Leituras Alternativas

Uma das consequências do Brexit é que encomendas feitas por altura do Natal levaram dois meses a chegar, apesar do cuidado de pedir coisa de valor que não levantasse dúvidas alfandegárias.

São obras da Verso e serão consideradas “radicais” por muitos, não tendo aquele apelo mainstream do Yuval.

Um Diário Da 1ª Vaga

De 11 de Março a 18 de Maio, um retrato em directo do que se estava a passar, sem a vantagem da pós-produção. É uma centena de páginas de fácil digestão. Tem partes datadas, mas muitas outras continuam estranhamente actuais. Ficou pronto logo no Verão, mas a pandemia atrasou o nascimento físico.

Sai esta semana e podem comprar sem receio de contribuírem para o meu enriquecimento material (apenas para o espiritual), pois já recebi o que tinha a receber, independentemente de ser ou não uma besta das vendas. E a pouco mais de 3 euros é um registo que fica do primeiro fecho das escolas (termina com o regresso do Secundário).

E não… aquela não é a minha varanda, nem sou eu em pontas. Salvo seja.

Coisas Boas De 2020 (Apesar De Tudo)

  • Livros (lidos em 2020, o que não significa editados em 2020). Por ordem alfabética do apelido e não em esquema valorativo. Nada exaustivo, por falhas de memória.

Woody Allen, A Propósito de Nada (memórias)

Nicolas Barral, Ao Som do Fado (bd)

Franco Berardi, Futurability. The Age of Impotence and the Horizon of Possibility (ensaio)

Ed Brubaker e Sean Phillips, Criminal (bd, vários volumes)

Jonathan Crary, 24/7 (ensaio)

Afonso Cruz, Jesus Cristo Bebia Cerveja (ficção)

Roger Eatwell e Matthew Goodwin, National Populism. The Revolt Agains Liberal Democracy (ensaio)

Bernardine Evaristo, Girl, Women, Other (ficção)

Adam Greenfield, Radical Technologies: The Design of Everyday Life (ensaio)

Frank Furedi, Where Have All the Intellectual Gone? (ensaio)

Kim Young-Ha, Diary of a Murderer (ficção)

Michel Houellebecq, Serotonine (ficção)

 Masayuki Kusumi e Jiro Taniguchi, O Gourmet Solitário (bd)

Valter Hugo Mãe, Contos de Cães e Maus Lobos (ficção)

Yoko Ogawa, The Memory Police (ficção)

Fred Vargas, Um Lugar Incerto, Les Temps Glaciaires, etc (ficção, policial)

Charles Yu, Interior Chinatown (ficção)

Desilusão maior: Joel Dicker, O Desaparecimento de Stephanie Mailer.

Melhor início, ainda em 2020: Martin Amis, Inside Story.

  • TV/Filmes (basicamente séries de TV, que agora, em muitos casos, são escritas com muito maior cuidado e originalidade dos que os filmes, reduzidos às coisas da Marvel/Disney e pouco mais; não consigo ter tempo para o canal da Amazon e não vou assinar a Disney só para ver The Mandalorian). Como nos livros, não quer dizer que seja tudo de 2020, mas que vi durante este ano. É tudo da Netflix ou HBO, salvo erro). Vão mal disfarçadas as minhas favoritas.

A Casa de Papel (série, 4 temporadas)

After Life (série, 2 temporadas)

Better Than Us (série, 1 temporada)

Comedians in Cars Getting Coffee (série, 6 temporadas)

Dolemite is My Name (filme)

Emily in Paris (série, 1 temporada)

Gangs of London (série, 1 temporada)

Giri/Haji (série, 1 temporada)

Killing Eve (série, 3 temporadas)

Jeffrey Epstein, Filthy Rich (série documental)

Locke and Key (série, 1 temporada)

Love, Death and Robots (animação)

Mindhunter (série, 2 temporadas)

Mrs. America (mini-série)

Pátria (mini-série)

Roadkill (série… parece que por terminar)

Rouge One (filme; sim, vi com atraso…)

Sucession (série, 2 temporadas)

The Last Dance (série documental)

The Outsider (mini-série)

The Queens’s Gambit (série, 1 temporada)

The Social Dilema (documentário)

The Undoing (série, 1 temporada)

The Wire (série, 6 temporadas)

What We Do In The Shadows (série, 2 temporadas)

White Lines (série, 1 temporada)

Em desenvolvimento: The Stand (a adaptação do livro do Stephen King), The Affair (ainda vamos na 2ª temporada cá em casa), espectáculos de stand-up, de que recomendo, em extremos bem afastados, os de Anthony Jesselnik e Jim Gaffigan. Rever o Twin Peaks como a paródia que era e há 30 anos não se percebia tão bem. Sei que devia ver o Peaky Blinders. mas não dá para tudo.

