50%? Quem?

Quem teve promoção desde 2018 não recupera tempo de serviço

Decreto-lei confirma ainda que nenhuma carreira especial recupera mais de 50% dos sete anos congelados.

(…)

O diploma reconhece o tempo aos trabalhadores de carreiras em que a progressão dependa do decurso do tempo, e o Ministério das Finanças confirmou ao jornal que só abrange magistrados, oficiais de justiça, militares das Forças Armadas e da GNR.

O tempo será recuperado em três tranches: um terço a 1 de junho de 2019, um terço a 1 de junho de 2020 e um terço a 1 de junho de 2021.

Em relação os professores, estava previsto que só recuperassem o tempo na primeira progressão após 1 de janeiro de 219. Mas também os docentes vão poder optar pela recuperação nestas três fases. O prazo para poderem optar foi alargado até 30 de junho.

A agora ver se nos entendemos, sem necessidade de grandes explicações:

  • Quem progride em 2019 recebe a bonificação toda de uma vez… pode ficar quieto e pronto.
  • Quem progrediu em 2018 terá sempre a ganhar materialmente com o faseamento.

Ponto final, parágrafo… deixem-se de outros cenários.

Mad-Hatter

 

 

Uma Proposta Que Nunca (Ou)Vi O PSD Fazer

Que as injecções financeiras na banca privada falida dependessem dos “recursos disponíveis face à situação económica e financeira do país, tendo em conta, nomeadamente, a taxa de crescimento do PIB e a evolução da dívida pública”.

Isso é que seria uma proposta com os spirous no sítio.

Chicken

(é espectacular como há quem consiga afirmar que existem 15% de professores que nunca o deveriam ter sido, sem explicar a “métrica” usada para a estimativa, mas que não sabe calcular o efeito financeiro de uma progressão de 9 anos, 4 meses e 2 dias dos docentes em exercício, nem sequer exigem que lhes sejam explicados os cálculos governamentais…)

Entende-se Por “Automática” Ter Cumprido Todos Os Requisitos Exigidos?

A maior parte dos professores que vão progredir este ano para o 5.º e 7.º escalões da carreira docente, que tem dez no total, obtiveram as classificações de Muito Bom ou Excelente na sua avaliação de desempenho e, por isso, agora que as carreiras estão descongeladas, a sua progressão para aqueles níveis é automática.

Há coisas que me escapam, a sério que escapam. Já agora… se aqui em casa alguém disser que entre 2011 e 2017 ninguém foi praticamente obrigad@ a ter aulas assistidas no 4º escalão por direcções mais do que insistentes, quem leva na cabeça sou eu (que me fartei de dizer que não valia a pena). Para além de que no meu “quintal” (leia-se, zona onde lecciono) estou cercado de excepções relativamente ao que se escreve em parte desta notícia.

ed-bang-head-o

(dúvida final… um aluno que tenha positiva em todas as disciplinas ou exames tem assegurada uma passagem “automática”?)

Inclusão E Sucesso Percentualizad@s Ao Milionésimo Com Alínea, Adenda, Etc e O Que Mais Aprouver A Quem Interessar

Só quem não @s conhecesse de outros carnavais poderia pensar que as coisas terminariam de outra forma. Realmente, como disse algures um governante em tripe pelo país, os decretos 54 e 55 são gémeos na sua concepção e na forma como criam a armadilha perfeita para quem acha que pode ter realmente alguma autonomia e flexibilidade pedagógica ou profissional. Neste momento, com o avançar das “ferramentas” de registo e monitorização, a liberdade é a mesma de um prisioneiro numa cela de um metro quadrado.

No documento que ontem publiquei existem cerca de 80 medidas previstas (gora as “outras” em cada domínio) para potencial aplicação a cada aluno, a preencher por cada disciplina. Aplicar isso a uma turma de 25 ou 28 alunos não é um exercício destinado à inclusão, mas à pura destruição de qualquer verdadeira noção de pedagogia e de abordagem do aluno “como um todo”, como é dito por quem defende o modelo. As coisas começam a entrar num nível de disparate imenso, um pouco por todo o país, com incidência em zonas em que os órgãos de gestão entraram na onda ou onde foram feitas “formações” ou “visitas vip”. Não posso identificar as escolas ou mostrar alguns documentos, mas posso, pelo menos, descrever os efeitos devastadores da mentalidade medíocre que preside à lógica grelhadora para classificação das capacidades ou competências dos alunos. É absolutamente ridículo que se produza legislação que se afirma contra a “catalogação” dos alunos, mas depois os seus apóstolos desatem a produzir bíblias imensas que fazem lembrar os maiores desvarios que li em penitenciais medievais no que se tratava de identificar categorias e subcategorias de pecados. Acreditem… havia malta naquela altura que andava muito à frente de qualquer redtube em matéria de imaginação.

Há documentos em que se pretende classificar com ponderações de 1-2% no valor final atitudes como empenho ou responsabilidade.Quem ache normal percentualizar a criatividade ou a autonomia. Quem, para o 1º ciclo, ache adequado classificar com 20 parâmetros o desenho de uma árvore de Natal com prendas (a sério, não estou a inventar nada…). Há mesmo o regresso – sob a geringonça – de matrizes para avaliar a rapidez e fluência da leitura num dado período de tempo, aquilo que com Crato era (e e era mesmo) tido como um autêntico disparate.

Acreditem, os alunos não são o centro das preocupações deste tipo de diarreias mentais. O que está em causa é a vitória de uma “tese”, de uma corrente ideológica e a criação dos mecanismos destinados a acorrentar os professores e desiludi-los de qualquer liberdade sem consequências problemáticas.

O que se está a despejar sobre os professores por estas semanas, um pouco ou muito por todo o país é o regresso do pior de dois mundos… a exigência do sucesso numa perspectiva holística aliada ao esmagamento burocrático com uma parafernália de grelhas que fazem mirrar-se de embaraço as dos tempos áureos da add da “reitora” não avaliada.

Como resistir, quando ainda há quem ache que falta ali uma 83ª variável na ponderação parametrizada? Quem perca a maior parte do tempo a registar o que se passa numa aula, perdendo assim metade do tempo útil que poderia aplicar a tentar ensinar qualquer coisa. Quem tenha encarnado a “lógica”, quem argumente de forma agitada com a “flexibilidade” contra quem ouse contestar a pseudo-prática “inclusiva”. Quem tenha acabado por se deixar possuir pelo vírus e veja quem esteja imunizado como se fosse a fonte do mal?

funny-quotes-stupid-people

 

@s Grelhador@s Nunca Deixaram de Estar Entre Nós

A operacionalização da Cidadania e Desenvolvimento (entre outras coisas do pafismo curricular) está a alimentar aquela estirpe de pessoas com um distúrbio bem identificado e que é o da grelhice crónica. Relembremos que a nova disciplina terá pouco mais de 30 aulas ao longo do ano lectivo. Sim, claro, a CD é uma área que se pode transversalizar e perpendicularizar numa perspectiva secante à tangente da inter/multidisciplinaridade. E vai daí, começam a sair coisas destas /atenção que isto faz parte de um pacote de sete documentos despejados sobre os operacionalizadores.

CidadaniaGrelha

(entretanto, vou começando a fazer um novo compêndio antológico de toda esta impetuosidade conceptualizadora-grelhista)