Sobre Angola

Depois de tudo o que vai acontecendo por lá em torno dos mais chegados a José Eduardo dos Santos, como ficam aqueles que, por cá, nada se incomodavam com certas negociatas? E, já agora, como ficam os que, tão prudentes que eram que até recomendavam prudência a quem ousava fazer a mais leve crítica, porque isso poderia ser visto como “neo-colonialismo” ou mesmo (a sério!”) “racismo”?

Claro que já tínhamos os exemplos de outros regimes impolutos entretanto caídos em desgraça como o líbio, venezuelano, ou ainda florescentes como o chinês para só se falar dos “grandes” negócios, porque outros há de menor escala também ali para o lado do velho império da Catarina?

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Está Em Decurso A (Segunda) Maior Operação Financeira Das Últimas Décadas…

… de deslocação de verbas da Educação Pública para grupos privados, logo depois da “festa” da Parque Escolar (que a “reitora” não viu e que – aposto – em tribunal acabará nos arquivos da má memória). Um conjunto muito substancial de verbas, que nem sempre é fácil controlar por estarem espalhadas por diversas autarquias e comunidades intermunicipais, está a ser usado, com o pretexto do combate ao abandono e insucesso escolar (apesar destes indicadores terem uma evolução muito favorável ao longo das últimas décadas sem qualquer necessidade disto), para estender rendes clientelares locais em vez de servirem para dotar as escolas e agrupamentos de pessoal humano permanente e meios técnicos adequados para cumprirem a sua função. Se tudo o que está a ser feito está mal? De modo algum, há projectos interessantes e boas intenções que até correspondem a boas acções. Mas há mais do que isso, muito mais. A começar pelas tais “consultorias” com gente próxima do poder político na Educação desde os anos 80 e 90 do século XX que, finalmente, conseguiram redireccionar as “escápulas” das verbas do Orçamento para fora das escolas. Dizem que não se resolvem problemas apenas lançando dinheiro sobre eles, mas já aceitam se o dinheiro for lançado na sua direcção. E nesses interesses estão grupos de “especialistas”, por vezes com chancela académica, mas outros casos apenas com o carimbo do chico-espertismo empreendedor dos tugas, daqueles que têm ideias “brilhantes”, estratégias “mágicas” e centros de “excelência”. Há de tudo um pouco… de ex-governantes a ex-muitas coisas convertidos à causa da Educação agora que escorrem subsídios, quantas vezes apenas com coisas coladas a cuspo, depois de copiadas algures.

Mas parece que agora o “sucesso” é assim. E a “descentralização”. E há quem colabore. Porque há sempre migalhas que escorregam da mesa para os regaços de quem lá fica a dizer que sim.

Seria interessante que houvesse a coragem de ir divulgando certos “negócios”, com fundamento, dados concretos, nomes repetidos aqui e ali, dossiers replicados. Mas os tempos andam agrestes para a “investigação”.

paraq

A Boa E Velha Chico-Espertice

O Polígrafo era uma boa ideia, mas cedo se percebeu que era capaz de ser mais uma oportunidade de negócio com a sua incorporação no universo balsemânico. Que o seu criador se considere “negligente” nesta matéria é apenas um detalhe adicional.

Durante vários anos, o diretor do jornal Polígrafo, Fernando Esteves, acumulou a função de jornalista e editor de política na Sábado com uma quota numa empresa que, entre outras matérias, tinha no seu objeto social a “consultoria em comunicação”, uma atividade incompatível com a profissão de jornalista.

A revelação consta da acusação do Ministério Público no processo Máfia do Sangue, na qual se adianta ainda que a empresa em causa, a Alter Ego, chegou a trabalhar para a Octapharma e para Paulo Lalanda e Castro, o principal arguido. Fernando Esteves foi jornalista da Sábado entre 2005 e abril de 2017, noticiou esse mesmo órgão na terça-feira.

Money

As Fábricas De Necessidades

Na Saúde, de forma periódica surgem surtos de qualquer coisa que precisa de um medicamento específico, acabado de investigar ou pronto a comercializar pelo preço certo. Na Educação há algo parecido com a detecção de “necessidades de formação” que, felizmente, já estavam a ser previstas por aqueles que as detectaram.

Mercearia

A Ler – Maria do Carmo Vieira

Divulgo com algum atraso este texto que, entre outras coisas, revela muito sobre os meandros de certas “reformas” de programas e currículos. Há mais de uma década, com a TLEBS, terá acontecido o meu primeiro choque frontal com o que, nos primeiros tempos do Umbigo, apenas entrevia como uma clique interessada em fazer avançar as “suas” opções à custa de tudo o resto naquela combinação muito “ética” de rever programas, dar formações e produzir manuais de apoio (ou outros). A mesma clique que, reforçada, está agora no poder em torno do vizir que não quer ser califa em vez do califa porque assim fica menos à vista nos momentos chatos.

Atentados e absurdos no ensino do Português: tudo em família

As sucessivas e absurdas alterações no ensino do Português, todas elas marcadas pelo oportunismo, pela ausência de debate, pela ignorância e pela arrogância intelectual, têm-no lesado profundamente.

Finger

A Coisa Holística (Mas Com Olho Na Massa)

Education needs to be holistic: Teach For India CEO

Lançamento do Teach for Portugal

Projeto apoiado pelo Prémio Caixa Social 2019

Mas parece que é uma abordagem holística numa perspectiva económica. E é bom reparar que isto só é possível porque existem verbas que agora passam por contratos com as autarquias e comunidades intermunicipais. Porque acham que há tanto adepto da “descentralização”?

Teach for Portugal está a recrutar futuros economistas

(…)

Trata-se de um compromisso remunerado que permite aos jovens profissionais, mesmo aqueles que nunca pensaram em ensinar, transformar a vida de muitos estudantes e comunidades desfavorecidas.

Dos países da OCDE, Portugal é um dos que apresenta mais forte associação entre a condição socioeconómica e o desempenho escolar das crianças e jovens. Cerca de 95% dos alunos que aos 15 anos já chumbaram pelo menos uma vez vem de uma família desfavorecida. Neste contexto, a Teach For Portugal foi criada para combater este problema e garantir que, um dia, todas as crianças e jovens do nosso país têm acesso a uma educação que lhes permite desenvolver todo o seu potencial, independentemente da sua origem. Na prática, a organização recruta e forma os recém-licenciados e jovens profissionais mais promissores para ensinar nas escolas que servem as comunidades mais carenciadas do país.

Como parte do programa, a Teach For Portugal garante, para além da remuneração, formação, apoio contínuo e a possibilidade de pertencer a uma rede internacional de jovens líderes determinados em transformar a realidade educativa dos seus países.

Agora reparem em que municípios já estão instalados e digam-me que lá se não é um “projecto” abraçado pelo Grande Centrão, com maioria de autarquias do PS: Braga, Famalicão, Gondomar, Guimarães, Lousada, Porto e Vila Nova de Gaia.

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