Dia 72 – Vamos Falar Disto Mesmo A Sério? – 5

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Não estão apenas em causa – e são de monta – os condicionalismos económicos, mas igualmente os culturais e os que se relacionam com os eventuais handicaps dos alunos, desde dificuldades de natureza cognitiva com múltiplas potenciais origens a défices sensoriais, sendo mais óbvios os da visão e audição.

Para esses alunos, mais do que buscar as plataformas mais intuitivas ou com mais funcionalidades para trabalhar com a generalidade dos alunos, há que mobilizar as “tecnologias assistivas” (assistive technologies, na designação original) mais adequadas à inclusão de alunos com situações que vão da dislexia à cegueira, passando por muitas outras situações que parece mal agora designar como “necessidades educativas especiais”, sendo mais politicamente correcto optar por necessidades específicas de aprendizagem.

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diario

As “Tecnologias Assistivas” De Que Se Fala Muito Pouco

Porque a formação disponível é na base da “Abordagem Multinível” e da doutrinação sobre o “54” e pouquíssimo mais.

E há quem prefira discutir os méritos de ir ao Goucha ou à Cristina (salvo seja) do que tratar este tipo de assuntos em relação ao que anda a ser completamente esquecido no E@D.

Using Assistive Technology to Empower Students with Disabilities

Implementing assistive technologies in the classroom gives students of all abilities a voice in their education.

Apps for Students With Special Needs—As School Buildings Shutter

The coronavirus creates a unique challenge for students with special needs—educators share recommendations for apps to support learning at home.

Assistive Technology for Students with Learning Disabilities

5 Examples of Assistive Technology in the Classroom

Teclado

Também Lá Por Fora…

… são quase sempre os mais vulneráveis a serem os primeiros excluídos.

Students with disabilities deprived of crucial services because of coronavirus closures

 

She’s 10, Homeless and Eager to Learn. But She Has No Internet.

Thousands of students living in shelters and doubled up in overcrowded apartments have not received web-enabled devices for online learning.

 

‘We Can’t Afford To Have Him Left Behind’: Special Ed Students Struggle During School Shutdown

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Efectivamente

Educação de alunos com necessidades educativas especiais: a profecia cumpre-se

Cumpriu-se o “chiquíssimo” discurso neoliberal centrado na educação do “somos todos iguais”.

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Quanto ao segundo ponto, no que concerne à sujeição do Decreto-Lei n.º 54/2018 ao preceituado no Artigo 24 da CDPD, para além do enigma de não se inserir (ignorar) a designação de “necessidades educativas especiais”, operacionalizando-a, e de não se considerar o papel da educação especial na educação dos alunos com NEE, ele parece apenas considerar, categorizando, contrariamente à substância implícita no texto do diploma (não categorização), as necessidades dos alunos cegos (artigo 14.º) e surdos (artigo 15.º), mantendo-se “mudo” no que respeita às necessidades específicas dos alunos com outro tipo de NEE como, por exemplo, alunos com perturbações emocionais e do comportamento, com autismo ou com dificuldades de aprendizagem específicas (dislexias, disgrafias, discalculias). Ou seja, a categorização reaparece nestes artigos, embora se refira unicamente a uma parcela diminuta dos alunos que se inscrevem no espectro das NEE (cerca de 1 a 2%), discriminando todos os outros.

Igualdade