Importa-se de Repetir?

Há gente que de tanto se esforçar em agradar ao chefe, faz figuras muito tristemente apressadas. Foi a 3 de Junho, quando acreditavam em “milagres” (que não aconteceram por terem fechado “postigos”).

Daqui a uma semana os portugueses comemorarão o Dia de Portugal. Tal como em outros períodos da nossa longa historia, há fortes motivos de orgulho nos portugueses”, sustentou Joana Sá Pereira. 

Segundo a deputada do PS, na resposta à pandemia de covid-19, por parte do Governo, não houve sorte.

“O vírus teve, eu diria, talvez o azar de encontrar pela frente um povo experimentado e um Governo capaz”, contrapôs. 

Domingo

Quando vou rever materiais que decidi guardar, então para uma “memória futura” que agora é passada, divirto-me sempre um pouco mais quando ouço ou leio as conversas sobre os novos “paradigmas” (confesso, é um assunto a que regresso com frequência), em especial os que remetem para a transformação da docência por vias das “novas tecnologias”. Em meu tempo de alunos e professor, já passei por não sei quantos “paradigmas” a que eu chamaria antes “micro-paradigmas” ou qualquer coisa menos pomposa porque, no fundo, são apenas evoluções, no sentido da rapidez e capacidade de armazenar informação, dos materiais de suporte. Em meados dos anos 90, a grande novidade (que saudades do Windows 95) eram as disquetes de apoio aos manuais, com fichas de actividades editáveis. Ainda os cds estavam em processo de generalização (ainda devo ter a caixa de uma das primeiras versões da Diciopédia), as cassetes VHS ainda eram um recurso normal, dvds nem vê-los antes da viragem para o século XXI. Em 25 anos passámos das velhas disquetes em que nem uma foto de telemóvel com câmara de média gama caberia para suportes virtuais com uma capacidade imensa.

Aumentámos exponencialmente a capacidade de armazenas dados e a rapidez de a eles aceder, mas o essencial mudou pouco e a “democratização” da informação que resultou desse processo teve mais implicações na forma de a seleccionar e organizar para os alunos do que propriamente em outras áreas da docência. Com os meios adequados, facilitou muito a forma de “mostrar” aos alunos o que eu, como aluno, apenas via a preto e branco, em escassas imagens, nuns livrinhos de apoio (os de História do Unificado eram de capa azul) da Secretaria de Estado da Orientação Pedagógica do então MEIC. Mas não transformou propriamente o papel do professor em mero “facilitador” das aprendizagens como tanto por aí se afirma, porque a massa de informação disponível tornou muito mais importante a função de ensinar a escolhê-la de forma crítica.

Tudo isto, à conta de umas disquetes que trazem memórias, muitas memórias, de quando as escolas eram efectivamente espaços de partilha e em que o convívio não tinha sido tingido por tantas nódoas, em especial as que nos foram trazidas por este século XXI.

Uma Vida Inglesa

Ficcionalmente, Adrian Mole é dois anos mais novo do que eu porque, ainda ficcionalmente, nasceu a 2 de Abril de 1967. Somos ambos Carneiro e partilhámos muitas das inadequações da adolescência e início da idade adulta. As suas memórias escritas por Sue Townsend acompanharam-me de forma irregular até aos “anos da próstata”. A sua autora não viveu até aos anos do Brexit, o que teria dado um volume tão ou mais hilariante do que os melhores da série. Revisitar cada um deles, relembrando o contexto, é voltar ao prazer inicial. Para mim, um “clássico” (com melhores e piores momentos) do meu tempo.

Domingo

Em puto, passei pelos “estados de sítio”, recolheres obrigatórios ou equiparados de 1974-75 com um olhar algo distante, sem especial trauma e mais curiosidade do que aflição. Dois deles estão associados e episódios de que não me esqueço (ia escrever “não me esquecerei”, mas nada é garantido): o primeiro, porque um primo meu tinha casamento marcado para domingo, 28 de Abril de 1974, no Canadá para onde os meus tios tinham emigrado, e o meu pai era o padrinho e tinha viagem marcada. E viajou a 27 de Abril e fomos levá-lo “foi mais “largá-lo”, quase em andamento) de táxi a uma Portela com militares por todo o lado a vigiar todos os movimentos. O outro, porque o meu avô materno teve o engenho de morrer a 25 de Novembro de 1975 e morava na outra ponta do vilarejo e para velar o corpo como mandavam os protocolos, foi preciso fazer o trajecto em pleno recolher obrigatório, num Fiat 126 cor de cenoura (as cores de carros dos anos 70 são quase irrepetíveis!) que tinha um motor que podia ser tudo menos discreto. Nos dois casos (era pequenito, não me iam deixar sozinho em casa), via a preocupação na cara dos adultos, alguma conversa em tom baixo, mas nunca alguém me alarmou ou fez especial alarido na minha presença. E eu levei aquilo como outra coisa, menos grave do que ser descoberto e atingido à fisgada numa brincadeira de índios e caubóis.

Escrito A 12 De Março

As escolas não fecham porque se tornaram enormes espaços multifunções, em que a função assistencial se sobrepõe à educativa. Sem as escolas, não há qualquer outro tipo de “rede social” funcional. Sem as escolas a funcionar, o país entra em colapso.

É chato, mas um tipo não tem culpa de ver além do seu “quintal”.

A Malta Mexer-se, Mexeu-se, E Até Pagou Para Isso

O recibo relativo ao primeiro parecer que foi pedido ao jurista Garcia Pereira em finais de 2008 e que nos chegou em Fevereiro de 2009. Houve mais dois, felizmente menos avultados, mas dá para ter uma ideia – para quem se esqueceu, não viveu isso ou estava a defender outros castelos – do que foi preciso mobilizar em termos materiais e de confiança junto de milhares de colegas.

Recibo Gp_LI

Há toda uma história por fazer, que não se esgota na da manifestação de 8 de Março ou nas que lhe sucederam (ou antecederam), sobre a capacidade de mobilização dos professores e de ainda ter esperança em “movimentos” que escapavam às torres controleiras. Os “peões” lançados para o tabuleiro foram-se descaindo com o passar das peripécias, mas estes ainda eram os tempos em que eu a Reb/Helena Bastos e a Olinda tínhamos de assinar os cheques e assumir as responsabilidades, chegando mesmo a certa altura de avançar pessoalmente o dinheirinho para que existisse “movimento”.

Eram outros tempos. A vários níveis. Até os “monos” apoiavam ou, pelo menos, não estorvavam muito.

Deu em pouco ou mesmo nada? Poisssss……. um gajo aprende………

(claro que, pelo meio de muita boa vontade, houve daquelas “criaturas” a quem apetecia dar um par de galhetas bem arrefinfadas, que se aproveitaram do nib para tentarem pagar contas suas, fazendo com que eu levasse meses a fio a ir ao banco anular movimentos… incluindo uma senhora que decidiu que lhe deveríamos pagar a assinatura da Deco ou o simpático que tentou fazer passar a conta do telemóvel…)

(este é o período que prima pela falta de comparência de alguns dos cromos que agora andam por aí a webinar como se fossem os melhores amigos dos professores, mas então até se borravam só de pensar em por a cabecinha fora da casota… ou do gabinete… mas não gostam nada que se lhes aponte as falhas de carácter… )