Hoje, Pelo Público

Desculpem, li mesmo o programa do governo e não trago boas notícias para a maioria, mas isso não é novidade. A linguagem é moderadamente colorida, mas merecerá uma leitura quiçá mais atenta do que os destaques. Peço desculpa aos cortesãos do Poder que acham que ainda tenho excessivo “tempo de antena”. Mas são só palavras com algum significado, algo que desprezais do alto do vosso olimpozinho aconchegante.

O regresso dos professores “titulares”?

Enquanto docente choca-me a evidente opção de regressar ao aspecto mais problemático das reformas encetadas por Maria de Lurdes Rodrigues.

PG PB

Eu Gostava Mesmo Muito Que Tod@s @s Professor@s (E Pessoas, Já Agora) Tivessem Famílias Do Mais Amorável Que Imaginar Se Possa…

… para que, quando fizessem reuniões assim fora de horas, sentissem um apelo mais forte por voltar para casa do que perderem-se em espirais de m€rdinh@s e elucubrações esotéricas pseudo-eruditas em peganhice pseudo-pedagógica, como se fosse mesmo importante o que não passam de subprodutos imbecis de normativos idiotas, feitos por gente com alguma dose de desvinculação socio-cognitiva (seja o que for que queira dizer isto que inventei agora). Há quem devia (des)falecer sob uma pilha de grelhas, mas daquelas dos churrascos em brasa, if you pardon my sincerity.

Happy

(porque eu entendo que possa haver quem tenha um imenso vazio, mas então passeiem e vejam lojas, arranjem um pet e votem no pan, não chateiem os outros sem necessidade… há quem ainda tenha vida… e até bichos e tudo)

Assimetrias (Ou A Miopia Dos Especialistas Em Gestão Dos Recursos Humanos)

O país envelhece e acentuam-se velhíssimas assimetrias. Perante a falta crescente de alunos no interior temos a atracção macrocéfala da capital do velho Império e arredores. Resultado: ao contrário de outras profissões (como médicos e enfermeiros), em que a dificuldade é consegui-los no interior, no caso dos professores o diabo está em consegui-los em Lisboa e ao redor, onde os que se deslocam de outras regiões e precisam de casa ou quarto enfrentam a bolha especulativa do arrendamento nestas zonas. Claro que tudo isto escapou aos brilhantes estrategas da política de gestão dos recursos humanos em Educação, mais preocupados em poupar para ter com que tapar os verdadeiros buracos. Quem fica mesmo a perder? Alunos sem aulas em várias disciplinas meses a fio, a lembrar os idos de 70 e inícios de 80. Mas, claro, desde que se flexibilize e semestralize nem se nota nada.

E todos somos centeno há 15 anos.

CM2Out19

Correio da Manhã, 2 de Outubro de 2019

4ª Feira

Entrado Outubro, começam a verificar-se os efeitos da escassez de professores em vários grupos disciplinares e, em outros, a chegada de gente muito inexperiente ou que já não lecciona há vários anos e perdeu muitas das novidades. Há que reconhecer o brilhantismo da “gestão de recursos humanos” dos últimos 15 anos. Muita conversa sobre a necessidade de, para melhorar as aprendizagens dos alunos, elevar a qualificação dos professores e de só permitir o ingresso aos “melhores”. Lamento, mas muitos dos “melhores”, dentro ou fora da carreira, desistiram ou perceberam que a “qualidade” é demasiado dependente da subjectividade local.

Mas é verdade que também são muitos os que se reconverteram à fé flexibilizadora costista e, com umas horas de “formação” no relatório da add, aparecem em pose beatífica pelas escolas com as novas bíblias a espalhar velha palavra com a alegria dos mais entusiasmados evangélicos.

Mad

(probably?)

Começa Lentamente A Perceber-se Toda A Perversidade…

… dos retalhos de um modelo que, sem ser por qualquer mérito, mas pelo resultado da conjugação astral de vinculações, reposicionamentos, bonificações escalonadas e faseamentos, quotas e avaliações, leva a ultrapassagens incompreensíveis num sistema que se queira mesmo justo e equitativo. Nada disto era verdadeiramente necessário, sem ser por pura maldade, pois não me venham com incomportáveis efeitos orçamentais. Muita gente alheada e distraída começa, mas devagar, a compreender que todo o “edifício” ficou contaminado. Não começou em 2015, mas logo com os titulares e com as armadilhas em torno da transição dos escalões “novos” do ECD de 2007, em especial o que se passou em torno da passagem pelo 272, mas não só. Há quem queira sacudir a água do capote, mas  não se pode explicar tudo por incompetência técnica. Houve a clara vontade de desregular o sistema, tornando-o quase incompreensível a partir de dado momento, com tanto remendo.

contorcionismo

50%? Quem?

Quem teve promoção desde 2018 não recupera tempo de serviço

Decreto-lei confirma ainda que nenhuma carreira especial recupera mais de 50% dos sete anos congelados.

(…)

O diploma reconhece o tempo aos trabalhadores de carreiras em que a progressão dependa do decurso do tempo, e o Ministério das Finanças confirmou ao jornal que só abrange magistrados, oficiais de justiça, militares das Forças Armadas e da GNR.

O tempo será recuperado em três tranches: um terço a 1 de junho de 2019, um terço a 1 de junho de 2020 e um terço a 1 de junho de 2021.

Em relação os professores, estava previsto que só recuperassem o tempo na primeira progressão após 1 de janeiro de 219. Mas também os docentes vão poder optar pela recuperação nestas três fases. O prazo para poderem optar foi alargado até 30 de junho.

A agora ver se nos entendemos, sem necessidade de grandes explicações:

  • Quem progride em 2019 recebe a bonificação toda de uma vez… pode ficar quieto e pronto.
  • Quem progrediu em 2018 terá sempre a ganhar materialmente com o faseamento.

Ponto final, parágrafo… deixem-se de outros cenários.

Mad-Hatter

 

 

Uma Proposta Que Nunca (Ou)Vi O PSD Fazer

Que as injecções financeiras na banca privada falida dependessem dos “recursos disponíveis face à situação económica e financeira do país, tendo em conta, nomeadamente, a taxa de crescimento do PIB e a evolução da dívida pública”.

Isso é que seria uma proposta com os spirous no sítio.

Chicken

(é espectacular como há quem consiga afirmar que existem 15% de professores que nunca o deveriam ter sido, sem explicar a “métrica” usada para a estimativa, mas que não sabe calcular o efeito financeiro de uma progressão de 9 anos, 4 meses e 2 dias dos docentes em exercício, nem sequer exigem que lhes sejam explicados os cálculos governamentais…)