6ª Feira

Parece que um governante-guru disse por aí – eu sei quem e onde, até porque me fui embora antes para não me dar refluxo gástrico – que a flexibilidade e diferenciação pedagógica não é possível com os manuais convencionais, pois o século XXI é das tecnologias digitais. Sobre isso já a colega Elisabete Jesus escreveu e bem. E o José Morgado acrescentou o que pensa sobre o tema da diferenciação e bem.

A verdade é que uma pessoa (ou duas, ou três) já nem se espanta com tamanhas barbaridades, porque se sabe que é apenas a circunstância e a sedução por parecer que move este tipo de declarações. Bem… “apenas” não será bem, porque também há por ali muita debilidade pedagógica mal disfarçada, umas teorias mal cosipadas a fazer fancaria querer parecer brocado.

Só falta explicar porque, quando se tratou de emprestar/oferecer manuais ao 1º ciclo, se apareceu a dizer que o manual escolar é o grande nivelador do material de estudo, igual para todos, democrático por natureza.

Claro que podemos sempre considerar que dos políticos só há que esperar aquilo de que, enquanto políticos, são capazes.

Contorcionista

 

Parece Que Perceberam…

… que os manuais não devem ser reutilizados, pelo menos no 1º ciclo. O engraçado é ler as declarações de todos aqueles (tirando os editores, claro, e os pais só depois de receberem manuais riscados) que não tinham bem tal opinião, depois dos senhores que negoceiam o orçamento decidirem assim, mas agora já acham que assim é que está bem. Isto já não me desgosta, apenas cansa.

Tiro

(e eu acrescento sempre a questão da “memória” que para muitos é importante… porque embora saiba que muita gente dá pouco valor a isso, há quem goste de revisitar o seu passado…)

 

 

Mega-Manuais Em Campanha

E, subitamente, dois dias entrados na campanha eleitoral, surgem os vouchers para os dois terços (ou mais) de manuais em falta em muitas turmas do Secundário. Não sei bem o que me desgosta mais… se a rasteirice da “coincidência” se a possibilidade de existir quem embarque neste tipo de “política”. Se isto é assim com um governo apoiado até ao fim por “radicais”, desculpem, socias-democratas de nova geração, como será com um apoiado pelo pan? Vouchers para esterilizar cães e gatos ou periquitos e peixinhos dourados à borla?

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Chegou Finalmente Um Mega-Manual!

Com uma semana de aulas, apenas faltam os outros todos. Quiseram anunciar que estendiam a coisa ao Secundário, mas parece que andam a testar quantos encarregados de educação acabam, pura e simplesmente, por comprar os manuais e não usar os vouchers para depois spinarem a coisa. Ou então as editoras só os libertam depois de verem o dinheirinho. Admiravelmente, ou há aqui uma excepção concelhia ou o silêncio sobre isto é, no mínimo, curioso. Até por estarem em causa anos e disciplinas com exames.

heinz ketchup

 

Mega-Manuais

Há turmas inteiras de Secundário a arrancarem o ano sem qualquer manual, mesmo quando já foi feito o resgate dos vouchers. Felizmente, parece não atingir nenhum responsável parental, como o sempre intenso pai ascenção em outras circunstâncias e calendários, como aquela dos riscos mal apagados. Pelos vistos, mais vale nem ter manuais.

livros

5ª Feira

Amanhã começam as aulas – ou apresentações – em força. Em outros anos, por esta altura, os manuais da petiza já estão mais do que comprados e alinhados para uso. Este ano, cortesia dos vouchers (onde tinha eu a cabeça para alinhar nisto?), não existe nenhum, nem sequer os 2 (em 6, no mínimo, para o 11º ano) que foram emitidos e “resgatados” há duas semanas. A coisa é assim… se não há dinheiro e a coisa é cara, não façam promessas… ou, em alternativa, não digam que está a correr tudo bem e as falhas são pontuais ou de qualquer coisa informática. A verdade é que, desde que eu pague, tenho os manuais em casa um ou dois dias depois. Mas parece que o “Estado”, por via do poder político em campanha, quer fazer passar uma ideia e praticar outra. Eu sei que o ministro acha que estava no Mundo da Fantasia quando era cientista e que o secretário está mortinho para ir para o Lugar dos (seus) Sonhos e que se estão nas tintas para a forma como as Finanças gerem isto. A secretária, claro, tem outras prioridades e por isso mesmo é que mantém as suas crianças longe do ensino público. Mas há uma altura em que a estratégia da desresponsabilização – com ou sem a faceta da vitimização – deveria ter limites. Sim, esperarei até 2ª feira e depois encomendo os manuais em falta, pagando-os, porque acho tudo isto para lá de indecente. Os amigos que falam pela confap, como seria de esperar, só se queixam do estado dos manuais que, pelo menos já receberam, e lançam culpas para os professores que fomentaram o uso de material escolar pelos alunos, porque é essa a sua forma de representar as (suas) “famílias”. Há alturas em que realmente já não é possível “resgatar” paciência para este estado de coisas.

picareta

Micro-Mega

Não é a questão dos manuais mais ou menos apagados/rabiscados. É mesmo a ausência de manuais. Já que os prometeram, se as turmas estão constituídas e os manuais adoptados há mais de um ano, o que impede a “plataforma” de disponibilizar os vouchers? Para o mesmo ano, para a mesma escola, há quem tenha 2, 4 ou 6, conforme os humores ou qualquer coisa que me escapa. Custa dinheiro? Sim, mas eu só preciso que me digam se os compro, não de esperar por começarem as aulas e mais de metade estarem por disponibilizar. Porque já percebi que para a semana mais vale tratar das coisas em vez de esperar por manuais mesmo na véspera das eleições. Isto cada vez está mais parecido com os magalhães.

Banhadacobra