2ª Feira

Ainda em relação àquela ideia peregrina de tornar as escolas os espaços mais adequados para promover o uso de bicicletas, para além de questões operacionais que raramente ocorrem a quem decide estas coisas, fica a dúvida sobre qual será a JP Sá Couto desta vez. Ou será mais de uma, para satisfazer o “mercado”?

Aguarda-se para breve a decisão de promover a limpeza de aura e o uso de batidos detox no 3º ciclo. O mindfulness parece ser mais adequado para o corpo docente

O Ciclo Consultivo

Estas prosas, quando depois seguimos o “ciclo de partilhas” nas redes sociais confirmam a tese de que est@s operacionais são elos de uma engrenagem em que alguns operacionais de outrora e de agora se unem numa lógica de “mercado” de formação (de professores) e consultoria e assessoria (de escolas e autarquias).

Quem projectava avenidas de futuro há 30 anos conseguiu há meia dúzia de anos colocar novos convertidos em pontos-chave para desenvolverem uma política em que já eram especialistas, pelo que foi fácil surgirem com receitas e fórmulas pré-cozinhadas e prontas a levar ao micro-ondas da 24 de Julho. Vai disto e cada nova vaga de “reformas” (ou remendos ou reconfigurações ou outras recoisas) vem acompanhada de um menu de propostas para a formação contínua de professores e o “apoio” (pago, sempre que possível, com destaque para os casos de municipalização acelerada) a escolas e autarquias para as implementar.

Se em alguns casos já existe algum decoro em não colocar o nome nos grupos de trabalho e logo a seguir aparecer nas “equipas” de consultoria que vendem projectos que beneficiam do tal conhecimento prévio das medidas, há a quem o entusiasmo pelo palco ainda deixe à solta algum descuido no desejo de deixar a assinatura em tudo o que é possível. Quem tiver conta no Academia.edu ou tiver paciência para consultar a apresentação de boa parte das teses de mestrado ou doutoramento em Educação que andam por aí a sair, rapidamente poderá fazer uma cartografia dos “nichos” em presença.

De qualquer modo, quem conheça as figuras e saiba ir em busca das afinidades, afiliações e filiações (ideológicas, académicas, pessoais, “empresariais”), rapidamente se apercebe da teia de influencers e seus seguidores. Claro que há quem abocanhe boas fatias do bolo- e preveja facturar mais com a tal “bazuca”- e quem fique feliz com as migalhas ou lambendo os dedos que passaram pela cobertura. Mas que não se ande ao engano. Há legislação que não rima com Educação mas com Facturação.

(a questão das aprendizagens, sejam as alegadamente perdidas, sejam as apresentadas como essenciais, não passam de um pretexto para uma enorme operação de apropriação de fundos europeus, tudo polvilhado com propaganda mediática de segunda ordem e estatísticas a preceito)

5ª Feira

O João Miguel Tavares tem razão, por muito que isso custe a muita gente que gosta de tudo a preto e branco: o “Acordo de Formação Profissional e Qualificação: Um Desígnio Estratégico para as Pessoas, para as Empresas e para o País” tem tudo para ser um daqueles buracos negros em que o dinheiro escorre para todos os lados menos para quem deles mais precisa, em troco de uma certificação de “qualificações e competências” que faz lembrar o que cá se passou ao longo das décadas nesta matéria, do Fundo Social Europeu às Novas Oportunidades. O bolo fica todo nas “estruturas”, em que dinamiza os “projectos”, nos “consultores” que apoiam a elaboração e aplicação dos “dossiês” e sobram umas migalhas para o resto. São 5 mil milhões que acabarão na sua larga maioria nos bolsos de quem já os tem bem aconchegados, alegando-se que se está a dar formação e a certificar as ditas qualificações. Depois, em parte quem esteve na preparação de tudo aparecerá a fazer uma auto-avaliação do sucesso das medidas e nem que seja como há uns anos, concluir-se-á que as pessoas ficaram com a auto-estima em cima em troca de um certificado, mesmo se continuaram desempregadas, precárias e/ou com baixíssimos salários.

