Há Quem Anseie Por 300 Realidades

Contagem do tempo congelado: três realidades no país

Governo da Madeira decidiu contar os nove anos, quatro meses e dois dias do tempo congelado à classe docente. FENPROF refere que esta decisão coloca por terra toda a argumentação do Governo do Continente sobre a matéria.

twilightzone

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6ª Feira

Prestes a terminar o primeiro mês. Já existem baixas e alguns regressos perfeitamente impensáveis. Não são poucas as pessoas que começam a considerar quanto tempo aguentarão. Dará para chegar ao Natal? Entretanto, recrudescem as exigências porque a cada nova investida de normativos corresponde nova camada burrocrática. O exercício da docência já contempla há uns bons anos uma componente de representação do acto pedagógico para justificar qualquer opção que não seja de sucesso garantido. Mas essa componente continua num crescendo imparável. A anunciada greve a “reuniões para as quais os professores forem convocados, caso não se encontrem previstas na componente não letiva de estabelecimento do seu horário” e mais umas outras chatices tem sido algo pedido por algumas pessoas (ou pelo menos ameaça-se vagamente com o incumprimento das tais burrocracias redundantes) mas fico sem perceber como isto funcionará: sendo “greve” como se serão contabilizadas as faltas, em especial se as reuniões forem sucessivamente convocadas por inexistência de quórum. Na base das 35 semanais? E o pessoal que der todas as suas aulas durante este período verá o valor dessas faltas desaparecer do salário? A sério que esperam mesmo uma grande adesão a este tipo de greve que, apesar de estimável e compreensível, é mais do domínio da conversa de café? Não conseguiriam antes fazer convocatórias de plenários de professores para as datas de eventuais reuniões intercalares? Em especial quando acontecem em horário pós-laboral?

Sim, já sei que sou um “guinote do restelo” que para o ex-pai albino e cortesãs do SE Costa, assim como para muitos indefectíveis do sindicalismo ortodoxo, mas isto parece-me uma coisa um bocado inconsequente atendendo a todo o contexto vivido. Até porque com as regras existentes sobre reuniões ao abrigo do CPA quase tudo vai acabar por ser feito e só se irão lixar materialmente os mesmos do costume, porque os mandantes vivem em pleno as suas “dispensas”, enquanto anunciam que já podiam ser professores “superiores” ou mesmo coisas mais importantes para a Nação.

Este é um discurso divisionista, será uma das críticas evidentes. Só que para se “dividir” há que existir uma “união” qualquer que eu não vislumbro depois da greve da outra semana (e que uma colega sindiclaista qualificou no meu mural do fbook como “óptima” [sic]) e da manifestação que se lhe seguiu e que teve um impacto de menos que zero no Governo, a menos que se considere que o “Temos Pena!” do actual PM não é pura e simplesmente um gozo total, a pedir mais que eles até agradecem os contributos para o Orçamento.

Estamos num beco sem saída? Há quem ache que só com o próximo governo se conseguirá algo, mas sem dizerem que tipo de governo estão a prever. Há quem diga também que as lutas não atingem os seus objectivos sem grandes esforços e muito tempo. Sim, pois, mas há coisas que se conseguem de um momento para o outro, basta ver a rapidez com certas pessoas arrumaram a sua vidinha às cavalitas dos contratados e como outros conseguem estar décadas a lutar das 9 à meia-noite (excluindo a época dos banhos). E sem qualquer avaliação do desempenho.

É altura de baixar os braços?

Não, pelo contrário. E nem vou falar muito sobre as vantagens da ILC em relação a petições da treta.

Falo da denúncia clara dos abusos – com exemplos e sem receio de ferir susceptibilidades pseudo-amigas – que estiveram na base da concepção e implementação dos decretos 54 e 55/2018 que parecem ser considerados maravilhas legislativas por mais gente do que seria razoável esperar, atirando-se para as escolas e professores eventuais falhas na sua “operacionalização”. Há muita coisa que poderia e deveria ser denunciada, mas, infelizmente, há quem tenha preferido vender-se por muito pouco ao “sistema”. Basta ver como se replicam “formações” da treta com powerpoints da maria-cachucha sobre a Educação Inclusiva.

O polvo dos interesses, favores e tenças mais ou menos disfarçadas em troca de apoios públicos está em amplo crescimento e bem alimentado. Sou obrigado a reconhecer: o costismo está de parabéns e bem ancorado nas “redes sociais” e outros espaços digitais que, mesmo quando criticam o ME, protegem devidamente quem deve ser mantido longe das críticas, enquanto não ruma em definitivo para paragens mais elevadas. Há demasiadas cumplicidades em forma de muralha d’aço.

