O Objectivo Tem Anos E É Precarizar E Proletarizar Enfermeiros E Professores, Entre Outros

Voltamos a um tempo em que se fala de “estabilidade”, mas há gente com 40 anos ou mais que precisa de andar a correr entre três escolas para conseguir um horário completo, porque assim se poupam uns tostões.

Definem-se como “os mais precários” dos professores e dizem que estão a ser “lesados” há anos

Nova petição foi entregue nesta sexta-feira no Parlamento. Em causa está o modo como os contratos em horários incompletos são encarados para efeitos de descontos, levando a que “vinte anos de trabalho diário sejam convertidos em apenas entre cinco a dez anos de carreira contributiva”.

O plano é que, mesmo deixando no ECD a possibilidade de chegar ao topo quem agora está abaixo do 7º escalão, ninguém o consiga com um sistema mais apertado do que o dos titulares. Só mesmo os fanáticos da geringonça podem negar isso – e foi vê-los desaparecer de comentários dos meus posts no fbook, por onde andaram de peito feito até há um par de anos – e dizer que a “reversão” é uma realidade, desafiando que alguém me mostre um recibo em que alguém com o mesmo índice salarial ganhe mais agora do que há 10 anos. Eu subi dois índices (do 218 para o 245) e recebo menos.

Exp9Mar19

Expresso, 9 de Março de 2019

 

Um Ciclo de 12 Anos Eliminaria Esse Problema

Pelo menos é a conclusão lógica do que se afirma. Falta ousadia às propostas. Eu lecciono o 2º ciclo e também acho que é uma redundância a existência de dois ciclos entre o 5º e o 9º ano e que um ciclo de cinco anos permitiria eliminar redundâncias nos conteúdos e abordá-los de uma forma diferente, sem precisar de flexibilidades e malabarismos.

Mas, se tudo é obrigatório… que tal apenas um ciclo? Acabavam-se as transições… até porque, como um dos argumentos é financeiro e não pedagógico, bastava meterem um professor a dar tudo e outros a fazerem uns biscates no resto, tipo aec com saco azul (ou da cor que gostarem mais, conforme a associação ou autarquia).

Para a presidente do CNE, Maria Emília Brederode Santos, deveria ser repensada a organização do ensino básico, atualmente dividido em três ciclos, “designadamente a velha questão do 2.º ciclo [um ano para entrar e outro para sair, dadas as dificuldades assinaladas nos anos de transição”, lê-se na introdução do relatório Estado da Educação 2017, esta quarta-feira divulgado.

As taxas de retenção e desistência têm vindo a diminuir nos últimos anos, tendo atingido no ano letivo de 2016/2017 o valor mais baixo da última década em todos os três ciclos de ensino.

No entanto, olhando para o relatório divulgado, percebe-se que é nos anos de transição de ciclo (5.º e 7.º) que os alunos apresentam mais dificuldades e acabam por ficar retidos, uma realidade que continua a preocupar o CNE.

Abusos

Continuam. Sobre os professores classificadores, apesar das indicações claras acerca da dispensa do serviço não lectivo, com excepção de reuniões de avaliação. Para contrariar isso, há direcções que decidiram redefinir o que é serviço “lectivo”, incluindo-lhe as tretas do costume. Sobre os professores contratados em substituições, dispensando-os mesmo sem terem voltado ao serviço os professores que foram substituir e, ao que parece, fazendo por esquecer o pagamento por caducidade do contrato. São os pequenos schaüble nacionais.

Fiz as Contas

À merceeiro, no sentido de alguém sem a sofisticação contabilística e orçamental dos especialistas em contas públicas à europeia, aquelas em que os números não correspondem à realidade mas a um conceito.

Deu-me 3000 euros por aluno, mais coisa, menos coisa. Cada turma um pouco acima dos 66.000 euros anuais. Parece-me bastante menos do que cobram no privado ao Estado para serem associados.

Mas eu não percebo nada disto, só fiz umas contas de somar e dividir e tenho consciência de que gente mais douta me desmentirá. Porque eu só sei as quatro operações básica de aritmética, qualquer variância me avaria e basta um desvio para eu me perder, com ou sem padrão no terylene.

manelito