanto, aproveitando-se dos meandros das politiquices, o PCP ainda acaba em segunda muleta, porque o PAN já não consegue esconder ao que anda.

AntCosta

(parece que desta vez não ameaça demitir-se, apesar de birrar como menino mimalho que é…)

Eu Aconçelharia A Contratassão De Um Revizor De Techtos

Aqui no blogue também dou as minhas calinadas periódicas, que amigos e família me referem ao fim de algum tempo. Quem não grafou mal que atire o primeiro mafagafo. Mas isto é um bloguito, não é o maior semanário de referência da Nação e Províncias Insulares que tanto aposta na “qualidade” dos seus conteúdos e na plataforma online.

Se fosse caso raro, nem daria destaque, mas como eu quase só leio os destaques e as crónicas dos enteados do senhor doutor honoris causa balsemão, acho sempre estranha este desleixo. Ou será que já alguém teve “currículo curto”em Português

Depois do mst e do seu “indor”, temos mais um excelente exemplo da cólidade jurnalíxtica do espesso.

conselho.png

A Estratégia Governamental

É simples, parece que tem potencial de eficácia, mas se lhes correr mal os efeitos poderão ser tão maus como há perto de uma década.

Fundamentalmente aposta em:;

  • Ignorar a greve no Ensino Básico e fazê-la prolongar até um ponto em que acha que a opinião pública (diferente de publicada) se virará contra os professores, com o apoio de organizações como a sempre prestimosa Conmfap, acabando a greve por perder mobilização.
  • Apostar no argumentário da “equidade e justiça” para parecer que os professores estão a pedir algo irrazoável.
  • Arranjar alguns truques jurídicos para assegurar que o acesso ao Ensino Superior é assegurado.

Enquanto isso… o ministro ausenta-se e deixa o SE Costa em operações de “charme” de proximidade com os directores e a SE Leitão com a missão do “combate político” público (afinal, foi para isso que a promoveram no PS).

Perante isso, é interessante ler este fact-check para se perceber melhor como o PS conseguiu envolver os parceiros da geringonça num palavreado que nada contém de concreto, ao contrário do alguns tentam afirmar. Veja-se, por exemplo, sobre a tal resolução 1/2018:

António Costa respondeu da seguinte forma: “Não confundimos uma resolução aprovada por iniciativa dos Verdes, que é uma recomendação ao Governo, com aquilo que consta da lei do Orçamento do Estado“. Quando fala “na iniciativa dos Verdes”, Costa tenta tirar força ao fator mais importante dessa resolução: foi aprovada pelo PS. O primeiro-ministro é aqui habilidoso na mensagem que transmite: o Executivo não responde por aquilo que o PS aprova no Parlamento.

contorcionismo

 

“Na Verdadeira Ascensão da Palavra”

Se eu tivesse a certeza que era escrito com uma intenção irónica ou como uma forma de duplo sentido, não me arrepiaria. Mas é uma pessoa adulta, aparenta estudos e está a comentar sobre Educação com opiniões que até me parecem estimáveis. O facto de ser uma “rede social” não pode ser desculpa até porque tem a possibilidade de corrigir o que escreveu. E eu sei o que é escrever à pressa e sair asneira. Mas, no caso que li, dá mesmo a sensação de ser escrito como quem ouviu a expressão algures e nunca a viu escrita. Não é gralha, não é desacordo ortográfico. É mesmo assim e custa ler. Mais uma caixa de comentários a que não voltarei enquanto me lembrar deste atropelamento na língua pública.

ascensão

Isto É Um Suponhamos

Parece-me incontroverso que os resultados no PIRLS foram abaixo do desejável. Assim como me parece claro que os alunos que fizeram estas provas foram os que levaram com as novas metas curriculares do mandato de Crato em cima do lombo, com uma série de disparates para os quais foi chamada a atenção logo que entraram em discussão e foram aprovadas. Parte desse disparates é endémica, pois os programas e metas são, em regra (com algumas excepções) da autoria de pessoas muito doutoradas em coisas e investigações especialíssimas, mas que do 1º e 2º ciclo têm uma visão do tipo voo de ave lá no alto do monte a olhar cá para baixo. Do trabalho com a miudagem no concreto têm uma visão episódica, em investigações â medida ou visitas vip. Há excepções mas são isso mesmo. As metas para Português dos tempos de Crato padeciam desse mal em excesso. Mas o Português também foi vítima da obsessão com a Matemática e com a prioridade que lhe foi atribuída, como se as Letras e Humanidades fossem coisas para observar como inutilidades sem grande aplicação no mundo dos negócios e dos empreendedores (neste mandato são para semestralizar). Essa obsessão trouxe-nos – pelo menos em parte – uma melhoria do desempenho em Matemática nos TIMMS 2015.

De quem era, nesse caso, a responsabilidade pelo “sucesso”? No final de 2015, o actual SE Costa reclamou logo a responsabilidade para os governos do PS, anteriores a Crato, mas a descida em Ciências já se devia a este. Já Crato, claro, reclamava para si a responsabilidade pela coisa, pois era a ele que se deviam as novas metas da Matemática.

A dúvida que se me coloca, de forma recorrente é: alguma vez esta malta tem a coragem de, de uma forma sincera e clara, sair da frente e deixar de reclamar sempre os sucessos e descartar-se dos insucessos?