Hoje, No Público

Tudo se apresenta com a legitimação das consequências da pandemia, mas nada de novo está em causa. Só alguém muito distraído poderá acreditar que é por aqui que passa alguma reforma da Educação que vá além da tentativa de dar novo ímpeto a medidas que se viu serem incapazes de funcionar em tempos de emergência.

Mas Há Quem Ande Muito Incomodado Com Os Alegados 900 Milhões Para A Educação

E podem ter a certeza que estas grandes empresas não são das que têm prejuízos ou estiveram fechadas meses a fio. São os gulosos do costume que comem quase tudo o que de melhor aparece na mesa gerida por políticos em busca de lugares nessas mesmas grandes empresas ou em cargos derivados. Porque para os pequenitos ficam mil milhões, grande parte “comida” pelos “consultores” que as “ajudam” a obter os “apoios”.

Grandes empresas podem ir buscar €4 mil milhões ao Plano de Recuperação

A Negociata Da Capacitação Digital

Há colegas aqui da margem sul do Tejo a receber um mail com uma proposta de um “Curso de Formação para a Docência Digital em Rede”. Tudo bem, apenas mais uma entre imensas propostas nos dias que correm. Seria assunto para ir directamente para o lixo se não tivesse reparado nuns detalhes. O curso em causa resulta de uma parceria entre a “Academia do Professor”, a Rede de Centros de Formação de Entre Tejo e Sado e a Universidade Aberta.

Tudo muito institucional e, queria eu acreditar, integrado naquelas iniciativas de formação da Escola Digital, que se anunciaram gratuitas. Pois… gratuitas até certo ponto, pois só “quem não quiser certificado poderá frequentar o Curso sem qualquer custo associado”.

Agora reparem lá nestes “pormenores” relativos à certificação (e nem vou falar dos três conferencistas que ninguém sabe quem serão, mas que não será preciso um zandinga para calcular, atendendo aos monges que costumam usar o hábito por aqui), sendo especialmente engraçado o valor de “cerca de 25 euros”, como se fosse uma quantia ainda em apreciação.

Em que modelo se realiza o curso?

O curso é lecionado na modalidade de eLearning, com recurso a um sistema de gestão de aprendizagem (LMS) e num regime exclusivamente assíncrono. Ao logo do mesmo serão realizadas 3 conferências num total de 6 horas, reconhecidas como ACD válida para efeitos de avaliação e progressão na carreira.

Qual o custo de frequência do curso?

A frequência do curso não tem qualquer custo associado.

Qual o custo de emissão de certificado?

Será emitido um certificado, pela Universiade [sic] Aberta, com a indicação “Curso realizado com aproveitamento” o que implicará realizar as atividades de avaliação definidas no plano do Curso.

Como o curso terá 26 horas, terá acreditação de 1 ECTS e o custo de emissão de certificado será de cerca de 25€.

Esta ação está acreditada pelo CCPFC?

Este curso pode ter um certificado emitido pela Universiadade [sic] Aberta e individulamente [sic] pode ser soliciatado [sic] ao CCPFC a sua acreditação para efeitos de avaliação e progressaõ [sic] na carreira.

​(como autor confesso de “gralhas” – inconseguimentos ortográficos – com alguma frequência, vou apenas referir que uma publicação de uma rede de centros de formação tem um pouquinho mais de responsabilidades do que um blogue de um professorzeco)

O Estado Da República

A conversa:

“É preciso sobrepor o interesse colectivo aos interesses individuais”, defende Marcelo

Os factos:

17 ex-gestores do GES tiveram perdão fiscal. Só Salgado terá legalizado 34 milhões

“Está a preparar-se um assalto aos fundos europeus”, diz presidente da Transparência e Integridade

Nova presidente da TIAC está preocupada com afastamento de Vítor Caldeira da presidência do Tribunal de Contas. Neste momento há dúvidas sobre quem se encontra em funções.

E Continuamos A Pagar Isto Tudo Porquê?

Novo Banco vendeu 13 mil imóveis a fundo anónimo, deu crédito e recebeu compensação estatal pelas perdas

Foi o maior negócio imobiliário em Portugal nos últimos anos. Foi uma “pechincha”. O Fundo de Resolução cobriu as perdas de centenas de milhões. O Novo Banco vendeu e emprestou o dinheiro a quem comprou. Quem? Não se sabe. Ninguém escrutinou os compradores.
Para que, como eu, não tem acesso exclusivo, há um resumo aqui. Isto é tudo demasiado mau, mas a coreografia é sempre a mesma.
buraco-dinheiro-2

Os Amiguinhos Do Costume

E aquela conversa enrolada para fazer boi dormir.

O secretário de Estado da Educação explica que quer “fazer uma transição que não é experimentalista e que foi preparada com uma capacitação para aquilo que podem ser os obstáculos”. O objetivo, segundo o governante, é alcançar resultados o mais positivos possível, porque, como diz, se, por exemplo, “o próprio professor não conseguir explorar amplamente as capacidades dos recursos digitais, eles podem ser ou relativamente inúteis ou, até, não serem um bom substituto do papel”.

O grupo de dez escolas consta de uma lista que o próprio diz ainda não estar fechada, mas que terá “diferentes contextos geográficos, diferentes cenários socioeconómicos de implantação da própria escola”.

João Costa sublinha que se poderá tentar uma desmaterialização dos manuais já em setembro, “para servirem também um pouco de tubo de ensaio para a escalagem para todos os agrupamentos de uma forma progressiva”.

E se continuarem a ler a notícia percebem logo quem está à espera de encomendas.

Carapaus

Alguém Perguntava Há Bocado, Numa “Rede Social”, E Com Razão…

… algo como… se as escolas se queixam de não ter dinheiro para comprar gel desinfestante e máscaras como têm para comprar plataformas e aplicações que não são baratas?

E acrescento eu… e para quê, então, o E360?

Money

(isto faz-me lembrar aquela escola que contratava sempre o mesmo esposo de uma “notável” para assegurar a manutenção dos equipamentos…)