Confesso Que Merece Leitura…

… porque acho que como “alternativa” é interessante, mas como fórmula-padrão desperta-me um imenso sorriso.

Meet the school with no classes, no classrooms and no curriculum

(…)

Rob describes Agora as a blend of a university (where you have knowledge), a Buddhist monastery (where you can think), a theme park (where you can play) and a communal marketplace (where you can trade and swap things). And it’s this last one, Agora, and borrowed from Ancient Greek, that gives the school its name. Each day starts with dagstart, where students spend a few minutes outlining their challenges for the day, what they hope to achieve and what help they might need. It’s also a chance for other students to suggest things, offer advice or join in.

Algodao

(agora sem pés… agora sem mãos… agora sem dentes…)

Não Me Choca Nada, Mas Não Me Parece Inovador, Antes Cobrindo Com Verniz E Purpurinas O Que Já Se Conhece

Vamos lá ler o que passa por ser uma grande novidade:

“O modelo, a implementar no próximo ano letivo, passa por não dar notas aos testes e outros instrumentos de avaliação dos alunos, tal como são conhecidas, mas por várias menções descritivas do seu desempenho em vários itens e em cada momento de avaliação, seja escrita ou oral, indicando onde pode melhorar o seu desempenho”, disse o presidente daquele Agrupamento de Escolas, que abarca cerca 200 professores e 1.900 alunos do pré-escolar ao 12º ano de escolaridade.

Ora bem… isto não é muito diferente de avaliar por domínios e subdomínios com uma escala qualitativa em vez de quantitativa.

Mas apresenta-se como sendo algo diferente.

Segundo Jorge Costa, este novo modelo representa uma “avaliação ao serviço da aprendizagem” e é o “tomar a dianteira” relativamente a “novos critérios de avaliação e outra forma de avaliar, ensinar e aprender”, num projeto idealizado e concebido no âmbito da autonomia de gestão pedagógica do Agrupamento de Escolas de Abrantes, no distrito de Santarém.

“É uma alteração significativa no modelo de avaliação”, notou, tendo referido que “o que se vai começar a avaliar são descritores, ou seja, as competências que um aluno consegue ter em cada domínio, em cada disciplina”, num modelo que privilegia o “caráter contínuo e sistemático” da avaliação.

Qual o problema? É que, em especial no Secundário, é necessário converter essa avaliação com base em descritores num valor de 0 a 20 e então como se fazem as coisas? Sim, o aluno não “carrega” com “uma nota negativa” mas, afinal, vai dar mais ao menos ao mesmo no final do processo/período/ano. E o “carácter contínuo e sistemático” da avaliação não depende do tipo de avaliação (descritores qualitativos sem classificação final/avaliação quantitativa por domínio com nota final), mas sim do diálogo estabelecido com os alunos.

Nesse sentido, acrescentou, “o aluno deixa de carregar com uma nota negativa e é avaliado por vários descritores ficando a saber onde pode melhorar o seu desempenho em cada domínio, através de uma classificação parcelar e não através de uma nota global“.

Para Jorge Costa, a mais valia do novo modelo “passa por colocar a avaliação ao serviço da aprendizagem e de conseguir arranjar uma estratégia” para a sua consecução, sendo apenas atribuídas notas de 0 a 20 no final de cada um dos três períodos letivos, para que, através da avaliação formativa, se chegue à avaliação sumativa, atribuída no 3º período letivo.

Pessoalmente, acho que este modelo é mais interessante para o Básico do que para o Secundário porque, podem achar que não, mas os alunos ficarão mais perdidos, enquanto não perceberem como se dará a conversão dos “descritores” em “valores”.

Compreendo a necessidade de apresentar como um enorme avanço o que é apenas uma demão de pintura na fachada, mas isso só engana quem não percebe que, no fundo, os procedimentos “novos” vão dar ao mesmo.

Ideia

Experiência De Flexibilidade E, Quiçá, De Inovação E Auto-Aprendizagem (Des)Orientada

Ligeira exposição sobre um tema (neste caso o desenvolvimento demográfico e comercial do século XII, mais o crescimento dos centros urbanos e concelhos).

Entrega de uma ficha de trabalho com 20 espaços para preencher com 20 termos ou expressões.

Questão:

Serão conseguidos resultados melhores com 25 minutos e sem qualquer consulta ou com 35 com possibilidade de consulta de todo o tipo de material, incluindo os modernos e mui amados recursos digitais?

Bunsen

Domingo

Reler algo de interessante faz-nos acreditar que ainda poderá ser possível algo. Com os alunos, apesar de tudo e apesar dos políticos e seus cortesãos de fancaria.

Education, at its most engaging, is performance art. From the moment a teacher steps into the classroom, students look to him or her to set the tone and course of study for everyone, from the most enthusiastic to the most apathetic students. Even teachers who have moved away from the traditional lecture format, toward more learner autonomy-supportive approaches such as project-based and peer-to-peer learning, still need to engage students in the process, and serve as a vital conduit between learner and subject matter.

Nutty

(mas até quando há força ou vontade para contrariar a maré do discurso balofo de uma flexibilidade e inclusão que oculta que há pais a tirar os filhos das turmas experimentais – aqui não muito longe de mim – alunos que eram nee que terminarão o segundo período como se estivessem curados de tudo?)

Obviamente!

Mas há sempre quem ganhe com a coisa e… se a avaliação do desempenho se basear na adesão acrítica a estes modelos…

Os desafios que se lançam hoje às Escolas e que se tornarão, inclusive, objeto central da avaliação externa, são a “flexibilidade curricular”, a “inclusão”, as “aprendizagens essenciais” (ainda há bem pouco tempo, “significativas”), a “avaliação formativa”, “os projetos”… Enfim, as Escolas são confrontadas hoje com objetivos de natureza diferente daqueles que perseguiram durante anos. E a tendência será para se alinharem por estes novos objetivos, de caráter holístico, é certo, mas de discutível escrutínio e tangibilidade.

O processo de ajustamento a este “novo paradigma” educativo refletir-se-á, do meu ponto de vista, negativamente no quotidiano escolar pois, não apenas obrigará as Escolas a alterar, uma vez mais, os projetos educativos, os regulamentos internos, os critérios de avaliação e dezenas de procedimentos, em extenuantes trabalhos de Sísifo, como também afetará a perceção e o discernimento dos professores na distinção entre o que é essencial e acessório no seu trabalho.

Temo que os professores, mesmo aqueles que foram seduzidos por estes novos desafios teóricos que se lançam às Escolas e à profissão, não demorarão muito a perceber que perderam a bússola em mar alto. Perceberão, também, que o que lhes falta em meios e recursos para materializar os novos projetos e metodologias sobeja em formulários, reuniões e burocracia. Perceberão, ainda, que a substituição de objetivos claros e mensuráveis por objetivos intangíveis e demasiado flexíveis é o primeiro passo para se desviarem do caminho que leva os alunos ao sucesso escolar.

ultrapassagem-carro-guinchado