6ª Feira

Os tempos estão propícios a que o melhor das pessoas venha ao de cima em todo o seu brilhantismo. Nos últimos dias, observei um acréscimo de criatividade, com destaque para a comunidade anti-securitária e libertária que se opõe à generalidade das medidas contra a propagação da pandemia. Nas redes sociais, surgiu um grafismo, alegadamente com legitimação de médicos, sobre todos os malefícios do uso de máscaras. Um deles, reside no facto de com máscara sermos obrigados a respirar parte dos dióxido de carbono que expiramos, assim como os nossos “resíduos”; e eu pensei… lá está, tenho pensado mal na coisa… estas pessoas têm razão… devemos partilhar o dióxido de carbono e os resíduos de todos os que nos rodeiam, família, conhecidos ou meros passeantes como sempre fizemos. Estar contra a tradição é um mal, quiçá mesmo um “crime contra a Humanidade” que resulta do uso de máscaras.

Um outro grafismo, mais recente, revelava a indignação contra as regras de confinamento em alguns concelhos do norte do país e demonstrava com um rigor geográfico assinalável a injustiça que é reduzir os movimentos em Lousada e Felgueiras, por exemplo, em oposição ao imenso espaço que têm para se mover os munícipes de Alcácer do Sal ou Odemira. Só ali faltou o detalhe de em Lousada viverem uns 50.000 habitantes em menos de 100 km2 e em Felgueiras talvez mais de 60.000 (estou a usar dados extrapolados do censo de 2011) em 115 km2, enquanto em Odemira vivem menos de metade (uns 25.000) em mais de 1.700 km2 e em Alcácer do Sal menos de 15.000 em 1.500 km2. Sei que foi apenas um deslize, não vir a legenda com a densidade populacional… que é de 500 habitantes/km2 em Lousada e de 30 em Alcácer do Sal. Tirando isso, nota-se que há por ali excelência no raciocínio, perspicácia na argumentação e que, no fundo, só falha a fundamentação mais factual que, como sabemos de modo sobejo, é relativa conforme a perspectiva “pela verdade”.

Eu Tenho Aqui Um Cenário D (Ou 4) À Atenção Do Conselho Nacional Da Educação Sobre O Recrutamento Dos Professores

É um cenário inovador e o de maior proximidade em relação aos interessados, não há como o negar. Seria o do recrutamento dos educadores e professores por comités de alunos desde o pré-escolar até ao Secundário. Três ou cinco futur@s alun@s, a quem os candidatos à docência nas suas escolas, após completarem a sua formação académica, profissionalização e com eventual experiência prévia na docência, pudessem apresentar os seus projectos e a quem, já agora, pudessem oferecer umas maçãs bem enceradas, uma pá de borrego ou um cestinho de chupas e gomas. A decisão seria tomada com o clássico sistema de bolas pretas e brancas mas, em nome dos tempos inclusivos, com as bolas pretas a significarem o sim. No caso da contratação de educador@s para os bebés mais picarruchos, poderia medir-se a competência pela capacidade de os fazer gargalhar deliciosamente.

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Aceitando Como Boas As Teorias Das “Novas” Pedagogias” Sobre A Imperial Centralidade Dos Alunos No Processo Educativo E Na Descoberta Do Saber…

… a escassez dos professores não deveria ser um problema. Bastaria colocar os alunos numa sala com pufs e computadores e o Conhecimento  brotaria de fonte espontânea, sem qualquer outra necessidade.

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Como Se Define Uma “Escola Difícil”?

PS quer fixar professores em “escolas difíceis”

Não sejamos simplistas… não isolemos variáveis…

  • Localização geográfica (absoluta e/ou relativa ao domicílio)?
  • Perfil pouco colaborativo da(s) liderança(s)?
  • Pressão das chefias para atingir metas irrealistas?
  • Desempenho e comportamento dos alunos?
  • Contexto socioeconómico da comunidade envolvente e famílias?
  • Colegas bué flexíveis e transversalizantes?
  • Outras… (exemplificar)

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