Conversa À Porta De Uma Escola, Algures, No País Da Descentralização

Funcionária não docente nº 1: Ouve lá, mas aquilo é mesmo greve? Porque diz que é manifestação.

Funcionária não docente nº 2: É manifestação. Greve é dos professores.

Funcionária não docente nº 1: Então não podemos faltar.

Funcionária não docente nº 2: Agora somos da câmara. Temos de esperar para saber.

Funcionária não docente nº 1: É que depois temos falta injustificada.

Funcionária não docente nº 2: Pois… é melhor esperar para ver o que a câmara diz. A câmara tem de dizer o que vamos fazer.

E é assim… eu ia de passagem, não fiquei para o desfecho. Mas dá para perceber que, no fundo, é o novo patronato que decide porque isto da democracia de proximidade tem destas coisas.

E que fique claro que se o “patrão” dos professores fossem @s director@s a conversa seria a mesma. Só faltaria o “não” antes de “docente”.

homens-da-luta

Estou A Modos Que Coiso…

A situação tem o seu quê de caricato, confesso, mas quem acha que se pode dar TIC apenas com uma qualquer acção de formação feita (e nem sequer uma medalha olímpica) está pronto para tudo.

Professores de Educação Física indignados pela funcionária municipal Manuela Machado dar ‘aulas’ de atletismo!

O que também me incomoda mesmo muito é o medo demonstrado em assumir as coisas. O que receiam? Perder o apoio para certas atividades?

Os signatários, que solicitaram a confidencialidade das suas identificações, afirmam que «estamos a entrar no segundo período do ano letivo e seria uma enorme insensatez da nossa parte permitir que os próximos voltem a funcionar nos mesmos moldes. Nem nesta, nem, eventualmente, noutras regiões do País».

Aguardem pelo avanço da municipalização e aposto que até o sobrinho do vizinho do senhor autarca poderá dar música a todos.

Não sei se ria, se chore.

LAughing

De Autarcas Para Autarcas?

Convém ler toda a notícia e a composição dos painéis e quem tem direito à palavra. De Rui Moreira e Maria das Dores Meira, temos um belo sortido do novo arco da governabilidade responsável.

E o JN sempre apresenta uma iniciativa com o alto subsídio, desculpem, patrocínio (parceria!) da autarquia invicta.

Os caminhos da descentralização

Conferência organizada pelo JN, em parceria com a Câmara do Porto, discute os caminhos da descentralização. Da habitação à saúde, da educação ao problema do financiamento, para terminar com um painel sobre a regionalização.

(…)

A educação como piloto

Depois de uma pausa para o almoço, a discussão prossegue, a partir da 14,30 horas, com a descentralização na área da Educação. Este painel contará com Paulo Cunha, presidente da Câmara de Famalicão, que, como nos restantes casos, fará uma alocução inicial, para dar em seguida a palavra aos seus colegas autarcas.

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Afinal, Existe E Produz “Prosa”…

… mas é ao nível do desdobrável de campanha. Quando se coloca “sinergias” e “potenciar” na mesma frase só com uma copulativa a separá-los ou se consegue produzir um final de  parágrafo em que surgem, em catadupa, “autonomia”, “flexibilidade curricular” e “princípio da subsidiariedade” podemos não ter grande secretária de Estado da Educação, mas temos uma admirável Directora-Geral da Municipalização.

JN 9Jan20

Jornal de Notícias, 9 de Janeiro de 2020

Pelo Baixo Alentejo

A Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo tomou conta da Educação na região, na sequência da maré rosa nos municípios da zona em 2017, e há 900.000 euros para gastar. Ficam aqui apenas os dois documentos mais extensos da candidatura às verbas do PIICIE. Para ver como as coisas estão a decorrer. Fica aqui a sessão de evangelização flexibilizadora de final do ano lectivo anterior.

Anexos:

Violino

Está Em Decurso A (Segunda) Maior Operação Financeira Das Últimas Décadas…

… de deslocação de verbas da Educação Pública para grupos privados, logo depois da “festa” da Parque Escolar (que a “reitora” não viu e que – aposto – em tribunal acabará nos arquivos da má memória). Um conjunto muito substancial de verbas, que nem sempre é fácil controlar por estarem espalhadas por diversas autarquias e comunidades intermunicipais, está a ser usado, com o pretexto do combate ao abandono e insucesso escolar (apesar destes indicadores terem uma evolução muito favorável ao longo das últimas décadas sem qualquer necessidade disto), para estender rendes clientelares locais em vez de servirem para dotar as escolas e agrupamentos de pessoal humano permanente e meios técnicos adequados para cumprirem a sua função. Se tudo o que está a ser feito está mal? De modo algum, há projectos interessantes e boas intenções que até correspondem a boas acções. Mas há mais do que isso, muito mais. A começar pelas tais “consultorias” com gente próxima do poder político na Educação desde os anos 80 e 90 do século XX que, finalmente, conseguiram redireccionar as “escápulas” das verbas do Orçamento para fora das escolas. Dizem que não se resolvem problemas apenas lançando dinheiro sobre eles, mas já aceitam se o dinheiro for lançado na sua direcção. E nesses interesses estão grupos de “especialistas”, por vezes com chancela académica, mas outros casos apenas com o carimbo do chico-espertismo empreendedor dos tugas, daqueles que têm ideias “brilhantes”, estratégias “mágicas” e centros de “excelência”. Há de tudo um pouco… de ex-governantes a ex-muitas coisas convertidos à causa da Educação agora que escorrem subsídios, quantas vezes apenas com coisas coladas a cuspo, depois de copiadas algures.

Mas parece que agora o “sucesso” é assim. E a “descentralização”. E há quem colabore. Porque há sempre migalhas que escorregam da mesa para os regaços de quem lá fica a dizer que sim.

Seria interessante que houvesse a coragem de ir divulgando certos “negócios”, com fundamento, dados concretos, nomes repetidos aqui e ali, dossiers replicados. Mas os tempos andam agrestes para a “investigação”.

paraq

6ª Feira

Avançamos com decisão e “assertividade” – e com a consolidação da municipalização o mergulho será de cabeça – num modelo de decisões em que os “projectos” s(er)ão classificados de acordo com as cores certas ou as pessoas adequadamente colaborantes com a promoção dos interesses dominantes na “comunidade educativa”. Aprendi isso, em episódios que já contei mais de uma vez, quando fui técnico superior numa câmara há 30 anos durante pouco mais de um ano. Não mudou praticamente nada. Já na altura me provocava urticária esta práxis dita democrática e de “proximidade”.

poisonivy