Seria bom que assim não fosse, mas em Portugal os milagres costumam concentrar-se no desporto e raramente se conhecem ocorrências em matéria de distribuição de fundos europeus.

Hoje, No Público

Tudo se apresenta com a legitimação das consequências da pandemia, mas nada de novo está em causa. Só alguém muito distraído poderá acreditar que é por aqui que passa alguma reforma da Educação que vá além da tentativa de dar novo ímpeto a medidas que se viu serem incapazes de funcionar em tempos de emergência.

Mas Há Quem Ande Muito Incomodado Com Os Alegados 900 Milhões Para A Educação

E podem ter a certeza que estas grandes empresas não são das que têm prejuízos ou estiveram fechadas meses a fio. São os gulosos do costume que comem quase tudo o que de melhor aparece na mesa gerida por políticos em busca de lugares nessas mesmas grandes empresas ou em cargos derivados. Porque para os pequenitos ficam mil milhões, grande parte “comida” pelos “consultores” que as “ajudam” a obter os “apoios”.

Grandes empresas podem ir buscar €4 mil milhões ao Plano de Recuperação

A Negociata Da Capacitação Digital

Há colegas aqui da margem sul do Tejo a receber um mail com uma proposta de um “Curso de Formação para a Docência Digital em Rede”. Tudo bem, apenas mais uma entre imensas propostas nos dias que correm. Seria assunto para ir directamente para o lixo se não tivesse reparado nuns detalhes. O curso em causa resulta de uma parceria entre a “Academia do Professor”, a Rede de Centros de Formação de Entre Tejo e Sado e a Universidade Aberta.

Tudo muito institucional e, queria eu acreditar, integrado naquelas iniciativas de formação da Escola Digital, que se anunciaram gratuitas. Pois… gratuitas até certo ponto, pois só “quem não quiser certificado poderá frequentar o Curso sem qualquer custo associado”.

Agora reparem lá nestes “pormenores” relativos à certificação (e nem vou falar dos três conferencistas que ninguém sabe quem serão, mas que não será preciso um zandinga para calcular, atendendo aos monges que costumam usar o hábito por aqui), sendo especialmente engraçado o valor de “cerca de 25 euros”, como se fosse uma quantia ainda em apreciação.

Em que modelo se realiza o curso?

O curso é lecionado na modalidade de eLearning, com recurso a um sistema de gestão de aprendizagem (LMS) e num regime exclusivamente assíncrono. Ao logo do mesmo serão realizadas 3 conferências num total de 6 horas, reconhecidas como ACD válida para efeitos de avaliação e progressão na carreira.

Qual o custo de frequência do curso?

A frequência do curso não tem qualquer custo associado.

Qual o custo de emissão de certificado?

Será emitido um certificado, pela Universiade [sic] Aberta, com a indicação “Curso realizado com aproveitamento” o que implicará realizar as atividades de avaliação definidas no plano do Curso.

Como o curso terá 26 horas, terá acreditação de 1 ECTS e o custo de emissão de certificado será de cerca de 25€.

Esta ação está acreditada pelo CCPFC?

Este curso pode ter um certificado emitido pela Universiadade [sic] Aberta e individulamente [sic] pode ser soliciatado [sic] ao CCPFC a sua acreditação para efeitos de avaliação e progressaõ [sic] na carreira.

​(como autor confesso de “gralhas” – inconseguimentos ortográficos – com alguma frequência, vou apenas referir que uma publicação de uma rede de centros de formação tem um pouquinho mais de responsabilidades do que um blogue de um professorzeco)

O Estado Da República

A conversa:

“É preciso sobrepor o interesse colectivo aos interesses individuais”, defende Marcelo

Os factos:

17 ex-gestores do GES tiveram perdão fiscal. Só Salgado terá legalizado 34 milhões

“Está a preparar-se um assalto aos fundos europeus”, diz presidente da Transparência e Integridade

Nova presidente da TIAC está preocupada com afastamento de Vítor Caldeira da presidência do Tribunal de Contas. Neste momento há dúvidas sobre quem se encontra em funções.