O Silêncio Da Confap (Mais Um) E Ainda Umas Palavras Cruzadas

O site parece um derivado de uma agência de comunicação do ME. Sobre as propostas que apareceram sobre a contratação e vinculação dos professores que irão ensinar os seus educandos, nada a dizer. Por não terem conhecimento oficial, aposto. Entretanto, nas palavras cruzadas do Público de domingo já se assume a coisa como facto consumado.

(imagem recebida através da Joana Leite, que a colheu no mural de Conceição Liquito; entretanto busco o pdf da edição, porque já não acho a edição em papel)

Quem Tem A Proposta Concreta, Com As Letrinhas Todas?

Não me chega o resumo. E seria de interesse público que estas propostas se conhecessem, para que o sonso ministro não se procurasse escapar com meias verdades e explicasse em que parte do programa do governo estão estas medidas, já que no passado se eximiu a outras com esse argumento. E porque são feitas agora propostas sobre as quais, num passado não muito distante, foi dito com clareza que não existiriam.

Mas pelos vistos “não foi apresentado qualquer documento, apenas foram enunciados pressupostos gerais“.

O mesmo em relação ao que terá sido dito às directoras e aos directores na reunião de ontem que, por causa de avisos e medos, pouco ou nada se pode divulgar de forma autorizada. Que boa altura para mostrarem que não são apenas paus mandados da tutela e que devem prestar contas às suas comunidades educativas, a começar pelos Conselho gerais, a quem todas estas coias deveriam chegar, antes de serem decididas em modelo impositivo.

O que pretende o ME:

  • Fim dos quadros de escola e de agrupamento e a criação dos mapas de pessoal, com consequências muito graves que acabarão com os concursos tal como os conhecemos, passando o recrutamento a ser feito através de escolha pelos diretores, em função dos projetos aprovados pelas CIM e dos objetivos que estas estabeleçam.
  • O ME pretende acabar com a mobilidade interna, impedindo a legítima expetativa de aproximação à residência e impedindo que professores que pertençam a uma determinada área geográfica concorram segundo critérios nacionais.

Oeiras, Odivelas, Mafra

Só esta semana, juntando-se a Montalegre. Juntando ao resto, penso que até o presidente Marcelo considerará que começam a ser números elevados. Afinal, só temos uns 300 concelhos e pelo menos dois destes são dos graúdos. E até temos uma ex-secretária de Estado da Educação e tudo. Mas… tudo bem… devemos confiar e deixá-los ainda a gerir a Educação e a Saúde.

Não há juntas médicas para isto? Tipo tratamento da cleptomania autárquica?

A Desorçamentação: Modo De Usar (Com Demagogia E Municipalização Pelo Meio)

O que aí vem é mais sinistro do que neste momento podem imaginar porque, se escavarem bem a coisa, perceberão a dimensão que vai ganhar a intromissão municipal em algumas zonas do país. Não digam que não foram avisados a tempo. Não se estranha, pois, alguma deriva autárquica (já concretizada ou em preparação) de uma assinalável número de director@s.

Promoção da mobilidade social dos alunos vai pesar na avaliação das escolas

Orçamento para a educação desce 7,6% por comparação a 2022. Governo justifica com o facto de já não estar ali o montante para a transferência de competências. Combate às desigualdades identificado como uma das apostas centrais para a educação.

(…)

Segundo a proposta do Governo, serão assim produzidos mais “indicadores que elejam a mobilidade social e a promoção da equidade como um dos principais instrumentos de avaliação da qualidade das escolas”. No âmbito do combate às desigualdades está também prevista a consolidação dos “apoios tutoriais”, um programa que arrancou em 2017 e que visa dar um apoio mais direccionado por parte de professores, com formação própria na área, a alunos com dificuldades e que terá agora “especial atenção aos impactos da pandemia”.

Também se promete um reforço da orientação vocacional dos alunos de modo a garantir “que as escolhas dos percursos concorram para a promoção” do seu sucesso. Novidade será a implementação de “um programa de apoio a famílias vulneráveis e base autárquica”, de que não são adiantados pormenores.