Domingo

Manhã soalheira e propícia a tentar ignorar papeladas inúteis e rotinas que fazem os delírios de quem gosta de andar em círculos e avançar sempre até ao mesmo ponto de irrelevância.

Ficam algumas sugestões para ocupar o tempo de forma menos estéril, em tempos de uma espécie de confinamento.

Em primeiro lugar, nos 200 anos da Revolução Liberal, um livro sobre dois ideais que continuam por cumprir, que me chegou por mão amiga e familiar da autora.

A seguir, acabado de ler, um dos livros mais originais que li nos últimos tempos, [parece que em breve] com tradução portuguesa, vencedor do National Book Award, seguido de outro, também premiado, mas com o Booker deste ano, ainda por começar. Chineses na América e Escoceses em tempos de Thatcher, respectivamente.

A seguir, a continuação de duas excelentes séries de banda desenhada:

A por fim, uma amostra dos vestígios de uma colecção que agora anda a renascer por aí, mas longe deste títulos, na altura de autores muito alternativos, com capas deliciosas.

Leituras Para O Semi-Confinamento

O Born Standing Up do Steve Martin e o Creativity do John Cleese só devem chegar para o próximo.

Amis, Martin – Inside Story (vai durar mais)

Barral, Nicolas – Ao Som do Fado (quota de novelas gráficas do Público)

Peixoto, José Luís – O Caminho Imperfeito (vai em bom ritmo)

Rucka, Greg e outros –Stumptown (quota de comics da G. Floy)

Smith, Patti – Devotion (curtinho)

Leituras Para O Início De Agosto

Não, não vou reler o livro do SE Costa, porque agora está no PNL. Chegou-me a primeira demão.

Não fazendo parte dos que anualmente fazem romaria (mais) a sul no primeiro fim de semana de Agosto e estando muito reticente a fazer férias cá dentro com os indígenas que nos supermercados oscilam entre nos olhar com um ódio imenso só por existirmos (um dia conto-vos a história da senhora “de risco” que me baptizou no regresso a um IKEA) e nos voltam a quase deitar o bafo no pescoço na fila do pagamento, tamanha a pressa que parecem ter, tenho desculpa para acrescentar umas aquisições às estantes e umas leituras ao currículo.

Encomendado logo que possível, já comecei o A Propósito de Nada do Woody Allen, que teve bastantes problemas em publicar a sua autobiografia por causa dos salpicos grossos das suas disputas com a Mia Farrow. As primeiras dezenas de páginas valem desde já o investimento, em especial quando ele explica a impossibilidade de ter complexo de Édipo. Ainda menos de meio, uma boa surpresa, adquirido  por um impulso de curiosidade com os efeitos da k-pop: Diary of a Murderer, de Kim Young-Ha é uma deliciosa digressão sobre a velhice de um assassino retirado do activo há 25 anos que começa a ter Alzheimer.

A terminar, com algum desapontamento e algum custo, O Desaparecimento de Stephanie Mailer parece-me carente da novidade e interesse dos livros anteriores de Joel Dicker, em particular do que o fez mundialmente famoso (A Verdade sobre o caso Harry Québert). Tanto esperei pela edição de bolso francesa, que comprei a tradução portuguesa e acho que podia ter ocupado o tempo de melhor forma. O editor deveria tê-lo encorajado a escrever menos uma centena de páginas. No mínimo.

Para uma semana mais desocupada de Agosto, o policial O Discípulo de Hjorth e Rosenfeldt, a ver se é tão satisfatório quanto o primeiro volume da série (lido com proveito no Verão passado, já agora) com o profiler Sebastian Bergman.

De banda desenhada, está em espera o Roughneck do Jeff Lemire.

Em dúvida, comprado há uma semana a dois euritos para assinalar o regresso a um alfarrabista, Pas de larmes por Mao de Niu-Niu. Quer-me parecer que é capaz de ir para a estante por enquanto e não sei até quando.

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O Primeiro Livro (Presencial) Do Desconfinamento

Ainda não lhe perdi o jeito, mesmo se nos últimos 100 dias terei comprado apenas meia dúzia de livros online, baixando terrivelmente a minha média das últimas décadas que, pela última estimativa, terá sido de um por dia.

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Compro quase sempre o vencedor (e alguns derrotados) do Booker, mas até pode parecer uma cedência ao espírito dos tempos joacinos. Nada disso, tenho por aí muita coisa para provar que o assunto já me interessava antes de ser moda e quando ainda dava má fama a quem se interessava pela História de grupos “alternativos” e minoritários.