O pântano tresanda e, voltando ao princípio, cada vez existe mais gente no terreno incapaz de respirar em condições. Mas a falta de ar puro também diminui o ânimo para reagir. E el@s sabem isso.

Stink

Duvido Que Seja O Único a Pensar…

... que a marcação desta ronda de negociações que termina com a ameaça de um decreto-lei a impor uma decisão não negociada foi apenas um pretexto para que fosse parada a greve em Julho pela Plataforma Sindical (começa a ser tempo de voltar a saber quantos sócios no activo têm realmente certos sindicatos). Agora se uns foram enganados ou se participaram activamente na “comédia” não sei. Se foram enganados, acho legítimo que tenha perdido (de novo) a confiança na lucidez dos mandantes da luta; se participaram com conhecimento da coisa, acho legítimo pensar mais do que isso.

Já agora… os operacionais ortodoxos que andaram a  dizer que a ida da ILC ao Parlamento poderia redundar num fracasso e levar a perder tudo, deveriam agora engolir a língua e sufocar na sua própria mentira ou serem obrigados a demonstrar quantos dias estão a ser ganhos em relação à proposta inicial do governo. O que se está a passar é que se pretende legislar à força, antes da ILC chegar ao Parlamento, porque a votação do anunciado decreto-lei governamental poderá contar com os votos contra dos “lutadores” (as declarações do camarada Jerónimo são a esse respeito adequadamente claras) sem quaisquer consequências de maior (a menos que o PSD se mexa e não se abstenha), enquanto que a ILC, chegando lá, forçará outro tipo de clarificação, obrigando o PCP a assumir com clareza a favor/contra (d)o que está. Se a “responsabilidade orçamental” é agora o valor que nunca foi em outras alturas.

Claro que António Costa conta com o apoio do presidente Marcelo para este avanço “unilateral”, que acha revelar a sua “firmeza” (evitando contrariar os socráticos que o rodeiam e inspiram), pelo que o PSD deve encolher-se todo, até porque também tem responsabilidades no congelamento.

Claro que isto é tudo muito parecido a 2008. Porque até a maioria das moscas é a mesma.

Dupla TiagoMário

 

 

Ainda Acham Que A ILC É Inútil?

Até agora, está a empatar 0-0 em ganhos com a “luta” tradicional e nem sequer foi a votos. Assinem-na se o não fizeram ainda (por causa dos tais problemas burocráticos com as assinaturas consideradas inválidas) e não se deixem enganar pelos trolhas&vargas que andam por aí nas “redes sociais” e blogues maneirinhos a desinformar o pessoal, ameaçando com perigos inexistentes, enquanto ocultam a sua própria inépcia e hipocrisia. Porque se a ILC chegar ao Parlamento perceberemos de que cor são, afinal, os camaradas que andam a apelar à luta. Se são vermelhos vivos ou desmaiados.

ILC final

(razão tinha o nº 2 do nogueira que dizia que só com outro governo se conseguirá alguma coisa… fugiu-lhe a boca para a verdade, coitado)

Os Resultados da Sondagem

Existem sempre diversas formas de interpretar. Uma delas é que 70,8% não aceita a perda de qualquer tempo do serviço congelado, entre quem não aceita a sua “troca” (39,6%) e quem aceita apenas de for a totalidade (31,2%). Uma outra é 58,1% considera que aceita tal “troca”, mas apenas uma minoria (26,9%) aceita quer seja por parte do tempo congelado.

Sonda

Claro que estas sondagens têm sempre opções limitadas, pelo que se deve completar este tipo de consulta com outra, por exemplo se a recuperação do tempo pode ser de forma faseada ou não e se quem quer que parte tempo do tempo seja substituído por antecipação da aposentação, pretende que essa parte seja de quantos anos e com que tipo de mix com a recuperação do tempo de serviço.

É Coisa Para Ter o Apoio Entusiasmado do Rio

Reversão, diziam?

Aumentos salariais na função pública só em 2020

CGTP e UGT saíram da reunião com o Governo com a certeza de que o Programa de Estabilidade não prevê aumentos salaraiais [sic] até ao final da legislatura. Ministro das Finanças evita o  assunto.

UTurn

(porque raio anda o Público com tantos erros ortográficos nas suas peças? não há revisão dos textos colocados À pressa online? já estou me sinto menos mal com aquela das “escolas púbicas” no JL e com os meus deslizes por aqui)