O PSD Quer A “Totalidade” Das Funções Na Educação

Era da maneira que o desemprego jovem entre os laranjinhas descia para zero, mesmo em modo biscate até chegarem ao poder e fazerem nomeações em outros postos da administração pública ou empresas tuteladas.

“O Governo passou para as autarquias aquilo que não quer, a infraestrutura da escola para a câmara ter essa responsabilidade, mas não passa, por exemplo, a contratação dos professores”. E deu uma explicação para isso: o PS cria “complexidade” no processo para não haver responsabilidades. “É nisso que o PS é muito bom”, ironizou. O PSD, frisou, enquanto partido municipalista, quer ter essas competências, mas na “totalidade”.

Será que já passou tempo suficiente para eu fazer algumas confidências, que nem sequer o são?

Acho que sim.

Lembram-se da apresentação do “estudo”, alegadamente do FMI para reformar a nossa administração pública e as finanças? No Palácio Foz? Sem direito a directos ou gravação pela comunicação social?

Pois é… eu era um dos convidados e o então secretário de Estado Carlos Moedas o anfitrião. O Jorge Buescu moderava a sessão em que eu participei.

O estudo era uma porcaria, estava desactualizado, os dados estavam truncados e foi isso que eu disse bem alto, dirigindo-me, entre outros, ao anfitrião que, percebi depois em breve conversa, não pescava mesmo nada do assunto (a conversa foi testemunhada por uma jornalista da Renascença com quem depois troquei uma ou duas observações divertidas). Claro que passaram anos e Carlos Moedas pode ter aprendido algo mais sobre o assunto.

Ou não.

Municipalização E Propaganda

Enviaram-me este exemplo, mas acredito que existirão muito mais pelo país. Não é que ache mal a solenidade do arranque do ano lectivo e muito menos o acolhimento dos professores, em especial dos novos, mas ainda vai andar por aí a escorrer muito dinheirinho. A principal vantagem é que não irá para uma rotunda…

Gaia Contrata

É um dos casos de “ecossistema” mais desenvolvido em matéria de Educação Municipal. Agora foi a vez do director regional do Norte da DGestE (no cargo há apenas dois anos, para onde transitou de director do mega-agrupamento de Gaia Nascente) ser “nomeado Diretor Municipal de Políticas Sociais do município”, notícia local de ontem, antes mesmo de existir referência ao resultado na página oficial do concurso, que consultei mesmo agora, 2 de agosto pelas 11.45. Não deixa de ser curioso que um dirigente regional do ME prefira ser dirigente municipal, mesmo se a remuneração é mais interessante (3778,97+778.03 de suplemento, relativo cargo de direcção superior de 1º grau, contra pouco mais de 3000+315 de dirigente intermédio de 1º grau). É verdade que o currículo é rico em muita coisa, menos em dar aulas. Já em matéria de auto-avaliação, podemos agora esperar novamente “brilho e entusiasmo”, porque se não formos nós a elogiar-nos, quem será?

A vida é feita de oportunidades, abraçarei outro projeto de maior envergadura, como Delegado Regional de Educação do Norte, facto que muito honra o Agrupamento.

Espero poder desempenhar as funções com o mesmo brilho e entusiasmo com que sempre geri o AEGN.

Parece que a coisa está a dar algum bruá pela zona, mas pensemos assim: agora há um lugar vago a Norte, que com o suplemento remuneratório equivale ao 10º escalão dos docentes. Ponham-se já em fila, em especial quem tiver experiência e saber reconhecido de coisas complexas como a administração e gestão escolar. Nem que seja “só para ver em que lugar fico”.

Apesar da notória inveja, não posso concorrer, porque é fora da minha “área de conforto”, que é mais a sala de aula, e ainda mais das minhas competências, que não passo de soldado raso e ignorante destas transcendências. E já estou velho para estas coisas. Começar um cursus honorum com esta idade já não vale a pena. E nem sequer sou da classe equestre, quanto mais da senatorial. Mas para quem tenha pergaminhos e ambições, nada como começar já a salivar e a verificar os cartões.