Quero De Volta Os Livros de Ponto

Com computadores da anteantepenúltima geração e a rede a funcionar a vapor, são quase cinco minutos para fazer (sumário e faltas) o que antes demorava um minuto, em papel. Parece que o Progresso é assim e que o velho sou eu.

Ou posso, em nome da flexibilidade e autonomia, da escola sem paredes, portas e disciplinas, lixar-me para tais formalidades? Ou, no fundo, é tudo apenas para provar que eu é que estive lá?

Livro de Ponto

6ª Feira, 8 De Março

Dia Internacional da Mulher. Ontem, um desfile de gente muito bem intencionada em discursos sobre a violência doméstica, esperando-se que nos restantes 364 dias façam alguma coisa. Muitas mulheres a falar, poucos homens. Pareceu-me condescendente. Não chega as mulheres denunciarem a situação, pois o problema está numa parte dos homens e deveriam ser esses a pensar na melhor forma de se civilizarem enquanto “género” (porque “sexo” não se usa) para evitarem um flagelo arcaico mas que infelizmente, não é só nosso (há países teoricamente mais civilizados onde a violência doméstica ou mais simplesmente dos homens sobre as mulheres é uma realidade escondida das estatísticas), o que não desculpa nada.

Dito isto, lembrei-me de há quase 30 anos ter estudado, com a minha caríssima metade de então e agora, para a I República, a repercussão mediática do que então tinha uma outra terminologia na imprensa – crimes passionais – e como era tratada uma realidade que então fazia as primeiras páginas da imprensa “séria”, não sendo considerado tema “sensacionalista”. Eram outros tempos, em que estes assuntos, mesmos tratados no âmbito da História, eram observados com sobrolho franzido por muita gente. Alguma dela que, felizmente, parece ter mudado de atitude e agora até apareça a dizer coisas e tal, muito progressistas, em vez de – como na época – se limitarem a desprezarem tais temáticas como “coisas de maricas” [sic], como cheguei a ouvir ou a ser-me transmitido por mensageir@s apressadas em subir na escala de estima e favores da hipocrisia académica. Que andam por aí e em alguns casos com assinalável “sucesso” nas novas roupagens camaleónicas.

E é sempre nostálgico reencontrar  actas que apenas policopiavam os textos dos autores, neste caso impresso numa boa e velha seikosha de agulhas que parecia uma máquina de tricotar.

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Há Sempre a Esperança…

… que uma centelha do génio de Goscinny se reencontre a cada novo álbum do Astérix, ao longo de quase 40 anos. Se é bem verdade que os tempos catastróficos dos últimos álbuns de Uderzo a solo estão claramente ultrapassados, ainda há muito de pastiche bem comportado em vez de verdaeira reinvenção (nem o Uderzo deixaria). Se A Zaragata, Astérix e os Normandos ou O Domínio dos Deuses são 9,5/10 e O Pesadelo de Astérix ou Astérix e Latraviata são 2/10 (com boa vontade e quase só por causa do desenho), este andará pelos 6,5/10, talvez 7 por causa do gozo com os Lusitanos (o Biscatês e o Àsduasportrês) que têm sempre o carro empanadom chegam em último e levam a taça por serem perseverantes (agora diz-se “resilientes”).

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(já agora, uma experiência… se forem a uma fnac, bertrando ou mesmo grande superfície comercial, reparem que ao expositor do novo Astériz praticamente só se chegam tipos acima dos 40 anos…)